sexta-feira, junho 04, 2004

Hi Dave, my name is emot

Conheci o Dave Grohl na segunda-feira na baixa.
Tive a falar uns minutos com ele, deu-me um autógrafo... foi um dia que vou recordar... é sempre especial este tipo de situações, mesmo para um jornalista wannabe, especialmente por ser tão inesperado. Ele sentado na calçada da Emi VC na Baixa, sem ninguém (das centenas de pessoas que passavam pela rua) a reconhecerem o ex-baterista dos Nirvana e vocalista dos Foo Fighters, cabeça de cartaz do Rock in Rio no domingo...

life.

Ei-los, Dave e namorada nos Grammys




domingo, maio 23, 2004



Troy...
Um épico do qual gostei. Não ao nível de Brave Heart, mas com espirito e bastante interesse. Peca por algumas falhas na própria história, na minha opinião, mas o desempenho dos actores é muito bom. Eric Bana e Brad Pitt fazem excelentes heróis desta mitologia.





Curioso como o filme desenvolve uma perspectiva que nos dias actuais é totalmente absurda para a maior parte das populações da parte rica do planeta, que é: a guerra por mais terra, pelo desejo de conquistar o mundo de forma declarada e inequívoca com homens que lutavam num local em concreto entre si até à morte, deixando rios de cadáveres nos campos de batalha. Pois é, outros tempos... apesar de usualmente se falar na guerra no Iraque como algo errado (as guerras na nossa sociedade são erradas, e ainda bem).

Nesses outros tempos cerca de 75% dos homens(às vezes mais), em altura de guerra tinha como principal utilidade para o seu país (Reino), combater. A honra de um país, que ainda assim bem mais novo dos que existem nos dias que correm erguia-se mais alto. A crença em deuses que tudo comandam tornava o homem comum um servidor dos reis ou chefes (supostamente em nome dos deuses), algo que hoje em dia não é tão declarado, entre os plebeus e aristocracia, mas persiste.

Perspectiva interessante. Será errada? Foram tempos errados? O melhor é não catalogar, foram outros tempos, isso sim. Assim como estes também não são certos. São apenas os tempos actuais. O Homem continua a ser o mesmo. O seu instinto é o mesmo... apenas uns pozinhos de pirilinpinpim (cultura) mudaram hábitos, mentalidades e formas de encarar alguns aspectos. Todos continuamos a ser crianças (VIVA O DIA DA CRIANÇA, dos miúdos e miudas!), homens e mulheres.

"Remember the Days of the Old School Yard, we use do laugh a lot" - Cat Stevens
Isto a propósito de: os dias do nosso jardim de infância, ou ensino primário eram divertidos (também tristes). Brincamos com amigos, embirramos com alguém. Somos alvos de injustiças e humilhações. Não muito diferente (digo eu), das crianças que ainda há umas centenas de anos, ou milhares, no caso do cenário do filme Troy, brincavam e se zangavam ao tentar manejar espadas para defender o seu reino e o seu deus. Ao tentar usar o escudo conversavam sobre sonhos inalcansáveis, conjecturas sobre o que seriam as estrelas ou que havia uma espada capaz de lançar fogo... não muito diferente das mentes imaginativas das crianças actuais.

Eu recordo. E tu? Não esqueças, mais ninguém vai lembrar por ti... é a tua mente que preserva o que passaste. Tenta.

Bottom line, em português linha de fundo (na traição de uma tradução que desvirtua)
Nada. Todos os pequenos nadas que o homem tem vindo a fazer ao longo dos tempos são tão semelhantes que fazem desses pequenos nadas uma preciosidade. Algo a "pegar" noutro post num dia futuro.
Podem ver isto num livro acabado de lançar pelas Produções Fictícias de Jerry Seinfeld "Linguagem Seinfeld" --- muito bom e merece atenção e comentário.

sexta-feira, maio 14, 2004

Before Sunset


A continuação do filme Before Sunrise (muito bom), com Ethan Hawke e Julie Delpy, passados nove anos, é uma realidade e estreia em breve.
Before Sunset é o reencontro dos dois jovens passados nove anos (o mesmo tempo que dista de filmagens), desta feita em Paris. As escolhas, os pensamentos, o amor, e as vidas de cada um, continuam presentes, apenas os dois são agora mais "maduros". Ao contrário de Before Sunrise o amor aqui é mais ténue, são duas pessoas mais adultas que nos surgem agora. As conversas introspectivas e agradáveis, o ambiente circundante bonito e os assuntos interessantes também perduram.

No meu rádio agora: Don´t Ya Say It, Bryan Adams (1980)





O Trailer

terça-feira, maio 11, 2004

O Porquê das Coisas - parte 0



Porque é que quando estamos em pé, mas com o tronco do corpo tombado, as pessoas dizem "foi assim que Napoleão perdeu a guerra"?
Porque quando o exército de Napoleão estava a voltar da Rússia, os soldados estavam tão exaustos e havia tanto gelo que eles mal conseguiam andar. Fatigados, eles acabavam por tombar na neve, com as pernas e o tronco formando um ângulo de 90 graus.

De onde vem a expressão "tempo é dinheiro"?
O físico Benjamin Franklin (1706-1790) teria chegado a ela depois de ler obras do filósofo grego Teofrasto (372-288 a.C). O pensador grego, a quem é atribuída a autoria de cerca de 200 trabalhos em 500 volumes, teria mencionado a frase: "o tempo custa muito caro". Isto porque ele escrevia, em média, um livro por cada dois meses.

Porque é que as pessoas se cumprimentam com um aperto de mãos?
Esta antiga tradição começou no tempo das grandes batalhas. Os adversários davam as mãos para mostrar que não escondiam nenhuma arma. Era um sinal de confiança entre as duas partes.

De onde vem a palavra "brincar"?
Esta palavra tem origem latina. Vem de vinculum que quer dizer laço, algema, e é derivada do verbo vincire, que significa prender, seduzir, encantar. Vinculum tornou-se brinco e originou o verbo brincar, sinónimo de divertir-se.

Como é que os faraós eram embalsamados?
Em primeiro lugar, o cérebro, os intestinos e os outros órgãos vitais eram retirados. Nessas cavidades, colocavam-se resinas aromáticas e perfumes. Depois, os cortes eram fechados. Mergulhava-se, então, o cadáver num tanque com nitrato de potássio (salitre) para que a humidade do corpo fosse absorvida. Ele permanecia ali por setenta dias. Após este período, o corpo era lavado e enrolado numa tira de algodão, com centenas de metros, embebida em betume, uma substância pastosa. Só aí é que o morto ia para o túmulo. Este processo conservava o cadáver praticamente intacto por séculos. A múmia do faraó Ramsés II, que reinou no Egito entre 1304 e 1237 a.C., foi encontrada em 1881 apenas com a pele ressequida. Os cabelos e os dentes continuavam perfeitos.

Curiosidades da Semana



--Todos os anos, 9 milhões de toneladas de sal (mais de 10% da produção mundial), são gastos nas auto-estradas dos EUA para derreter o gelo.

--A menor mulher do mundo nasceu na China em 1968. Chama-se Chia Juan Quan, tem 67 cm de altura e pesa 9kg. Durante a sua infância, a mãe levava-a no bolso para ela não ser comida por ratazanas! (???)

--O maior número de pessoas que assistiu a um jogo de futebol foi de 199.854 durante o jogo Brasil x Uruguai na final do Campeonato do Mundo no estádio Maracanã, Rio de Janeiro, a 16 de Julho de 1950.

--Até à descoberta da América, os europeus acreditavam que só haviam três continentes, Europa, Ásia e África. Para eles, as Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar, entre Espanha e Marrocos) fechando o Mediterrâneo, eram a fronteira de um abismo de águas, o Mar das Tormentas, povoado por grandes monstros. [Daí o Cabo das Tormentas, baptizado pelos navegadores portugueses que o atravessaram]

--A obra literária mais extensa do mundo é uma espécie de Bíblia da doutrina budista, tal como é praticada no Tibete. Compõe-se de duas partes: o Kandjur, que contém os preceitos em 108 volumes de mil páginas cada um; e o Tandjur, a interpretação desses preceitos, que se estende por mais 225 volumes.

--O ataque da NATO à Sérvia em 1999 (guerra do Kosovo) matou mais animais do que pessoas. As armas "inteligentes", tais como os mísseis Tomahawk são capazes de acertar numa mosca a mais de 300km. Mas apenas 2 dos 13 mísseis lançados na guerra alcançaram o seu objectivo. Um desses mísseis desviou-se alguns quilómetros do alvo e fez uma razia à casa de um agricultor, atravessou uns arbustos e explodiu na sua horta, matando 7 ovelhas, uma cabra e uma vaca. O agricultor ficou com o cone do míssil como recordação.

--Em cada 2,54 cm de pele humana, existem 19 milhões de células, 60 pelos, 90 glândulas sebáceas, 5,79 metros de vasos sanguíneos, 625 glândulas sudoríparas e 19 mil células nervosas.

domingo, maio 09, 2004


Os pés que caminham pela vida, que trilham os caminhos e as escolhas que tomamos.

A paixão da rádio: TSF - Rádio Notícias


Aqui deixo um artigo do Adelino Gomes que há uns anos atrás não teria o sentido para mim, que tem neste momento. A rádio tem muitas qualidades e a nível informativo, hoje em dia (na minha opinião), supera a televisão em muito e para isso deixo o exemplo da TSF, uma rádio que está no meu coração, apesar de não ter conseguido ficar por lá...

A paixão da rádio. [Algo que tenho desde há 3 anos para cá]

In Público
OUVIDO
Por ADELINO GOMES
Domingo, 09 de Maio de 2004

O elogio da Rádio

"No meu prédio moravam duas primas minhas com quem brincava aos programas de rádio", conta Teresa Salgueiro numa entrevista, esta semana, à revista "Única" do semanário "Expresso". O que impressiona nesta e noutras memórias radiofónicas da voz dos Madredeus é que elas remetem para um tempo relativamente próximo. Teresa tem 35 anos. A sua infância e adolescência decorreram num tempo em que a televisão se tinha instalado já, de armas e bagagens, nos hábitos e consumo e na cultura de massas em Portugal. Apesar disso, como estas declarações parecem indicar, a rádio não deixou de alimentar o imaginário do ouvinte.

Num tempo em que se multiplicam os gritos de alerta face à deriva informativa das televisões, vale a pena constatar, por outro lado, que a concorrência, tantas vezes apontada como a causa da degradação dos telejornais, não provocou abaixamento significativo na qualidade dos noticiários da rádio.

Recebida com entusiasmo nos anos 20/30, porque iria democratizar o conhecimento e a participação dos cidadãos na vida pública (iria emitir mas também receber, fazer falar o ouvinte, pondo-o em relação com os outros, previa Bertold Brecht), a rádio nunca cumpriu a utopia do dramaturgo alemão.

Mas não deixa de surgir hoje, quiçá inesperadamente, como refúgio retemperador contra o massacre (massagem) de mensagens sobre os destinatários.

E os que a usam como contraponto ao totalitarismo televisivo tendem a concordar com aquele publicitário norte-americano, Bob Schulberg, citado pelo académico brasileiro Eduardo Meditsch ("A Rádio na Era da Informação", Minerva, 1999): "Se a televisão tivesse sido inventada antes, a chegada da radiodifusão teria feito as pessoas pensarem: 'Que maravilhoso (...). É como a televisão, só que nem é preciso olhar!"...

sexta-feira, maio 07, 2004


19h53 – 27 Abril

Viagem de autocarro. Viagem com o sol lá ao fundo perto de cair pelo horizonte…
Caldas da Rainha – Lisboa.

Uma viagem que já fiz milhares de vezes, provavelmente. O que tem de diferente? Uhmm. O cheiro angustiante e perturbador de uns estofos que não são bem limpos à anos continua. A dor de cabeça a tentar ler ou escrever continua (como em todas as viagens). Desta vez vou bastante à larga… - é terça-feira – isso é diferente de outras vezes, mas igual a outras tantas. Não. Não é isso. Então o que tem de diferente? Cada viagem é sempre diferente, que mais não seja nos períodos em que temos para reflectir. Cada reflexão, pensamentos, ideia, alegria ou tristeza é diferente de viagem para viagem. E eu gosto muito de pensar, imaginar e sonhar acordado em viagem. Planeio muita coisa, tenho boas ideias… mas deixo a maior parte delas escapar depois… não as registo e o entusiasmo esvai-se, e esqueço, como se de um sonho que esqueço uns bons minutos depois de ter acordado se tratasse. Também não é isto.

E O QUE É????

Sónia. Não, não é uma paixão que tenho. Apenas a Sónia do grupo The Gift. Do qual sou bastante apreciador. Esta Sónia, que até já cheguei a conhecer na FNAC, está no autocarro e faz agora a mesma viagem que eu faço há anos. Quem diria, ela a andar de autocarro, ainda para mais a ir das Caldas, quando ela até é de Alcobaça (não muito longe).

Achei diferente e engraçado. Ficou mesmo atrás de mim na entrada para o autocarro mal cheiroso. Acompanhava-a um namorado com bom aspecto. Ela também com bom aspecto, um pouco “overpainted” (a abusar na maquilhagem), mas já lhe conhecia essa faceta. Mesmo assim, bonita… uns olhos esverdeados muito "vivos" e com relativa boa escolha de vestuário e até algum glamour. Isto num estilo próprio dela, o que a beneficia. E esta figura no meu autocarro mal cheiroso… o meu espirito jornalístico e curioso por pouco não se conteve e perguntou-lhe: Oh Sónia, o que é que estás a fazer aqui???”. Entrou sozinha no autocarro e ficou no primeiro piso. Eu fiquei no segundo. Se tivesse no primeiro podia estar a fazer uma coisa bastante estúpida que era descrever o que ela ia fazendo… por alto. Ainda bem que fiquei por aqui. Neste momento ela está lá em baixo, deve estar a ouvir alguma música dos Texas, ou outro grupo americano que influencia a sua música. Duvido que esteja a ouvir The Gift, muito menos os IdeiaR, a minha banda imaginária.

Doi-me a cabeça--- muito …. o normal. Páro de escrever por isso. É pena. Lá se vão as ideias e o registo. O normal numa viagem de autocarro...

esqueço.

quarta-feira, abril 28, 2004



Uma flor. Pequena e sensível. Indiferente e efémera. É livre de ideias. Presa a um caule. Linda e útil, para as abelhas. Com pétalas e lógica, para a natureza.


21h - 25 de Abril, 2004 - Casal do Lavradio, Caldas da Rainha, Portugal, Planeta Terra, Sistema Solar, Galáxia Via Láctea (um dos braços de uma das expirais exteriores do núcleo central).

Um céu maravilhosamente encantador. Diferente dos tons laranja que a cidade traz, ou não estivéssemos um pouco no campo. Uma lua decrescente (que vai crescendo) que tem um tom misterioso e interessante, não tão sombrio como a lua cheia que se vê no meio de nuvens – situação típica de filmes que envolvem figuras como drácula e lobisomens.

No meio deste céu estrelado algo sobressai. Algo como nunca tinha visto antes. Em 23 anos e uns dias de vida. O céu é infinito para nós. Algo que vai muito para além da nossa compreensão. Recordo-me das aulas de Filosofia, em que falámos nas crenças dos índios do continente africano. Eles acreditavam que no céu à noite as estrelas não eram mais do que meros buracos num tecido (seria de animal, nada desses tecidos sintéticos modernos). Por trás do tecido haveria luz… muita luz. E por isso os buracos traziam-nos as estrelas.
Perspectiva interessante que ao ver o fenómeno do passado dia 25 de Abril recordei – as explicações que nós, humanos, démos e damos ao que nos rodeia sempre foram imaginativas e crentes, ainda hoje.

E o que aconteceu?????????????????????
De tantos noites, de tantos céus, de tantas estrelas que já vi nunca vi uma semelhante àquela que vi neste noite. Às 21h. Uma estrela que brilha como nenhuma outra. Não, não sou crente em uma qualquer religião (agnosticismo), mas aquela estrela encaixava na perfeição na famosa e popular história dos reis magos. Era uma daquelas estrelas que nos fazem pensar em extra-terrestres (será?), deuses e até no espaço celeste em geral. digo era, porque este fenómeno não durou muito. Passadas duas horas já não estava no mesmo sitio, tinha-se movimentado mesmo bastante e daí a muito pouco desapareceria para sempre. Tinha uns raios tão fortes… intensos… digno de sonhos e imaginações férteis. Havia a lua e aquela estrela. Ambas com intensidades semelhantes… de uma forma peculiar. Não esqueço esta estrela intermitente. Ou pelo menos não a quero esquecer…

sexta-feira, abril 16, 2004

Sugestão jornalística em jornal regional.
Conheça o director dos laboratórios do Infarmed.
Tudo para dizer que todas as pessoas, mesmo com cargos elevados têm uma história especial. Têm uma origem que pode muito bem ser surpreendente.

Aqui fica o link: Higuinado Neves - Um Caldense à Conquista da Capital
[este título é retirado de um livro sobre a vida do pintor José Malhoa, também das Caldas da Rainha]

quinta-feira, abril 15, 2004


Palavras contundentes



"Comigo caminham todos os todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram, não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

..."adormecendo sobre mais um dia de vida." [melhor do que isto não há, bem expresso...]

"Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te!"

de Miguel Sousa Tavares (em "Não te Deixarei Morrer David Croquett" - muito BOM),

um apreciador do deserto e do despojamento que ele permite... como é possível ver neste blogue aqui: CreatorOfLife Arquivo
[Talvez por isso o conselho final de Miguel Sousa Tavares se torne óbvio: “Ninguém deveria morrer sem ter visto pelo menos uma vez o deserto”.]

terça-feira, abril 13, 2004

"O Problema do Espelho"

Crer na imagem que nos é colocada em frente ao olhar. É um espelho, por isso só mostra a realidade (ou nem por isso), nua e crua. Antes não fosse.
Navego pela rua. Navego no trabalho. Navego na escola. Quero sentir-me incolor, tranparente. Despercebido e com medo da atenção. Tantas pessoas velhas. Ásperas. Novas. Cheias. Tenho medo porque não sou normal. É aí que chego à conclusão que... "eu não sou normal, eu não quero ser igual", isso é ser um homem que eu não sou.

Quero respirar e viver com intensidade. Não sei o que quero. Tenho reminiscências de infância... queria, isso sim ter os mesmos sonhos, a mesma imaginação e entusiasmo real e virtuoso. 100% livre de tretas adultas, sociedades adultas.
QUERO A MINHA RIQUEZA IMAGINATIVA DE VOLTA ! ! ! (será pedir muito?)

domingo, abril 11, 2004

Life On The Road

A estrada percorre estrelas e sóis. Campos e vales. Árvores e flores. Ervas e terra. Muita terra. O infinito. Passar e passar. Passa-se por tanto. Tantas vidas. Tanta paisagem. Tanto céu. Estamos na estrada e nada mais interessa senão chegar ao destino... mas o caminho é mágico! O caminho até ao destino permite a introspecção... estados de espírito proveitosos, ou não.

sexta-feira, março 26, 2004

Sugestão

A sugestão da Lua motivou a minha procura do novo albúm dos Divine Comedy: "Absent Friends". Boa surpresa e sugestão automática minha. Está muito agradável. Já o ouvi todo online neste link http://www.parlophone.thedevelopmentline.co.uk/divineComedy/.

Graças ao meu primo André - designer gráfico soberbo - passei a conhecer os Divine Comedy... dá ares de outros tempos, mas isso é agradavelmente bom. A voz Neil Hannon faz lembrar aquelas vozes graves e fortes que preenchem todo o ar... como a do Sinatra, por exemplo. Recentemente também ouvi um sr. que tem um albúm chamado "The Voice" que me surpreendeu pela positiva. A música não pára... está sempre em evolução.

A ouvir agora: Ornatos Violeta... Dia Mau. Este (dia) está a começar mal... já devia estar a dormir! Amanhã tenho de estar a levantar perto das 7h!! Vou andar a bater em tudo que é obstáculo não identificado no quarto a essa hora (ou seja, tudo o que aparece por perto). AHHH.

Vou sonhar com frigoríficos falantes... não sei... apetece-me! Lembro-me de uma composição que fiz aí na terceira classe sobre o estado de espírito de um frigorífico falante... a vida é boa para todos [porque é que se costuma dizer "A vida está dificil para todos" ou "A vida é má para todos"? A vida é boa e má! La la La.

Fui. (dormir)


Que pouca vontade... apesar do sono. Pronto, pronto... tou a ir. Ai jasux... como vai ser amanhã.

...

Saramago e Carlos Vaz Marques no TSF.pt

quarta-feira, março 24, 2004

José Saramago e Carlos Vaz Marques

Que delícia de fim de tarde desta quarta-feira. José Saramago, num discurso menos comunista do que eu previa fala do seu novo romance - que parece bastante apelativo - e claro, do terrorismo e sociedade actual. A perspectiva deste homem é fascinante. Perguntas sucessivas demonstram o pensamento intrigante do prémio Nobel português. Um homem que acha que com a idade ficou com mais dúvidas... normal diria eu... pelo menos para mim. O facto da vida parecer mais estável do que em criança é, ao nível da dúvidas um engodo... simplesmente há a tendência para adormecermos essas dúvidas que se apilham de ano para ano.
Enfim... bela conversa entre Carlos Vaz Marques e José Saramago... dá gosto! Existe sempre aqui aquela ponta de maior contentamento por conhecer Carlos Vaz Marques... dá para imaginá-lo a questionar Saramago - no seu estilo interessado, inquieto, curioso e um pouco desajeitado -, a tentar perceber e dar-nos a perceber a pessoa e as suas opiniões mais interessantes. Tira-lhe o sumo. Gosto destas entrevistas que não são apenas perguntas feitas anteriormente e seguidas à risca. Uma resposta abre um novo leque de questões, que têm de ser feitas... têm de ser percebidas... e tem de ser imediatas, curiosas... é nisso que o jornalista da TSF é especialista, na minha opinião.

Citações de Saramago nesta entrevista:
"Não sou eu que sou pessimista é o mundo que é péssimo!"
"Eu creio que vejo o mundo como ele é... não ando há procura de falsos optimismos."
"Eu tenho tudo, desde a saúde, à saúde financeira, ao prémio Nobel... mas não me fechei em muralhas..."
"Não consigo perceber porque o mundo não é mais feliz"
"Somos enganados todos os dias, e o pior é que nos habituamos a ser enganados."
"Este livro serve para dizer que não aceito o engano, quero dizer: não nos enganem!"
"Este livro é para desossegar"
"Estou a pedir à pessoas que pensem"
"Não estou contra a democracia"

Todo este sumo bem espremido por Carlos Vaz Marques... e mais. Mas isso só daqui a um dia ou dois é que dá para voltar a ouvir no belo histórico do programa Pessoal e Transmissível - do melhor que existe na rede portuguesa. É um privilégio ter acesso a esses ficheiros de entrevistas (ou conversas de final de tarde).

A sugestão para a entrevista da TSF é a seguinte:

"José Saramago na TSF
José Saramago prometeu «uma polémica dos diabos». O Ensaio sobre a Lucidez chega esta semana às livrarias e a primeira entrevista sobre o novo romance do prémio Nobel português é esta quarta-feira, ao fim da tarde, com Carlos Vaz Marques."

terça-feira, março 23, 2004

A doença futebol

No domingo passado (anteontem) jogou o Benfica, à noite, com o Beira-Mar. Incrivel como a viagem de autocarro mostrou essa paixão, essa doença que é o futebol para tanta gente em Portugal. No autocarro seguiam nazarenos barulhentos - incomodativos. Em cada duas frases, uma era sobre futebol. A ânsia para saber o resultado do Benfica era sôfrega. Telefonavam para os amigos, que como é óbvio, estavam a ver o jogo, só para perguntar como estava o jogo… reclamavam com o motorista (aos berros) para pôr o «relato» (essa bela palavra portuguesa). O motorista, com bom senso, recusou porque muitos não deveriam querer ouvir essa metralhadora de palavras que é o «relato». Olho para a rua. Num café uns 20 homens olham obcecados para um televisor. Motivo: «a bola». Claro! Não podia haver outro. Os nazarenos barulhentos gritam. «Olha!!! Ali há bola!!» Mais uma boca para o motorista: «E aqui também devia haver!». Um domingo de 2004. Um domingo de futebol. Um domingo de Benfica – o Sporting até tinha perdido 4-0 (com o Rio Ave), no dia anterior, a vontade era maior.
O futebol é… muita coisa. O melhor desse jogo de domingo? O croata humilde e simpático: Tomo Sokota.

A esta hora joga o FC Porto com o Olympique Lyon - ganha o Porto por 1-0 ao intervalo. Incrivel como dá gosto ver bom futebol. Incrivel como nestas alturas sinto tanto pelo FC Porto (FC Mourinho), como pelo meu «pseudo» clube (agora é SAD).

Não falo mais de futebol.

»»»Lembras-te dos jogos na praia, iamos de bicicleta todos os dias jogávamos raquetes, futebol na areia. Aproveitávamos as ondas pronunciadas da Foz do Arelho. Viamos as preferidas a passar... falávamos com elas, sobre elas. Lembras-te das manhãs de domingo - os jogos na Columbófilia, nas Gaeiras. Tenho saudades.«««

Ainda há estrelas no céu



Um dia bonito. Normal. Uma tarde solarenga. Agradável. Um café com amigos... reminiscências. "A vida está difícil, pois é..." Uma conversa pouco proveitosa... Regressar ao carro. Uma avenida longínqua… uma LUZ intensa bem lá do alto. Uma ESTRELA com tanta magia. Energia. Fantasia. Alegria. Imensidão. Despojamento. Quero lá chegar. Sou um ser microscópico ao pé daquela estrela. Quero ir lá. Quero voar. Levar mais longe este despojamento momentâneo. Luz sob o fundo negro: significas tanto. O céu escuro de principio de noite. As árvores da avenida. As chaves. O carro. A vida humana e ocidental.



domingo, março 14, 2004

La La La La La La La La #245/AhAhAh

Quando estamos ocupados sentimo-nos úteis... de certa forma preenchidos. É díficil voltar a estar ocupado numa profissão como jornalismo depois de umas semanas parado. Os mecanismos estão logo mais enferrujados... a rapidez de procedimentos, de discernimento na simplificação fica logo um pouco afectada. Mas é bom exercitar, para melhorar e tentar voltar à facilidade anterior.

Ah... gosto de jornalismo... gosto de criatividade... escrita criativa
É bom sentir as emoções, ideias, voarem pela mente, pelo imaginário... e colocá-los no papel. Melhor ainda é viver as emoções... a inspiração é importante.
O irónico é que quando estou muito bem psicológicamente... confiante e alegre não costumo escrever (muito raro)... estranho serEmot do futuro... muito estranho (ou não). Será que daqui a uns anos também serás assim?

- suplemento Visão - Vodafone job -

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

"Great Expectations" Vida de esperança. Sonhar


Quando vejo um filme que, de certa forma, me toca no meu serEmot costumo pensar no significado do cinema, para que serve... porquê olhar para um televisor ou tela gigante e ver 106 minutos de... inspiração. Pois é... a resposta é simples. Olhar para uma tela ou para um televisor pode ser bastante enriquecedor, transmitindo inspiração e espírito rejuvenescedor a uma vida normal... ou também ser um grande desperdício. Neste caso, ver o filme "Great Expectations" torna-se simplesmente numa experiência única.

Ao rever este filme, num DVD recentemente comprado (a preço de saldo), sinto uma leve proximidade com o recente Big Fish, de Tim Burton... a outra proximidade é o mundo que os livros de Charles Dickens trazem ao imaginário dos mais oudazes... (num mundo mais moderno)


Aquele inicio extraordinário, numa paisagem tão rica com tanta vida, um mar calmo e imenso, cegonhas, o som da água... tudo isto trazido ao nosso olhar por movimentos de câmara que favorecem um mundo tão real quanto bonito. Seguimos o modo como este rapaz de 9/10 anos vê esse mundo, e melhor ainda... como o pinta (desenha) com o seu lápis, num pequeno livro. Somos acompanhados nos momentos certos, com um timing preciso pelo narrador, que é o rapaz, só que em idade adulta. Finn Bell adulto conta-nos a história da sua infância... uma história que é mágica.

Finn: I'm not going to tell the story the way it happened. I'm going to tell it the way I remember it.

Só esta citação acaba mostrar outra semelhança com o novo filme de Tim Burton. O importante é como vimos e sentimos as nossas histórias, as nossas experiências, as nossas vidas... não apenas como nos aconteceu, do modo menos imaginativo. As nossas vidas poderão ser aquilo que imaginamos delas... e isso é... tão bom. Viver no mundo do filme "Big Fish" e no mundo de "Great Expectations" é acrescentar algo mais à nossa vida... do que apenas vivê-la.

Ficam aqui mais algumas citações:
Ms. Nora Digger Dinsmoor: She'll only break your heart, it's a fact. And even though I warn you, even though I guarantee you that the girl will only hurt you terribly, you'll still pursue her. Ain't love grand?

Finn: Seven Years passed, I stopped going to Paradiso Perduto, I stopped painting. I put aside the fantasy and the wealthy, and the heavenly girl who did not want me. None of it would happen to me again. I'd seen through it. I elected to grow up.

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Finn: The night all of my dreams came true, and like all happy endings,It was a tragedy, Of my device, for I succeeded. I had cut myself loose from Joe, from the past, from the gulf, from poverty I had invented myself. I'd done it cruelly, but I had done it. I was free!

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Finn: if this isn't love, I don't think I can handle the real thing

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Finn: It's my heart, and its broken.

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Finn: Everything I have ever done, I've done for you.

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Finn: I did it! I did it! I am a wild success! I sold 'em all, all my paintings. You don't have to be embarrassed by me anymore, I'm rich! Isn't that what you wanted, aren't we happy now. Don't you understand, that everything I do, I do it for you. Anything, that might be special in me, is you.

Interpretações assim, não são interpretações são pessoas fascinantes no ecrã... ok, o filme ajuda... mas Ethan Hawke (o sonhador Finn), Gwitneth Palthrow (a linda e provocante Estella), Anne Bancroft (a louca Sra. Dinsmore) Chris Cooper (o simples, com coração enorme, mas pacóvio... Tio Joe) e Robert De Niro (o criminoso condenado à morte: Arthur Lustig) são fenomenais e fazem deste filme um sonho bom...

Caro Alfonso Cuarón, obrigado por esta experiência de 106 minutos. Sem dúvida uma realização à medida do clássico de Charles Dickens (numa versão no mundo contemporâneo). Este realizador mexicano é o responsável pelo próximo filme de Harry Potter "and the prisoner of Azkaban".

Deixo de seguida algumas fotos essenciais...
Algo que me acompanha desde que vi este filme em 1998 (ano da estreia), é os dois beijos entre Finn e Estella, tanto em crianças como na idade adulta em duas fontes. Ele bebe água na fonte, quando, sem se aperceber, ela se aproxima e com a língua, assusta Finn num misto de sensualidade e estupefacção... aquele beijo é...
(em crianças)








Uhmmm. Será que Chris Martin, o vocalista dos Coldplay, actual apaixonado de Gwyneth Palthrow, viu este filme? Eu aposto que sim...

Sugestão musical das últimas semanas: Jeff Buckley, Live at Sin-é (cd1). Estou viciado...
Night Flight, Last Goodbye, Eternal Life, Just Like a Woman, Calling You, e claro... Lover you should´ve come over, Grace, Mojo Pin e... Be your Husband.

"Eternal Life is now on my trail
Got my red glitter coffin, man, just need one last nail
While all these ugly gentlemen play out their foolish games
There's a flaming red horizon that screams our names
And as your fantasies are broken in two
Did you really think this bloody road
would pave the way for you?
You better turn around
and blow your kiss hello to life eternal, angel" (...)
"Oh...
There's no time for hatred, only questions
Where is love, where is happiness, what is Life,
where is peace?" Jeff Buckley

"Nobody feels any pain
Tonight as I stand inside the rain
Ev'rybody knows
That Baby's got new clothes
But lately I see her ribbons and her bows
Have fallen from her curls.
She takes just like a woman, yes, she does
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
Buy she breaks just like a little girl." - Juff Buckley "Just Like a Woman"

"A desert road from Vegas to nowhere
Some place better than where you've been
A coffee machine that needs some fixing
In a little café just around the bend

I am calling you
Can't you hear me
I am calling you

A hot dry wind blows right thru me
Your baby's crying and I can't sleep
But we all know a change is coming
Coming closer sweet release

I am calling you
I know you hear me
I am calling you... Oh" - Jeff Buckley "Calling You"

»»»Lembras a vida de esperança... manhã fresca. Pinheiros calmos. Sol nascente. Raios sorridentes. Novo dia que chegava. Alegria que nascia. Chamavas a imaginação, a alegria. Chamavas o amor. Eras tudo aquilo que quero ser (voltar a ter). A caminho de nada, mas feliz... manhãs que valiam MESMO a pena.«««

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Um fascínio por tudo o que é perdido. Um fascínio por tudo o que pertence ao imaginário dos audazes... nada está acabado, apenas tudo se perdeu na imensidão de escolhas em diversos "mundos" que a nossa humanidade - palavra nem sempre abonatória, o âmago humano não é o mais altruísta - nos permite, num sem fim de... humanidade... ideias abstractas e pseudo-diferenciadoras.

humanidade - substantivo feminino
1. conjunto de todos os homens;
2. natureza humana;
3. figurado benevolência; clemência;
4. plural estudos clássicos superiores; letras clássicas;
(Do lat. humanitáte, «id.»)
___________

Lembras? Da praia - Foz do Arelho -, das bicicletas, dos jogos competitivos, do mar... do horizonte, do despojamento... nada mais interessava.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

FETICHE COISAS QUE SEDUZEM

in Público - suplemento Y.

Por João Tomé


MARCO DELGADO | MOÇAMBIQUE o meu país

Tudo começou há 31 anos atrás. Em 1972, no décimo oitavo dia de Outubro, o bebé Marco Delgado nasceu na cidade da Beira, em Moçambique. Não durou muito até que a guerra trouxesse Marco e a sua família para Portugal, tinha apenas cinco anos. Desde essa altura o jovem cresceu e tornou-se actor. Mas algo de Moçambique e de África permaneceu em Marco Delgado…

“Moçambique está sempre presente em mim. Mesmo que não tenha ido lá muitas vezes, tenho qualquer coisa daquele país enraizada na minha memória afectiva e emocional. Recorro a essa sensação nos momentos mais profundos e mais sérios da minha vida privada.” Com entusiasmo, interesse e satisfação, o actor fala nas suas origens, na forma como pensar em Moçambique, ou em África, lhe transmite uma liberdade incomensurável. Talvez por isso diga:

“Este meu fetiche é se calhar algo muito mais psicológico”, confessa. Tem a ver com a sua liberdade de pensamento e de estar. Marco recorre a esta reminiscência para interiorizar uma sensação de tranquilidade, de prazer e de bem-estar que o faz pensar que: “somos tão pequeninos, quando estamos em África, ou Moçambique. De repente, não somos assim tão importantes quanto isso. Não somos o centro do mundo”, afirma com convicção.

A sensação de despojamento que as suas origens inspiram, levam Marco Delgado – o jornalista no filme “A Bomba”, de Leonel Vieira –, a requestionar toda a sua posição em relação à família, aos amigos e também à forma como trabalha na sua profissão. “Coloco dúvidas a mim mesmo porque tenho um paralelo, um exemplo. Uma coisa única e especial que me obriga a ver as coisas de uma outra forma.” revela o actor.

Foi há oito anos que regressou a Moçambique. “Voltei lá com um trabalho que fiz com o Teatro da Barraca, com o Raúl Solnado.” Depois dos primeiros cinco anos de vida passados em Moçambique, uma semana e meia, em 1995, colocou-o de novo em contacto com as suas raízes moçambicanas. “Antes nunca tinha lá voltado, nunca tive oportunidade, embora tivesse sempre muita curiosidade.”º

Como foi regressar? “Foi fabuloso!” Com um entusiasmo de quem revive emoções de uma vida inteira nas palavras, Marco recorda: “De repente parece que todas as reminiscências voltaram e tive assim uma sensação de conforto e de bem-estar, uma sensação de estar de novo em casa.” Encontrar o país em mau estado não afastou o “à vontade” que sentiu em solo moçambicano. O sol africano vai preenchendo cada vez mais as palavras do actor, que parece imaginar ao falar.

“Há uma coisa fantástica em Moçambique! É o nascer do dia, que é muito cedo e que também é algo de especial e único.” Sente-se África nas palavras de Marco Delgado. “Os dias são enormes, têm umas 15 horas, aquilo nunca mais acaba. Ás cinco e pouco da manhã o dia já está a nascer”, conta entusiasmado por recordar.

Saiu do país muito novo, com cinco anos. Lembra-se que era muito agradável viver em Moçambique. “A forma como vivíamos era uma forma descansada. Tínhamos um pombal enorme, com muitas pombas e que me dava uma satisfação única e muito especial.”

Por lá os limites do pensamento parecem maiores, enquanto “aqui parece que estamos todos muito espartilhados com muita informação, muitos valores, muita comunicação social, muita televisão, muita publicidade.” Em Moçambique Marco Delgado encontrou liberdade que transporta consigo. Por ser tão virgem ainda, tão natural e tão puro.

“Eu sinto que permaneço com essa liberdade, o que é fantástico! É de facto tudo muito grande e tudo com muito tempo.” Isso deixa o actor de 31 anos a reflectir sobre o estilo de vida mais rotineiro, mais ocidentalizado, mais “stressado” e que “não nos dá tempo para nada”. Viajar para África e para Moçambique é “um privilégio de redimensionamento do nosso espaço, tempo e vida” que Marco Delgado espera ansiosamente repetir no futuro: “assim que não estiver ´inundado` em trabalho”.

sábado, janeiro 31, 2004

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Zits às toneladas

Jeremy, o adolescente incompreendido
Ser adolescente nos tempos que correm não é fácil. Os pais também têm uma missão árdua se quiserem agradar aos filhos. “Resmas de Zits” é uma antologia que reúne o melhor dos 6 livros de Jerry Scott e Jim Borgman onde temos a possibilidade de reviver ou entender, de uma forma divertida e pertinente os tempos de adolescência. Jeremy tem 15 anos, uma idade de descoberta e também de desejo de independência. Neste livro podemos seguir a vida de um aluno mediano que estuda numa escola secundária, um irmão mais novo, um músico “wanna be” que gosta de passar o tempo com os amigos. Jeremy está sempre revoltado com a enorme ignorância dos seus pais sobre praticamente tudo o que é “porreiro” ou importante para ele. Carinhoso, divertido, ambivalente, impaciente, egocêntrico, emocional e por vezes pateta, Jeremy é a essência da adolescência, que podemos reviver nestas tiras de Banda DesenhadaJ.T.

“Resmas de Zits”, de Jerry Scott e Jim Borgman; 256 págs., €23. Edição da Gradiva, 2003.

domingo, janeiro 18, 2004

Miguel Sousa Tavares e... o seu Deserto Interior

FETICHE coisas que seduzem, fascinam
[in suplemento Y, Público - 16 de Janeiro, 2004; versão integral]

João Tomé

Um desejo de deserto, do nada, de viagem ao vazio de nós mesmos, que nos permite estar a sós com o Absoluto. Assim sente e deseja o deserto – a imensidão de céu e areia – Miguel Sousa Tavares. O deserto tem um céu diferente. Um céu que nos põe em contacto com a origem da Criação. Por lá, um copo de vinho pode dar uma alegria imensa.

Depois de alguma hesitação, escolhe de forma decidida, com o seu tom de voz grave, cavo e confiante: “O meu fetiche é o deserto!”. Como alguém que necessita de esperar para se pôr em contacto com as suas memórias, os seus desejos, Miguel Sousa Tavares comenta inicialmente que “só quem lá vai é que percebe o fascínio”. Depois vai recordando o que lhe transmitiram aqueles momentos de solidão.

O deserto dá-me uma noção de espaço, de horizonte sem fim, de viagem interminável que eu gosto muito.” Para ele, isto significa que o deserto acaba por ser revelador do melhor e do pior de cada pessoa. Recorda-se de inúmeras situações onde viu isso acontecer, mas apenas comenta que “já conheci grandes aventureiros que se ´borravam` de medo lá, e pessoas aparentemente frágeis que se revelaram verdadeiros viajantes do deserto”.

Este é um sítio onde o escritor, cronista e jornalista coloca as suas ideias em ordem, sobretudo as ideias sobre o sentido ético da vida, o sentido final da vida. “É ali que começa a vida, o princípio de todas as coisas. Só então ficamos a saber que tudo o resto são circunstâncias.”

Cada vez mais “solto” e animado com as suas reminiscências, Miguel lembra-se de uma situação típica no deserto que exemplifica o despojamento que lá se experiencia. “Fui para o deserto uma vez e tinha comprado um carro novo em Lisboa, que é sempre um acontecimento, não é... Ao fim de uma semana lá, dei comigo a pensar que carro é que tinha comprado, sem me conseguir lembrar”, conta entre risos.

A primeira vez que se encontrou no seu sítio preferido, quase divino – confessa este ateu convicto –, foi há cerca de 15 anos. “Fui fazer uma reportagem sobre a guerra entre Marrocos e a Frente Polisário no Sahara”, confidencia. Essa altura foi a mais “violenta” de todas. A viagem decorreu em Agosto e chegou a apanhar 65 graus à sombra. “Não estava preparado para aquilo e por isso estive ali uns dias à beira de desidratar, mesmo. Nunca na vida supus que pudesse haver calor assim.”

Das outras vezes foi sempre mais organizado, aprendendo o que era preciso. E o que é preciso? Acima de tudo espírito de descoberta, uma infinita paciência e uma capacidade de introspecção e de relacionamento com os outros especial, explica. “Qualquer pequeno conflito ali pode assumir proporções imensas, numa situação de tensão controlada.”

As quinze vezes que já visitou o Sahara – a última foi há já três anos –, demonstram a sua preferência por este deserto africano. A sua estadia mais longa foi logo na segunda ou terceira viagem em que esteve um mês e meio na zona do Sahara na Argélia, “sempre em movimento, sempre em viagem”.

O deserto acaba por ser uma fonte de inspiração para uma pessoa que adora escrever, mas, sobretudo é uma fonte de conhecimento de si próprio e uma oportunidade para pensar nas coisas que são verdadeiramente importantes na vida.

O local intocado, primitivo, inicial e, ao mesmo tempo, definitivo, que Miguel Sousa Tavares tanto aprecia, também faz dele uma pessoa melhor? “Quando lá estou, sem dúvida!” É um bocado como os retiros para os católicos, compara o jornalista cada vez mais animado. “Eles vão aos retiros e ficam óptimas pessoas e depois vêm cá para fora e esquecem-se.” Miguel queria ter todos os dias o espírito de viajante do deserto mas, de facto, não tem: “tomara eu ter sempre essa mentalidade”.

Uma noite no deserto é: “Completamente inesquecível!”, diz entusiasmado. Começa pelo céu que é “completamente diferente”. Começa pela sensação de solidão em que se está. E depois, sobretudo, uma das coisas que mais gosta é que qualquer pequenina coisa dá uma imensa alegria. “Um copo de vinho, comer uma boa lata de atum, tem um valor que a gente nunca imaginou que pudesse ter.”

No deserto com quem? É muito difícil para ele encontrar alguém que entenda as coisas da mesma forma, que saiba respeitar os silêncios e a solidão e por isso, viajar é estar consigo próprio. Conhecer-se ainda mais, ao descobrir outros lugares, pessoas, gostos, cheiros. “Quando se viaja com outra pessoa, não se está tão atento ao que acontece à nossa volta, porque estamos preocupados com o outro”, por isso a solidão é fundamental, excepto, quando se está com a pessoa que se ama e com quem se gosta de partilhar tudo, ou com amigos especiais.

Uma viagem que é, para ele, simultaneamente uma viagem exterior, como as outras coisas, mas também uma viagem interior, como em lado nenhum. O deserto visto pelos olhos e experienciado nos sentidos de Miguel Sousa Tavares tem um encanto epopeico.

“Eu vou a Veneza e fico extasiado, sentado na praça de São Marcos, a olhar para tudo o que me rodeia. No deserto eu olho para as coisas que me rodeiam e para aquilo que está dentro de mim”, relata o autor do romance “Equador”.

Talvez por isso o conselho final de Miguel Sousa Tavares se torne óbvio: “Ninguém deveria morrer sem ter visto pelo menos uma vez o deserto”.

sábado, janeiro 03, 2004

They Live By Night I.
Esta é uma noite fresca. Já é dia 3 de Janeiro. Mais uma noite onde tudo parece vago.
No inverno fico dorminhoco (ainda mais). Sinto-me mal por isso, mas durmo até tarde.
Algo que me parece difícil de evitar. Mesmo quando me mentalizo para que não aconteça.
Tá frio porra! E de manhã o quente da cama convence o corpo a não sair do ninho e enfrentar o frio da manhã.
Tentar não basta! Tenho de me levantar mais cedo... com isso na mente fica uma foto:
da noite que se estende e não deixa a manhã respirar.


Starry Night, Vincent Van Gogh

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Uma flôr, pequena mas forte

Hoje é dia 2 de um novo ano. E eu...
Quero muita coisa. Uma delas tornou-se ser jornalista. Redescobri mais uma vez que se calhar até tenho algum jeito para a coisa. Gosto também. Importante não? Possivelmente. A ideia de que não vou chegar lá está cada vez mais presente. Não por falta de vontade, mas por dificuldade na área e de não me querer sujeitar a alguma coisa que realmente não gosto, dentro da área.
Apesar de estar mais direccionado para jornalismo, que mais não seja em formação, gostava muito de tocar no mundo cinematográfico, que simplesmente me fascina. Realizar, coordenar, filmar, imaginar um pedaço de cinema, o meu cinema, seria algo que me daria gosto. Participar num filme que achasse que valesse a pena, actuando, seria algo que gostava de fazer.
Ideias e gostos que me foram surgindo ao longo de 22 anos de vida e vários anos na instituição escolar.
O prazer de contribuir com muito de mim numa curta-metragem, de fazer uma reportagem radiofónica sobre uma peça de teatro... diferente (Alma em Lisboa) para a TSF, de fazer um destaque sobre segurança de Portugal no Euro 2004 para o Público, são coisas que não só parecem boas, como são boas para mim...
Da mesma forma que um trabalho sobre Jim Morrison para a faculdade, ou sobre o pintor José Malhoa são outras coisas que sabem muito bem fazer.

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Lembra-te das passagens de anos... alegres.


quarta-feira, dezembro 03, 2003


Aimee Mann - Lost in Space
"This is how it goes
You´ll get angry at yourself
and think you can think of something else
and i´ll hear the changing of the bells
cause I can´t stop you, baby...

"This is how it goes
one more failure to connect
with so many how could i object?"


Aimee Mann, com uma voz extraordinariamente bela, faz dançar calma e serenidade pela mente.
Fundamental não deixar escapar músicas como Wise Up, ou One ("One is the loneliest number that you´ll ever do");
Save Me, ou You Do;
sem deixar de mencionar Momentum ("Oh, for the sake of momentum, I've allowed my fears to get larger than life").

Wise Up ganhou inicialmente alguma visibilidade em Portugal com o extinto programa da RTP2, Zapping. A música Wise Up em conjunto com imagens do "nosso" mundo, levavam-nos de uma forma comovente para uma introspecção assustadoramente real, do ambiente envolvente que era o Portugal crú e nú. Era esta a forma melancólica do programa acabar... Depois de Tiago Rodrigues e companhia nos levaram pelo fantástico mundo que é aquele que muitos não querem ver ou simplesmente não existe.
Pena que a música tenha sido tão explorada recentemente e acabe por perder um pouco a magia.

Wise Up
It's not
what you thought
when you first
began it
You got
what you want
Now you can hardly stand it, though
but now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure
there's a cure
And you have finally found it
You think
one drink
will shrink you 'til you're underground
and living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list
of what you need
before you sign
away the deed
'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No it's not going to stop
So just give up


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Lembras as noites gélidas de Inverno, a lareira aquece, a mente divagueia pelo sentido existencialista do ser, pelo universo que imaginas ser o que te circunda. Sentimentos que são esperanças únicas, demasiado confusas para acreditares nelas...
Eras tu... mais esclarecido apesar de repleto de filosofias incertas, misturadas com as respostas que foste encontrando por ti...