sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Um fascínio por tudo o que é perdido. Um fascínio por tudo o que pertence ao imaginário dos audazes... nada está acabado, apenas tudo se perdeu na imensidão de escolhas em diversos "mundos" que a nossa humanidade - palavra nem sempre abonatória, o âmago humano não é o mais altruísta - nos permite, num sem fim de... humanidade... ideias abstractas e pseudo-diferenciadoras.

humanidade - substantivo feminino
1. conjunto de todos os homens;
2. natureza humana;
3. figurado benevolência; clemência;
4. plural estudos clássicos superiores; letras clássicas;
(Do lat. humanitáte, «id.»)
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Lembras? Da praia - Foz do Arelho -, das bicicletas, dos jogos competitivos, do mar... do horizonte, do despojamento... nada mais interessava.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

FETICHE COISAS QUE SEDUZEM

in Público - suplemento Y.

Por João Tomé


MARCO DELGADO | MOÇAMBIQUE o meu país

Tudo começou há 31 anos atrás. Em 1972, no décimo oitavo dia de Outubro, o bebé Marco Delgado nasceu na cidade da Beira, em Moçambique. Não durou muito até que a guerra trouxesse Marco e a sua família para Portugal, tinha apenas cinco anos. Desde essa altura o jovem cresceu e tornou-se actor. Mas algo de Moçambique e de África permaneceu em Marco Delgado…

“Moçambique está sempre presente em mim. Mesmo que não tenha ido lá muitas vezes, tenho qualquer coisa daquele país enraizada na minha memória afectiva e emocional. Recorro a essa sensação nos momentos mais profundos e mais sérios da minha vida privada.” Com entusiasmo, interesse e satisfação, o actor fala nas suas origens, na forma como pensar em Moçambique, ou em África, lhe transmite uma liberdade incomensurável. Talvez por isso diga:

“Este meu fetiche é se calhar algo muito mais psicológico”, confessa. Tem a ver com a sua liberdade de pensamento e de estar. Marco recorre a esta reminiscência para interiorizar uma sensação de tranquilidade, de prazer e de bem-estar que o faz pensar que: “somos tão pequeninos, quando estamos em África, ou Moçambique. De repente, não somos assim tão importantes quanto isso. Não somos o centro do mundo”, afirma com convicção.

A sensação de despojamento que as suas origens inspiram, levam Marco Delgado – o jornalista no filme “A Bomba”, de Leonel Vieira –, a requestionar toda a sua posição em relação à família, aos amigos e também à forma como trabalha na sua profissão. “Coloco dúvidas a mim mesmo porque tenho um paralelo, um exemplo. Uma coisa única e especial que me obriga a ver as coisas de uma outra forma.” revela o actor.

Foi há oito anos que regressou a Moçambique. “Voltei lá com um trabalho que fiz com o Teatro da Barraca, com o Raúl Solnado.” Depois dos primeiros cinco anos de vida passados em Moçambique, uma semana e meia, em 1995, colocou-o de novo em contacto com as suas raízes moçambicanas. “Antes nunca tinha lá voltado, nunca tive oportunidade, embora tivesse sempre muita curiosidade.”º

Como foi regressar? “Foi fabuloso!” Com um entusiasmo de quem revive emoções de uma vida inteira nas palavras, Marco recorda: “De repente parece que todas as reminiscências voltaram e tive assim uma sensação de conforto e de bem-estar, uma sensação de estar de novo em casa.” Encontrar o país em mau estado não afastou o “à vontade” que sentiu em solo moçambicano. O sol africano vai preenchendo cada vez mais as palavras do actor, que parece imaginar ao falar.

“Há uma coisa fantástica em Moçambique! É o nascer do dia, que é muito cedo e que também é algo de especial e único.” Sente-se África nas palavras de Marco Delgado. “Os dias são enormes, têm umas 15 horas, aquilo nunca mais acaba. Ás cinco e pouco da manhã o dia já está a nascer”, conta entusiasmado por recordar.

Saiu do país muito novo, com cinco anos. Lembra-se que era muito agradável viver em Moçambique. “A forma como vivíamos era uma forma descansada. Tínhamos um pombal enorme, com muitas pombas e que me dava uma satisfação única e muito especial.”

Por lá os limites do pensamento parecem maiores, enquanto “aqui parece que estamos todos muito espartilhados com muita informação, muitos valores, muita comunicação social, muita televisão, muita publicidade.” Em Moçambique Marco Delgado encontrou liberdade que transporta consigo. Por ser tão virgem ainda, tão natural e tão puro.

“Eu sinto que permaneço com essa liberdade, o que é fantástico! É de facto tudo muito grande e tudo com muito tempo.” Isso deixa o actor de 31 anos a reflectir sobre o estilo de vida mais rotineiro, mais ocidentalizado, mais “stressado” e que “não nos dá tempo para nada”. Viajar para África e para Moçambique é “um privilégio de redimensionamento do nosso espaço, tempo e vida” que Marco Delgado espera ansiosamente repetir no futuro: “assim que não estiver ´inundado` em trabalho”.

sábado, janeiro 31, 2004

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Zits às toneladas

Jeremy, o adolescente incompreendido
Ser adolescente nos tempos que correm não é fácil. Os pais também têm uma missão árdua se quiserem agradar aos filhos. “Resmas de Zits” é uma antologia que reúne o melhor dos 6 livros de Jerry Scott e Jim Borgman onde temos a possibilidade de reviver ou entender, de uma forma divertida e pertinente os tempos de adolescência. Jeremy tem 15 anos, uma idade de descoberta e também de desejo de independência. Neste livro podemos seguir a vida de um aluno mediano que estuda numa escola secundária, um irmão mais novo, um músico “wanna be” que gosta de passar o tempo com os amigos. Jeremy está sempre revoltado com a enorme ignorância dos seus pais sobre praticamente tudo o que é “porreiro” ou importante para ele. Carinhoso, divertido, ambivalente, impaciente, egocêntrico, emocional e por vezes pateta, Jeremy é a essência da adolescência, que podemos reviver nestas tiras de Banda DesenhadaJ.T.

“Resmas de Zits”, de Jerry Scott e Jim Borgman; 256 págs., €23. Edição da Gradiva, 2003.

domingo, janeiro 18, 2004

Miguel Sousa Tavares e... o seu Deserto Interior

FETICHE coisas que seduzem, fascinam
[in suplemento Y, Público - 16 de Janeiro, 2004; versão integral]

João Tomé

Um desejo de deserto, do nada, de viagem ao vazio de nós mesmos, que nos permite estar a sós com o Absoluto. Assim sente e deseja o deserto – a imensidão de céu e areia – Miguel Sousa Tavares. O deserto tem um céu diferente. Um céu que nos põe em contacto com a origem da Criação. Por lá, um copo de vinho pode dar uma alegria imensa.

Depois de alguma hesitação, escolhe de forma decidida, com o seu tom de voz grave, cavo e confiante: “O meu fetiche é o deserto!”. Como alguém que necessita de esperar para se pôr em contacto com as suas memórias, os seus desejos, Miguel Sousa Tavares comenta inicialmente que “só quem lá vai é que percebe o fascínio”. Depois vai recordando o que lhe transmitiram aqueles momentos de solidão.

O deserto dá-me uma noção de espaço, de horizonte sem fim, de viagem interminável que eu gosto muito.” Para ele, isto significa que o deserto acaba por ser revelador do melhor e do pior de cada pessoa. Recorda-se de inúmeras situações onde viu isso acontecer, mas apenas comenta que “já conheci grandes aventureiros que se ´borravam` de medo lá, e pessoas aparentemente frágeis que se revelaram verdadeiros viajantes do deserto”.

Este é um sítio onde o escritor, cronista e jornalista coloca as suas ideias em ordem, sobretudo as ideias sobre o sentido ético da vida, o sentido final da vida. “É ali que começa a vida, o princípio de todas as coisas. Só então ficamos a saber que tudo o resto são circunstâncias.”

Cada vez mais “solto” e animado com as suas reminiscências, Miguel lembra-se de uma situação típica no deserto que exemplifica o despojamento que lá se experiencia. “Fui para o deserto uma vez e tinha comprado um carro novo em Lisboa, que é sempre um acontecimento, não é... Ao fim de uma semana lá, dei comigo a pensar que carro é que tinha comprado, sem me conseguir lembrar”, conta entre risos.

A primeira vez que se encontrou no seu sítio preferido, quase divino – confessa este ateu convicto –, foi há cerca de 15 anos. “Fui fazer uma reportagem sobre a guerra entre Marrocos e a Frente Polisário no Sahara”, confidencia. Essa altura foi a mais “violenta” de todas. A viagem decorreu em Agosto e chegou a apanhar 65 graus à sombra. “Não estava preparado para aquilo e por isso estive ali uns dias à beira de desidratar, mesmo. Nunca na vida supus que pudesse haver calor assim.”

Das outras vezes foi sempre mais organizado, aprendendo o que era preciso. E o que é preciso? Acima de tudo espírito de descoberta, uma infinita paciência e uma capacidade de introspecção e de relacionamento com os outros especial, explica. “Qualquer pequeno conflito ali pode assumir proporções imensas, numa situação de tensão controlada.”

As quinze vezes que já visitou o Sahara – a última foi há já três anos –, demonstram a sua preferência por este deserto africano. A sua estadia mais longa foi logo na segunda ou terceira viagem em que esteve um mês e meio na zona do Sahara na Argélia, “sempre em movimento, sempre em viagem”.

O deserto acaba por ser uma fonte de inspiração para uma pessoa que adora escrever, mas, sobretudo é uma fonte de conhecimento de si próprio e uma oportunidade para pensar nas coisas que são verdadeiramente importantes na vida.

O local intocado, primitivo, inicial e, ao mesmo tempo, definitivo, que Miguel Sousa Tavares tanto aprecia, também faz dele uma pessoa melhor? “Quando lá estou, sem dúvida!” É um bocado como os retiros para os católicos, compara o jornalista cada vez mais animado. “Eles vão aos retiros e ficam óptimas pessoas e depois vêm cá para fora e esquecem-se.” Miguel queria ter todos os dias o espírito de viajante do deserto mas, de facto, não tem: “tomara eu ter sempre essa mentalidade”.

Uma noite no deserto é: “Completamente inesquecível!”, diz entusiasmado. Começa pelo céu que é “completamente diferente”. Começa pela sensação de solidão em que se está. E depois, sobretudo, uma das coisas que mais gosta é que qualquer pequenina coisa dá uma imensa alegria. “Um copo de vinho, comer uma boa lata de atum, tem um valor que a gente nunca imaginou que pudesse ter.”

No deserto com quem? É muito difícil para ele encontrar alguém que entenda as coisas da mesma forma, que saiba respeitar os silêncios e a solidão e por isso, viajar é estar consigo próprio. Conhecer-se ainda mais, ao descobrir outros lugares, pessoas, gostos, cheiros. “Quando se viaja com outra pessoa, não se está tão atento ao que acontece à nossa volta, porque estamos preocupados com o outro”, por isso a solidão é fundamental, excepto, quando se está com a pessoa que se ama e com quem se gosta de partilhar tudo, ou com amigos especiais.

Uma viagem que é, para ele, simultaneamente uma viagem exterior, como as outras coisas, mas também uma viagem interior, como em lado nenhum. O deserto visto pelos olhos e experienciado nos sentidos de Miguel Sousa Tavares tem um encanto epopeico.

“Eu vou a Veneza e fico extasiado, sentado na praça de São Marcos, a olhar para tudo o que me rodeia. No deserto eu olho para as coisas que me rodeiam e para aquilo que está dentro de mim”, relata o autor do romance “Equador”.

Talvez por isso o conselho final de Miguel Sousa Tavares se torne óbvio: “Ninguém deveria morrer sem ter visto pelo menos uma vez o deserto”.

sábado, janeiro 03, 2004

They Live By Night I.
Esta é uma noite fresca. Já é dia 3 de Janeiro. Mais uma noite onde tudo parece vago.
No inverno fico dorminhoco (ainda mais). Sinto-me mal por isso, mas durmo até tarde.
Algo que me parece difícil de evitar. Mesmo quando me mentalizo para que não aconteça.
Tá frio porra! E de manhã o quente da cama convence o corpo a não sair do ninho e enfrentar o frio da manhã.
Tentar não basta! Tenho de me levantar mais cedo... com isso na mente fica uma foto:
da noite que se estende e não deixa a manhã respirar.


Starry Night, Vincent Van Gogh

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Uma flôr, pequena mas forte

Hoje é dia 2 de um novo ano. E eu...
Quero muita coisa. Uma delas tornou-se ser jornalista. Redescobri mais uma vez que se calhar até tenho algum jeito para a coisa. Gosto também. Importante não? Possivelmente. A ideia de que não vou chegar lá está cada vez mais presente. Não por falta de vontade, mas por dificuldade na área e de não me querer sujeitar a alguma coisa que realmente não gosto, dentro da área.
Apesar de estar mais direccionado para jornalismo, que mais não seja em formação, gostava muito de tocar no mundo cinematográfico, que simplesmente me fascina. Realizar, coordenar, filmar, imaginar um pedaço de cinema, o meu cinema, seria algo que me daria gosto. Participar num filme que achasse que valesse a pena, actuando, seria algo que gostava de fazer.
Ideias e gostos que me foram surgindo ao longo de 22 anos de vida e vários anos na instituição escolar.
O prazer de contribuir com muito de mim numa curta-metragem, de fazer uma reportagem radiofónica sobre uma peça de teatro... diferente (Alma em Lisboa) para a TSF, de fazer um destaque sobre segurança de Portugal no Euro 2004 para o Público, são coisas que não só parecem boas, como são boas para mim...
Da mesma forma que um trabalho sobre Jim Morrison para a faculdade, ou sobre o pintor José Malhoa são outras coisas que sabem muito bem fazer.

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Lembra-te das passagens de anos... alegres.


quarta-feira, dezembro 03, 2003


Aimee Mann - Lost in Space
"This is how it goes
You´ll get angry at yourself
and think you can think of something else
and i´ll hear the changing of the bells
cause I can´t stop you, baby...

"This is how it goes
one more failure to connect
with so many how could i object?"


Aimee Mann, com uma voz extraordinariamente bela, faz dançar calma e serenidade pela mente.
Fundamental não deixar escapar músicas como Wise Up, ou One ("One is the loneliest number that you´ll ever do");
Save Me, ou You Do;
sem deixar de mencionar Momentum ("Oh, for the sake of momentum, I've allowed my fears to get larger than life").

Wise Up ganhou inicialmente alguma visibilidade em Portugal com o extinto programa da RTP2, Zapping. A música Wise Up em conjunto com imagens do "nosso" mundo, levavam-nos de uma forma comovente para uma introspecção assustadoramente real, do ambiente envolvente que era o Portugal crú e nú. Era esta a forma melancólica do programa acabar... Depois de Tiago Rodrigues e companhia nos levaram pelo fantástico mundo que é aquele que muitos não querem ver ou simplesmente não existe.
Pena que a música tenha sido tão explorada recentemente e acabe por perder um pouco a magia.

Wise Up
It's not
what you thought
when you first
began it
You got
what you want
Now you can hardly stand it, though
but now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure
there's a cure
And you have finally found it
You think
one drink
will shrink you 'til you're underground
and living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list
of what you need
before you sign
away the deed
'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No it's not going to stop
So just give up


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Lembras as noites gélidas de Inverno, a lareira aquece, a mente divagueia pelo sentido existencialista do ser, pelo universo que imaginas ser o que te circunda. Sentimentos que são esperanças únicas, demasiado confusas para acreditares nelas...
Eras tu... mais esclarecido apesar de repleto de filosofias incertas, misturadas com as respostas que foste encontrando por ti...

terça-feira, novembro 18, 2003

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

Vinicius de Moraes

TSF - Carlos Raleiras

Quando me preparava para falar de uma experiência de uma qualquer pessoa na Rádio Notícias - TSF, acontece o que se viu, sexta-feira, dia 14 de Novembro, a Carlos Raleiras e Maria João Ruela no famoso país, pelas piores razões, o Iraque.
O estranho, invulgar e até arrepiante é que conheço pessoalmente o Carlos Raleiras, pois fiz parte da equipa da Tarde da TSF, em Setembro e princípio de Outubro. Conheci-o por lá numa altura de mudança de grelha informativa na rádio... quando andava tudo ainda um pouco nervoso devido ao medo dos despedimentos. Todos trabalhavam mais. Falei com o Carlos algumas vezes, mas poucas, porque ele era dos repórteres que mais saía da redacção. Enfim... em relação a esta peripécia que felizmente já acabou só tenho a dizer que o Raleiras mostrou-se extraordinariamente tranquilo, consciente e profissional... aquilo que eu mais admiro em muitos dos profissionais com quem trabalhei ou vi trabalhar na TSF.

Maria João Ruela - ora, não basta conhecer um... também conheço o outro... oh well.
TSF, relatório de um estagiário apenas... a lutar contra o "sistema" repleto de obstáculos.

domingo, novembro 09, 2003

TSF TSF TSF TSF

Creator Of Life

Incrível... a vontade não é tudo.
Tinha vontade de escrever neste meu cantinho cibernético todos os dias. A verdade é que não conseguindo durante umas semanas, desmoralizo e deixo um pouco esta experiência que é suposto ser, de mim, para mim e para aqueles que queiram espreitar, quem sabe...

Depois disto, queria começar a explicar a ideia inicial deste cantinho. Neste caso, a forma como tu, serEmot ou serAlguém, vieram aqui parar. Para chegar aqui foi necessário escrever no "adress": creatoroflife[aqui está].blogspot[o meio que permite tudo isto, aquele com que contactei primeiro, se fosse hoje talvez tivesse ido fazer o meu cantinho para o "blogger.com.br"].com. Ora, o conceito de Creator Of Life é antigo em mim. Se bem me recordo tinha uns saudáveis 15 anos, talvez, quando a frase começou a percorrer a minha mente.

CREATOR OF LIFE. Criador de vida, todos, ou a maioria pode ser... Tinha 14 anos, quando nasceu o meu irmão. Nessa altura comecei a ter a noção de que podia já ser criador de vida, não numa perspectiva sexual, tão bem desenvolvida pelo roto do Pipi, mas numa perspectiva procriadora, como a bárbara igreja [com letra pequena] católica gosta tanto de simplificar. Criar vida... esta ideia tão pouco original extravassou o seu significado inicial.

CREATOR OF LIFE. I´m a Creator Of Life, i´m a Creative Mind ... Não são muito distantes, nesta minha perspectiva. Ser criativo ao ponto de criar algo pela escrita, é também, para mim (e porque não), criar vida. Quando se transmitem pensa (mentos) melhor, que, de certa forma nos sensibilizam ou despertam alguma coisa (mesmo que não tenhamos consciência), estamos a desencadear noutra pessoa ou em nós mesmos (quando estamos a ler e a recordar) VIDA.
Se pensarmos no que alguém escreveu, se agirmos ao pensarmos no que foi escrito e nos sensibilizou... quem escreveu é aquilo que, neste caso (e hoje), eu chamo Creator Of Life.

O que é engraçado nesta definição estranha é que se escrevesse sobre isto noutro dia, a explicação poderia ser bem diferente, ou mesmo não ter nada a ver. Estranho? Sim! Porque muitas vezes não acreditamos muito no que dizemos, e se dissessemos noutro dia, diriamos algo, totalmente diferente.

Remember the lifes that you received in your mind.
Remember the thoughts, and sometimes the people.
See ya later Alligator!

sexta-feira, outubro 03, 2003

sou humano

é nestas alturas em que me sinto mais humano...
É quando existem transições, neste caso coisas que deixam de existir ou acontecer, situações que se experienciam durante algum tempo.

Enfim, hoje foi o ultimo dia de algo que durava desde dia 9 de Julho.
Um tempo passado com pessoas boas e más, desatentas e atentas... muita coisa.
Terminou uma experiência intensa e que recordarei para sempre.

Sinto-me mais humano, porque estou feliz e triste, nostálgico e melancólico, sinto-me mais, sinto a minha mente a navegar pelas experiencias que passei desde 29 de Julho, especialmente. Eu sou aquilo que senti nesses momentos imensos e recordar isso faz-me olhar para mim próprio. Agora vem o receio do que se segue, vem a tristeza do que não se conseguiu realizar, experienciar... tanto...
Telefonia sem fios na mente.

Explicarei....

Lembras o inicio? lembras a força de vontade?
não esqueças, para melhorares... não te resignes.

quarta-feira, setembro 10, 2003

Lembras o mundo de manhã?

Lembras o mundo de manhã? o conforto no estômago da quentura de uma bela tigela... que preenche e aquece mais um dia de escola, que se pretende ser alegre e enriquecedor; que pode causar risos incontroláveis ou amarguras intensas; conhecimentos estimulantes ou incompreensões. Mundo de manhã é normalmente apressado (ou atrasado), nesta reminiscência.
Mundo de manhã é cheio de esperança e sonolência, imaginação e sapiência, pode ser a convicção que tudo vai correr bem, a vida actual é boa e o futuro também.

Mundo de manhã... por vezes é horrivel... quando tudo corre mal, o atraso prolonga-se; a gasolina acaba; o trânsito estava exagerado;
o estômago deu voltas por algo que não se devia ter comido; a irmã sentiu-se mal (levando-te por acréscimo); o cão (Jonas) espalhou o lixo todo (o que até pode ser divertido ver a mãe a juntar e ouvir ralhar ao mesmo tempo...); dia de teste (de história)... o nervoso é tal que o que está no interior aperta, o corpo anda preso e tenso e só se consegue pensar na Guerra Fria ou no Estado Novo.
Ser assim é...

Pensar em: Há 80 anos "Nestlé Mania". Temos prémios fabulosos para o serEmot!

A publicidade pode ser bastante aborrecida, ou nãoo. Que tal ganhar? uhmmm, dificil hein...

"Promoçãoo Nestlé Mania.
80 anos. 80 prémios.

A nossa festa vai começar.
Participe na promoção Nestlé Mania.
Há muitos e fantásticos prémios para si:
1 Casa até, € 150.000
3 Mercedes-Benz Vaneo 1.7 CDI Family
76 Vales-compra Singer de € 2.000 cada"

Este post serve apenas para lembrar uma criação maravilhosa do homem: NESTUM!

Um bem haja a esta empresa multinacional, de nome Nestlé, que nos presenteou com esse belo produto.
Aqui o je já percorreu o Nestum de MEL, o primeiro e que é mais conhecido; o de FIGO, que sem dúvida está entre os melhores mesmo ao lado do de CHOCOLATE. O segredo está na consistência... é preciso ter "olho" para as quantidades, só assim se pode saborear verdadeiramente. Reminiscências...
Claro que outros produtos, como a papa Cérelac, também são algo de extraordinário... para qualquer pessoa, de qualquer idade.

Enfim, também já ganharam muito dinheiro com os produtos, mas nunca fica mal o reconhecimento de algo que preenche tantas infâncias, tantas adolescências, tantas maturidades e velhices... por todo o mundo.
Ah, ao que parece Nestum na China é um dos produtos mais "na moda" nos últimos tempos... ainda existem comunidades que só agora descobrem estas maravinhas... falta ainda grande parte dos países africanos... aí faria mais falta, pelos motivos que se conhecem.

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Lembras o mundo de manhã?

segunda-feira, agosto 04, 2003

do so: creator_of_life@hotmail.com

Imagine no fires

"As temperaturas vão voltar a subir na
quarta-feira e manter-se altas até sexta-feira o que, com a baixa
humidade e continuação dos ventos leste, constituirão um "cocktail"
explosivo que favorece a eclosão de incêndios e dificulta o seu
combate. " - 2003-08-04
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Pois é.
A noite de ontem foi lixada. No caminho para Lisboa vi um incêndio mesmo perto da auto estrada, havia já bombeiros a tentar extinguir aquela força da natureza. Na escuridão da noite aquela zona a arder era magnânime, a luz que irradiava das chamas era tremendamente chocante. Chocou-me porque pensei que estava perto, que realmente o país estava a arder, de certa forma não literal, mas que isso é grave e tinha menosprezado por apenas ver e ouvir pela RTP ou pela TSF, respectivamente. Chocou-me porque apesar de não ser grave, aquele fogo ali, pôs-me de certa forma em contacto com a realidade.

Vamos apagar o fogo! Onde quer que ele se encontre.
Não sou ecologista por natureza (esta soa bem...), mas preocupa-me tanta floresta destruída.
Outro sentimento que me passou pela massa cinzenta (ou com tonalidade acinzentada) foi de PROFUNDA REVOLTA!!! :
revolta de ver aquela situação de fogo e pensar que era bem possível ter sido alguém propositadamente!

Na minha mente imaginei logo o que podia ser um velhote de aldeia (ou não), que queria fazer parte das notícias incendiárias... ou então um jovem tanso que também queria participar na estupidez mediática, quem sabe... podia ser um bronco do Big Brother (nos seus tempos antes Big Brother). Claro que os tansos e broncos existem na aldeia e na cidade. Irritou-me porque senti a revolta dos mais prejudicados com esta situação, verem tudo o que possuem, muitas vezes a vida, desaparecer apenas porque um outro ser humano pouco consciente decidiu ser destruidor (pensando ter piada, ou assim ser mais do que é).

Enfim... a vida deixa-nos perplexos... é caso para pensar em Lennon:

Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...

Imagine there's no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace...

Imagine all the people
Sharing all the world...

You may say Im a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one.
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[passaram-se 22 anos desde a morte de Lennon - 1981 - ele imaginou, mas a verdade é que o mundo não vive como ele queria... nem viverá, digo eu... apesar de utopia... era bom se fosse possí­vel realizá-la, mas não é.
A velha máxima de: "tu podes mudar o mundo, outros se seguirão" parece ainda não dar resultado, acho que quem fez as máximas tem razão até certo ponto... é que existem 6 biliões de pessoas neste planeta...
lamento, não me parece ir mudar muito para melhor, pelo menos não no caminho da utopia. Mas o pouco que se vai mudando também já vale a pena, verdade. Será que o Beckham pode mudar o mundo? (cenas dos próximos capí­tulos, que este vai longo).]
Lembras os saltos por cima da fogueira junto à  escola de equitação? via-se o céu e o infinito, acreditavas nas utopias da mente porque elas podiam realizar-se.
não esqueças

Vejo, farto-me, sou, somos.

"Þ Vejo, aquilo que os meus olhos querem ver
Penso, aquilo que a minha mente quer perceber

Farto-me de tudo e de todos
Ralho contigo e comigo
Brinco como amigo e inimigo

Sou como tu, apesar de diferente
És como eu, apesar de seres “gente”

Somos e vivemos, nascemos e morremos
Eu não te quero desiludir
Cada vez mais sou exemplo do devir

Quero-te agradar e provocar
Quero a tua atenção e o teu perdão
Ser aceite e conhecido,
ao desprezar-te e consagrar-te.

Preciso de ti como precisas de mim,
embora às vezes sinta que preciso mais de ti
do que tu de mim...

Enfim... é assim... às vezes, tem vezes
como tudo na vida, o que importa é tudo
depende dos momentos e sentimentos

Dependemos uns dos outros,
eu visto-me porque tu existes
eu faço para te mostrar,
mesmo que não mostre, penso em nos mostrar, a ti e a mim (que às vezes sou “tu”)"

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Este é meu. Digamos que tem uns anitos... a vida passa, as ideias nunca mais voltam a ser iguais, apenas semelhantes.

Lembras-te da minha ideia? percebes a minha visão?
erras se pensas que sim, só podes perceber parte...
lamento. (nem eu poderei percebê-las, já não estou a escrevê-las, apenas a recordá-las, as palavras)

Almeida Garrett

(palavras fortes, mas no seio da loucura amorosa muitas vezes proferidas sem o significado inicial... porque amar não é dizer, é agir e sentir! amar não existe... pensa-se/imagina-se que existe... )
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- Não te Amo -

"Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado, [amar é forçado? porque não, se o poeta faz questão]*
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não. "

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*nota minha
Lembra-te dos sorrisos que não foram gargalhadas, mas foram interiores, repletos de cumplicidade e união entre dois seres que imaginam coisas em comum, de forma semelhante.

Poemas que aleijam

Pois é, aqui estamos nós (quando digo nós falo da única pessoa que realmente está aqui, eu), a ouvir a TSF, essa bela rádio em perigo... e a dedicar esta bela tarde de sol, de calor e de incêndios a, poemas.

Poemas, poemas, palavras em movimento, em significado profundo e constantemente em mutação subjectiva!
Deixo-vos (quando digo "vos" falo da única pessoa que realmente lê isto, eu) algumas ideias sobre a forma de poemas, uns escritos por autores conhecidos, outros por um autor desconhecido, eu (aquele que lê estas coisas).

Lembras-te de mim? queres lembrar? porque não??????????!!!

Antero de Quental - Mors — Amor

Esse negro corcel, cujas passadas

Escuto em sonhos, quando a sombra desce,

E, passando a galope, me aparece

Da noite nas fantásticas estradas,


Donde vem ele? Que regiões sagradas

E terríveis cruzou, que assim parece

Tenebroso e sublime, e lhe estremece

Não sei que horror nas crinas agitadas?


Um cavaleiro de expressão potente,

Formidável, mas plácido, no porte,

Vestido de armadura reluzente,


Cavalga a fera estranha sem temor:

E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"

Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"
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Também há a possibilidade de: Responde o "eu": Eu sou o Amor que vai morrer!

Lembra-te de mim! Porquê? porque eu sou aquilo que nunca serás.
Porque não, se se faz questão.

Hoje

ducentésimo décimo sexto dia do ano. Faltam 149 dias para o final de
2003.
O ocaso regista-se às 20:45.

1578 - Batalha de Alcácer Quibir ou dos "Três Reis". O Rei de
Portugal, D. Sebastião, morre na batalha näo deixando descendência
directa. O clima obsessivo pela contenda instalara-se em Lisboa anos
antes, aumentando pregãos e esgotando mercadorias, segundo crónicas da
época. Já em 1571, a conquista da praça marroquina, como projecto
bíblico de D. Sebastião, é referenciada por Francisco de Holanda em "Da
Fábrica que Falece à  Cidade de Lisboa", carta ao rei "sobre a
fortificação e reparo da cidade". A morte de D. Sebastião conduz à 
crise de sucessão que culminará com a apropriação da coroa portuguesa
pelo rei de Espanha, Filipe II, filho de Carlos V.

1901 - Nasce o trompetista de jazz Louis Armstrong, em Nova
Orleães, Louisiana, nos EUA.

"A paz vem de dentro de ti próprio, não a
procures à  tua volta". Buda (c.563-483 a.C.).

Esta é uma ideia... uma ideia surge e nem sempre se desenvolve.


És amado, vives porque queres? ou porque não tens de viver?
És a vida? sabes o que queres? porque pensas que sabes isso? de onde te vem as ideias e o desenvolvimento delas? do cérebro, sem dúvida, mas o que isso constitui?

Acreditas em mim? acreditas na minha vida? nas minhas passagens de vida? no meu cérebro ou na minha alma?

A minha alma está em mim, será que existe alma? já venho!!!

lembra-me...

terça-feira, outubro 05, 1999

Ilha de Saturno

Viagem ao Passado Natural

Ilha de Saturno. Ilha do Sonho. Isolada ainda hoje do “mundo” mais civilizado, as Berlengas formaram-se à cerca de 280 milhões de anos e são um fragmento do continente americano. Com pequenas praias, de água cristalina, transparente. Com um forte construído em cima de uma rocha, grutas “mágicas” e natureza ainda pura, as mais de 22 mil gaivotas são quem domina a ilha. Nas Berlengas estamos dentro do Atlântico e parece que longe de Portugal e Europa. E o mar não termina. Tudo isto a 5,4 milhas (10 km) de Peniche. Fotografias e texto, João Tomé.



Água cristalina e transparente - com 4 e 5 metros de profundidade vê-se sempre o fundo -, praias pequenas, natureza pura, formas únicas nas rochas e grutas “mágicas” fazem parte da beleza natural da ilha Berlenga. Uma viagem curta, mas que dificilmente se esquece.

TEXTO João Tomé

10h45. «Vocês vão adorar a ilha, a água é linda!» A expectativa cresce à medida que Filipe - professor estagiário de geografia de 22 anos, das Caldas da Rainha - vai explicando a três amigas o “paraíso das Berlengas” enquanto o barco parte do porto de Peniche. Duas vezes bastaram para Filipe ficar encantado pela Ilha de Saturno – assim chamavam à Berlenga os historiadores da antiguidade. Repleta de muito mar, aves, granito róseo, vento e sonho, no arquipélago natural e selvagem das Berlengas respira-se liberdade e pisa-se granito americano.

A viagem ao conjunto de ilhéus – composto por uma ilha habitável, a Berlenga Grande, ilhéus mais pequenos, os Farilhões e os rochedos Estelas (que não se vêem do continente, por estarem tapadas pela Berlenga) – constitui uma pequena aventura. A principal embarcação para a ilha no Verão, Cabo Avelar Pessoa, balanceia de um lado para o outro, num vai e vem que lembra as diversões mais emocionantes de parques temáticos. “Oh my god, this is fantastic! Ah!” Ingleses, portugueses, italianos e franceses correspondem com gritos de emoção, à medida que o barco balanceia pelas ondas crispadas do Atlântico.

A euforia é clara nesta viagem de 30 a 40 minutos (depende da embarcação e estado do mar), mas existe também a preocupação com os enjoos. «É por causa do mar ser assim que de Outubro a Abril não há visitas à Berlenga, apenas alguns pescadores vão à ilha. Há meses em que é mesmo impossível ir lá!», explica um dos funcionários que vai distribuindo sacos de plástico – que acabaram por não ser necessários – para os estômagos mais sensíveis.

Do barco ao fundo visualiza-se os contornos da ilha principal, a Ilha de Saturno. Rochas isoladas que parece que se elevaram sobre o mar. Mas, na verdade, esta formação granítica de tom rosa não é mais do que um resto que permaneceu das Américas quando os continentes estavam ainda em formação. Bem diferente do solo português litoral e bem diferente dos arquipélagos da Madeira ou Açores, formados por erupções vulcânicas. E a América ali tão perto. Estamos perante um símbolo único de outros tempos, e com grande riqueza natural que constitui a Reserva Natural das Berlengas (RNB).

À entrada na zona de principal da ilha, que fica mais ou menos a meio, vislumbra-se a mistura da beleza natural com os poucos e simples vestígios humanos presentes. Com um pequeno cais de desembarque, que já serviu romanos, vikings, mouros e piratas ingleses, esta zona faz esquecer que estamos na Europa ou Portugal. Ao fundo vê-se a principal praia da ilha, Carreiro do Mosteiro, com cerca de 100 metros, dependendo da maré. Grutas e encostas de tom rosa e uma água cristalina e transparente pouco comum no continente português soltam vários sorrisos daqueles que visitam pela primeira vez a ilha. Alguns exclamam: «Parece um paraíso!»

Também se vislumbra bem perto desta área de entradas e saídas, o farol, que está no topo da ilha, edificado em 1851 e baptizado de Duque de Bragança, cuja luz é visível a 30 milhas. Um pequeno bairro com poucas casas de pescadores, um restaurante e cinco tendas em socalcos naturais numa encosta preenchem a parte mais humana da ilha. No céu e nas encostas, milhares de gaivotas voam e chilreiam fazendo sentir, à medida que um sol abrasador queima os mais desprotegidos.



Beleza e natureza vs. turismo comercial
Na ilha existe muita beleza, mas não comodismo, ou turismo de ilha paradisíaca. A Berlenga é agreste, selvagem, pouco confortável e quem domina a ilha são as gaivotas. Um pequeno paraíso diferente dos paraísos comerciais que nos priva de confortos, mas coloca em contacto com a natureza mais pura e com histórias desde a sua criação peculiares.

Apenas 350 pessoas podem estar em simultâneo na ilha. A Berlenga é gerida pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICN), que tutela a Reserva Natural das Berlengas (RNB) e cuida da vida natural desta ilha, que faz parte do concelho de Peniche e é considerada Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa. A RNB é constituída pela Berlenga Grande e pelas águas envolventes até à profundidade de 30 metros.

Esta Reserva foi criada em 1983, com objectivos de preservação da fauna e flora, e para defender esta atmosfera insular, sem esquecer a riqueza das águas e o potencial turístico. A zona total da Reserva é de 1063 hectares e na parte central está a ilha da Berlenga com 78 hectares. O resto é o mar e os seus elementos.

O ICN tem ajudado a preservar o ecossistema insular da Berlenga, composto por uma centena de espécies botânicas diferentes - plantas como a Armeria e Pulicaria não existem em mais nenhum local do planeta -, por pequenos répteis, mamíferos e exemplares valiosos da avifauna marinha. Mas é no mar que está a maior riqueza do arquipélago. De acordo com o ICN, as suas águas biologicamente ricas não se encontram igual na costa portuguesa. Existe ainda um valioso património arqueológico subaquático – que se pode visitar em viagens de mergulho.
Mas há ainda muito a melhorar. O excesso de gaivotas tem de voltar a ser controlado e numa das praias inacessíveis a pé existe algum lixo. Também a presença de algumas plantas, chamadas infestantes, criam problemas para a natureza e rocha. Apesar disto a beleza natural prevalece.

Quem queira passar uns dias neste luxo natural tem algumas possibilidades, mas à que ir preparado para a aventura. Existem alguns socalcos numa encosta, recentes, que permitem acampar, mas não se está imune às necessidades das gaivotas que “pintam” as tendas de manchas brancas e o restaurante Mar e Sol tem 12 quartos.
No Forte de São João Baptista, uma das preciosidades da Berlenga também existem quartos, alguns deles na própria muralha com uma vista inesquecível. A gestão está a cargo da Associação Amigos da Berlenga e aqui a beleza não está associada ao conforto. Cada casa de banho serve quatro quartos e a água dos duches vem do mar. Não há electricidade nos quartos, aliás em toda a ilha a partir do fim do dia não há electricidade. Mas as limitações permitem um maior contacto com a natureza. Adormecer e acordar neste pedaço de terra pode ser uma experiência única – chegou a ser um retiro para Salazar, nos anos 50.

Passeio pela ilha, o excesso de gaivotas
Aventura e natureza é também o passeio pelos trilhos previstos para as pessoas ao longo da ilha da Berlenga. Apesar de não haver livre acesso a toda a ilha, devido a ser uma Reserva Natural, estes trilhos, de cerca de 2 quilómetros, são definidos por pedras pouco visíveis e placas.
O passeio permite uma sensação de isolamento, pela pouca presença humana. Bem longe do mundo civilizado, olhando para o continente vê-se o Cabo Carvoeiro (por vezes nem se vê) e do outro lado, apenas… mar, céu e sol (no final do dia). Uma sensação de despojamento e liberdade que só um oceano ou deserto podem dar.

Passear pela Reserva Natural das Berlengas tem também uma grande riqueza biológica. Ainda em Junho, várias crianças, trazidas pelo navio Creoula (iniciativa do Pavilhão do Conhecimento) visitaram a ilha. Estes passeios permitem ver não só que há excesso de gaivotas, mas também espécies como airos – as aves símbolos da ilha, muito semelhantes a pinguins e que estão a diminuir pelo excesso de gaivotas –, pardelas e galhetas, lagartixas e sardões, coelhos e ratos. E também algumas plantas raras.
Aliás, o aumento da população de gaivotas – mais de 22 mil –, de acordo com o director da RNB, António Teixeira, em declarações ao Público, deve-se ao facto da ilha ter sido «uma vitima do aumento dramático ocorrido em toda a Europa ocidental. Até em Madrid há gaivotas». A abundância de lixos nas zonas costeiras e de desperdícios lançados ao mar foi o que trouxe à Berlenga as gaivotas em excesso, e também terá de ser a mão humana a destruir-lhe os ovos.

A parte mais a sul da ilha, é a que dá para se visitar melhor. Pode-se descer a enorme escadaria e entrar no forte, que é uma pequena península, ou ver o farol de perto, no topo da ilha. Dessa zona, ao olhar para o horizonte longínquo do oceano Atlântico, tem-se uma vista magnífica para as Estelas - que são pequenas rochas perto da ilha da Berlenga, que não é possível ver do continente. Do outro lado do oceano fica o continente americano, ao qual já pertenceram as Berlengas.

Para além da beleza natural há que tomar cuidados. É preciso saber respeitar a vida natural, nomeadamente as gaivotas, para não sermos surpreendidos com voos rasantes, o que facilmente acontece quando têm crias. Não sair dos trilhos. Também ter cuidado com o sol porque, apesar de não se tratar de uma ilha tropical, as probabilidades de se apanhar queimaduras na pele são bastante superiores a qualquer outra praia do país.

A parte norte da ilha, permite olhar mais de perto para os ilhéus Farilhões, que têm dimensões consideráveis. É mais complicado caminhar nesta zona, são encostas mais íngremes e a presença das gaivotas nem sempre permite continuar pelos trilhos. Mas a riqueza natural é inquestionável. Facilmente se dá um passeio por esta área sem se ver uma única pessoa, gaivotas, essas estão por toda a parte. Aventura, natureza selvagem, liberdade, oceano, sol e grutas quanto baste.

O fantástico mundo das grutas
«Esta é a Gruta Azul, onde a água fica com uma tonalidade azul muito clara e brilhante com o por do sol.» De cabelo grisalho e pele queimada pelo sol o senhor Marcelino guia a sua pequena lancha pelas formas irregulares das rochas da ilha, que estão repletas de “estórias” que vão sendo contadas à medida que se passa pelas grutas e locais “mágicos”. Neste caso, depois de conduzir a lancha para dentro da Gruta Azul (por baixo do forte), o senhor Marcelino explica que a muita abundância de plancton permite à água ficar com uma luminosidade azul pouco habitual.

A viagem à volta da ilha é imprescindível para quem quer desfrutar das riquezas naturais das Berlengas, mas esta é também uma viagem incompleta, devido às fortes correntes que vêem de norte e que fazem com que o percurso das lanchas da ilha fique limitado à parte sul.
Começa-se por atravessar o chamado “carreirinho” da senhora D. Inês, «uma senhora que visitava a ilha», diz Marcelino. A excursão continua, com a Pedrinha dos Corvos, outra gruta e a passagem pela praiazinha do Forte S. João Baptista, onde a água tem um tom mais verde. Mesmo ao lado do forte uma rocha muito estranha tem a forma de uma enorme baleia.

Tudo isto, enquanto as gaivotas se passeiam no céu e os tripulantes tocam na água cristalina, à medida que o barco vai navegando. Olhar para a Berlenga transmite beleza e segurança, mas olhar para o horizonte marítimo faz perceber que estamos longe de tudo.
A viagem continua, o senhor Marcelino chama a atenção para uma cavidade na rocha com a forma de uma coração invertido e mesmo numa das extremidades sul da ilha pode observar-se uma rocha a que deram o nome de Cabeça de Elefante (ou Ponta dos Fundões), pelo seu aspecto característico. Ao entrar em mais um dos “recortes” rochosos da ilha, vislumbramos uma das áreas mais impressionantes, onde existe a chamada Cova do Sonho. Uma abóbada magnânime de granito, digna de uma grande igreja antiga, com 75 metros de altura, “esculpida” pela força das marés de outrora.
Por baixo existe uma pequena praia «onde já se realizou um casamento, mas que neste momento não é segura porque caem pedras», explica o senhor Marcelino. Na mesma zona existem várias grutas profundas, uma delas “pintada” pelas marés de branco – onde antigamente os pescadores pernoitavam, para se proteger e hoje habitam corvos marinhos, que mergulham na água como pinguins – e o Furado Seco, «que é uma gruta que atravessa a rocha de um lado ao outro e que se passa de gatinhas». Depois de visto 1/4 da ilha, volta-se para trás entrando numa gruta (funciona como túnel) que atravessa parte da ilha e nos coloca perto do forte novamente.

«Parece que estamos a descobrir estas grutas que ninguém tinha ainda descoberto», diz um jovem na lancha, pelo aspecto intocado, puro e natural desta parte da ilha. A verdade é que cada extremidade, cada gruta e cada “recorte” de rocha é conhecida e tem nome. «Não faço ideia quem colocou os nomes, mas sei que foi ao longo dos séculos», diz o senhor Marcelino.
Há muitos séculos atrás as mesmas rochas já tiveram outros nomes, para outros povos, outras culturas, como é o caso da própria ilha da Berlenga que já se chamou Ilha de Saturno. Esta é uma ilha americana - do mesmo granito róseo do litoral atlântico americano -, uma ilha de sonho, ao largo de Peniche. A viagem às Berlengas pode ser curta, ao contrário das viagens às ilhas tropicais, mas dificilmente se esquece.




A História Vestígios da história do homem, numa ilha pouco humana
As Berlengas também já foram um lugar sagrado. No primeiro milénio antes de Cristo celebrava-se o culto de Baal-Mekart, na ilha de Saturno, como os historiadores da antiguidade lhe chamavam. Mas outras pequenas histórias conta a Berlenga. Pensa-se que fenícios e lusitanos conheciam o arquipélago e o utilizavam como porto de abrigo. Já dos romanos, restam cepos de âncoras perdidas nos fundos do mar (século I ao século V), dos vikings as histórias dos seus ataques a embarcações comerciais. Piratas ingleses também estiveram na ilha, assim como os mouros (corsários argelinos), e novamente os ingleses. Mais tarde, já com os portugueses, nos Descobrimentos, foi no mar das Berlengas que capturaram a nau de Garcia Dias, vinda da Índia.

Do século XVI restam as ruínas do Mosteiro da Misericórdia, no cima das quais foi construído o actual restaurante Sol e Mar (1953), e do século XVII a Fortaleza (ou Forte) de São João Baptista, mandado construir em 1651. O Mosteiro foi mandado construir por D. Leonor, esposa de D. Manuel I, para albergar a ordem de S. Gerónimo. Os monges mantiveram-se no Mosteiro apenas cerca de três décadas devido às constantes incursões de corsários argelinos, que os enviavam para mercados de escravos no Norte de África, a doenças ou falta de alimentos.

Alguns anos mais tarde (1651) foi mandado erguer o Forte de São João Baptista por D. João IV de Portugal, onde se travaram batalhas com corsários e com castelhanos, a mais célebre foi em 1666, quando o castelhano Diogo Ibarra tentou ocupou a ilha depois de atacar o forte durante dois dias. A guarnição portuguesa que conseguiu resistir quanto possível era comandada pelo Cabo Avelar Pessoa e daí, a principal embarcação para a ilha ter o mesmo nome em homenagem ao Cabo.

Foi D. Afonso VI que restaurou a fortaleza, mas voltou a ser danificada e chegou a estar totalmente abandonada durante muitos anos. Nos anos 50 do século passado tornou-se numa pousada, que acolheu várias vezes Salazar e depois do 25 de Abril de 1974 foi ocupada. Um protocolo entre o Ministério da Defesa e a Câmara de Peniche atribuiu a gestão do forte secular à entretanto criada Associação dos Amigos da Berlenga.



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Informações e viagens
Período normal para visitar a ilha – de Junho a Setembro, algumas pequenas embarcações vão a partir de Abril (noutras alturas torna-se perigoso)
Pessoas permitidas por dia – 350
Preços da viagem de Peniche – ida e volta 17 €; para quem fique um dia ou mais 10/11 € de ida e o mesmo na volta.
Viagem às grutas na ilha – pequenas lanchas que estão na ilha 2,50 €
Empresas que fazem percurso – para marcações prévias: Viamar 262785646; Berlenga Turpesca 262789960, entre outras.

Alojamento – Forte São João Baptista (20 quartos) 8,50 a 9 € (262785263); Campismo 7 € (262789571); Restaurante Mar e Sol (12 quartos) 77 € (262750331).

Pontos de interesse – os vários quilómetros de trilhos, visita às grutas, Forte, fazer mergulho ou visitar também os Farilhões e Estelas com duração de 7 horas (através de uma das empresas que disponibiliza esses serviços).
Telemóvel - há rede, mas em certos locais com dificuldade – não há receptores na ilha, mas ainda se apanha cobertura do continente.

Restrições – proibido caça submarina e motos de água, importante andar nos trilhos e respeitar a natureza, não deixar lixo, não há multibanco na ilha, apenas há dois estabelecimentos comerciais um restaurante e um café/mercado de reduzidas dimensões.

Informações e marcações para campismo – Posto de Turismo de Peniche (262789571/262785934)