sábado, março 24, 2007

do oitavo andar

17h30. É final de tarde de sexta-feira. Estou num oitavo andar de um edificio de função pública, em Lisboa. Uma vista deslumbrante e ampla sobre a cidade. Num pequeno relvado, junto ao Palácio da Justiça, vejo um pai e um filho (uns 7 anos), a jogarem à bola. Sem muito jeito, mas muita boa vontade e diversão. Não deixo de acompanhar e sorrir. Não sei bem porquê, aquela imagem, realidade, dá-me que pensar. Continuo a divagar o olhar pelo resto da cidade. O rio. A ponte. O Castelo de São Jorge. O Técnico. Os aviões a voarem muito perto. O Sheraton e o Fórum Picoas. O edificio da TMN. O El Corte. O Marquês de Pombal. O pai e o filho, a jogarem à bola.

terça-feira, março 20, 2007

ausências para sempre, memórias para a vida

A semana passada morreu o meu pediatra, Dr. Bandeira Duarte.

Bandeira Duarte
Pediatra por vocação
Quando atravessamos a infância, há algumas coisas que nos fazem confusão e nos podem marcar, para o bem ou para o mal. Uma delas é ir ao médico. Desde 1981, ano em que nasci, que tive a sorte de poder contar com um excelente pediatra, que fazia da sua profissão um modo de vida.
Dr. Bandeira Duarte, para mim, era sinónimo de alguém a quem poderia confiar a minha saúde sem medos. Sinónimo de dedicação, seriedade, competência e, sempre que se justificasse, um sorriso tranquilizador e um brinquedo sempre à mão. Entrar no seu gabinete, era entrar num mundo cheio de coisas curiosas e a descobrir, que podia ser descoberto. Ao jovem mais curioso, que fazia perguntas sobre todos os instrumentos que o rodeavam – e alguns brinquedos -, o Dr. Bandeira Duarte respondia, com paciência e com a atenção que um ser, ávido por conhecimento, merece.
Até aos 11 anos, pude ir visitá-lo no seu consultório, ao pé da Rua das Montras. Apesar de ser sempre uma ida ao médico, era também como ir visitar um amigo, que perguntava sempre à pessoa a começar uma vida, como ia tudo e se mostrava sempre preocupado. Depois de mim, foi pediatra da minha irmã, desde 1988, ano em que nasceu. A ela, demonstrou uma generosidade maior, quando acompanhou com a atenção e disponibilidade já quase inexistentes nos médicos actuais, os seus primeiros anos de vida, muito turbulentos do ponto de vista de saúde. Foi ainda pediatra do meu irmão, nascido em 1995, embora só nos primeiros anos já que, depois da saúde do Dr. Bandeira Duarte ter piorado, deixou de ter o consultório.
A sua morte, a semana passada, teve um efeito doloroso e reavivou, ao mesmo tempo, uma memória antiga e boa. Foi uma perda ao mesmo nível de outra base da minha infância, que me marcou e, infelizmente, também já morreu, a Dona Esperança, professora primária caldense de generosidade imensa. É curioso como pessoas como professores e médicos, de excelência, podem desaparecer mas a memória deles perdura naqueles que eles trataram e ensinaram.



PS: o filho dele, que é o meu dentista e usa o mesmo nome, segue a mesma generosidade médica do pai. Depois do texto, que aparece por cima, ter saído na Gazeta das Caldas, o filho e a família viram e ele agradeceu-me pelas palavras. Percebi que ficou comovido, tal como a sua mãe (que era presença constante e afável no consultório do Dr. Bandeira Duarte). Não sei bem porquê, mas isso contou alguma coisa, para mim.

sexta-feira, março 16, 2007

fit in

Encaixa-te em mim. Eu tentarei encaixar-me em ti. Somos triângulos, sempre com dificuldades para encaixarmo-nos uns nos outros. Mesmo quando é fácil, há momentos em que é difícil. Não pode ser só um a trabalhar para se encaixar, têm de ser todos a trabalharem para se encaixaram, só assim resulta minimamente bem.


encaixar ::: fit in

get it

suddenly i get it. i'm not the man i used to be

pessoa de listas

Ultimamente não tenho funcionado bem, não tenho tido objectivos pequenos e diários, nem "get my shit together". A justificação é clara... sou uma pessoa de listas. Preciso de uma lista para me guiar, para ir fazendo as coisas, especialmente em alturas em que ando mais amorfo. Não tenho feito nenhumas listas, para nada, logo reduzi aquilo que tenho feito a um minímo imprescindível. Comer, dormir, tomar banho e pouco mais.

whiskey bar

Para demonstrar a minha inaptidão para escolher músicas para cantar em karaoke, a única vez que cantei uma canção dessa forma, num bar, escolhi, Backdoor Man, dos The Doors.



music and voices are all around us

Para todos aqueles que, simplesmente, são intensos apreciadores de The Doors, e dos poemas de Jim Morrison.


Touch Me


Roadhouse Blues


Break on Through.


Moonlight Drive


The Crystal Ship


Unknown Soldier


People Are Strange


L.A. Woman


Wild Child

Enjoy! I know I will.

prazeres escondidos

Andar de carro (ter carro) em Lisboa pode ser perturbante, até certo ponto. Não ter transporte próprio pode ser um verdadeiro alívio. Sentimo-nos livres. Não há nada apegado a nós. Não nos podem roubar o carro ou a mota - que está na rua -, não a temos! Não nos podem colocar uma multa, bater durante a noite, ou reclamar por estar mal estacionado, não a temos! Estão a apitar na rua... será por causa do meu carro? Que interessa! Não o tenho!! Que alívio.

De manhã, até sabe melhor andar de metro. Não é hora de ponta. Podemos ler e descontrair. Pensar na vida, sem stress. Não vale a pena ter pressa, porque o metro não depende de nós, ao contrário do carro - o que aumenta a impaciência.

foi você que disse...

Pode parecer tardio, mas não me sai da cabeça a expressão:

Ah, e tal...


Quantas maneiras de dizer "Ah, tal" existirão? Não sei, mas estou destinado em descobrir. Já vou em 397 formas.
estás completamente apagado. mas a vida é tua

flores


flores
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tão boa de ouvir

A música é tão boa de ouvir.
Estamos sozinhos connosco próprios. Podemos entreter a vista, mas a mente viaja para outros lugares. Um pouco como um sonho reflexivo e introspectivo. Talvez por isso goste, profundamente, de ouvir música ao dormir. Na escuridão de um quarto isolado. No meio do nada e no centro de tudo. Permito-me imaginar sensações, sonhos, tensões e rancores que me transportam no tempo e na memória, na minha vida e na de outros.
É refrescantemente alegre e deprimente, dependendo das vezes e dos lugares, dos estados de espírito e das sensações do que nos rodeia e, especialmente, do que o tom e as palavras nos dizem. Curioso como uma letra pode significar tanto mais se for cantada de uma forma diferente e mais intensa. Acabo de ouvir a música Best of You, cantada ao vivo no álbum Skin and Bones, dos Foo Fighters. A música é acústica e calma, a voz é de metal e de rancor e agressividade. A intensidade emocional é brutal e envolve-me num sentimento demasiado estranho para estranhar.
9-12-2006

quarta-feira, março 14, 2007

deus é bom, "mai" nada... o diabo é capaz de ser melhor. sejamos amigos e dêmos todos as mãos.

ser ser que partilha

Porque é que como ser humano, ou seremot, temos a necessidade, tenho a necessidade, de contar situações do meu dia, da minha vida, do que me incomoda ou suscita curiosidade a alguém?
Porquê?

o poder das palavras e das primaveras que passam

Estás próximo dos 26 emot. É uma data, um número, uma primavera, uma idade como outro qualquer. Facilmente te questionas, para onde foi o tempo. Para onde foram os 23, 24, 25... Para onde... Há um ano atrás estavas angustiado e destinado a mudar, rapidamente, de vida. Um ano depois está angustiado e mais resignado - o pior que se pode estar. Com variações entre momentos bons e outros mais frustrados. Promessas de mudança? Para quê? Ou se vai mudando, ou não... não interessa estar a falar ou prometer isso, até porque as palavras e o seu significado vão perdendo sentido e valor - embora continuam a ser veículos para criar guerras, ódios e também amores e paixões.

sexta-feira, março 09, 2007

be me. be understanding. try to see through my eyes, understand my words and my reasons. be me.

quinta-feira, março 08, 2007

evolução humana

Quando damos muito a nossa opinião, percebemos as diferenças que temos de pessoas que conhecemos. A opinião de uma pessoa sobre um qualquer assunto em particular parece mudar a percepção dos outros dessa mesma pessoa. Curioso também como as pessoas ganham perspectivas muito particulares (normalmente corporativistas) quando entram em determinada classe, profissão ou associação. Correctas ou erradas, sentem-se afectadas quando falam nessa mesma classe. Faz parte da evolução da vida, parece-me, pelo menos da maioria.

sábado, março 03, 2007

diário da morte ao dentista VIII

Quando existe uma dor interna a que alguns incultos denominam: dor de dentes; perco a paciência por tudo e por nada, falo pouco, só saem as palavras estritamente necessárias, e de uma forma bem mais categórica e taciturna - para não dar aso a mais conversas. Não há espaço para chatos, conversa de circunstância, incompetentes, burros, choninhas e tarados... Acabou-se o gajo simpático, transfiguro-me em alguém bem mais agressivo dentro da minha passividade desejada.

PS: Esta manhã fui ao dentista, aquele mesmo que me colocou o dente a doer. Como ainda tinha a gengiva ligeiramente inchada (o milagroso Aulin ainda não tirou tudinho), ele não me pôde por o parafuso de 2,5 cm dentro da gengiva, e a prótese do dente... oh que pena. Sinto um misto de alegria (por não sentir uma viga entrar-me pela raiz do dente a adentro) e tristeza por ser mais uma semana difícil a saber que deve culminar com essa viga a entrar-me pelo dente a dentro. Ui!

quinta-feira, março 01, 2007

diário da morte ao dentista VII

Excruciante. A palavra define bem a dor de dentes. Depois de ontem ter sofrido como tudo durante o trabalho, lá consegui, à segunda ida à farmácia, comprar os medicamentos certos, depois de uma farmacêutica me ter enganado ao início da manhã. Com drogas que desconhecia mas que todos, aparentemente, conhecem (como Clonix e Aulin) fiquei meio dopado durante o resto do dia. Hoje sinto-me apenas mal disposto do estômago, e às 4h30 da manhã descobri que a minha gengiva inchou como tudo... jasux.

Quando se tem dor de dentes não se vive, substém-se de todas as formas possíveis.
Dificilmente consegue-se chegar a casa e ler, ou estar à frente do computador, ou até ver tv descansado. Dói e mói.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

diário da morte ao dentista VII

Quando temos dor de dente não há outra hipótese: a vida só pode ser uma merda.
Passei a noite em claro, a gemer com dores na cama, deitado de todas as formas possíveis, sentado de todas as formas possíveis. A circular pelo quarto, de um lado para o outro. A tomar comprimidos Benuron que deixaram de resultar, e a emporcar whiskey para adormecer o dente (o que não adormeceu nem o dente nem a mim). Dormi um pouco já quase às 8 da manhã. Enfim. Estou que não posso.

Depois de ter parado de doer desde quarta-feira. Tal como há uma semana atrás (parece um ciclo vicioso), esta segunda voltou a doer como tudo. Porquê?! Porquê?! Porquê?!!!

sábado, fevereiro 24, 2007

it's time to fly away
it's time to bring the house down
it's that time to forget some dreams,
and start living like there's no tomorrow
abandon your sorrows and let freedom iluminate your spirit

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

formiga e cigarra

É intrigante ver a relação entre um casal de velhos tradicionalistas. O marido espera no sofá pelo almoço. Quando não dá nada de jeito na televisão, levanta-se, mete as mãos nos bolsos, e anda a passear pela casa. Passa pela cozinha, onde vê a mulher a fazer a comida. Manda uma boca do tipo "Está quase Maria?". Ao que ela responde "Ainda falta um pouco Manel". Ele faz uma cara de desagrado, coça a barriga (ou mesmo as bolsas testiculares), e recolhe-se para o sofá. Apetece-lhe ao velho uma fatia de bolo. Chega à cozinha, a Maria está atrapalhada com os tachos e panelas, mas ele chega-se ao pé do bolo, na bancada, olha para ele com gula, e diz: "Maria, serve-me aqui uma fatia do bolo, vá lá, quero petiscar antes do almoço". Maria a Manel vivem em conjunto há uns 35 anos, aparentam ser felizes... Será esta a relação perfeita? Claro... e daí...

let me just be



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it´s raining, again... let me stay in bed, free and no worries or obligations. Thank you

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

dói-me a alma

Hoje doeu-me a alma, motivada pela dor de dentes, mas em grande parte por um estado de espírito de alguém que simplesmente estava mal disposto...

terça-feira, fevereiro 20, 2007

diário da morte ao dentista VI

Melhorzito hoje. Continua a doer. O Benuron ajudou de manhã, quando acordei às 7h20 com dor de dentes insuportável e que não permitia continuar o sono de beleza. Desde daí não tomei mais - a dor não tem estado tão intensa. Enfim, relato de um jovem à beira de um ataque de dor de dentes.

diário da morte ao dentista V

Bendito Benerun, que vieste em meu auxílio, qual Anjo (Angel-A) que me retirou de tormentas que pareciam intermináveis e dignas de um inferno sem fim. Já não me dói tanto. Que dure para todo o sempre... assim espero. O Benerun é a maior criação da humanidade, benditos sejam! Melhor do que o whiskey, para a dor de dentes. Para a dor de cornos é capaz de ser melhor o whiskey. Obrigado senhores, vós que criaram este bemfeitos medicamente chamado Benerun. Torna tudo bene. Aleluia Benerun. Obrigado também à pessoa que me sugeriu o sagrado medicamento e ao outro benfeitor que me disponibilizou de imediato, neste final de noite, o bendito Benerun. Que o Benerun queira que o dente se mantenha sem grandes doses de dor durante muito tempo. Amén.

(assim pude ver o delicioso filme francês Angel-A, ou melhor, acabar de ver...)

diário da morte ao dentista IV

Excruciante. Lancinante. Torturante. Dói tanto...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

o cúmulo

Tentar alimentar-me com uma brutal dor de dentes e a rádio começa a passar Et Si Tu N'exist Pas, de Joe Dassin. Não. Não!!!!!!!!!!!!

diário da morte ao dentista III

Será que se pode morrer de dor de dente?

diário da morte ao dentista II

Parece que estou, permanentemente, sentado na cadeira do dentista. Dói... não consigo comer... quase. Nem consigo saborear seja o que for já. Meto dentro da boca por obrigação.

diário da morte ao dentista

Dói!!! Ai! Mãezinha... dá porrada no dentista mau. Muito mau. Dói-me tanto. E depois de tanto whiskey para adormecer a dor, já estou com uma tosga das antigas. Ui.

dente doente

Poucas dores são tão chatas quanto a dor de dentes. Não estamos bem para fazer nada, para nos concentrarmos, para dormir, para comer, para ler, seja para o que for. Dói e mói. Dói e vai doendo. Rói e vai roendo a paciência. É por esta altura que fico com ódio ao simpático dentista que nunca mais termina o serviço, que vai adiando o sofrimento final. Questiono-me mesmo se haveria necessidade de maltratar tanto o meu dente, ao ponto de trazer sofrimento onde não existia sofrimento. E nunca mais termina o serviço. Dói e remói. Vou buchechar com whiskey para ver se a adormece a dor (soluções da infância que pareciam resultar).