Porque é que quando alguém já de idade nos corta o cabelo, fica sempre com um estilo parecido com os anos 50?!
O que é que se diz a uma mãe, quando ela nos pede para a ajudarmos a fazer um blog??!!
Para quem quer descobrir e sentir. Quem quer conhecer outras formas de vida e de pensamento, melhor ou pior.
Quem = serEmot futuro.
O que interessa?
Tensões na mente de serEmot
sexta-feira, junho 01, 2007
quinta-feira, maio 31, 2007
um susto
Quando apanhamos um valente susto, nem que seja por instantes, o nosso mundo e perspectiva muda de imediato. Somos atirados para um estado de emergência e pressão incríveis. Hoje aconteceu-me isso, por cinco minutos, mas que pareceram muito mais. Felizmente tudo não passou disso mesmo, um susto.
freddie is in me
uma bola a rolar na minha direcção
É uma sensação incrível, poder voltar a jogar futebol, depois de um longo período de paragem. Entra-se com mais garra, mais vontade. Curiosamente as forças esgotam-se depressa, os músculos também dão de si mais rapidamente. Perde-se depressa o fulgor inicial. Mesmo assim é uma experiência intensa que permite libertar energias e pensamentos, especialmente em alturas como esta, em que muitas mudanças parecem surgir e chatear-nos o pensa (mento) melhor.
quarta-feira, maio 30, 2007
sábado, maio 26, 2007
pregnant
Recentemente, uma amiga ficou grávida quando não o esperava. É estranho acompanharmos a mudança de perspectiva de uma pessoa neste tipo de situações.
sexta-feira, maio 25, 2007
exercício de observação
Um exercício curioso que se pode fazer é imaginar que vida, que empregos, que precupações as pessoas que vão ao nosso lado no trânsito terão. Outro mais completo, é imaginar que profissões têm pessoas com quem estamos a fazer um curso, ou algo em conjunto, antes mesmo de termos coragem de perguntar. Muitas pessoas têm trabalhos diferentes do que a sua cara e postura indica mas é curioso que não costumo acertar... nem fazer grande ideia das possíveis profissões... Especialmente quando são pessoas como aquelas do curso que estou a fazer actualmente.
quinta-feira, maio 24, 2007
domingo, maio 20, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
quinta-feira, maio 10, 2007
silence
Silêncio puro. Sinto-me bem nele, neste momento. Nada de palavras faladas, as do cérebro e das teclas bastam, por agora.
sábado, abril 28, 2007
sexta-feira, abril 27, 2007
ponto de paragem ou viragem
Dor que passas pesadamente
brutalmente e ruidosamente
Obrigado por fazeres parar a rotina
indicares o caminho para o meu olhar
mostrares-me o meu mundo passar
me deixares, finalmente, ir para a caminha, sem orar...
Quem dói, sempre alcança
Existem dias em que chegamos a casa com dor de cabeça que nos esgota por completo. Só queremos dormir, mas não consigo. Só penso em descansar, mas estou irrequieto em pensamentos. Levanto-me. Vou à casa de banho. Atiro água fresca à cara, levanto a cabeça e.... pela primeira vez nuns dois anos, olho-me ao espelho. Olho-me, verdadeiramente, olhos nos olhos, sem hipótese de fuga, sem filtros nem indiferença, ao espelho. Estou mais velho, mas o mesmo. Os olhos estão cansados, talvez por ter sido um dia de trabalho complicado, mas são os mesmos. Não consigo tirar os olhos do espelho, de me olhar com atenção. Reparo nas rugas, na barba que poderia estar mais bem feita, e no que me vai pela alma... Passam-se 10 minutos.
Há alguns anos pensaria que poderia ser um ponto de viragem, que algo poderia mudar a partir dali. Hoje é apenas um momento mais lúcido, uma paragem no tempo para olhar... para mim. 26 anos e 18 dias depois.
PS: this one goes out to me, in the future. o meu pai fez ontem, dia 25 de Abril, 49 anos. parabéns pai. infelizmente foi um feriado de exploração, para mim.
brutalmente e ruidosamente
Obrigado por fazeres parar a rotina
indicares o caminho para o meu olhar
mostrares-me o meu mundo passar
me deixares, finalmente, ir para a caminha, sem orar...
Quem dói, sempre alcança
Existem dias em que chegamos a casa com dor de cabeça que nos esgota por completo. Só queremos dormir, mas não consigo. Só penso em descansar, mas estou irrequieto em pensamentos. Levanto-me. Vou à casa de banho. Atiro água fresca à cara, levanto a cabeça e.... pela primeira vez nuns dois anos, olho-me ao espelho. Olho-me, verdadeiramente, olhos nos olhos, sem hipótese de fuga, sem filtros nem indiferença, ao espelho. Estou mais velho, mas o mesmo. Os olhos estão cansados, talvez por ter sido um dia de trabalho complicado, mas são os mesmos. Não consigo tirar os olhos do espelho, de me olhar com atenção. Reparo nas rugas, na barba que poderia estar mais bem feita, e no que me vai pela alma... Passam-se 10 minutos.
Há alguns anos pensaria que poderia ser um ponto de viragem, que algo poderia mudar a partir dali. Hoje é apenas um momento mais lúcido, uma paragem no tempo para olhar... para mim. 26 anos e 18 dias depois.
PS: this one goes out to me, in the future. o meu pai fez ontem, dia 25 de Abril, 49 anos. parabéns pai. infelizmente foi um feriado de exploração, para mim.
terça-feira, abril 17, 2007
o pormenor
Tenho tantas canetas, lápis e afins, que três porta-canetas bem grandes (não sei qual o nome destas espécies de copos para guardar este material) estão a rebentar pelas costuras.
Só há um senão. Cada vez menos escrevo com canetas e faço-o mais ao computador.
Só há um senão. Cada vez menos escrevo com canetas e faço-o mais ao computador.
sexta-feira, abril 13, 2007
quinta-feira, abril 12, 2007
magia na flor da idade
Na flor (murcha) da idade, aqui estou eu. Oficialmente tenho 26, o 25 morreu. Que interessa?
Ao ver um filme mágico esta manhã, não pude deixar de fazer uma analogia com a minha experiência de infância, em que cresci rodeado de um bosque que, muitas manhãs, tardes e noites era mágico.
Quando é que a magia deixa de existir na nossa vida? Quando deixamos de correr desvairadamente à noite, enquanto atravessamos um bosque escuro, com medo de criaturas que sentimos que existem ali.
Ao ver um filme mágico esta manhã, não pude deixar de fazer uma analogia com a minha experiência de infância, em que cresci rodeado de um bosque que, muitas manhãs, tardes e noites era mágico.
Quando é que a magia deixa de existir na nossa vida? Quando deixamos de correr desvairadamente à noite, enquanto atravessamos um bosque escuro, com medo de criaturas que sentimos que existem ali.
domingo, abril 08, 2007
25 primaveras, quase 26
Aqui estou eu de novo, ainda com 25 anos. Tenho 25 anos. 25. Anos. Mas daqui a pouco essa idade foi-se para sempre. Parece que nem a saboriei. Não a gozei. Foi um ano perdido? Em parte.
Como ultimamente tenho sempre dito que tenho 26 anos, é como se já tivesse mesmo. Amanhã, dia especial, será muito ocupado com trabalho e preocupações. É pena porque sempre me lembro de ter tempo para estar introspectivo no meu dia de anos. Talvez seja para melhor ter muito para fazer e pouco (tempo) para pensar.
Waiting on the world to change
Como ultimamente tenho sempre dito que tenho 26 anos, é como se já tivesse mesmo. Amanhã, dia especial, será muito ocupado com trabalho e preocupações. É pena porque sempre me lembro de ter tempo para estar introspectivo no meu dia de anos. Talvez seja para melhor ter muito para fazer e pouco (tempo) para pensar.
Waiting on the world to change
sábado, abril 07, 2007
26 primaveras
Há várias semanas que, sempre que me perguntam que idade é que tenho, a minha resposta imediata é: 26 anos. Na verdade, faço essa idade na próxima segunda-feira, pelas 18h25, de dia 9 de Abril. O que me leva a dizer essa idade é que desde há algum tempo que a mente pessimista emotense tem-se vindo a tentar habituar aos 26 e, inconscientemente, sempre que me perguntam, sai logo os 26 que ainda estão para vir.
Curiosamente, fui "obrigado" a fazer a festa da família dos meus 26 anos hoje, dois dias antes do dia de aniversário. O que demonstra uma clara tendência de antecipação. Será que algo vai mudar a partir de segunda-feira? Não sei. Muito provavelmente não, mas a esperança existe e custa, uns dolorosos, 750 euros.
Curiosamente, fui "obrigado" a fazer a festa da família dos meus 26 anos hoje, dois dias antes do dia de aniversário. O que demonstra uma clara tendência de antecipação. Será que algo vai mudar a partir de segunda-feira? Não sei. Muito provavelmente não, mas a esperança existe e custa, uns dolorosos, 750 euros.
quinta-feira, abril 05, 2007
segunda-feira, abril 02, 2007
parideiro de ideias
Sou mero parideiro de ideias ambulante.
Iludido pelas estrelas e violado nas travessas.
Sigo o meu alento, de momento em momento.
Até quando. Até quando.
Até quando o silêncio.
A ausência e tristeza e frieza. O ninho de cobras.
Nada mais atravessa a realidade,
a esperança ainda respira de ilusão.
Expectante pela mudança.
Avisado quanto à impotência.
MATA! ESFOLA! E SÊ ESFOLADO VIVO!
Vive! Respira e sente a vibração.
O momento e a transpiração.
O mérito e o valor da criação, sem desilusão.
Fui para o campo para me inspirar. Saí de lá sem terra nem ar.
Vim para a cidade para trabalhar. Saí de lá sem amor para dar.
Vou para a noite para sonhar. Vou para lá para amar e dar.
Morri na noite e na ilusão dos sonhos.
Não volto tão cedo ao vosso mundo.
Iludido pelas estrelas e violado nas travessas.
Sigo o meu alento, de momento em momento.
Até quando. Até quando.
Até quando o silêncio.
A ausência e tristeza e frieza. O ninho de cobras.
Nada mais atravessa a realidade,
a esperança ainda respira de ilusão.
Expectante pela mudança.
Avisado quanto à impotência.
MATA! ESFOLA! E SÊ ESFOLADO VIVO!
Vive! Respira e sente a vibração.
O momento e a transpiração.
O mérito e o valor da criação, sem desilusão.
Fui para o campo para me inspirar. Saí de lá sem terra nem ar.
Vim para a cidade para trabalhar. Saí de lá sem amor para dar.
Vou para a noite para sonhar. Vou para lá para amar e dar.
Morri na noite e na ilusão dos sonhos.
Não volto tão cedo ao vosso mundo.
sexta-feira, março 30, 2007
dias
Volúvel
do Lat. volubile
adj. 2 gén.,
que gira;
inconstante;
instável;
Há dias que tanto podemos estar muito amargurados, desiludidos ou perdidos, como sorridentes e achados. Daí estarmos insconstantes, volúveis.
do Lat. volubile
adj. 2 gén.,
que gira;
inconstante;
instável;
Há dias que tanto podemos estar muito amargurados, desiludidos ou perdidos, como sorridentes e achados. Daí estarmos insconstantes, volúveis.
corte e costura
A senhora que me corta o cabelo está constantemente a falar no que se passa nas notícias. Curiosamente é de futebol. Sem pronunciar uma única palavra - ou não estivesse no meu estado zen de corte de cabelo e também não tivesse nada para lhe dizer - sorrio apenas, para tentar manter alguma simpatia (ou não estivesse com objectos cortantes colados à minha cabeça). "Estes portistas falam muito, mas deviam era de perder, para ver o que era bom para a tosse", diz a senhora sobre Jesualdo Ferreira, ignorando o facto de que ele até é um benfiquista. Mais uns momentos de silêncio dourado e volta à carga, sobre as claques portistas chegarem a Lisboa: "Deviam [a polícia] era de os matar todos quando eles chegassem cá abaixo, só estragam o futebol", disse, em mais uma tirada inspirada. Correspondi com mais um sorriso, este mais estrangulado, ou não estivesse com a faca de barbear (das antigas), junto às patilhas e orelha. Deve ter percebido que aquele rapaz quase sem cabelo não estava para aí virado, já que palavras foram coisas que não sairam de mim.
PS: porque é que quando começamos a perder cabelo, quem está no cabeleireiro ou barbeiro, especialmente algumas pessoas, olha sempre com uma certa pena? é um pouco irritante, devo dizer. Não me dói nada perder cabelo. Só tira autoconfiança, acho. Mas isso pode-se combater - uns conseguem-no bem melhor do que outro (são esses os carecas que elas gostam mais).
PS: porque é que quando começamos a perder cabelo, quem está no cabeleireiro ou barbeiro, especialmente algumas pessoas, olha sempre com uma certa pena? é um pouco irritante, devo dizer. Não me dói nada perder cabelo. Só tira autoconfiança, acho. Mas isso pode-se combater - uns conseguem-no bem melhor do que outro (são esses os carecas que elas gostam mais).
nas mãos de outros
Quando nos cortam o cabelo. Nos passam uma lâmina de barbear das antigas pelas patilhas, pelo pescoço. É uma sensação estranha. A nossa missão é ficar imóvel na cadeira. Mexendo a cabeça, correspondendo à indicação da pessoa que nos corta o cabelo, com a mão, empurrando para um lado ou para outro. Estamos vulneráveis, nas mãos de outra pessoa, e, ao mesmo tempo, sem necessidade de decisões. Todas elas são feitas por nós, como se fossemos um vegetal. Consegue ser uma experência tão boa, quanto má, depende.
quinta-feira, março 29, 2007
constrangimentos
Hoje, entrei no elevador quando alguém estava lá já a pensar que iria no elevador sozinho. Por isso mesmo, estava a começar a compor o penteado - algo que eu próprio costumo fazer em elevadores, só quando não está ninguém. Tal como eu faria, essa pessoa parou quando reparou de se pentear quando entrei no elevador. O que me colocou a pensar foi: se eu ou ele fossemos com amigos com quem temos muita confiança provavelmente fariamos aquilo em frente do espelho sem problemas, como é um desconhecido paramos. Porquê?
Curiosamente era alguém conhecido no mundo dos blogs e da escrita literária (e não só) num jornal diário.
Curiosamente era alguém conhecido no mundo dos blogs e da escrita literária (e não só) num jornal diário.
quarta-feira, março 28, 2007
recordação
diz o roto ao nú.
Numa entrevista que traduzi e reduzi consideravelmente hoje, Rowan Atkinson, o Mr. Bean, dizia exactamente que Bean faz aquilo que não é socialmente bem visto, como correr nú pela rua fora. Mais vale nú do que roto?
Numa entrevista que traduzi e reduzi consideravelmente hoje, Rowan Atkinson, o Mr. Bean, dizia exactamente que Bean faz aquilo que não é socialmente bem visto, como correr nú pela rua fora. Mais vale nú do que roto?
porque é que estás a ser mau para mim?
Alguém me perguntou como estava. Menti, disse mais ou menos. Na verdade, estou óptimamente bem, quando estou longe, bem longe, numa cama de plumas fofas e aconchegantes, quente e inocente.
sentidos II
Sentir-me nojo é
voltar a entrar na casa de banho do trabalho, duas horas depois, olhar para o tecto e olhando para baixo, sentir um mau cheiro impressionante dos "servicinhos" que alguém ali fez anteriormente.
voltar a entrar na casa de banho do trabalho, duas horas depois, olhar para o tecto e olhando para baixo, sentir um mau cheiro impressionante dos "servicinhos" que alguém ali fez anteriormente.
sentidos
Sentir-me vivo é
entrar na casa de banho do trabalho, dar um grito não sonoro. Olhar para o tecto e fazer a necessidade que alivia o corpo e o espirito.
entrar na casa de banho do trabalho, dar um grito não sonoro. Olhar para o tecto e fazer a necessidade que alivia o corpo e o espirito.
terça-feira, março 27, 2007
não sei
como é fazer a vida a escrever - poemas, comédia, romances, histórias, argumentos, vidas?
ACT 26-04-2007:
A resposta do argumentista Tiago R. Santos, meu futuro professor num workshop de escrita para cinema e tv das Produções Fictícias...
"Primeiro quero ser sincero. Acho que é difícil ensinar alguém a escrever. Ou se tem vocação ou não. É preciso ler muitos
livros, ver muitos filmes, viver a vida, entrar em confusões, cometer erros,
etc.
No outro dia, o António-Pedro Vasconcelos dizia-me que o problema dos actores portugueses é que não têm vida. Para um guionista, a responsabilidade é a dobrar.
Mas o que o curso te pode trazer é ajudar a que escrevas. Obrigar-te a
faze-lo. E conheces pessoas, estabeleces contactos, com um pouco de sorte
fazes amigos nos quais encontras alguém que olha para o mundo da mesma forma
que tu. E, claro, porque escrever um guião não é o mesmo que brincar com a
prosa, há regras que te podem ajudar e direccionar. E é para isso que nós,
os 'professores', servimos.
Quanto à profissão de argumentista, tenho alguma dificuldade em responder a
essa pergunta.
Já trabalhei em três filmes (um que vai estrear em Maio, outro que começa a
rodar no mesmo mês e ainda outro cujas filmagens estão planeadas para o
final do ano) e escrevo um programa diário para a Dois.
Como é que eu poderia falar de forma negativa da profissão?
Simples. Porque todos estes projectos têm um tempo de vida limitado. E,
quando tudo acabar, o que eu vou ter à minha frente são dias que, por agora,
estão em branco. Até que surja outra oportunidade. Há pessoas que lidam bem
com essa insegurança (chamam-se 'irresponsáveis'). Outros que precisam da
estabilidade de uma vida planeada. E, em Portugal, neste mercado tão pequeno
e complicado, é... qual é a palavra... ah... fodido. É isso.
Então porque é que eu quero ser guionista?
Simples.
Porque é a única coisa que eu quero fazer. E, acredita, já experimentei
outras. Mas não há nada como escrever uma boa linha de diálogo.
Isto é a minha experiência pessoal. Estou certo que há muitos outros
guionistas que te contam uma estória diferente. E tudo isto são informações
baseadas numa vida anterior às Produções Fictícias. Tornei-me associado há
pouco tempo e o Workshop será a primeira actividade concreta em que estarei
envolvido através das PF.
Será que o facto de ser associado das PF me vai facilitar a vida?
Pergunta-me outra vez daqui a 6 meses."
ACT 26-04-2007:
A resposta do argumentista Tiago R. Santos, meu futuro professor num workshop de escrita para cinema e tv das Produções Fictícias...
"Primeiro quero ser sincero. Acho que é difícil ensinar alguém a escrever. Ou se tem vocação ou não. É preciso ler muitos
livros, ver muitos filmes, viver a vida, entrar em confusões, cometer erros,
etc.
No outro dia, o António-Pedro Vasconcelos dizia-me que o problema dos actores portugueses é que não têm vida. Para um guionista, a responsabilidade é a dobrar.
Mas o que o curso te pode trazer é ajudar a que escrevas. Obrigar-te a
faze-lo. E conheces pessoas, estabeleces contactos, com um pouco de sorte
fazes amigos nos quais encontras alguém que olha para o mundo da mesma forma
que tu. E, claro, porque escrever um guião não é o mesmo que brincar com a
prosa, há regras que te podem ajudar e direccionar. E é para isso que nós,
os 'professores', servimos.
Quanto à profissão de argumentista, tenho alguma dificuldade em responder a
essa pergunta.
Já trabalhei em três filmes (um que vai estrear em Maio, outro que começa a
rodar no mesmo mês e ainda outro cujas filmagens estão planeadas para o
final do ano) e escrevo um programa diário para a Dois.
Como é que eu poderia falar de forma negativa da profissão?
Simples. Porque todos estes projectos têm um tempo de vida limitado. E,
quando tudo acabar, o que eu vou ter à minha frente são dias que, por agora,
estão em branco. Até que surja outra oportunidade. Há pessoas que lidam bem
com essa insegurança (chamam-se 'irresponsáveis'). Outros que precisam da
estabilidade de uma vida planeada. E, em Portugal, neste mercado tão pequeno
e complicado, é... qual é a palavra... ah... fodido. É isso.
Então porque é que eu quero ser guionista?
Simples.
Porque é a única coisa que eu quero fazer. E, acredita, já experimentei
outras. Mas não há nada como escrever uma boa linha de diálogo.
Isto é a minha experiência pessoal. Estou certo que há muitos outros
guionistas que te contam uma estória diferente. E tudo isto são informações
baseadas numa vida anterior às Produções Fictícias. Tornei-me associado há
pouco tempo e o Workshop será a primeira actividade concreta em que estarei
envolvido através das PF.
Será que o facto de ser associado das PF me vai facilitar a vida?
Pergunta-me outra vez daqui a 6 meses."
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