Para quem quer descobrir e sentir. Quem quer conhecer outras formas de vida e de pensamento, melhor ou pior.
Quem = serEmot futuro.
O que interessa?
Tensões na mente de serEmot
domingo, janeiro 15, 2006
Sessão da meia-noite
Infelizmente nem sempre são filmes bons, já que na minha cidade de fim-de-semana, de duas em duas semanas, Caldas da Rainha, apenas existem duas salas com pouca escolha. Recordo ter visto assim, há uns meses, o fantástico, Senhor da Guerra. Achei estranho ter encontrado na mesma sessão, o ex-ministro da Presidência, Morais Sarmento, que estava nas Caldas, não percebi bem porquê (ainda para mais num dos piores cinemas do país, os Delta). Enfim. Ontem, sábado, foi a vez de ver o mau, muito mau, The Fog. Uma tentativa de remake do filme de John Carpenter, de 1980, mas que falha em muitos sentidos.
sábado, janeiro 14, 2006
showering thoughts
diálogos
Cozinha. Frigorífico.
- Uhmm. Vou beber Coca Cola.
- Uhmm. Olha que não, isso faz mal especialmente a esta hora. Olha que não vais conseguir dormir depois.
- Se eu fosse a ligar a essas coisas todas...
- Mas olha que isto não é um mero capricho, é mesmo verdade. Está comprovado. Estou a falar verdade com base em coisas verdadeiras e, garanto-te, se beberes vais-te arrepender.
- Uhmmm...
- Depois não consegues dormir, isso tem cafeína, é melhor não beberes, vá.
- Vou beber.
- Porquê?
- Apenas porque tu me estás a dizer para não beber. Sinto que tens razão e sim, é provável que fique sem sono bebendo isto. Mas só pelo facto de me estares a dizer para não beber sinto uma vontade incontrolável de fazer o contrário.
- Espírito da contradição, hein. Isso é uma criancice.
- Pois é, e é tão bom praticá-lo, nem imaginas!! Isso e ter estes diálogos interiores.
- Agora cala-te, porque vou beber.
- Depois não digas...
- Que te não avisei.
-Yup.
- Adeus.
[Diálogo da minha consciência A com a minha consciência B]
navegar
13-01-2006
Local: algures entre Lisboa e as Caldas da Rainha, no Expresso.
Navegamos num navio chamado sociedade, aquele em que vivemos concretamente e regemos as nossas acções visíveis aos outros. Percorremos as águas urbanas da forma que o navio quer que o façamos, ou não fizéssemos parte dele, umas vezes mais do que outras. Existem aqueles que vivem totalmente fora desse navio mesmo que estejam imediatamente ao lado das pessoas do navio, estão a rumar por águas com outros condicionamentos ou sem aparentes restrições sociais.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
a descobrir o sul
2:47
Acabei de ler o livre Sul, de Miguel Sousa Tavares. Não li o livro todo, infelizmente, 2 horas e 35 minutos não chegam. Mas li aquilo que me cativou, à primeira vista, mais. É um universo de descoberta, tudo o que ele cria. Como o próprio diz, é um contador de histórias, um bom contador de histórias, com uma cultura geral e especifíca enriquecida e ornamentada por uma educação, por uns pais, amigos e uma vontade própria imensa.
Ao ler não posso deixar de sentir uma pequena inveja. Ao mesmo tempo, sinto uma enorme alegria por poder saborear, mesmo apenas lendo, as aventuras. Sinto tristeza por ter a certeza que nunca poderei fazer tudo aquilo que ele fez, mesmo que passe por locais que ele passou, sinto que tudo estará diferente...
Existem muitas passagens fantásticas, mas uma das minhas preferidas é mesmo:

"Lá fora, sobretudo quando viajo sozinho, sou um homem novo, sem destino, sem passado nem futuro: apenas o tempo que passo. E assim, porque sou verdadeiramente livre e desconhecido, acontece-me frequentemente tornar-me amigo íntimo de pessoas que acabei de conhecer há meia dúzia de horas." (...) "Disse-me uma vez, numa dessas constrangentes despedidas, um amigo sarahui: "Os que não morrem, encontram-se." Mas aprendi que não era verdade, infelizmente. Quanto muito, poderia talvez acreditar que os que se encontraram nunca mais morrem na nossa memória. Mesmo que apareçam tão somente assim, esporádicamente, do fundo de uma gaveta, onde vive, arquivada, a luz dos dias felizes."
Falou e disse e viveu e explorou e aventurou-se. Sinto desejo de explorar apenas ao ler este livro. Vi passagens nele que fizeram recordar outro momento inspirado na minha vida.
Engraçado que foi com a mesma pessoa, Miguel Sousa Tavares. Entrevistei-o no final de 2003, para o suplemento do Público Y, para uma secção que já não existe intitulada FETICHE. O Fetiche de MST era mesmo: o deserto. "Ninguém deve morrer sem ver o deserto" disse-me ele em tom de conclusão de esperança, e não muito realista. MST não é uma pessoa fácil, ou melhor, não atura pessoas chatas, nem situações chatas apenas para aparecer. Deu-me a entrevista somente por se tratar do Público e porque eu soube cativá-lo para o assunto.
Não me esqueço do sitio onde estava, não poderia ser mais intimidante para mim: a sala de reuniões principal do jornal. Onde se fazem, todos os dias as grandes reuniões, as grandes entrevistas... O telefone estava no alta voz, o gravador com problemas, valeu o "salvador" Nuno Pacheco, que depressa se preocupou, como é seu timbre, e emprestou o dele. Expliquei a situação a MST, e ele acedeu à pequena entrevista. Valeu uns 4.800 caracteres, depois de uns cortes necessários. A verdade é que foi estupenda, como não pensava que pudesse ser. O assunto fascinava-o a ele e a mim. No início começou por contar, como quem já falou naquela história, como quem que já repetiu 1000 vezes a mesma coisa. Depois tentei espicaçá-lo, inquirir com curiosidade pura, aí começou ele a fluir pensamentos profundos.
O irónico é que ele fez tudo isto enquanto estava a sair de casa. Ouvi-o a sair de casa, falar com a esposa e a filha, entrar no carro, o bater das portas. Mais palavras à mulher. Continuava sempre a contar, a voltar ao lugar de onde me disse que queria voltar, sempre, o deserto.
Para um jovem de 22 anos, acabado de sair da faculdade, vindo das Caldas da Rainha, sentia-me em combustão criativa, a ouvir alguém tão interessante, a poder descobrir mais, a inquirir mais. No final já tinha material para sobrar, em muito, e havia a sensação que poderia ter prolongado o telefonema por mais umas horas, mas ele não podia, eu não podia, e desvirtuaria o contexto, uma entrevista para o jornal Público.
Foi um bom momento, numa altura, ainda por cima, em que TODOS, sem excepção, me diziam que o MST não gostava de dar entrevista, ainda para mais a pessoas que não conhecia, ainda para mais a jovens pirralhos acabados de sair da redacção. Enfim, enganaram-se, ainda bem. Da inspiração provinda desse momento, saiu um artigo do qual me orgulho, onde penso que incuti um cunho literário, e algo pessoal. Saiu também a experiência, que não concretizei em nada em concreto, mas quem sabe, talvez um dia tenha oportunidade de concretizar. Falta-me uma coisa, procurar com maior veemência essa oportunidade.
SUL é assim, inspirador de frustrante. Limitado e cativante. É limitado porque é aquilo, é tanto, mas poderia ser tanto mais, poderia ser a aventura em si, claro, mas queriamos tanto ver mais fotos, ver mais videos, ler mais coisas...
O que não encontramos aqui, vamos encontrando espalhado pelos outros livros de MST. NÃO TE DEIXAREI MORRER DAVID CROCKET, o primeiro que li de MST, faz-me chegar à conclusão simples, que mesmo uma pessoa com vivências tão distintas e intensas como MST também limita aquilo que o marcou. Notam-se as ideias semelhantes, ou não fosse ele, ele próprio, com as suas características intrínsecas. Embora, como ele diz, quando viaja é mais livre dele próprio, e ainda bem.
A minha ex-chefe e amiga, Cristiana, viaja neste preciso momento pelo mundo fora. Neste momento está na Austrália. Serão três meses de aventura, com o marido e o mundo. Curioso como não senti qualquer tipo de ciúme quando ela partiu. Aliás, ouvi comentários de colegas a dizer que tinham inveja (positiva). Engraçado como agora, que tenho lido o blog dela, que acabei de ter estas reminiscências pessoais, sinto estava vontade de viajar, escrever e registar, abraçar e explorar o planeta.
O que fazer? Sonhar e morrer na insignificância de "vidinha". Adeus!
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PROMESSA: faltam 3 meses 3 semanas e 4 dias para cumprir o suícidio. Uma semana antes de fazer 25 anos. O quarto de século com que os irreverentes e os mitos morrem.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
exploradores

Adoro ir ao Google Earth e explorar o mundo daquela forma. Podem ser breves os minutos que passo lá, mas descobrem-se sempre coisas novas, apetece ficar e ir lá, aos locais - algo que a Cristiana tem tido o privilégio de fazer. As ilhas são os meus locais favoritos, apesar da resolução nesses sítios ser bem pior. Os Estados Unidos é o país que permite ver melhor as cidades, carros e pessoas. É uma maravilha da tecnologia e permite alargar o imaginário.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
contentamentos
Quando atravessamos fases complicadas a nível de expectativas, sonhos e ambições nem sempre ficamos felizes quando os outros têm mais sucesso do que nós. Hoje fiquei a saber que o meu primo conseguiu um bom emprego, que pretendia há já algum tempo, que conseguiu finalmente vir trabalhar para Lisboa (ou para a zona de Lisboa) e que está muito feliz. Mesmo que quisesse, apenas conseguiria ficar imensamente feliz por ele, um contentamento gratificante e inequívoco. Há pessoas que merecem e não passa só por aí, há pessoas especiais nas nossas vidas, mesmo que não contactemos constantemente com elas. GO GO GO! www.inova-design.com
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Horas breves de meu contentamento
sexta-feira, janeiro 06, 2006
quinta-feira, janeiro 05, 2006
terça-feira, janeiro 03, 2006
morte
sexta-feira, dezembro 30, 2005
quinta-feira, dezembro 29, 2005
domingo, dezembro 25, 2005
something about christmas time

[Há algo em mim que parece que já deu e ainda dá, numa pequena parte, um valor ao Natal como diz a seguinte estrofe da música de Bryan Adams. Mas a outra parte de mim, há já alguns anos bastante voluptuosa, vê o Natal com maior cepticismo, não só na questão do consumismo e prendas (que deixou de me fascinar e passou a irritar - hipocrisia e blah, blah) mas também noutras questões. A família é um aglomerado de pessoas complicado e, na minha em particular, parece existir factores como afastamento e ressentimentos antigos que complicam muitas situações. Custa ver isso no Natal, mas que é complicado, lá isso é. Continuo a ser o primeiro a "lutar" para que a minha familia se junte! Feliz dia 24 e 25 - e os outros também, pelo menos em momentos!]
Letra
There's something about Christmas time
something about Christmas time
that makes you wish it was Christmas every day
Christmas Time, Bryan Adams
sábado, dezembro 24, 2005
mais cedo ou mais tarde
são levadas pelo vento e o tempo.
Umas demoram mais tempo a apodrecer e a sair das árvores,
outras caem mal nascem. E o vento, tudo leva...
sexta-feira, dezembro 23, 2005
bom dia
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!
It doesn't show signsof stopping
And I've bought some corn for popping
The lights are turned way down low
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!
When we finally kissgoodnight
How I'll hate going out in the storm!
But if you'll really hold me tight
All the way home I'll be warm
The fire is slowly dying
And, my dear, we're still goodbying
But as long as you love me so
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!
quinta-feira, dezembro 22, 2005
ausências e mudanças
terça-feira, dezembro 20, 2005
segunda-feira, dezembro 19, 2005
18 till i die

O final de um ano é apenas uma altura simbólica em que se costuma colocar em perspectiva o passado e evidenciar as expectativas para mais três centenas de dias e pouco de vida, individual e na sociedade em que vivemos.
domingo, dezembro 18, 2005
coming soon, no orgasm
Lembrei-me disto quando estava a ver o filme Coming Soon (1999), na TVI, pela madrugada. Uma história engraçada, num filme em que Mia Farrow tem um papel pequeno. A protagonista é Bonnie Root.
O filme. Bonnie Root plays Stream, a senior at a prestigious prep school, and the last among her friends to lose her virginity. When it finally happens, she is under whelmed by the experience. This is an entertaining and intelligent film made by and for women.
Quotes: Stream Hodsell: Je veux l'orgasme. That means, I want an orgasm.
segunda-feira, dezembro 12, 2005
domingo, dezembro 11, 2005
bye natal

Está na hora da àrvore de Natal, em Nova Iorque. Vou tentar colocar as luzes de Natal no meu quarto - sem árvore - amanhã à noite. Não faço promessas.
jim morrison
Faces look ugly when you're alone
women seem wicked, when you're unwanted
domingo, dezembro 04, 2005
sábado, dezembro 03, 2005
opinar e partilhar
Não interessa como chegam lá, mas existem fortes possibilidades das pessoas erradas lerem os nossos pensamentos. Ou seja, não tarda, podemos estar a exprimir opinião sobre pessoas no trabalho, colegas de escola, amigos de longa data, ou pessoas que simplesmente não gostamos. Podemos também de falar daquilo que nos desagrada na nossa escola ou no nosso local de trabalho. Ao estarmos a expor-nos assim tanto, corremos o risco de poder ferir alguém, ou pior, ser mal interpretados por alguém.
Exemplo: mesmo que não fale de ninguém, só o facto de estar a expor pensamentos que tenho sobre a sociedade, a democracia, a falência da sociedade de consumo, podem levar a alguém a olhar-me com cepticismo ou o contrário, a gostar mais de mim. A verdade é que essas opiniões, nem sempre são a pessoa, são coisas que se pensam em determinada altura, que saem naturalmente, mas que não me fazem ser aquilo.
Dou um exemplo mais concreto. Eu começo a dizer umas coisas sobre a sociedade que aparentam ser comunistas - mesmo não o sendo -, tenho um patrão que odeia comunistas. O meu patrão pensa que sou comunista. Logo o meu patrão começa a pensar ver-se livre de mim.
As situações de opiniões sobre pessoas e acontecimentos são as mais flagrantes. Quando falamos de alguém temos de ter consciência, que ao publicarmos na internet, existe sempre a hipótese de a pessoa em questão ler o que escrevemos. Enfim, é um panóplia de hipóteses que fazem deste meio tão interessante, ao mesmo tempo perigoso.
Recordo perfeitamente de estar a trabalhar num local - lá estou eu a ser vago para não haver identificação com o local em questão - e de uma colega desse mesmo trabalho, que também é blogger, aconselhar-me a não falar da empresa em que trabalhava no meu blog. Um conselho que me pareceu estranho na altura, mas que fez perfeito sentido um pouco mais tarde. Um conselho que nunca mais esqueci. Obrigado Ana.
quinta-feira, dezembro 01, 2005
adoro o frio!

Suíça na foto. Fascínio ou não, adoro o frio... faz-me valorizar o calor. Um novo corte de cabelo, curto, no inverno, faz gelar facilmente as orelhas. O vento gelado passa dupla frieza nas zonas laterais, mais curtas... faz-nos sentir vivos. É uma sensação fresca e boa... quando não em demasia e volta a dar utilidade a camisolas quentes, casacos luvas e gorros bem quentinhos.
Porque não gostar do frio se é ele que permite saborear o prazer do calor matinal do vale dos lençóis.
Curioso como a água dentro de uma garrafa de plástico está tão fresca à temperatura ambiente, no meu quarto. Mais um pormenor dos dias de frio que se têm sentido.
ESTAMOS EM DEZEMBRO! Passou mais um ano, estou perto de atravessar mais um Natal. Passou tão rápido. Parece. É horrível pensar que já estamos em Dezembro... Resignação.
all for one
Pergunta a ávida mente ao actor de todos os últimos anos. Ninguém sabia, nem queria saber, apenas ele, nem ele. Nada estava perdido, muita coisa fora encontrada.
sábado, novembro 26, 2005
letra do dia
You can't manufacture a miracle
The silence was pitiful - that day
And love is getting too cynical
Passion's just physical - these days
You analyse everyone you meet
But get no sign - the loving kind
Every night you admit defeat
And cry yourself blind
If you can't wake up in the morning
'Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it - try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
The DJ said on the radio
Life should be stereo - each day
And the past that cast the unsuitable
Instead of some kind of beautiful
You just couldn't wait
All your friends think you're satisfied
But they can't see your soul, no, no, no
Forgot the time feeling petrified
When they lived alone
If you can't wake up in the morning
'Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it - try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
(It'll come your way)
(It'll come your way) Some kind of beautiful
(It'll come your way) Some kind of beautiful
(It'll come your way) Some kind of beautiful
(It'll come your way)
All your friends think you're satisfied
But they can't see your soul, no, no, no
Forgot the time feeling petrified
When they lived alone
If you can't wake up in the morning
'Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it - try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
Robbie Williams
adeus, não afastes os teus olhos dos meus
O que fazer? Numa aldeia - digo eu - alguém perguntaria de imediato se poderia ajudar, o que se passa... Na cidade a anomia social que as aulas de geografia ensinaram, e que eu me mostrei algo relutante em acreditar, parece tomar conta da maior parte das pessoas. Vejo isso acontecer todos os dias. Ou então o oposto, pessoas a meterem-se nos assuntos e na vida dos outros quando não devem: velhos nos autocarros da Carris. Parecemos cada vez mais desintegrados da nossa condição humana, à medida que ficamos cada vez mais integrados na vida urbana. Vamos ficando mais "embrulhados" na rotina morosa, nos tempos mortos imensos, que não sabemos já olhar à volta, ver as coisas boas e as coisas más.
As pessoas nas cidades parecem cada vez mais afastadas da realidade que circunda à sua volta, incapazes de ajudar alguém que precisa de ajuda. Claro que existem excepções, felizmente. Mas as desilusões vão fazendo com que as pessoas mais atentas e capazes de ajudar comecem a desistir. Ou porque ajudaram e ainda foram, depois, maltratadas verbalmente, ou porque foram assaltadas pela sua boa vontade ou distracção. Na cidade não convém sermos distraídos, especialmente com as nossas coisas. Corremos o sério risco, andando de transportes públicos, de ficarmos sem telemóveis, carteiras, entre outros objectos, que algum gatuno agarrou indevidamente. Ou pior: ficarmos sem o nosso transporte, se calhou estarmos no local errado à hora errada, como pode exemplo, motas... [it happen to me!].
A anomia social parece tomar conta do mais resistente dos seres, se não for totalmente é parcialmente. Já não aceitamos com tanto bom grado, os folhetos publicitários, não damos esmolas - ou teriamos de dar de cinco em cinco minutos [há quem dê].
Somos um produto manipulado constantemente: Seja no valor especulativo que pagamos pelas casas no centro ou periferia de uma grande cidade - valores exorbitantes quando existem milhares de prédios vazios e abandonados em Lisboa; Seja naquilo que compramos e ao preço que compramos, tudo manipulado pelas máquinas de marketing das empresas, que procuram vender produtos a outros produtos, nós.
Somos produtos criados por um sistema caduco de democracia, de organização de cidades, de publicidade excessiva e agressiva. Para um qualquer lugar em que nos viramos numa cidade como Lisboa existem outdoors, publicidades enormes, que circundam tudo e todos. É-lhes impossível escapar. Não há nada para aprender neles... apenas tentativas de nos convencer a não esquecer uma determinada marca, que ganha tanto dinheiro com aquilo que compramos, que se dá ao luxo de gastar mais uns milhões em nos inundar com publicidade, na expectativa de nos fazer comprar em massa um produto - mesmo que não seja necessário para o nosso bem estar. O convencimento está feito. Cansa viver na cidade. Não admira que tantos saiam dela. Claro, as vantagens também são boas... a cultura, arte, as instituições, o movimento. O controlo político também está lá...
Banda sonora do post:
"We all live in this democracy
Th_ought
It's not that clear who's the enemy
There's nothing here to learn"
David Fonseca - Bu_urn
















