quinta-feira, novembro 17, 2005

manhãs no campo

time isn´t on your side

slowly breaking

Amsterdam
Come on, oh my star is fading
And I swerve out of control
If I, if I'd only waited
I'd not be stuck here in this hole.

Come here, oh my star is fading
And I swerve out of control
And I swear I waited and waited,
I've got to get out of this hole

But time is on your side
It's on your side now
Not pushing you down and all around
It's no cause for concern
Coldplay

Fun

Life's more fun if you take it lying down
Garfield

ironia

ain´t no mountain high enough... for suicide


Now if you need me
Call me
No matter where you are
No matter how far
Don't worry baby
Just call out my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry

'Cause baby, there ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you, babe

Remember the day
I set you free
I told you, you could always count on me, darling
And from that day on
I made a vow
I'll be there when you want me
Some way, some how
Supremes

cidade: local de tensões

terça-feira, novembro 15, 2005

revolta

Quando é que chegámos a este ponto? Quando é que criámos uma sociedade baseada em margem de lucro, tanto humano como financeiro. Como é que nos podemos libertar deste lixo actual... não podemos, aparentemente... mas existem cada vez mais repercussões de quem vive nas margens do lixo actual que nos rodeia - mascarado de beleza intrínseca -, desde o terrorismo, às manifestações de violência e ataques em França, para não falar em tantas outras menos mediáticas. A cidade é o meio priviligiado para estas tensões e pressões fortes, injustiças e desilusões crónicas, afastamento e anonimato, atenuamento das emoções e resignação perante as explorações e frustrações que fazemos de todos os modos e feitios uns aos outros. Meio urbano. Meio sujo e articial. Meio privilegiado para a sociedade se desenvolver nos seus extremos mais intensos e menos bem conseguidos.

Adeus mundo que me viste crescer desde os 18 anos! Olá mundo que sempre desejei conhecer e que sempre me fascinou pela impossibilidade de lhe fugir.

domingo, novembro 13, 2005

profundezas da vida

TheMarkR

Angule of life. Creator of Life brings creation to the world. Creator of Life isn't willingly do prolongue is own life. What gives life?

con fusion

Confusion... no connection
hurt. no sorrow. no mercy.
creator of life on the move to a life breakdown
he's not nervous. he's just disappointed.
in pain. in sorrow.
god!!! why have you left me
why you don't seem to exist to me
why nobody cares
why nothing makes sense
this society; this life; this pain,
this way of being.
BeingEmot sucks as it never sucked before.
There's no returning to the early years,
there's no return to the time
where all was made possible

Sorrow. No erection
Resignation. so much sorrow, so much hurt.
Nothing is, Nothing was, Nothing will be...
Is Death a way of expression?
All is well, says the young boy inside of him.
He was young, got a big will,
a big flame that was on
the verge of running out forever
or fadding away... slowly
Deeply. Not willingly
Goodbye...

descanso

portrait photography

O descanso do guerreiro...
Descansar é uma das formas mais usuais de não fazer nada. Também pode ser uma satisfação ou prazer bem intenso e relaxante. Mas sem trabalho suficiente é apenas preguiça e pode mesmo tornar-se parvoíce completa.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Bons sonhos


Finalmente comecei a limpar o meu quarto. Uma tarefa árdua e que me parece impossível de forma a que fique bem limpo. Já há tanto tempo que não limpava nada que o pó era bastante, embora não fosse tanto como esperava. Parece um assunto frívolo, e é! Mas é um assunto muito importante.

Desde pequeno que as cores que me rodeavam, dos lençóis, das paredes, dos posters, parecem ter influência no meu estado de espiríto. Sempre me convenci disso. Especialmente por altura de determinados testes do secundário. Os de Geografia e História eram os que mais nervoso me punham. Por isso mesmo era necessário, na noite da véspera do grande teste, ter os lençóis preferidos, aqueles mais suaves, mas com as cores mais agradáveis também. Mesmo que os lençóis não fossem esses [não era assim tão chato para a minha mãe], tinha de ir buscar a fronha da almofada [que bela palavra para o sítio onde colocamos a cara para dormir] preferida. Recordo-me de uma fronha verde e amarela, com uma espécie de flores, que embora não fosse muito bonita, era bastante agradável para mim. Outras noites era aquela azul bebé, com umas riscas pequenas brancas. Enfim, havia várias, mas as cores claras sempre foram das minhas preferidas.

Voltando à limpeza do quarto. Coloquei a roupa a lavar, inclusivé os lençóis que já não eram mudados há nem sem quanto tempo [muito mesmo... mas não cheiravam mal!]. A música esteve sempre presente. Rush of Blood to the Head, dos Coldplay foi uma companhia perfeita para as tarefas caseiras. Seguiu-se o jantar, e a preparação para o almoço de amanhã, que fiz ao mesmo tempo que ia espreitando o miserável jogo do Benfica com o Rio Ave (2-2). Jantar feito e comido - já depois de ter atacada nas Estrelitas - seguiu-se então a limpeza do pó...
Limpei com pouca profundidade, chamemos-lhe assim, porque senão não saia do quarto. Aproveitei para arrumar alguns dos montes de jornais e revistas (entre outros papéis) que vinha amontoando há já algum tempo. Diminuindo uns montes e aumentando outros de uma forma um pouco mais organizada. Houve outros montes (enormes), que não tive coragem de mexer - senão não dormia...
Às vezes fico parvo comigo próprio [o que é uma coisa muito bonita de se ficar], com a quantidade de jornais e revistas que guardo. É praticamente tudo... não consigo desfazer-me daquilo. É impressionante! Tenho de arranjar uma organização decente. Depois aspirei o chão do quarto, passei com uma esfregona húmida e já sentia o quarto bem mais "aliviado" e limpo. Fiz a cama, com lençóis de flanela, que o frio está aí... mais um motivo de satisfação, ver a cama feita de lavado, e acabei por dedicar-me a ver tv... e falar assuntos parvos com o meu colega de apartamento e senhorio, El Armando... uma personagem digna de uma série televisiva cómica... Enfim.

Jeff Buckley toca no leitor, músicas agradáveis para o meu contentamento... escrevo isto. 3h33, vou-me deitar. Amanhã tenho visionamento (ver filme) de um filme português, Mano. Há tarde tenho de entrevistar o seleccionador nacional de futebol dos sub-21, Agostinho Oliveira. Enfim... muito trabalho, é o que se espera... e tudo farei para conseguir sair a horas (19h). Talvez volte a jogar à bola à noite, passados tantos meses desde última vez - sinto saudades!!

A noite vai longa.
"My kingdom for a kiss uppon her shoulder", diz Jeff Buckley, com a voz doce e melódica que inspira e faz recordar outros momentos, outros sentimentos, pessoas e melancolias.

Bons sonhos... serEmot; serL

Sentidos

Have You Ever Feel Lost?

É uma frase que, não sei muito bem porquê, me acompanhou há uns tempos...
Sinto-me perdido dentro de mim mesmo, dentro de uma sociedade cheia de regras e exigências. Talvez seja esse um dos motivos. Mas é um sentimento de partilha também. Acho que já todos nos sentimos perdidos, de alguma forma estranha ou diferente do habitual. Faz parte um pouco do nosso modo de ser. Somos humanos. Somos complexos. Procuramos respostas para as nossas dúvidas existenciais.

Como dizia Jeff Buckley (na cover de Leonard Cohen):
Well your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you to her kitchen chair
She broke your throne and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Hallelujah Hallelujah Hallelujah Hallelujah

quinta-feira, novembro 03, 2005

psicoses

24 anos 358 dias de vida.
Decisão: acabar com a vida quando completar 25.
Objectivo: nenhum em especial...

terça-feira, novembro 01, 2005

terça-feira, outubro 25, 2005

futuro em alta

120 escudos. Aquilo que não dava para comprar com 120 escudos há uns anos atrás. Hoje senti-me aquilo que sou, um rapaz nascido no século passado. Mas mais do que isso, senti-me um rapaz nascido há um século.
Fui a uma padaria aqui perto de casa comprar dois pães (ou papo-secos - que belo nome, vem assim na Infopédia) caseiros, pequenos, e o preço foi: míseros 60 cêntimos. Uma pechincha, para quem estaria a pensar em comprar um bolo ou um pão com queijo num café, mas numa padaria custar este preço é um ultraje.
Chamem-me antiquado, velho peidolas, senhor dos sete ventos (ok, acabei de inventar esta), ou mesmo bota pastilha (prefiro pastilha a elástico), mas com 60 cêntimos, há 10/15/20 anos atrás, eu comprava dois bolos! Faz confusão à mente frágil do jovem forreta ver preços deste tipo em dois bocados de massa (farinha acima de tudo) cozida. 120 escudos era muito dinheiro no meu tempo, naqueles saudosos anos 80 e 90. Ai que loucos, inspirados e baratos eram os anos 80 e 90... já lá vai tanto tempo, tantas pessoas que já nasceram desde então - o meu irmão, a minha irmã. Sinto-me como se tivesse nascido no princípio do século passado - falta-me a bengala, é certo, mas os preços parecem corresponder. Enfim, dizia o jasmim a mim.

Vivemos num futuro em crise. Depende da vida que vivemos, das coisas que fizémos e fazemos, tivémos e temos.


Local do crime: Rua Alves Torgo - Arroios (ATENÇÃO: local onde não se deve comprar pão)

domingo, outubro 23, 2005

notas a correr pela vida

[Procura-se: especialista de tipografia, que queira montar uma máquina de notas falsas. Ofere-ce 50% dos ganhos. Tudo com a máxima confidencialidade. Ganhos semelhantes ao Euromilhões. Mais informações ligar para 112, pedir para falar com responsável departamento de notas falsas da PJ.

Porque será que nenhum Estado se lembrou ainda de fabricar dinheiro falso. Agora que temos os Euros, não teria de ser propriamente falso, visto que se fabricam euros em Portugal. Bastaria o Estado português criar uma Casa da Moeda secreta e paralela à existente, e depois fazer uma pequena lavagem de dinheiro em Espanha, França, Alemanha, Suíça, Málaga, Bélgica, Holanda, tudo num sistema controlado e disseminado, para não levantar suspeitas. Seria uma forma fantástica de reduzir o défice, aumentar os salários ao nível europeu e ainda baixar considerávelmente os impostos. O que é que o Sócrates pensa que os outros grandes países europeus fazem???

Engraçado, sem ter graça nenhuma, como aquilo pelo qual a maior parte de nós luta durante tantos meses, tantos anos na sua profissão é pelo dinheiro que ela dá, as notas e moedas que nos permitem comprar coisas, independentemente de fazermos aquilo que gostamos ou não, o dinheiro, bocados de papel e metal, são o nosso pão para a boca, água (menos a dos rios e a do mar), fruta, bolos, cama, luz... (menos a do sol). ]
living on a ritual

[Living on the edge. Armados com os seus carros recentes, com a bebida desinibidora e parte integrante do ritual - que lhes vai correndo nas veias -, os jovens mais avenços ao ritual nocturno vão pavonear-se, como um qualquer macho, em busca de uma fêmea que lhes dê auto-estima, de bons momentos com os colegas da matinha, na busca de experiências e poder.]

Os jovens do sexo masculino morrem ao domingo.

crenças

Funerais IV


Posso estar a ficar maluco, mas existem tantas coisas que não fazem o sentido, para mim, que era suposto fazerem para o resto da sociedade.
Estamos a entrar numa época de questionamento profundo. No entanto, continua a existir vários grupos de jovens católicos ou de outras religiões, crentes, com todas as suas forças de que irão para um espaço melhor, um "céu" à sua medida. Continuam a existir jovens muçulmanos, que viveram todas as suas vidas sob ensinamentos ocidentais, dentro das nossas culturas, mas por um qualquer motivo se viram na procura daquilo que lhes falta, nas suas vidas, na religião e até no extremismo, que leva ao terrorismo com muita facilidade. Por outro lado, existem várias pessoas, uma vaga que pensei ser bem maior do que por vezes parece, que se questionam sobre o que os rodeia, sobre as verdades avançadas como dogmas, como verdades tranquilizadoras.

Nada faz mais sentido do que ser verdadeiramente religioso. Somos devotos a uma causa que só nos traz satisfação e respostas.

Mas existem muitos que não se contentam com essas respostas, tão coladas a cuspo por uma história construída e adulterada conforme se queiram transformar as crenças. Engraçado como nunca se ouve padres, "pastores", de igrejas falarem da ciência quando falam do mundo. São pessoas viradas apenas para o ser humano. Falam do nosso papel no mundo, mas são incapazes de dizer que vivemos num planeta chamado Terra, num sistema de planetas a que chamamos sistema solar, numa galáxia a que démos - ou alguém deu por nós - o nome de Via Láctea.

domingo, outubro 09, 2005

sonhar


Foto de Floris Andrea

Sonhar. Sonhar. Sonhar. Não consigo parar de sonhar. Quero dormir mais para sonhar!

A Journey with No Past

To a Journey with no past
To a Wall without a future
We remain with sorrow souls
and without a window of hope

sábado, outubro 08, 2005

keating

size the day, boys

At the age of 29, he was determinated to suicide himself.

So he was obliged, in his own mind, to live life with passion and intensity, making is life extraordinary.

sexta-feira, outubro 07, 2005

frase do dia

"Tenho de ir comprar Hallibut para o rabo da minha filha"
Senhora com as compras na mão, comenta com amiga

segunda-feira, outubro 03, 2005

a new day



Morning (mourning) as broken.



Olhar ao espelho.



Banho para acordar.

O pequeno-almoço.

fly to the moon

Luar. Uma forma de olhar o luar
um modo de saborear e calar
sonhar e viajar, beijar e amar
formas de sentir o luar
cheirar a vida
viver o futuro e imaginar o passado
sem fronteiras, sem amarras
livres de olhar o luar
experienciar uma aventura
profunda e singular
onde nos perdemos sem nunca nos encontrar.

conselho da semana


Eu aconselho a todos terem cuidado com a mudança de temperatura que existe neste momento em Portugal. As noites e manhãs estão frias, os dias quentes,
CUIDADO COM AS CONSTIPAÇÕES!!

Um conselho patrocinado pelo genério, Coça Aqui o Meu Pézinho

___________


Segundo conselho:
Acordem cedo; 8h30, e ponham-se a olhar para o céu!! É o eclipse anular lunar!

Ver aqui em directo emissão na Internet.

domingo, outubro 02, 2005

direito à escolha

Filha (7 anos): Porque é que não podes ficar comigo?
Pai (Michael Douglas): O pai tem de ir trabalhar.
Filha: Porque é que tens de ir trabalhar?


Este pequeno diálogo, acabei de visionar num filme na SIC. E, apesar de ser uma pergunta inocente coloca em causa algumas das regras da 'nossa' sociedade. Aquela que não escolhemos e temos de cumprir. Tal como no livro Admirável Mundo Novo, do visionário Aldous Huxley, deveriamos de ter ilhas para as pessoas que não queriam viver nesta sociedade, tal como ela é. E deveria de haver um direito à escolha.

quinta-feira, setembro 29, 2005

it´s a dog world

No mercado de trabalho, a competição é comum. Por isso, temos de saber não dar oportunidades para os outros tentarem a todo o custa desvalorizar a nossa competência ou o nosso trabalho. Por vezes, quando dizemos o que nos vai na mente, sem ponderar, há pessoas que aproveitam isso...

segunda-feira, setembro 26, 2005

bizarrias e encantos

Uma manhã na cidade. Uma chegada de fim-de-semana difícil. Uma hora no trânsito. Caos.

7h45. serEmot levanta-se da cama com o objectivo de apanhar o autocarro das 8h35 das Caldas da Rainha para Lisboa. 7h50, lava-se a cara, ouve-se a "madre" e arruma-se os últimos pormenores da mala. 8h. Toma-se o pequeno almoço. 8h05. Despede-se das crianças Pedro e Rita, e da "madresita". Off i go.


Jovem negro, autocarro 26. Roupas muito largas de uma qualquer equipa de basquetebol norte-americana, e um boné à moda. Cheiro nauseabundo a sémen, parece quase de cavalo.

Jovem negra com mamas de 30 kg cada. Uma enormidade. Encosta-se a mim, quase sufocando-me. Nunca pensei que uma situação destas pudesse ser, desagradável!


Passagem por rapaz, das obras, com o cú à mostra. Será que ele nunca ouviu as inumeras piadas sobre os homens das obras com o cú à mostra?? Ele é jovem, por isso menos desculpa tem.

Rapariga. Loura. Saia. Mocassins. Blusa azul bebé e bandelete a condizer. Encantos...

terça-feira, setembro 20, 2005

Pergunta da semana:
Porque é que o mau cheiro é superior ao cheiro perfumado???

Exemplo: autocarros da Carris. O mau cheiro abunda em muito. Será que os portugueses são mal cheirosos?

segunda-feira, setembro 12, 2005

sono

Quando estamos com algum problema físico a nossa mente começa a arranjar soluções ao desbarato, com esperança de que passe o problema. Por exemplo. Uma noite mal dormida, onde se morre de um profundo sono e se batalha para que as pálpebras se mantenham abertas, pode fazer com que comecemos a comer que nem alarves. A nossa mente explica ao corpo que falta alguma coisa; o corpo, por consequência, tenta arranjar solução. Quando não nos podemos deitar e dormir como o corpo exigia, ou porque temos que trabalhar ou porque temos que fazer alguma coisa estranhamente importante, o corpo começa a buscar outras fontes de se satisfazer. Por isso comemos que nem alarves. Estamos cheios e queremos comer MAIS e MAIS e MAIS. Tudo porque não podemos dormir, logo o corpo tenta-se 'encher' com outras coisa, na esperança secreta de que páre de ter sonoo oonnondsfidadosfodafnidnsdnf dsnifonfafofodsfasodfnodasnifoidasnf

Oops. A minha cabeça acabou de cair em cima do teclado. I wonder why.
Espreguiço-me de forma pronunciada e esticada para tentar afugentar o sono...

quarta-feira, setembro 07, 2005

locais e regressos

É perturbante voltar a um local em concreto onde perdemos alguma coisa importante para nós. O local onde nos foi roubado o nosso único meio de transporte (uma mota, por exemplo), que modificou por completo a vertente temporal da nossa vida nos últimos tempos é um exemplo de um bem material muito útil e que faz mesmo muita falta. Passar por esse local causa-nos um calafrio, um engolir em seco que nos perturba e irrita, especialmente nos primeiros tempos. Depois, mais tarde, quando passamos de autocarro, olhamos para o local com algum tristeza, com uma secreta esperança de ainda podermos recuperar o bem roubado, extropiado, levado de forma cruel e injusta. São sentimentos fortes, mas muito diferentes de quando perdemos num local, em particular, algo mais importante na vida, sentimentos e pessoas.

21 GRAMAS
Neste filme de Alejandro González Iñárritu existe uma cena bastante perturbante [existem muitas, mas esta chamou a minha atenção, quando revi o filme esta noite na RTP1]. A personagem interpretada pela brilhante actriz Naomi Watts, Cristina Peck, vai ao local onde o marido e as duas filhas morreram atropelados por um carro há uns meses. O sofrimento de tanta perda numa vida que, antes, corria um certo rio alegre e feliz; o significado de um lugar tão especifíco e que trouxe tanto mal, mágoa e tristeza intensa é brutal. São sensações demasiado emotivas e significativas para serem banalizadas, e esse mesmo local torna-se num pequeno santuário da memória dor, da visualização mental da morte de pessoas tão importantes na vida de uma outra, que lhe davam um rumo e significado.
O ser humano dá o significado que a sua mente quer e necessita, a pessoas, locais e situações. Nesta cena do filme pessoas, locais e situações concentram-se em toda uma cena, em toda uma memória de dor e de perda.
A vida humana é feita destas pequenas grandes coisa, pequenas grandes mudanças de rumos de uma vida. Cada acontecimento desencadeia outros sucessivos, uns mais determinantes que o outro. Não nos podemos esquecer que, a qualquer momento, poderemos viver/atravessar um momento determinante, um oportunidade ou desgraça charneira na nossa vida; mas também não podemos viver obcecados com isso, senão é como não vivessemos verdadeiramente.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Revolta do espírito, tristeza da mente

Sinto-me revoltado com a vida, com a forma com que a sociedade está organizada, como existe tanta incompetência de empresas e pessoas em Portugal, como tenho tido tanto AZAR - SE É QUE ISSO EXISTE -, como nada parece correr bem, como tudo é confuso e nublado.

Para onde vamos depois da morte, para onde se encaminha este universo longínquo, são questões mais existenciais e impossíveis de resposta objectiva e que, ultimamente, raramente têm pairado o ser de serEmot. Nada está provado nesse campo, no entanto, é claro que vamos morrer, o nosso corpo não aguenta os anos. Li algures que o cérebro humano aguenta mais os anos, por si próprio, que o resto do corpo. Qualquer dia, poderemos ter cérebros a serem retirados de corpos já moribundos e colocados em corpos sem vida clonados (exagero, sem dúvida), para pessoas ricas prolongarem a vida.

Remembrance die with the dead,
Hope die with lack of trust in ourselves
Saddness breads in uncertainty

quarta-feira, agosto 24, 2005

As primeiras sensações que um ser humano pensante tem quando entra pela primeira vez num metropolitano são intensas e confusas. Como é que estas pessoas todas andam aqui ao lado de carris assustadores como se nada fosse? Pergunta a mente frágil e ainda a tentar encaixar os mecanismos que a circundam...

segunda-feira, agosto 22, 2005

reticências

2005

Ora aí um ano em que, até agora, muito foi aquilo que correu mal. Entre o roubo de uma mota nova e a habitual frustração por não ver um futuro risonho, a vida parece nunca mais descolar... Como depois da tempestade vem a bonança, a esperança é que isso também aconteça na minha vida.

PS: Se alguém souber a chave do próximo Euromilhões, é favor enviar para seremot@gmail.com

William Blake, The Red Dragon.

sexta-feira, agosto 19, 2005

let it roll in the light of the night



Numa noite de Verão sobra tempo para a reflexão. Para as experiências e para ideias iluminadas e sonhos esperançados mas pouco reais. A vida corre, percorre as feridas da sobrevivência e da vivência social ocidental. Let it roll baby, all night long...

sexta-feira, agosto 12, 2005

10 anos, a mudança de amigos

serEmot aos 8 anos, acho eu...


Puto Sinal aos 9 anos.

O meu irmão mais novo tem agora 10 anos, está a iniciar um novo rumo na sua vida ao entrar para o 'ciclo' e ao ir para uma escola diferente onde irá estar numa turma nova.
Um percurso que atravessei com algumas dificuldades iniciais. Foi a primeira grande mudança que tive na minha vida. De amigos, escola, conhecimentos... enfim, de muita coisa. 10 anos é uma idade mítica, especialmente para esta sociedade em que, se tudo correr normalmente, se muda de ensino.

1991. Eu tive 10 anos em 1991. Foi um ano estupendo em que terminei a quarta classe com uma paixão por história, entrevistas e teatro, muito graças à Dona Esperança, minha professora durante quatro anos que, já em final de carreira, deu ânimo às aulas com várias iniciativas. A Dona Esperança, infelizmente, morreu há cerca de dois ou três anos, mas as memórias ficam. A meio do ano de 1991 aconteceu o impensável, mudei de escola. Era altura de ir para o 'ciclo', crescer mais um bocadinho e deixar amigos, histórias e memórias da primária para trás. Mas custou muito. Na altura não conseguia conceber a mudança de amigos, não sabia como conseguiria arranjar novos, tinha medo de perder os amigos, a professora e as memórias que tinha recolhido até ali, assim como as experiências boas. Recordo-me de chorar na cama, sem ninguém saber, por causa disto...
A verdade é que começando a escola, em Setembro de 1991, no 'ciclo' tudo isto se esquece um pouco. Também tive a sorte de ter seis (!!) pessoas da minha turma da primária no 5ºA, da Escola Preparatória das Caldas da Rainha - apesar de só me dar bem com algumas raparigas neste grupo de seis. Foi um período único e que não se volta a trás. Fiz novos amigos, senti-me bem, senti-me mal e aprendi que as mudanças são sempre mais difíceis antes de se concretizarem (depende um pouco).

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Uma pequena memória que surge com a entrada do meu irmão mais novo, Pedro (Puto Sinal) no 'ciclo'. Tanta coisa mudou no mundo desde há 14 anos atrás, mas as emoções são muito semelhantes...

sábado, agosto 06, 2005

fogo sem barreiras


ver fotos aqui.

[Os links para o FOTOLOG estavam incorrectos, já corrigi: www.flickr.com/photos/seremot]

É uma sensação de desolação, tristeza e impotência perante um fogo que não conhece limites.

Cheguei hoje a casa, nas Caldas da Rainha e deparei-me com um cenário que não imaginava. Isto apesar de já me terem contado vários pormenores do incêndio que aconteceu na quinta-feira, pouco depois das 13h e se prolongou durante algumas horas devastando a vegetação, pinhais, eucaliptais e mato que existem ao longo da zona do Casal do Lavradio, mesmo bem perto do centro da cidade das Caldas da Rainha. O hipermercado do Fonte Nova esteve em perigo, bem como restaurantes e, pelo menos, quatro fábricas e muitas moradias. Centenas de hectares foram reduzidos a cinzas.

A nível pessoal recordações guardadas numa Casa do Pinhal que era uma arrecadação foram queimadas e dizimadas pelo fogo, ficam agora apenas na memória.

Ontem a minha tia desmaiou com os nervos, tal foi a proximidade do fogo à minha casa e à casa dos meus tios. Os meus pais tiveram de fugir da sua própria casa, rodeada de chamas, e pensavam mesmo ter perdido a sua casa de sempre, onde eu vivi toda a minha vida, até aos 18 anos. As chamas e o fumo tapavam por completo a casa... mas, felizmente, a casa não foi queimada apesar do fogo ter estado a três metros da casa, salva em cima do momento pelos muito poucos e MUITO ATRASADOS bombeiros, familiares, amigos, vizinhos e desconhecidos.

Hoje o cenário era desolador, com tudo em cinzas. O que antes era uma vegetação rica, um ambiente puro e natural, passou para um ar repleto de cinza e destruição.

Perdi a Casa do Pinhal, onde mantinha uma bicicleta e livros da primário, bem como móveis antigos e louças antigas - que desapareceram por completa, dizimados pelo fogo. Ao lado dessa casa estava um barracão de madeira, totalmente destruído, onde viviam três rolas, até agora apenas uma foi encontrada.

Não tenho linha telefónica, visto ter sido queimada pelo fogo que circundou a casa em três lados, apenas um dos lados não teve frentes de fogo.

A vida continua, mas o memória não apaga um susto enorme e uma desolação imensa por um pinhal maravilhoso totalmente consumido pelo fogo. Foram vários os pinhais, na zona, dizimados pelo fogo que se julga ter sido fogo posto, por ter aparecido em quatro locais distintos, mais ou menos ao mesmo tempo.


Poderão ver no Fotolog SEREMOT fotos da tragédia nas Caldas da Rainha e, mais especificamente, nas imediações da minha casa.