
Para quem quer descobrir e sentir. Quem quer conhecer outras formas de vida e de pensamento, melhor ou pior.
Quem = serEmot futuro.
O que interessa?
Tensões na mente de serEmot
terça-feira, setembro 19, 2006
terça-feira, setembro 12, 2006
domingo, setembro 10, 2006
remember the old days
Acabei de percorrer fotos da minha infância e adolescência com a minha família. É incrível como vi tanto de mim naquelas fotos. Mais do que sou hoje, aquelas imagens do passado reflectem muito mais aquilo que sou na minha essência e aquilo que sempre serei. É quase terapêutico de tempos em tempos ver aquelas imagens, que significam tanto.
Durante as semanas, os meses, os anos, andamos submersos numa sociedade diferente, na idade adulta, nas responsabilidades inerentes, na profissão, no pouco tempo para viver a vida sem obrigações… é de tal forma um ritmo intenso e diferente que nos esquecemos do que fomos, do que somos verdadeiramente, do que sentimos, gostávamos e por aquilo e por quem vibrámos.
Ver fotos da minha vida passada faz reavivar esses sentimentos, essas experiências e quem sou verdadeiramente. Hoje sou algo mais (que não é necessariamente melhor), algo diferente. Mas não deixo de ser aquilo que fui, aquilo que vivi e senti em certas alturas da minha vida. A família esteve em grande parte das mais importantes, é curioso. Tenho dois irmãos e cada fase da infância e adolescência que atravessei foi condicionada e potenciada pelos meus irmãos. Aos sete nasceu a minha irmã. Deixei de ser filho único.
Queria ter deixado de o ser alguns anos antes, nessa altura já não queria ter irmãos, pensava. Aos meus 14 nasceu o meu irmão. Foi um sentimento diferente inerente a uma idade diferente, senti-me um pai… um Creator Of Life. As muitas mudanças ocorridas com o nascimento dos meus irmãos foram um aumento à família, que se manteve família… e deram-me uma perspectiva diferente da vida.
sexta-feira, setembro 08, 2006
vida que provoca
quinta-feira, setembro 07, 2006
adeus, até breve...
quinta-feira, agosto 24, 2006
férias a acabar
Férias a acabar
As minhas longas férias estão a acabar. Tinha planeado ir a Madrid e depois Barcelona, mas os habituais “cortes” da praxe por parte de amigos mudaram-me os planos, apesar de ainda ter considerado ir sozinho. Com as férias fim, posso dizer que os planos que tinha para elas saíram frustrados e por concretizar. Normalmente sinto-me mal por ter falhado nesse aspecto, desta vez não propriamente excepção, só que existem também momentos bem positivos que, embora não tenham contribuído para os blogs, nem para a minha situação financeira, ou médica – que era o plano inicial – foram bem gratificantes do ponto de vista pessoal e intimo até.
Quem é emot?
O questionamento sempre foi um dos meus pontos fortes, acho. Também foi uma das minhas grandes formas de perder tempo. Estas férias consegui, felizmente, deixar de ser todas as coisas que a sociedade fez de mim, a nível profissional acima de tudo. Vim para as Caldas, deixei os transportes públicos o stress diário, trabalho, preocupações e anomia social e voltei a lembrar do Emot dos velhos tempos. Com isso vieram as memórias da infância.
Aventureiro e imaginativo
O prazer verdadeiro das torradas com leite
sexta-feira, agosto 18, 2006
postar
O que não postamos não aconteceu mesmo
Recentemente um colega brincou comigo por colocar nos meus blogs coisas que me acontecem ou que me fascinam. A verdade é que o mundo dos blogs pode facilmente tornar-se num vício por esse desejo escondido, ou não, de partilhar o que pensamos ou gostamos. Não tem de ser uma partilha generalizada, muito menos para uma grande audiência, é uma partilha… um registo… uma prova do que se pensou, acima de tudo para nós próprios, para sentirmos que registámos num local que dura mesmo. O vicio tornar-se, muitas vezes, num desejo continuo de partilhar tudo o que nos acontece digno de nota, no nosso entender.
Ficamos com uma sensação clara de que, quando não postamos no blog, não aconteceu verdadeiramente. Começa a ser uma necessidade. Neste mês de Agosto e mesmo em Julho tenho-me dedicado muito pouco aos meus blogs, talvez como não acontecia há cerca de três anos, quando descobri e entrei neste mundo. A razão não é simples mas também não é complexa. Primeiro porque tenho tido um acesso precário à Internet durante estas minhas férias. Mas o principal motivo é mesmo alguma desmotivação provocada por vários factores de explicação improvável. Já não sinto tanto a necessidade de escrever no até porque acontece-me mesmo muita coisa e penso bem mais do que coloco no blog. Ele não me reflecte na totalidade, apenas numa pequena parte que pode muito bem ser mal interpretada, como acontece facilmente, o que não incomoda, ficará sempre alguma coisa do sentido inicial.
terça-feira, agosto 15, 2006
dreams, dreams, dreams
Sonhar cinema
Esta noite, das 5h50 às 13h, feriado, terça-feira, sonhei bastante.
Sonhei que era o dono de uma sala de cinema em Lisboa. Uma sala diferente. Uma que já tinha aparecido num outro sonho, não sei bem em que contexto. Uma sala com cadeiras antigas a fazer lembrar o cinema Londres, mas com um grau de inclinação sobre o ecrã muito grande… e estranho – típico de sonho. Estava a dar um filme antigo, não sei qual. Era a inauguração da sala, que não era muito grande. No entanto, no canto inferior esquerdo da tela aparecia o número de espectadores que estava constantemente a aumentar… o estranho era que ia no número 13 mil e qualquer coisa – aparentemente impossível para a dimensão da sala. O meu pensamento na altura, sentado numa das cadeiras, sem companhia, era de que ia ganhar bom dinheiro com a receita. Na tela passava uma placa de nome de rua de dizia Cinecittá. No mesmo momento lembrei-me que há entrada da sala havia a venda de material ligado ao cinema, que dizia respeito a uma loja de um ex-colega com o nome Cinecittá. Enfim… estranho… algo que me deu que pensar após acordar.
domingo, agosto 13, 2006
uma noite, vários momentos

3h27.
Sábado de madrugada (na verdade é domingo, mas digo sábado…). Está a dar um filme da Marilyn Monroe na televisão. Acabei de ver Where The Truth Lies, um filme curioso sobre um crime, dois cómicos dos anos 70, amigos e que fazem uma dupla célebre. Que se separam após a morte de uma jovem num quarto de hotel onde estavam. O filme faz lembrar as histórias de Agatha Christie, sobre o modo de descobrir o assassino, as voltas, as mortes. Curioso. Mas o filme acabou.
O que fazer?
O senso mais ajuizado diz que é melhor deitar, para amanhã acordar cedo e ir à praia “fresco”. O senso mais ajuizado é engraçado. Fala muito mas é pouco influente nestas decisões em particular. A vontade de fazer mais alguma coisa prevaleceu, como costuma prevalecer em algumas noites, não todas, felizmente. Passando os olhos pelos filmes ainda a ver, deparo-me com Colour Me Kubrick.
Tenho curiosidade em ver, é com um dos teus actores preferidos serEmot, John Malkovitch. Quando abro o ficheiro percebo que é dobrado naquilo que julgo ser checo, ou jugoslavo, ou mesmo ucraniano (não, este último não parece). O curioso nesta dobragem é que se ouve os actores reais falarem em inglês, e depois, por cima, os checo, ou outra coisa qualquer. Ainda dá para perceber, mas torna-se demasiado estranho para ver mesmo como filme.
Por isso mesmo, faço uma passagem, nuns 10 minutos, pelos muitos mais do filme. Pareceu-me engraçado, com uma certa ironia e sentido humano em todo o engodo. Gostei particularmente do genérico final. Porquê? Pela música. Num tom muito calmo, com uma voz e estilo quase irreconhecível e brilhantemente agradável e adequado ao filme, o cantautor Bryan Adams aparece com duas belas canções. Tal como Man on the Moon, dos REM, sobre o filme homónimo dedicado ao surpreendente Andy Kaufman.
As personagens de ambos os filmes, pensando bem, até tem um ou outro ponto em comum: viverem à margem da maior parte dos humanos e podem ser consideradas estranhamente diferentes.

Anita Ekberg
Posto isto, perguntas-me, serEmot do futuro, o que fizeste mais tu?
Ainda espreitei outro filme que queria ver, La Dolce Vita (de Fellini, 1960). Mais uns 10/15 minutos de passagem pelos mais de 160 minutos de filme que, há de dizê-lo, parecem apetecíveis. A cena da fonte é, de facto, muito bem conseguida. Marcello Mastroianni está estupendo no filme e a senhora sueca a passar por norte-americana mamalhuda, Anita Ekberg, não lhe fica atrás, pelo menos no peito…
E mais… ui. Ai vem a parte da liberdade, da loucura, insanidade e muito suor.
Coloquei no Winamp a minha nova descoberta dos Orson, No Tomorrow. Sempre aos saltos e a cantar ocasionalmente, assim senti, vibrei e me diverti à grande com a mesma música a tocar umas 15 vezes.
As partes preferidas são simples:
“Just look at me, silly me, I am happy as I can be, I got a girl who thinks I rock / and tomorrow there’s no school, so let’s drink some more Red Bull, so I get home to about six o’clock.”
I see your twinkle in your eye, You shake you ass and I just die, let’s check our coats, and move out to the flour… oh… oh... oh… When I need to easy, tomorrow doesn’t matter, turn that music on…
As últimas duas vezes foi à luz das velas… na televisão continua a dar o filme de Marilyn Monroe. Continua encantadora, no filme. Ainda passei os olhos por uma série (mais uma de Aaron Spelling – recentemente falecido), passada na praia sobre uma família de três jovens órfãos criados pelas tia e respectivos amigos - Summerland.
A minha noite foi assim, desde as 00h, já são 4h, está na hora do vale dos lençóis. Até sempre e que a deusa da noite te acompanhe com água limpa e cristalina a refrescar os lábios e a boca.
quinta-feira, agosto 10, 2006
visões nocturnas

Marilyn & Scarlett. Estou a ver um filme com Marilyn Monroe, o segundo da noite. O primeiro na :2 o segundo na RTP1. Ao olhar para ela, na sua beleza, o cabelo louro, o aspecto apetecível numa beleza peculiar e pouco magricelas… só me consigo lembrar nas semelhanças com Scarlett Johansson, até no fascínio que tenho por ambas, e no fascínio que Hollywood e uma boa parte de público parece ter pelas duas. Coincidências ou talvez não. Felizmente o tipo de papéis que Scarlett tem desempenhado são bem diferentes dos de Marilyn, também um sinal dos tempos e dos filmes, assim como o papel de jovens e belas actrizes.

terça-feira, agosto 08, 2006
terça-feira, julho 25, 2006
fins-de-semana de julho
segunda-feira, julho 24, 2006
reencontros. reminiscências. regressos.
Por isso, conto-te a ti, serEmot, por este blog, que hoje fiquei estupefacto quando ouvi o nome de uma amiga antiga, dos tempos de faculdade, com quem não falo há anos, na rádio. Era o nome da jornalista que efectuou uma reportagem sobre um português a chegar do Libano, na TSF, edição da meia noite. Fiquei sem palavras, apenas a ouvir, atento, a apreciar a evolução e tentar reconhecer a voz, claramente adequada para os domínios da rádio, algo que ela sempre quis fazer.
Fiquei num misto de alegria, por reparar que ela tem jeito para a coisa e, ao mesmo tempo, de algum ciúme, por eu ter passado pela mesma rádio, noutro tempo, sem conseguir ficar - algo que me deixaria muito feliz. A parte de alegria prevaleceu, felizmente, senão nem me dignaria a escrever isto, a partilhar contigo, comigo, a sensação estranha.
Na vida, na minha vida, uma das situações mais caricatas são os reencontros. Nem todos são bons, é certo, muitos são ligeiros pesadelos, mas outros são frutos suculentos, silvestres e apanhados de forma espontânea, a melhor! Os reencontros não necessitam de ser pessoalmente, podem ser assim mesmo, de ouvir falar, recordar de forma próxima.
A curiosidade motivou uma investigação, pouco foi encontrado. Apenas isto, uma pequena prova.
Os dias passam, vamos conhecendo pessoas novas, tendo experiências novas, trabalhos novos, uma vida nova. Mas os reencontros abalam-nos um pouco. Fazem-nos recordar outros tempos, outras vidas, tão próximas da memória mas, no entanto, tãooooo longe da vida. --- Maria Miguel Cabo
Reencontros. Reminiscências. Regressos.
sábado, julho 15, 2006
Click Mr Destiny

Esta noite vi a comédia Click (2006). A história é tão semelhante a uma comédia que me encantou durante a adolescência, Mr. Destiny (1990), com James Belushi. Como filme peca numa fórmula usada e óbvia. Percebe-se, de caras, onde o filme vai terminar... demasiado óbvio mesmo. Mesmo assim, existem conceitos curiosos que me fizeram aqueles que me encantaram em Mr. Destiny (1990). Dar mais valor à família e às pessoas que nos rodeiam é o principal, claro. Mas há ali mais conceitos curiosos, a forma como podemos controlar o nosso destino é uma delas e comum a ambos os filmes. O mais curioso é como podemos estragar o nosso destino quando tentamos tomar controlo dele... claro que o exemplo de Mr. Destiny (1990) é bem melhor do que Click (2006), mas ambos são bem conseguidos, embora um muito mais criativo.

casamento
Aliás, não me recordo da última vez que fui a um casamento. Indo bem atrás nas minhas memórias recordo-me de ir aquele que julgo ter sido o meu último, não foi nada por aí além. Foi de um colega de trabalho do meu pai, recordo-me de ficar espantado com o dinheiro que o meu pai lhe deu como prenda. Era alguém que conhecia, tinha o nome cativante de Zé Foz, e que até gostava, embora não o conhecesse assim tão bem. Lembro-me perfeitamente de pensar que era estranho como conhecia aquele senhor simpático do local onde ele trabalhava, mas que não conhecia nada da vida que estava ali a testemunhar... a outra vida.
Que idade tinha? Simples, não sei! Talvez 15/16, por aí. Acho que em toda a minha vida, 25 anos, fui a dois casamentos. Um, foi este que falei, outro foi quando tinha uns 10 anos. Era um primo franzino que se casou com uma senhora de peso considerável. Achei todo o ritual estranho, e fiz questão de o demonstrar. Aliás, não me esqueço da minha revolta em ter de comprar roupa para o casamento. PIOR: ter de levar umas calças (espécie de fato) que ficavam ligeiramente abaixo do joelho. Uma espécie de calças de pescador. Curioso como não gostava porque achava incómodo, especialmente para correr, actividade predilecta mesmo em espaços pequenos. Curioso como, agora, é moda e a criaçada gosta do estilo, embora sem ser de fato, claro.
Contas feitas, foram dois casamentos. Ui.
Para este lá fui eu recordar todos esses momentos. Mas houve um problema. Tive de ser eu a ir comprar a roupa que não queria. Pior, um fato. Claro que mãezinha e xojinha tiveram de insistir... "porque um fato é sempre uma coisa que fica e dá jeito"... curioso como em 25 anos de vida nunca me deu jeito, até porque não tinha.
O casamento de alguém próximo costuma ser um momento de felicidade. No meu caso também é, embora não dê grande importância à instituição e acto do casamento. Mas custa tanto ver que estamos a crescer, que nada será como dantes, para o bem e para o menos bem. Custa ver que estamos a passar por um processo usado por outros, por diferentes gerações que, no fundo, foram tão iguais, mesmo com as suas diferenças. Este tipo de coisas causa-me algum receio interior. É daquelas alturas que me questiono, mais uma vez, das escolhas que tenho feito na minha vida. O que quero fazer e para onde quero ir. Noto que a idade vai passando. O casamento é uma etapa que a sociedade nos criou. Juntamo-nos com alguém, que nos ajuda e que nós ajudamos, que nos acarinha e nós acarinhamos, e... casamos. Nem todos passam pelo processo e talvez sejam mais autonómos e felizes assim, mesmo que não tenha sido por escolha própria, mas, no entanto, vão existir muitos momentos em que vão querer tanto ter tido alguém. Dizem-me que temos é dar valor ao que temos. Digo o mesmo.
Sempre que olho para a pilha de jornais do meu quarto (ou a pilha que é actualizada com novos jornais), percebo que o tempo está a passar como um foguetão tenta chegar à Lua. Rápido e de forma amorfa. A vida é para se viver, mas acho que deveria começar tentar vivê-la de outra forma, algo diferente. Talvez em Janeiro tenha eliminado a pilha anterior e fui amontoanda uma pilha de jornais nova. O que é certo é que, mesmo sem exagerar nos jornais colocados, hoje ela quase chega ao tecto. E o que mais dói é que eu nem dei pelo tempo passar. Tenho feito muita coisa, talvez pouca coisa que interesse verdadeiramente.
"This is my last goodbye", ouço no leitor o Jeff Buckley cantar. "Life's too short...", volta a dizer este senhor. Ele já morreu, de uma forma tão normal e assustadora que até custa pensar nisso. A nadar. Era ainda jovem. Tudo o que ele fez, enquanto músico, enquanto pessoa, só valeu até aquele dia, da sua morte. Apesar da sua música ter perdurado, isso não interessa absolutamente, nada. O que interessa mesmo é ele ter vivido como queria, até onde podia, e ter feito aquilo que, naquela altura, mais lhe pareceu certo e lhe deu prazer. Isso conta, ou contou, para ele.
Este é o meu último Adeus.
quinta-feira, julho 13, 2006
terça-feira, julho 11, 2006
adeus
E o ecrã ficou branco...
"All we have is this moment, right here, right now. The future is just a fucking concept that we use to avoid being alive today. So, be here now."
"You can´t take a picture of this, is already gone". - Nate, to Claire
terça-feira, julho 04, 2006
boa caminhada para a morte.

This one goes to the one I love. This one goes to the one I left behind.
Eles morreram todos, e eu morri, em parte, com eles. Entre a vida e as suas intensidades, a intensidade final e absoluta é a morte. Daí, Sete Palmos de Terra significar tanto. Significa a morte, e a vida que a ela guia.
Desde muito cedo recordo-me de ter pesadelos sobre a morte. Pesadelos intensos e que, embora sem muito sentido, eram o que de mais real e aterrador parecia existir. Porque a nossa vida tem um fim. Quando somos pequenos e percebemos que um dia, a morte chegará até nós, entramos em pânico. Eu entrei. A solução mais clara, a minha foi, acabou por ser recorrer a alguém mais velho, mais experiente, para partilhar a sua visão da matéria. A minha mãe. A minha querida e paciente mãe. Aquela que me falava da família, a história da minha família, das gerações anteriores, de tudo aquilo que passou e que ela conhecia, de perto, ou de ouvir a mãe dela contar. Não sei bem porquê, aperceber-me de tanto que se passou para trás, tantas pessoas, tanta vida, ajudava-me ligeiramente. Não era só eu. Acontecia. Era a morte. Era natural. Mesmo assim não me tranquilizava totalmente ou não fosse o fim, aparentemente absoluto. Era daquelas questões que logo à primeira pergunta intranquilizava os adultos.
A minha mãe tinha o cuidado de me tranquilizar, naquelas noites de Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro. O Inverno tinha sempre o condão de me tornar mais sensível à vida, ao que se passava à minha volta. Era profícuo em sonhos, pesadelos e introspecção. Descoberta do novo mundo em que me encontrava. Sim, já tinha vários anos neste mundo, neste corpo, neste planeta. Mesmo assim é a partir de certa idade que percebemos determinadas coisas, como por exemplo, a morte.
Como é que alguém tão estimado em vida é colocado debaixo de terra por tempo indeterminado? Uma pergunta legitíma a que poucos pareciam querer responder. Sim, deixou de ter vida, mas não compreendia como é que o corpo poderia deixar de ter vida ou como ao morrer, tratavam-no tão mal. Era por isso que insistia, 'Eu não quero ser enterrado... o meu corpo é para ficar intacto', dizia eu insistentemente para quem queria ouvir, a minha mãe.
A morte é intrinseca a todos nós, neste planeta.
Agora, um quarto de século depois de ter nascido. 25 anos de 'mundo'. Passam-se dias, semanas, meses, anos, sem pensar verdadeiramente na morte. Muito ocupado, pouco tempo para pensar nisso, pouca vontade, comodismo à vida que levo, mesmo que não seja preenchida.
Pensar nisso talvez não ajude ninguém, ou talvez ajude.
Esta noite a série Sete Palmos de Terra fez-me pensar nisso de uma forma intensa e como não pensava há muitos muitos anos. Como nunca nada que tenha sido produzido, para televisão, teatro, cinema, ou outra qualquer forma de expressão artística tinha conseguido.
O último episódio desta série é também o último momento de vida de todas estas personagens tão maravilhosamente belas, irritantes e cheias de vida, tristeza e alegria. É também o meu último momento de vida. Ver a morte e funeral de cada um dos membros daquela amálgama de família fez-me ver, ao mesmo tempo, a minha família e o meu futuro, a minha morte e a minha essência. Aquela que desaparecerá para todo o sempre. Fez-me ver em como é isto que mais nos une e iguala, nós, seres humanos.
Recordo-me de crescer e pensar como seria ver morrer os meus pais, ou os meus irmãos, ou os meus primos, os meus amigos. Ou então morrer primeiro que todos eles, e sentir que deixei tanto.
Façamos o que fizermos, o mais importante que deixamos por cá são as pessoas, aquelas que nos afectaram e afectámos. Não numa perspectiva grandiosa ou de fãs - algo que faz com que tantos se queiram destacar e ter milhares de seguidores - mas na forma de aqueles que tocámos com o nosso verdadeiro ser, esses que são poucos pela ordem natural da vida.
Esta noite chorei compulsivamente, com arrepios, baba e ranho, de beicinho e livremente mais do que na morte de Nate porque, esta noite, morri e vi os meus morrerem, mesmo que fosse durante dois ou três minutos.
Boa noite e... boa caminhada para a morte.
"All we have is this moment, right here, right now. The future is just a fucking concept that we use to avoid being alive today. So, be here now."

sexta-feira, junho 23, 2006
pergunta da tarde
terça-feira, junho 20, 2006
não ler esta merda!

Não sou pessoa de chorar. É raro, já há muitos muitos anos. As poucas vezes que se sucederam foram, talvez, em situações menos compreensíveis para a maior parte das pessoas. Hoje aconteceu...
Não houve nada de especial neste meu dia de vida. Mais um. Algumas desilusões. Trabalho. Alguns risos e sorrisos, não muitos, pelo menos verdadeiramente sentidos.
A noite [já cheguei às 22h], dediquei-a a fazer uma coisa que gosto bastante. Um entretém que me cativa há já alguns anos, ver séries televisivas.
Pergunto-me a mim próprio, serEmot, o que foi então que me fez chorar intensamente e tão profundamente?
Uma mera série de televisão: Sete Palmos de Terra. Segunda-feira à noite é dia da série na :2. Não a acompanho directamente da televisão, vou tirando os episódios que estão a passar actualmente na televisão - normalmente adianto-me um ou dois - e vejo. Esta semana ainda não tinha visto o da semana passada. Por isso, em vez de ver o que deu na tv, vi o da semana passada (8) e, de seguida, o desta semana (9).
Confusão? Talvez. Sim! Porra! Caguei! Ela já me tinha avisado para o choque do episódio desta semana. Ele tem uma espécie de trombose, AVC, entra em coma, "ressuscita". Define novas e cruéis prioridades na sua vida, com o estilo simpático e descontraído que o caracteriza e... morre inesperadamente, quando já ninguém o esperava. Ele era a peça fulcral e que unia todas as outras vidas nesta série de Allan Ball... e, a três episódios do fim, morre. Morre. Assim. Morreu. Morre?
Para série de televisão de massas seria impossível conceber esta morte ou mesmo fazê-la deste modo, mas ainda bem que as massas ainda não são tudo.
A morte "caiu do céu" em surpresa total. Não houve tempo de ninguém se despedir, não houve mensagens últimas de esperança ou alegria. Nada! Foi ficcionalmente e dolorosamente real e selvática, triste e espontânea, tal como Nate. Nate Fisher.
Foi assim que terminou esse episódio, o de hoje. Colocou-se no fim a habitual morte que costuma aparecer no inicio e ser de um anonónimo, só que, neste caso era o próprio Nate e o episódio culmina com isso mesmo. Com a mesma "receita" de morte dos outros episódios.
Algo chocado e atarantado... (era 00:30) segui a sugestão dela e vi, na :2, a nova série, L Word, sobre casais de lésbicas - curioso, engraçado... muito lesbianismo... não foi má.
01:15. Nate. Nate. Nate. Nate. Nate. Nate... ... ... A curiosidade sobre o que vai acontecer a Nate fica a ruminar, ao de leve, mas de forma sentimental na minha cabeça...
será que morreu?
não quero que morra... detesto-o pelo que fez... mas não quero que morra...
vai haver um regresso... Ele não morreu assim. Não pode ser!
01:16. Aí estou eu a "matar" a curiosidade...
All Alone [is all we are] é o nome do episódio. Não faço questão de olhar ou pensar muito no nome. Não gosto de ir com expectativas ou ideias pré-concebidas, tanto para filmes como para experiências como esta. No decorrer dos cerca de 50 minutos que a experiência dura há toda uma história sentimental, em relação às pessoas da série e à vida em geral, que é reavivada.
Começa com a dor das pessoas próximas. Não há pormenores da morte nem mais imagens do hospital onde só o vimos, brevemente, a parar... de viver [não há ressuscitação médica... nada].
Parte-se logo para o sofrimento, no inicio do episódio (10). Não há preparação para o expectador sentir dor. Aparece logo nos primeiros frames, na nossa frente. Não deixo de magicar que quem não viu ambos os episódios de seguida não sentiu aquela dor inicial de forma tão clara como eu, mas esta é uma série que não é assim tão simples nos sentimentos.
A dor. A dor da perda.
Ele era tão apreciável, momentos antes de morrer vi-o como um sacaninha. Depois de morrer veio a dor da perda. Não há actores no que as imagens transmitiram. Aquelas pessoas têm tanta personalidade e vida própria, são pessoas, não personagens, é isso que senti verdadeiramente e mais do que nunca ontem à noite. Foi a dor da perda de Nate, a dor da perda desta experiência e familia tão intensa (os Fishers) - a série acaba em mais 2 episódios (12) -, a dor ambígua que é transmitida pelos próximos de Nate.
Nunca nenhuma série de televisão me tocou de forma tão intensa como esta. A forma como se lida com a morte e a vida é original, profunda e tocante (por ser tão cruelmente verosímil); mas estes episódios, especialmente o All Alone é o culminar de tudo isso. A morte do centro de todas aquelas histórias. Um centro, uma pessoa, Nate, que não era totalmente simpático, tornava-se irritante, e até termina sendo cruel. Mas as pessoas são assim, nós somos assim, eu sou assim.
A dor da perda mantém-se intensa e esta experiência de 50 minutos lida com isso de forma tão ridícula como profundamente triste e verdadeiramente sentimental.
Tanto nos podemos desatar a rir como desatar a chorar baba e ranho, com arrepios e tudo.
Escusado será dizer que eu desatei...
a chorar baba e ranho, com arrepios e tudo... e tudo...
Era só uma série de tv? Talvez. Não! Nunca! Merda! Foi uma experiência triste e memorável. Não foi directamente uma experiência de vida, mas é algo que pode e irá, muito provavelmente, fazer parte de mim. Porquê? Por tudo aquilo que senti e que não exprimi em todas estas palavras. No final, depois de ter a experiência:
All Alone is all we are [música dos Nirvana]
Tem um significado imensamente diferente. Tem uma expressão e ideologia inerente.
Porque no fim, desta experiência e da minha vida...

segunda-feira, junho 19, 2006
quarta-feira, junho 14, 2006
madrugadas poderosas
Aos tiririririlantes momentos chuvosos combinados com a veemência estrondosa e luminosa dos raios.
Venham a mim.
É nestes momentos que me sinto verdadeiramente vivo. Parte integrante e impotente de uma natureza poderosa e superior. Sou. E sinto. Vou. E arrepio-me.
Não há nada como trovões e chuva a meio da noite. Adoro sentir a impresibillidade. Ver o céu iluminado. Deixar que a chuva me toque. Sentir o poder e o susto. A noite passada foi assim. Fez-me lembrar a infância. Outras tempestades passadas e inesquecíveis.
terça-feira, junho 13, 2006
tabaco na roupa
segunda-feira, junho 12, 2006
vou dormir
Posso não acordar mais e perder a oportunidade de escrever, falar, libertar-me tanto quanto queria. A experiência diz-me que o mais provável é ser apenas mais uma noite e mais uma manhã em que vou acordar, vivo. Vou arriscar. Vou dormir. Virão mais dias, espero, para poder ter a oportunidade de fazer o que queria da minha vida.
















