terça-feira, julho 17, 2007

ecoar

Estou cansado. Quero ir dormir. Mas as palavras ecoam da minha mente para o teclado com algum fervor. Tantas palavras que deixei fugir, tantos sentidos que acabaram para sempre, as palavras escritas poderão ser o último refúgio do homem pensante, o meu é de certeza.

noite, vento, música

Pela noite dentro vagueamos em velocidade pela cidade calma, deserta, escura, misteriosa e intensa. O pé no acelerador diz-nos que somos livres, que não temos limites, fazemos as nossas próprias leis. O vento a passar pelo carro, o rosnar do motor, mostra-nos que somos velozes, ágeis e poderosos. A curva que fazemos a deslizar, rápida e suave, insiste que somos habilidosos e funcionamos por instinto, mesmo sem olhar. Os carros pelos quais passamos, ou não passamos, consoante a nossa vontade, mostram-nos que podemos ser melhores, ir mais além, mas só se quisermos… A música rápida no carro é acompanhada pela nossa voz, entusiasmada, ritmada e com garra. Nós somos como queremos ser e estamos ali, naquele momento, naquela batida, naquele arranque, naquelas palavras, naquela estrada, rua e cidade.

A noite é amiga, protege-nos do supérfluo, traz-nos de volta a nossa essência, quem somos, o que queremos e o que podemos fazer. Indica-nos o caminho para casa, para o pensamento e para a nossa mente. Nada está perdido, nós podemos ser encontrados. Numa música, numa estrada, numa rua ou numa casa. Normalmente somos encontrados sozinhos, vivos ou mortos.
Quem está comigo sou eu.

viverrrr

Nada como fazer amor e levar uma bolada nos testículos para nos sentirmos vivos.
Estou vivo! Vou viver!

a vela


A vela arde incandescente
Brilha e ilumina a minha mente
Chega a encandear mas não é para sempre
Vela, vela, o que vais fazer a seguir?
O destino está traçado
A vela irá estar acesa um bocado
Até que o fio chegue a pavio
O destino está traçado
Vela, vela, e se tiveres uma ajuda?
Balança, balança pela mão (cantando)
Até que tomba pelo chão
A boneca pintada dá-lhe a mão
E tudo resulta numa explosão
Fogo, fogo até mais não
Arde, arde, sem emoção
Até que desfaz uma criação
Vela, vela, quem te usou?
Foi o fogo e o João.

sábado, julho 14, 2007

praia

Ir à praia é das experiências mais libertadoras e encantadoras da minha vida. Sempre foi um privilégio fácil de ter e que aproveitei minimamente bem.

sol. areia. mar. jogos. raparigas. pouca roupa. longe da rotina. longe da "terra". perto da água.

aos 74 anos todos os santos ajudam, menos na estrada

Hoje um senhor, simpático e simples por sinal, bateu-me no carro (emprestado). Tem 74 anos e a sua carta caduca no próximo ano. Fui apenas um raspão, mas ele acabou por preencher a declaração do seguro, visto haver danos. Acabou por ser ele o culpado e nem argumentou, foi correcto, afável e disponível. Depois de batermos, ele parou um pouco à frente, quando poderia facilmente ter fugido. Foi a primeira vez que preencheu a declaração e a mim foi a primeira vez que ajudei a preenchê-la.

Não demorou muito (uns 30 minutos) e poderia ter demorado menos, não fosse algo lento a escrever, o que é normal aos 74 anos. Comigo no carro e a assistir a isto tudo ia o Gonçalo Sá, que comentou depois comigo "isto é assunto para o teu blogue". Pelos vistos é mesmo!


PS: hoje dei o meu caso pessoal e opinião sobre eleições, para um programa de rádio nacional, pela tarde. Usei um pseudónimo (meramente como precaução, dada a minha profissão). Acabou por ser um favor a um amigo que por lá trabalha, caso contrário dificilmente o faria.

sexta-feira, julho 13, 2007

testes e baldrocas

No secundário, os testes que me corriam melhor eram aqueles em que tinha pior nota. Pergunto-me a mim próprio se acontece o mesmo agora, nos tempos de trabalho...

Acho que, um pouquinho, sim.

terça-feira, julho 10, 2007

voar

Uma semana e uns dias depois da minha primeira viagem de avião, posso dizer:

SENTI-MEEEEE VIVOOOOOOOO!


Mesmo uma viagem pequena, sem grandes sobressaltos, permite sentir a adrenalina e o medo de fazer algo que não é normal para o ser humano, voar.

estranheza

Acabou-se, o mundo não é mais um local estranho... até ao próximo susto.

usurpador ou não usurpador

Quem pensa em estar com uma mulher só pela relação física, mesmo que não tenha continuado por não se sentir bem com isso, é um usurpador (e existem vários tipos)!





Eu já fui um usurpador, mas daqueles que foi durante muito pouco tempo.
Viajar é retemperador. Só é pena o alívio que se ganha ser estragado pela rotina que parece apagar a força da viagem em si.

duro regresso à realidade virtual

O tempo volta a passar a correr. Depois de uma viagem em que cada hora era mesmo vivida e parecia um dia, voltei ao tempo e espaço onde cada dia parece uma hora. Onde é que está o botão PAUSE?!

sexta-feira, julho 06, 2007

como te sentes?

Como é que se sentem, quando chegam a casa, aquelas pessoas que bombardeiam as outras, no local de trabalho, com biliões de palavras ao longo de um dia, tem tendência em criar stress desnecessário à sua volta, e fazem questão que todos ouçam as suas muitas palavras, ao falarem extremamente alto. Pessoas estas com opiniões que mais não são do que espaços para encher uma qualquer necessidade de falar, falar, mostrar protagonismo. Como é que elas se sentem? Será que pensam, no final de um dia longo, que cumpriram a sua missão? Ou acreditam que amanhã podem ser mais calmos e calados?

quinta-feira, junho 28, 2007

excess baggage


Excess baggage
Originally uploaded by Miss Aniela
Por estes dias vou viajar pela primeira vez de avião. Quando digo isto e vejo a reacção incrédula de algumas pessoas sinto-me novamente criança. Talvez aconteça mais porque sou novo, tenho aspecto de viajante. A verdade é que, fora do país, só mesmo Ayamonte, Sevilha e Marbella.
Vou viajar para Barcelona... uma estreia de avião curta. Curiosamente ainda nem sequer pensei bem se terei medo, senão terei. Nem pensei nisso, só as reacções das pessoas que me circundam no trabalho me fizeram pensar nisso.
Como ando muito distante, parece que não sinto tanto quanto sentiria noutras ocasiões.

VOU ANDAR DE AVIÃO PELA PRIMEIRA VEZ


Originally uploaded by Allure + Desire

quarta-feira, junho 27, 2007

Sou viajado, mas nunca sai de casa.


Já voei. Mas nunca andei de avião.

terça-feira, junho 26, 2007

:::::::::: focus ::::::::::::::

Concentração. É impossível escrever bem sem concentração. Preciso de concentração. Mais concentração. Completa e absoluta. Concentração.

domingo, junho 24, 2007

an american prayer

"Smug in the wooly cotton brains of infancy"

um modo especial e privativo dele

Idiossincrasias

do Gr. idiosygkrasía < ídios, próprio + sýkrasis, constituição, temperamento

s. f.,
disposição do temperamento de um indivíduo para sentir, de um modo especial e privativo dele, a influência de diversos agentes;

reacção individual própria a cada pessoa;

over there

"Over there there's friends of mine
What can I say, I've known 'em for a long long time
And yea they might overstep the line"



Artic Monkeys

sábado, junho 23, 2007

willis hair

"Hair loss is God's way of telling me I'm human."

Bruce Willis

vida a ser vivida

Uma mulher a subir uma ambulância, muito devagar, ajudada por três cuidadosas pessoas. Um homem com a sua moto parada na auto-estrada tenta "reanimá-la" com esperança de ainda poder seguir viagem. Um rapaz conduz um carro enquanto canta entusiasticamente. Um mosquito tenta, a todo o custo, desviar-se de um carro que vem a grande velocidade, sem sucesso... a sua vida ficou-se pelo vidro.

terça-feira, junho 19, 2007

surreal há uns anos - maiiiiiiiiisssss

O que era surreal há 10 anos na minha vida: passar pelo Teatro Armando Cortês onde se está a gravar o Prós e Contras (com o presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, entre outros), depois de ter jogado à bola em Benfica durante uma hora (das 23h às 00h), algo que fiz depois de ter saído do curso de argumento de cinema e televisão (das 19h às 22h - só cheguei às 20h20) nas Produções Fictícias.

Não. Não chega. Quero mais

MAIS

MAIS

MAIS

MAIS e MAIS e MAIS e MAIS

Não digo "mais", mas...

MUITO MAIS - O MAIS DE TODOS.

Do que é que eu estava mesmo a falar? Esqueci.

O que interessa é que é mais e mais e mais e mais o que eu quero.


QUERO MAIS!!!!!!

cause all you people are vampires

suores frios passeiam – corpo abaixo corpo acima




Paranóia

"(...) Suores frios passeiam –
corpo abaixo corpo acima
Ferida aberta em carne viva
que a nóia reanima

Permanentemente a queimar
não deixa de me lembrar
que esta dor está aqui
e veio para ficar
Tento a todo custo
manter a sensatez
Digo a mim mesmo
para não perder a lucidez
Mas da luz no fim do túnel
já nada resta
É como nos filmes de sexta-feira à noite
no canal fiesta
Sinto que já não sobra nenhum buraco aberto
onde eu me possa enfiar
Talvez perto do deserto,


Posso fugir
mas não me posso esconder
Posso até rezar mas não há nada a fazer
Mais cedo ou mais tarde
ela apanha o passo
Quase que já posso sentir a cabra
a apertar o laço
O que era o produto
de uma mente distorcida
Passou para outro nível
logo em seguida
A alucinação deu lugar
a uma constante realidade
Com requintes dignos
de um livro do Marquês de Sade
Experiencio uma metamorfose
no corpo inteiro
Começa pela pele,
que lavo no chuveiro
Mas isto vai avançando
para um estado cada vez mais precário
O meu corpo tornou-se
numa espécie de mostruário
Uma escoriação, um hematoma
Ou apenas mais uma chaga (...)"


Da Weasel

quarta-feira, junho 13, 2007

expecting


expecting
Originally uploaded by Paula Anddrade

processos cerebrais

O trabalho pode ser lixado. Há dias em que chegamos a casa com a clara sensação que contribuimos, hoje, em muito para um possível derrame cerebral. O cérebro parece ressentir-se, a nível de fluxo sanguíneo, de um final de dia com mistura de stress e concentração. Se fosse nos Estados Unidos poderia processar os meus patrões...

terça-feira, junho 12, 2007

As pedras acalmam-me. Confortam-me.

amanhã há mais

Acabado de chegar a casa, depois de ter saído das Caldas da Rainha, esta manhã, o cansaço e desilusão invade o corpo e a mente. Foi um dia de stress, desmotivação, curso e futebol. Comer mal e pouco e andar pouco falador (excepto no curso, que hoje soube mesmo bem). Há dias assim. Não ajuda ter dormido umas cinco horas.

Amanhã há mais, ouvi dizer.