quinta-feira, maio 10, 2007

silence

Silêncio puro. Sinto-me bem nele, neste momento. Nada de palavras faladas, as do cérebro e das teclas bastam, por agora.
Shiuuu. Aqui vem o papão. Escondido num alçapão.

sexta-feira, abril 27, 2007

o que se passa

biografia de joão frt:

nasci e ando por cá

ponto de paragem ou viragem

Dor que passas pesadamente
brutalmente e ruidosamente
Obrigado por fazeres parar a rotina
indicares o caminho para o meu olhar
mostrares-me o meu mundo passar
me deixares, finalmente, ir para a caminha, sem orar...

Quem dói, sempre alcança

Existem dias em que chegamos a casa com dor de cabeça que nos esgota por completo. Só queremos dormir, mas não consigo. Só penso em descansar, mas estou irrequieto em pensamentos. Levanto-me. Vou à casa de banho. Atiro água fresca à cara, levanto a cabeça e.... pela primeira vez nuns dois anos, olho-me ao espelho. Olho-me, verdadeiramente, olhos nos olhos, sem hipótese de fuga, sem filtros nem indiferença, ao espelho. Estou mais velho, mas o mesmo. Os olhos estão cansados, talvez por ter sido um dia de trabalho complicado, mas são os mesmos. Não consigo tirar os olhos do espelho, de me olhar com atenção. Reparo nas rugas, na barba que poderia estar mais bem feita, e no que me vai pela alma... Passam-se 10 minutos.

Há alguns anos pensaria que poderia ser um ponto de viragem, que algo poderia mudar a partir dali. Hoje é apenas um momento mais lúcido, uma paragem no tempo para olhar... para mim. 26 anos e 18 dias depois.



PS: this one goes out to me, in the future. o meu pai fez ontem, dia 25 de Abril, 49 anos. parabéns pai. infelizmente foi um feriado de exploração, para mim.

terça-feira, abril 17, 2007

i can fly


i can fly
Originally uploaded by teclafuelleboton.

o pormenor

Tenho tantas canetas, lápis e afins, que três porta-canetas bem grandes (não sei qual o nome destas espécies de copos para guardar este material) estão a rebentar pelas costuras.

Só há um senão. Cada vez menos escrevo com canetas e faço-o mais ao computador.

quinta-feira, abril 12, 2007

magia na flor da idade

Na flor (murcha) da idade, aqui estou eu. Oficialmente tenho 26, o 25 morreu. Que interessa?


Ao ver um filme mágico esta manhã, não pude deixar de fazer uma analogia com a minha experiência de infância, em que cresci rodeado de um bosque que, muitas manhãs, tardes e noites era mágico.
Quando é que a magia deixa de existir na nossa vida? Quando deixamos de correr desvairadamente à noite, enquanto atravessamos um bosque escuro, com medo de criaturas que sentimos que existem ali.

domingo, abril 08, 2007

25 primaveras, quase 26

Aqui estou eu de novo, ainda com 25 anos. Tenho 25 anos. 25. Anos. Mas daqui a pouco essa idade foi-se para sempre. Parece que nem a saboriei. Não a gozei. Foi um ano perdido? Em parte.

Como ultimamente tenho sempre dito que tenho 26 anos, é como se já tivesse mesmo. Amanhã, dia especial, será muito ocupado com trabalho e preocupações. É pena porque sempre me lembro de ter tempo para estar introspectivo no meu dia de anos. Talvez seja para melhor ter muito para fazer e pouco (tempo) para pensar.

Waiting on the world to change

sábado, abril 07, 2007

26 primaveras

Há várias semanas que, sempre que me perguntam que idade é que tenho, a minha resposta imediata é: 26 anos. Na verdade, faço essa idade na próxima segunda-feira, pelas 18h25, de dia 9 de Abril. O que me leva a dizer essa idade é que desde há algum tempo que a mente pessimista emotense tem-se vindo a tentar habituar aos 26 e, inconscientemente, sempre que me perguntam, sai logo os 26 que ainda estão para vir.

Curiosamente, fui "obrigado" a fazer a festa da família dos meus 26 anos hoje, dois dias antes do dia de aniversário. O que demonstra uma clara tendência de antecipação. Será que algo vai mudar a partir de segunda-feira? Não sei. Muito provavelmente não, mas a esperança existe e custa, uns dolorosos, 750 euros.

segunda-feira, abril 02, 2007

fresh


Fresh
Originally uploaded by joshbailey.

parideiro de ideias

Sou mero parideiro de ideias ambulante.
Iludido pelas estrelas e violado nas travessas.
Sigo o meu alento, de momento em momento.
Até quando. Até quando.
Até quando o silêncio.
A ausência e tristeza e frieza. O ninho de cobras.
Nada mais atravessa a realidade,
a esperança ainda respira de ilusão.
Expectante pela mudança.
Avisado quanto à impotência.
MATA! ESFOLA! E SÊ ESFOLADO VIVO!
Vive! Respira e sente a vibração.
O momento e a transpiração.
O mérito e o valor da criação, sem desilusão.
Fui para o campo para me inspirar. Saí de lá sem terra nem ar.
Vim para a cidade para trabalhar. Saí de lá sem amor para dar.
Vou para a noite para sonhar. Vou para lá para amar e dar.
Morri na noite e na ilusão dos sonhos.
Não volto tão cedo ao vosso mundo.

sexta-feira, março 30, 2007

dias

Volúvel

do Lat. volubile

adj. 2 gén.,
que gira;
inconstante;
instável;


Há dias que tanto podemos estar muito amargurados, desiludidos ou perdidos, como sorridentes e achados. Daí estarmos insconstantes, volúveis.

corte e costura

A senhora que me corta o cabelo está constantemente a falar no que se passa nas notícias. Curiosamente é de futebol. Sem pronunciar uma única palavra - ou não estivesse no meu estado zen de corte de cabelo e também não tivesse nada para lhe dizer - sorrio apenas, para tentar manter alguma simpatia (ou não estivesse com objectos cortantes colados à minha cabeça). "Estes portistas falam muito, mas deviam era de perder, para ver o que era bom para a tosse", diz a senhora sobre Jesualdo Ferreira, ignorando o facto de que ele até é um benfiquista. Mais uns momentos de silêncio dourado e volta à carga, sobre as claques portistas chegarem a Lisboa: "Deviam [a polícia] era de os matar todos quando eles chegassem cá abaixo, só estragam o futebol", disse, em mais uma tirada inspirada. Correspondi com mais um sorriso, este mais estrangulado, ou não estivesse com a faca de barbear (das antigas), junto às patilhas e orelha. Deve ter percebido que aquele rapaz quase sem cabelo não estava para aí virado, já que palavras foram coisas que não sairam de mim.

PS: porque é que quando começamos a perder cabelo, quem está no cabeleireiro ou barbeiro, especialmente algumas pessoas, olha sempre com uma certa pena? é um pouco irritante, devo dizer. Não me dói nada perder cabelo. Só tira autoconfiança, acho. Mas isso pode-se combater - uns conseguem-no bem melhor do que outro (são esses os carecas que elas gostam mais).

nas mãos de outros

Quando nos cortam o cabelo. Nos passam uma lâmina de barbear das antigas pelas patilhas, pelo pescoço. É uma sensação estranha. A nossa missão é ficar imóvel na cadeira. Mexendo a cabeça, correspondendo à indicação da pessoa que nos corta o cabelo, com a mão, empurrando para um lado ou para outro. Estamos vulneráveis, nas mãos de outra pessoa, e, ao mesmo tempo, sem necessidade de decisões. Todas elas são feitas por nós, como se fossemos um vegetal. Consegue ser uma experência tão boa, quanto má, depende.

where do i go from here?


where im from
Originally uploaded by avolare.

Porque é que existem dias, horas, minutos, segundos em que nos sentimos incapazes de tomar uma decisão? Incapazes de ser determinados?

quinta-feira, março 29, 2007

constrangimentos

Hoje, entrei no elevador quando alguém estava lá já a pensar que iria no elevador sozinho. Por isso mesmo, estava a começar a compor o penteado - algo que eu próprio costumo fazer em elevadores, só quando não está ninguém. Tal como eu faria, essa pessoa parou quando reparou de se pentear quando entrei no elevador. O que me colocou a pensar foi: se eu ou ele fossemos com amigos com quem temos muita confiança provavelmente fariamos aquilo em frente do espelho sem problemas, como é um desconhecido paramos. Porquê?



Curiosamente era alguém conhecido no mundo dos blogs e da escrita literária (e não só) num jornal diário.

quarta-feira, março 28, 2007

recordação

diz o roto ao nú.

Numa entrevista que traduzi e reduzi consideravelmente hoje, Rowan Atkinson, o Mr. Bean, dizia exactamente que Bean faz aquilo que não é socialmente bem visto, como correr nú pela rua fora. Mais vale nú do que roto?

conversa do engate... e do desenlace

O mais importante é o que o está no interior...



da tua roupa.

porque é que estás a ser mau para mim?

Alguém me perguntou como estava. Menti, disse mais ou menos. Na verdade, estou óptimamente bem, quando estou longe, bem longe, numa cama de plumas fofas e aconchegantes, quente e inocente.

sentidos II

Sentir-me nojo é
voltar a entrar na casa de banho do trabalho, duas horas depois, olhar para o tecto e olhando para baixo, sentir um mau cheiro impressionante dos "servicinhos" que alguém ali fez anteriormente.

sentidos

Sentir-me vivo é
entrar na casa de banho do trabalho, dar um grito não sonoro. Olhar para o tecto e fazer a necessidade que alivia o corpo e o espirito.

terça-feira, março 27, 2007

não sei

como é fazer a vida a escrever - poemas, comédia, romances, histórias, argumentos, vidas?


ACT 26-04-2007:
A resposta do argumentista Tiago R. Santos, meu futuro professor num workshop de escrita para cinema e tv das Produções Fictícias...


"Primeiro quero ser sincero. Acho que é difícil ensinar alguém a escrever. Ou se tem vocação ou não. É preciso ler muitos
livros, ver muitos filmes, viver a vida, entrar em confusões, cometer erros,
etc.

No outro dia, o António-Pedro Vasconcelos dizia-me que o problema dos actores portugueses é que não têm vida. Para um guionista, a responsabilidade é a dobrar.

Mas o que o curso te pode trazer é ajudar a que escrevas. Obrigar-te a
faze-lo. E conheces pessoas, estabeleces contactos, com um pouco de sorte
fazes amigos nos quais encontras alguém que olha para o mundo da mesma forma
que tu. E, claro, porque escrever um guião não é o mesmo que brincar com a
prosa, há regras que te podem ajudar e direccionar. E é para isso que nós,
os 'professores', servimos.

Quanto à profissão de argumentista, tenho alguma dificuldade em responder a
essa pergunta.

Já trabalhei em três filmes (um que vai estrear em Maio, outro que começa a
rodar no mesmo mês e ainda outro cujas filmagens estão planeadas para o
final do ano) e escrevo um programa diário para a Dois.

Como é que eu poderia falar de forma negativa da profissão?

Simples. Porque todos estes projectos têm um tempo de vida limitado. E,
quando tudo acabar, o que eu vou ter à minha frente são dias que, por agora,
estão em branco. Até que surja outra oportunidade. Há pessoas que lidam bem
com essa insegurança (chamam-se 'irresponsáveis'). Outros que precisam da
estabilidade de uma vida planeada. E, em Portugal, neste mercado tão pequeno
e complicado, é... qual é a palavra... ah... fodido. É isso.

Então porque é que eu quero ser guionista?
Simples.
Porque é a única coisa que eu quero fazer. E, acredita, já experimentei
outras. Mas não há nada como escrever uma boa linha de diálogo.

Isto é a minha experiência pessoal. Estou certo que há muitos outros
guionistas que te contam uma estória diferente. E tudo isto são informações
baseadas numa vida anterior às Produções Fictícias. Tornei-me associado há
pouco tempo e o Workshop será a primeira actividade concreta em que estarei
envolvido através das PF.

Será que o facto de ser associado das PF me vai facilitar a vida?

Pergunta-me outra vez daqui a 6 meses."

de volta

Estou de volta a um pedaço do meu mundo bem grande. Senti algumas saudades. Mais do que isso, senti necessidade de organizar ideias e objectivos. Ainda não vai ser neste curto espaço de noite - após um dia de intensidade laboral forte - que vou chegar lá.

para onde, a seguir...

"Não sei por onde vou,/ Não sei para onde vou/ - Sei que não vou por aí!"José Régio

Pan's labyrinth


Pan's labyrinth
Originally uploaded by solea.

sábado, março 24, 2007

do oitavo andar

17h30. É final de tarde de sexta-feira. Estou num oitavo andar de um edificio de função pública, em Lisboa. Uma vista deslumbrante e ampla sobre a cidade. Num pequeno relvado, junto ao Palácio da Justiça, vejo um pai e um filho (uns 7 anos), a jogarem à bola. Sem muito jeito, mas muita boa vontade e diversão. Não deixo de acompanhar e sorrir. Não sei bem porquê, aquela imagem, realidade, dá-me que pensar. Continuo a divagar o olhar pelo resto da cidade. O rio. A ponte. O Castelo de São Jorge. O Técnico. Os aviões a voarem muito perto. O Sheraton e o Fórum Picoas. O edificio da TMN. O El Corte. O Marquês de Pombal. O pai e o filho, a jogarem à bola.

terça-feira, março 20, 2007

ausências para sempre, memórias para a vida

A semana passada morreu o meu pediatra, Dr. Bandeira Duarte.

Bandeira Duarte
Pediatra por vocação
Quando atravessamos a infância, há algumas coisas que nos fazem confusão e nos podem marcar, para o bem ou para o mal. Uma delas é ir ao médico. Desde 1981, ano em que nasci, que tive a sorte de poder contar com um excelente pediatra, que fazia da sua profissão um modo de vida.
Dr. Bandeira Duarte, para mim, era sinónimo de alguém a quem poderia confiar a minha saúde sem medos. Sinónimo de dedicação, seriedade, competência e, sempre que se justificasse, um sorriso tranquilizador e um brinquedo sempre à mão. Entrar no seu gabinete, era entrar num mundo cheio de coisas curiosas e a descobrir, que podia ser descoberto. Ao jovem mais curioso, que fazia perguntas sobre todos os instrumentos que o rodeavam – e alguns brinquedos -, o Dr. Bandeira Duarte respondia, com paciência e com a atenção que um ser, ávido por conhecimento, merece.
Até aos 11 anos, pude ir visitá-lo no seu consultório, ao pé da Rua das Montras. Apesar de ser sempre uma ida ao médico, era também como ir visitar um amigo, que perguntava sempre à pessoa a começar uma vida, como ia tudo e se mostrava sempre preocupado. Depois de mim, foi pediatra da minha irmã, desde 1988, ano em que nasceu. A ela, demonstrou uma generosidade maior, quando acompanhou com a atenção e disponibilidade já quase inexistentes nos médicos actuais, os seus primeiros anos de vida, muito turbulentos do ponto de vista de saúde. Foi ainda pediatra do meu irmão, nascido em 1995, embora só nos primeiros anos já que, depois da saúde do Dr. Bandeira Duarte ter piorado, deixou de ter o consultório.
A sua morte, a semana passada, teve um efeito doloroso e reavivou, ao mesmo tempo, uma memória antiga e boa. Foi uma perda ao mesmo nível de outra base da minha infância, que me marcou e, infelizmente, também já morreu, a Dona Esperança, professora primária caldense de generosidade imensa. É curioso como pessoas como professores e médicos, de excelência, podem desaparecer mas a memória deles perdura naqueles que eles trataram e ensinaram.



PS: o filho dele, que é o meu dentista e usa o mesmo nome, segue a mesma generosidade médica do pai. Depois do texto, que aparece por cima, ter saído na Gazeta das Caldas, o filho e a família viram e ele agradeceu-me pelas palavras. Percebi que ficou comovido, tal como a sua mãe (que era presença constante e afável no consultório do Dr. Bandeira Duarte). Não sei bem porquê, mas isso contou alguma coisa, para mim.

sexta-feira, março 16, 2007

fit in

Encaixa-te em mim. Eu tentarei encaixar-me em ti. Somos triângulos, sempre com dificuldades para encaixarmo-nos uns nos outros. Mesmo quando é fácil, há momentos em que é difícil. Não pode ser só um a trabalhar para se encaixar, têm de ser todos a trabalharem para se encaixaram, só assim resulta minimamente bem.


encaixar ::: fit in

get it

suddenly i get it. i'm not the man i used to be

pessoa de listas

Ultimamente não tenho funcionado bem, não tenho tido objectivos pequenos e diários, nem "get my shit together". A justificação é clara... sou uma pessoa de listas. Preciso de uma lista para me guiar, para ir fazendo as coisas, especialmente em alturas em que ando mais amorfo. Não tenho feito nenhumas listas, para nada, logo reduzi aquilo que tenho feito a um minímo imprescindível. Comer, dormir, tomar banho e pouco mais.

whiskey bar

Para demonstrar a minha inaptidão para escolher músicas para cantar em karaoke, a única vez que cantei uma canção dessa forma, num bar, escolhi, Backdoor Man, dos The Doors.



music and voices are all around us

Para todos aqueles que, simplesmente, são intensos apreciadores de The Doors, e dos poemas de Jim Morrison.


Touch Me


Roadhouse Blues


Break on Through.


Moonlight Drive


The Crystal Ship


Unknown Soldier


People Are Strange


L.A. Woman


Wild Child

Enjoy! I know I will.

prazeres escondidos

Andar de carro (ter carro) em Lisboa pode ser perturbante, até certo ponto. Não ter transporte próprio pode ser um verdadeiro alívio. Sentimo-nos livres. Não há nada apegado a nós. Não nos podem roubar o carro ou a mota - que está na rua -, não a temos! Não nos podem colocar uma multa, bater durante a noite, ou reclamar por estar mal estacionado, não a temos! Estão a apitar na rua... será por causa do meu carro? Que interessa! Não o tenho!! Que alívio.

De manhã, até sabe melhor andar de metro. Não é hora de ponta. Podemos ler e descontrair. Pensar na vida, sem stress. Não vale a pena ter pressa, porque o metro não depende de nós, ao contrário do carro - o que aumenta a impaciência.