terça-feira, janeiro 03, 2006

morte

[Por vezes deparo-me com um sentimento, o da morte. Mais tarde ou mais cedo ela acontece, de uma forma ou outra. O que mais me espanta, por vezes, é a forma como as pessoas vêem a morte, como a relativizam quando não é próxima. A dor só existe quando há ausência. Apesar de ficar espantado não poderia ser de outra forma, senão teriamos de andar sempre deprimidos ou estupidamente de luto, já que a morte é tão natural como o nascimento, acontece. Como seres humanos viventes numa sociedade altamente mediatizada, sempre que a morte dá o fim de vida a alguém "conhecido do público" alguns costumam ter sentimentos muito semelhantes àqueles que teria se fosse alguém seu amigo. Existem, porém, outros casos menos mediatizados mas que existe tristeza não só pelo mero facto de uma vida ter deixado de existir, mas por ter sido uma vida cheia de coisas boas, marcos importantes, coisas que se leram. Enfim, é a vida e a morte... hoje morreu o repórter, ex-director e fundador da Visão, o conhecido de alguns, amigo de outros, pai, filho e marido, Carlos Cáceres Monteiro. ]

domingo, dezembro 25, 2005

something about christmas time



[Há algo em mim que parece que já deu e ainda dá, numa pequena parte, um valor ao Natal como diz a seguinte estrofe da música de Bryan Adams. Mas a outra parte de mim, há já alguns anos bastante voluptuosa, vê o Natal com maior cepticismo, não só na questão do consumismo e prendas (que deixou de me fascinar e passou a irritar - hipocrisia e blah, blah) mas também noutras questões. A família é um aglomerado de pessoas complicado e, na minha em particular, parece existir factores como afastamento e ressentimentos antigos que complicam muitas situações. Custa ver isso no Natal, mas que é complicado, lá isso é. Continuo a ser o primeiro a "lutar" para que a minha familia se junte! Feliz dia 24 e 25 - e os outros também, pelo menos em momentos!]

Letra
There's something about Christmas time
something about Christmas time
that makes you wish it was Christmas every day

Christmas Time, Bryan Adams

sábado, dezembro 24, 2005

mais cedo ou mais tarde

As opiniões são como as folhas,
são levadas pelo vento e o tempo.
Umas demoram mais tempo a apodrecer e a sair das árvores,
outras caem mal nascem. E o vento, tudo leva...

sexta-feira, dezembro 23, 2005

bom dia




Oh the weather outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

It doesn't show signsof stopping
And I've bought some corn for popping
The lights are turned way down low
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

When we finally kissgoodnight
How I'll hate going out in the storm!
But if you'll really hold me tight
All the way home I'll be warm
The fire is slowly dying
And, my dear, we're still goodbying
But as long as you love me so
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

saudades da praia

in www.olhares.com
www.olhares.com/apenas_mulher/foto232786.html

quinta-feira, dezembro 22, 2005

ausências e mudanças

É curioso como vamos mudando pequenos modos de ser ou reagir à medida que vamos experienciando mais coisas. Recentemente uma pessoa com quem trabalhei de forma intensa durante mais de um ano saiu do meu local de trabalho. Era a minha supervisora, que começou como tal e passou a ser colega e amiga. Abandonou o nosso local de trabalho para uma viagem de 3 meses à volta do mundo, o que causa alguns ciúmes, obviamente. Mas é curioso como se fosse há alguns anos, o afastamento de uma pessoa tão próxima profissionalmente e também pessoalmente, iria marcar-me de uma forma imediata. Sentiria um impacto forte. Nos tempos actuais, também motivado pelo excesso de trabalho e preocupações, não senti esse impacto grande e doloroso, a não ser pelo substituto ter criado problemas e preocupações extras. É estranho porque vejo com tanto carinho os momentos em que lhe explicava à minha antiga "chefe" os filmes que tinha acabado de ver e sobre os quais tinha de escrever. Falava sempre com muito entusiasmo, não apenas porque determinado filme ou assunto me tinha maravilhado, mas também e essencialmente, porque a pessoa do outro lado (ela), ouvia atentamente, interessada e ao mesmo tempo fascinada pelo que eu ia contando. Para isso ajuda ter-se gostos semelhantes, claro. Poder contar coisas profissionais e mesmo pessoais deste modo é uma alegria que perdi quando ela saiu da empresa. São momentos que recordarei sempre com carinho e que servem também como lição.

terça-feira, dezembro 20, 2005

segunda-feira, dezembro 19, 2005

the best of me

"I work for a living, I don't live for working."
in blogario.blog.pt

18 till i die



O final de um ano é apenas uma altura simbólica em que se costuma colocar em perspectiva o passado e evidenciar as expectativas para mais três centenas de dias e pouco de vida, individual e na sociedade em que vivemos.

domingo, dezembro 18, 2005

Coming Soon - Plakat / Cover


1

coming soon, no orgasm

As relações entre pais e filhos são extremamente bizarras. Ali estamos nós - ou a maior parte de "nós" - com pessoas próximas que já passaram por muitas das coisas pelas quais nós estamos a passar. É praticamente impossível falarmos com os nossos pais sobre sexo, mesmo quando estamos desejosos de saber mais sobre como é, ou quando as nossas dúvidas podem ser importantes no decurso das nossas vidas. Actualmente a internet é uma fonte de informação decente para esse tipo de dúvidas, mas pode levar a engano. Hoje os adolescentes têm também mais facilmente uma cultura sexual ou educação sexual mais desenvolvida, nem sempre bem desenvolvida. O curioso é verificar como pessoas que sabem perfeitamente bem o que é a vida sexual, e com as quais partilhámos tudo, são nossos pais, acabam por ser insuficientes na abordagem da sexualidade especifica, no orgasmo, nesse tipo de temas claros e objectivos que poucos pais conseguem falar com os filhos e menos filhos conseguem esclarecer com os pais.

Lembrei-me disto quando estava a ver o filme Coming Soon (1999), na TVI, pela madrugada. Uma história engraçada, num filme em que Mia Farrow tem um papel pequeno. A protagonista é Bonnie Root.

O filme. Bonnie Root plays Stream, a senior at a prestigious prep school, and the last among her friends to lose her virginity. When it finally happens, she is under whelmed by the experience. This is an entertaining and intelligent film made by and for women.

Quotes: Stream Hodsell: Je veux l'orgasme. That means, I want an orgasm.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

domingo, dezembro 11, 2005

abraço

bye natal

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Está na hora da àrvore de Natal, em Nova Iorque. Vou tentar colocar as luzes de Natal no meu quarto - sem árvore - amanhã à noite. Não faço promessas.

jim morrison

People are strange, when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
women seem wicked, when you're unwanted

sábado, dezembro 03, 2005

agarradas



Swedish gal. 14-01-2006

opinar e partilhar

Um dos maiores receios do poder que os blogs têm é podermos ser responsabilizados, ou melhor, tramados, por aquilo que escrevemos, pelas opiniões que temos. Sim, supostamente vivemos numa sociedade livre e democrática. A verdade é que as nossas opiniões influenciam os outros. Num blog facilme expomo-nos mais, com maior facilidade. Estamos aqui a escrever, primeiro, para nós, como um meio de libertação e satisfação pessoal, ou até algum desejo de protagonismo; depois, falamos aos amigos, depois temos algum sucesso e já aparecemos no Google. Passado uns tempos - para quem trabalha - as pessoas do local de trabalho podem descobrir, ou nós dizemos mesmo a uma delas em quem temos mais confiança. Não tarda essa pessoa diz a outra, ou então o patrão lembra-se de colocar o nome do funcionário no Google.
Não interessa como chegam lá, mas existem fortes possibilidades das pessoas erradas lerem os nossos pensamentos. Ou seja, não tarda, podemos estar a exprimir opinião sobre pessoas no trabalho, colegas de escola, amigos de longa data, ou pessoas que simplesmente não gostamos. Podemos também de falar daquilo que nos desagrada na nossa escola ou no nosso local de trabalho. Ao estarmos a expor-nos assim tanto, corremos o risco de poder ferir alguém, ou pior, ser mal interpretados por alguém.

Exemplo: mesmo que não fale de ninguém, só o facto de estar a expor pensamentos que tenho sobre a sociedade, a democracia, a falência da sociedade de consumo, podem levar a alguém a olhar-me com cepticismo ou o contrário, a gostar mais de mim. A verdade é que essas opiniões, nem sempre são a pessoa, são coisas que se pensam em determinada altura, que saem naturalmente, mas que não me fazem ser aquilo.
Dou um exemplo mais concreto. Eu começo a dizer umas coisas sobre a sociedade que aparentam ser comunistas - mesmo não o sendo -, tenho um patrão que odeia comunistas. O meu patrão pensa que sou comunista. Logo o meu patrão começa a pensar ver-se livre de mim.

As situações de opiniões sobre pessoas e acontecimentos são as mais flagrantes. Quando falamos de alguém temos de ter consciência, que ao publicarmos na internet, existe sempre a hipótese de a pessoa em questão ler o que escrevemos. Enfim, é um panóplia de hipóteses que fazem deste meio tão interessante, ao mesmo tempo perigoso.


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Recordo perfeitamente de estar a trabalhar num local - lá estou eu a ser vago para não haver identificação com o local em questão - e de uma colega desse mesmo trabalho, que também é blogger, aconselhar-me a não falar da empresa em que trabalhava no meu blog. Um conselho que me pareceu estranho na altura, mas que fez perfeito sentido um pouco mais tarde. Um conselho que nunca mais esqueci. Obrigado Ana.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

adoro o frio!

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Suíça na foto. Fascínio ou não, adoro o frio... faz-me valorizar o calor. Um novo corte de cabelo, curto, no inverno, faz gelar facilmente as orelhas. O vento gelado passa dupla frieza nas zonas laterais, mais curtas... faz-nos sentir vivos. É uma sensação fresca e boa... quando não em demasia e volta a dar utilidade a camisolas quentes, casacos luvas e gorros bem quentinhos.
Porque não gostar do frio se é ele que permite saborear o prazer do calor matinal do vale dos lençóis.

Curioso como a água dentro de uma garrafa de plástico está tão fresca à temperatura ambiente, no meu quarto. Mais um pormenor dos dias de frio que se têm sentido.

ESTAMOS EM DEZEMBRO! Passou mais um ano, estou perto de atravessar mais um Natal. Passou tão rápido. Parece. É horrível pensar que já estamos em Dezembro... Resignação.

sótão dos meus sonhos

foto: serEmot

all for one

PAra onde foram todos os meus sonhos?
Pergunta a ávida mente ao actor de todos os últimos anos. Ninguém sabia, nem queria saber, apenas ele, nem ele. Nada estava perdido, muita coisa fora encontrada.

sábado, novembro 26, 2005

quedas de água dos sonhos

letra do dia

SOMETHING BEAUTIFUL
You can't manufacture a miracle
The silence was pitiful - that day
And love is getting too cynical
Passion's just physical - these days
You analyse everyone you meet
But get no sign - the loving kind
Every night you admit defeat
And cry yourself blind

If you can't wake up in the morning
'Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it - try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way

The DJ said on the radio
Life should be stereo - each day
And the past that cast the unsuitable
Instead of some kind of beautiful
You just couldn't wait
All your friends think you're satisfied
But they can't see your soul, no, no, no
Forgot the time feeling petrified
When they lived alone

If you can't wake up in the morning
'Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it - try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way

(It'll come your way)
(It'll come your way) Some kind of beautiful
(It'll come your way) Some kind of beautiful
(It'll come your way) Some kind of beautiful
(It'll come your way)

All your friends think you're satisfied
But they can't see your soul, no, no, no
Forgot the time feeling petrified
When they lived alone

If you can't wake up in the morning
'Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it - try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
Robbie Williams

adeus, não afastes os teus olhos dos meus

Rapariga a chorar no metro. Cabeça para baixo, encostada ao vidro. Sentada. Pessoas sentam-se mesmo em frente dela. Reparam que chora... tentam olhar para outro lado.
O que fazer? Numa aldeia - digo eu - alguém perguntaria de imediato se poderia ajudar, o que se passa... Na cidade a anomia social que as aulas de geografia ensinaram, e que eu me mostrei algo relutante em acreditar, parece tomar conta da maior parte das pessoas. Vejo isso acontecer todos os dias. Ou então o oposto, pessoas a meterem-se nos assuntos e na vida dos outros quando não devem: velhos nos autocarros da Carris. Parecemos cada vez mais desintegrados da nossa condição humana, à medida que ficamos cada vez mais integrados na vida urbana. Vamos ficando mais "embrulhados" na rotina morosa, nos tempos mortos imensos, que não sabemos já olhar à volta, ver as coisas boas e as coisas más.

As pessoas nas cidades parecem cada vez mais afastadas da realidade que circunda à sua volta, incapazes de ajudar alguém que precisa de ajuda. Claro que existem excepções, felizmente. Mas as desilusões vão fazendo com que as pessoas mais atentas e capazes de ajudar comecem a desistir. Ou porque ajudaram e ainda foram, depois, maltratadas verbalmente, ou porque foram assaltadas pela sua boa vontade ou distracção. Na cidade não convém sermos distraídos, especialmente com as nossas coisas. Corremos o sério risco, andando de transportes públicos, de ficarmos sem telemóveis, carteiras, entre outros objectos, que algum gatuno agarrou indevidamente. Ou pior: ficarmos sem o nosso transporte, se calhou estarmos no local errado à hora errada, como pode exemplo, motas... [it happen to me!].

A anomia social parece tomar conta do mais resistente dos seres, se não for totalmente é parcialmente. Já não aceitamos com tanto bom grado, os folhetos publicitários, não damos esmolas - ou teriamos de dar de cinco em cinco minutos [há quem dê].
Somos um produto manipulado constantemente: Seja no valor especulativo que pagamos pelas casas no centro ou periferia de uma grande cidade - valores exorbitantes quando existem milhares de prédios vazios e abandonados em Lisboa; Seja naquilo que compramos e ao preço que compramos, tudo manipulado pelas máquinas de marketing das empresas, que procuram vender produtos a outros produtos, nós.
Somos produtos criados por um sistema caduco de democracia, de organização de cidades, de publicidade excessiva e agressiva. Para um qualquer lugar em que nos viramos numa cidade como Lisboa existem outdoors, publicidades enormes, que circundam tudo e todos. É-lhes impossível escapar. Não há nada para aprender neles... apenas tentativas de nos convencer a não esquecer uma determinada marca, que ganha tanto dinheiro com aquilo que compramos, que se dá ao luxo de gastar mais uns milhões em nos inundar com publicidade, na expectativa de nos fazer comprar em massa um produto - mesmo que não seja necessário para o nosso bem estar. O convencimento está feito. Cansa viver na cidade. Não admira que tantos saiam dela. Claro, as vantagens também são boas... a cultura, arte, as instituições, o movimento. O controlo político também está lá...

Banda sonora do post:
"We all live in this democracy
Th_ought
It's not that clear who's the enemy
There's nothing here to learn"
David Fonseca - Bu_urn


escuridão citadina

No Lado Escuro Da Rua
Um conto de Glauber Ramos de França Lima.

"Atravesso a rua. Ainda não é noite, mas os postes já começam a iluminar. As pessoas normais preferem a claridade, sentem-se mais seguras assim. Não eu. Para mim, a luz é uma incómoda visita, uma intrusa que, sem pedir licença, adentra a sala da minha consciência, mexe nas gavetas do velho armário de memórias e coloca à vista todos os meus defeitos e fraquezas.

O lado oposto é sombreado por um conjunto de fícus e mangubeiras irregularmente dispostos. As árvores deviam ser podadas com mais frequência, é verdade. Porém, mesmo que seja obrigado a inclinar-me para desviar dos galhos mais baixos, ainda acho que tal desleixo seja útil, pois evita que qualquer pessoa do lado oposto reconheça quem esteja passando por aqui.

O chão é assentado por um conjunto de pedras mal encaixadas, deixando perigosos espaços que não raro levam ao tropeço e à queda os novatos que por aqui transitam. Não corro esse perigo. Conheço cada buraco, cada fenda do tortuoso caminho, deixando-me conduzir diversas vezes com os olhos fechados. Contudo, respeito-o profundamente. E ele, a mim. Difere o lado claro pelo calçamento impecável, inclusive com aclives para deficientes físicos. No lado claro, comunhão. Lado escuro, solidão.

As pessoas que preferem o lado escuro pertencem a duas classes principais: os fotofóbicos e os noctívagos. Fotofóbicos são aqueles que por algum motivo de foro íntimo não suportam a luminescência natural e artificial. São os chamados vampíricos. Certa vez, ao passar pelo caminho, cruzei com uma jovem que me fitou profundamente por alguns segundos. Seu rosto era pálido e inexpressivo. Entretanto, sua áurea era de morte, e se a morte possui qualquer espécie de face, certamente assemelhar-se-á demasiadamente ao rosto daquela garota. Assim, fazem parte desse grupo as pessoas dotadas de extrema feiura - na maioria das vezes tal conceito reside somente na psique do indivíduo, mas encontra-se tão arraigado que acaba por levar essas pessoas a um estado extremo de reclusão - que encontram na escuridão o abrigo e o conforto contra um mundo o qual cada vez mais cultua a estética do corpo e celebra a ignorância da alma.

Com relação aos noctívagos: estes sim são os verdadeiros donos da escuridão. Alimentam-se dos restos da noite. Ganham forma quando se fecham as lojas e diminui o ritmo do trânsito. Compreendem os mendigos de qualquer espécie, as prostitutas, os travestis, os artistas anónimos, como é o caso dos malabaristas de sinais, os ébrios eventuais e os poetas lunares. Dignamente, vendem suas misérias para sobreviver. A mãe nocturna é o seu abrigo, seu fundamento existencial. Sem ela, padecem à míngua. A prostituta e o travesti não poderiam vender o sexo senão sob o estigma da discrição e do anonimato. Os mendigos, principalmente as mulheres com crianças de colo ou grávidas, aproveitam a calma nocturna como meio de sensibilizar mais facilmente os motoristas. Assim também actuam os malabaristas e tantos outros artistas dessa qualidade, os quais aproveitam o poder de contemplação que a noite exerce. O ébrio quebra garrafas e grita loucamente sem ser censurado. E os poetas buscam no submundo a inspiração para seus versos existenciais de amor e solidão.

"A noite dissolve os homens...". A noite, a escuridão. Diluído, singro caminhos, passo desapercebido, sem qualquer espécie de incómodo. Um ou outro ainda me encaram nos olhos, mas logo caio no esquecimento. A própria existência é um grande esquecimento, um andar de alma sem corpo. Ainda ontem lembrei que precisava de sapatos novos. Para quê? Se os velhos apertam, paciência. A vida é isso, um imenso sacrifício."

sexta-feira, novembro 25, 2005

deserto



Uma árvore no deserto. Assim esperamos quase todos ser... destacados dos outros, diferentes...

hold still for a moment, till u find me

Desde que me conheço, desde que te conheço, serEmot, que tenho as mais mirambolantes ideias. Sempre adorei reflectir sobre a vida, e também assumi assim a minha tendência pessimista. Desde há alguns anos que me acompanha sempre - na minha mala de pseudo-reporter -, um pequeno caderno, quase sempre preto, que preencho com ideias que me surgem, poemas que acabo por fazer numa aula secante (nos tempos de faculdade) ou apenas arabescos que me saem do pulso e dedos, para o papel - muitas vezes a ouvir um album qualquer.

Neste momento, ora dia 24/25 de Novembro de 2005 (chiça, o ano está quase a terminar!!), tenho um belo caderno funcional, de argolas preto, claro está!

Ideias voam por aí...
Por isso mesmo (por elas voarem por aí), a maior parte das minhas ideias para posts mais originais/pessoais, comentários sobre o mundo que me rodeia e filosofias gratuitas surgem na rua, fora de casa. Infelizmente "apanho" ou passo para o papel muito poucas dessas ideias que me aparecem na mente nos momentos mais impróprios. Ou porque na altura não deu jeito escrever, ou porque deu preguiça...
Outra das deficiências que aponto a ti, serEmot, é pegares tão poucas vezes nesse mesmo caderno para o observares e passares para blogs ou para a tua vida algumas das ideias, conselhos, propostas de trabalho, que acabas por apontar lá. Escrevo bem mais no caderninho, do que leio o que escrevo - ou concretizo o que escrevo.
Só cerca de 15% do que anda pelo caderno conhece a luz do dia. Ora, é um desperdício de ideias!
Tenho ideias para programas de tv, sketches, para textos humorísticos, para textos de suícido (belo paradoxo, hein), para programas de rádio e para muitas outras coisas.
Ainda sobre o desperdício de ideias, convém esclarecer que as minhas ideias mais brilhantes, para tudo, desde a ciência à literatura, passaram na minha infância e adolescência.
Como na altura não escrevia praticamente nada do que pensava, perderam-se para TODO O SEMPRE! Restam pequenos pedaços desse serEmot júnior neste serEmot actual, resta-me aproveitar os pequenos bocados que ainda existem... [claro que esta ideia pode muito bem ser pouco real, visto que as ideias brilhantes que pareciam brilhantes em pequeno, podem valer pouco para mim agora].

Vi recentemente o filme Proof - Entre o Génio e a Loucura. Uma das perspectivas que mais me espantou no filme, foi a personagem de Anthony Hopkins, Robert, um velho matemático brilhante, que era também louco. No final da sua vida passou alguns anos a escrever 103 cadernos, repletos de teorias. Ele próprio achava as suas novas teorias geniais, um dos seus alunos achava que deveria haver ali qualquer coisa de genial e, por isso, pôs-se a pesquisar todos os cadernos, na esperança de encontrar uma teoria genial nos cadernos do velho professor. As milhares de teiorias e ideias que o velho matemático tinha escrito não passavam de ideias sem qualquer nexo: sobre o quotidiano, sem qualquer interesse matemático e muito, muito pouco interesse humano...
Conclusão: muitas vezes escrevemos ardentemente um qualquer assunto, apaixonados pelo que dizemos, que não vemos que talvez não seja nada de especial.
Já me aconteceu por diversas vezes - e a ti, serEmot - estar a rever um post antigo, ou uma ideia antiga num dos blocos, e sentir que aquilo que digo não tinha tanto interesse quanto pensava que tinha.
Mas também já me aconteceu o contrário, felizmente. Já li textos antigos que já nem me lembrava que existiam e sentir uma nostalgia emocionante, ou um sentimento de ter escrito algo com valor que na altura até nem dei tanto valor...
É engraçado pensar nisto, é também uma perda de tempo...
Mas o que é a vida? Não será uma perda de tempo bem grande? Estamos sempre a perder tempo, ou não estivéssemos a caminhar para o fim, momento a momento - diz o pessimista dentro de mim.

00h49. Marca o relógio do computador. 00h52, marca o relógio de pulso que removo sempre que chega a qualquer lugar - recordo que fiz isso mesmo, por instinto, numa entrevista com o David Fonsec. 00h51 marca o relógio do telemóvel (do principal). 1h22 marca o relógio da mesa de cabeceira, aquele com o qual raramente consigo acordar.

Isto quer dizer, bonita e singelamente, boa noite ao serEmot que há em ti! A cama por ti e por mim espera. Como será o dia de amanhã? Como será o acordar?

Banda sonora do post:
Who are you? Who are you?
Pergunta o David Fonseca na primeira música do novo album, que estou novamente a ouvir.

In this little town
Cars they don't slow down
The lonely people here
Into ther lonely hearts
Passa com uma melodia ternurenta e que é o mote para uma das minhas músicas preferidas, com um dueto impressionante entre o David e a Rita: Hold Still.

quinta-feira, novembro 24, 2005

o que estou a fazer

23h08. Fui a correr à cozinha buscar uma maçã. No lume aquece um instantâneo de bolognesa, a que considero acrescentar, entretanto, soja, para fazer de almoço para amanhã. No estomâgo jaz um belo resto de sopa que sobrou de um dia destes e que a mãezinha congelou para me puder durar algum tempo. A alimentação tem sido má, por isso, uma malga de sopa é o ponto alimentício alto do dia. Uma das minhas maiores curiosidades no período em que andei na faculdade - coisas de quem faz pouco da vida - era o que comiam as outras pessoas. Hoje foi um dia mau para mim, nesse aspecto e noutros. Pequeno almoço bom da l.. Almoço miserável: pão de milho com marmelada soberba. Pouco tempo depois complementado com uma sandes de "máquina" de rodelas de carne...

Dou mais uma dentada na bela da maça!

Continuo: Após a sandes (eu chamo assim, será sande? caguei), muito trabalho se seguiu, trabalho num novo blog do trabalho. Entro fora de horas e ainda como uma fatia de bolo de chocolate - também da "máquina". Eram 20h46, estava na hora de ir embora, depois de ter feito trabalho de outros. Para apanhar o inconstante autocarro tive de ir a correr. Vejo-o a chegar. não vou chegar a tempo!! [que significa mais uma hora de espera], corro que nem um desalmado... lá consegui chegar a tempo e entrar nos bus desvairado e quase sem fôlego. Alguma mal disposição da corrida inesperada... mais um dia triste nos 39 minutos que ainda demorei a chegar a casa. Uma passagem pelo Residence, para ver o que pairava no cinema serviu para animar um pouco. Já tinha visto todos os filmes, menos um... chegado a casa... net. Estúpido! diria a minha mãe... e não só. Sou viciado. Mas sabe bem poder conferenciar com amigos via messenger e expor a parva da minha vida aqui! Não sei bem porquê - ou sei mas não vou entrar por aí!

AI o LUME!!! - fim do post

Banda sonora do post:
I got a love that no love can break. Diz o melodioso David Fonseca, na música Our Hearts Will Beat As One do novo album do David, que ouço na minha aparelhagem. Bom som! Animado e mexido.

So don't you go and be the best
there's no one running, this ain't a test
(...)
If this is the place to start
The go, follow your heart
Ouço na música seguinte do David: The Longest Road. Mais calma e também melodiosa.

terça-feira, novembro 22, 2005

mais nada por hoje

A aproximação ao período de Natal é tão peculiar. Entre contrasensos e hipocrisias, tradições e alegrias, existem tantas coisas, tantas pessoas, tantos sentimentos e emoções. Lembras-te serEmot, dos natais no quentinho da lareira, momentos antes do jantar animado, na tourné pela família, nas cantorias e boas refeições, nos doces e nas sensações novas e de descoberta. Lembras o sentido espiritual, na altura em que ainda acreditavas. Quem era Jesus Cristo? Lembras das prendas, as que já tinhas aberto sem autorização e as outras, bem escondidas, que eram verdadeiras surpresas. Lembras do prazer de rasgar com fervor o papel de embrulho, com tanta veemência! Não havia nada mais libertador do que rasgar com vigor aquele papel, rasgar para descobrir a preciosidade que existia dentro dele.

Lembras a chegada a casa, após uma noite repleta de intensidades, alegrias e desilusões, algumas também. Apilhar as prendas, uma a uma. Fazer o inventário mental e material. Ver em quanto estávamos mais enriquecidos, na mente de uma noite bem passada e inspirada, na maravilha que descobriste nas prendas e nos bens materiais e no que eles poderiam significar. Estava tudo a nascer, estava tudo a crescer. Naqueles momentos. As idades mudam e o espiríto torna-se diferente, as emoções diferentes, a forma como olham para ti é diferente e... nunca mais será a mesma.
Não há nada para aprender... será? Apenas para experienciar, saborear e... recordar com saudade.

Boa noite serEmot. Estamos contigo nesta noite, tentaremos estar contigo logo pela manhã, daqui a pouco. O vale dos lençóis espera por mim. Tu esperas por ele e... como se estivesses numa nuvem, vais dar risinhos de excitação de quem está num meio tão aconchegante, protegido de tudo o que é exterior, que nos afaga as memórias e os sentidos.

Mais um dia. Mais uma noite. Mais algumas palavras. Música no leitor. Computador ligado. Mais nada, por hoje - quem sabe... para sempre.

momentos... quentes

Corpos frios aquecem-se. Mentes vazias preenchem-se. Ideias vagas consolidam-se. As acções tomam conta dos momentos seguintes. O calor interior e exterior inunda corpos e espiritos, repletos de sensualidade, actividade. Com os sentidos à flor da pele viajamos no nosso interior, dois interiores juntos, em uníssono, movimentos em sintonia, alegria e magia, à espera de explodirem, naquele momento final. Depois? Nada conta, nada interessa...

quinta-feira, novembro 17, 2005

manhãs no campo

time isn´t on your side

slowly breaking

Amsterdam
Come on, oh my star is fading
And I swerve out of control
If I, if I'd only waited
I'd not be stuck here in this hole.

Come here, oh my star is fading
And I swerve out of control
And I swear I waited and waited,
I've got to get out of this hole

But time is on your side
It's on your side now
Not pushing you down and all around
It's no cause for concern
Coldplay

Fun

Life's more fun if you take it lying down
Garfield