sábado, outubro 20, 2007

memórias citadinas

Sábado de manhã. Milhares de pessoas, na maioria mulheres e crianças, deambulam de um lado para o outro da rua, com os olhos ávidos de produtos, novidades, coisas para adquirir ou passear os olhos. Entre a Miguel Bombarda e a Rua das Montras o movimento não pára. Observar os hábitos dos solteiros e dos casais é apelativo. É o dia da semana mais divertido, até porque às 13h, ala que se faz tarde... é tempo de ir para casa. Se os solteiros com os amigos ou os casais de namorados (à pouco tempo) tem alguma piada, ver as esposas mandonas e os maridos aborrecidos é uma delícia. Discussões familiares em plena rua é a cereja no topo do bolo... só peço é que não entrem na loja e continuem a discussão - o que acontece, de vez em quando. Brrk.



PS: o meu primo recordou-me há uma semana a intensidade dos sábados de manhã na minha cidade Natal e lembrei-me quando trabalhei numa loja, aos 15 anos, no centro da cidade e tinha de trabalhar sábados de manhã. Omiti a melhor parte, a observação cuidada às raparigas que passavam pela longa montra...

quarta-feira, outubro 17, 2007

way of life

"Sucesso é passar de falhanço em falhanço sem perder o entusiasmo"

Winston Churchil
(uma frase que anda pela minha secretária há uns quatro anos, e raramente olhei para ela)

segunda-feira, outubro 15, 2007

girl in red shoes


Girl in red shoes
Originally uploaded by Miss Aniela

plano de ataque

Levanta-te da cadeira e dorme. É tarde. Precisas de descanso. Amanhã começas a tentar organizar a tua vida, definir o que queres e apostar mesmo nisso. Tem de ser com vitalidade e vontade, senão nem vale a pena tentar ou começar.

Sonhos imaginativamente esclarecidos pelo vale dos lençóis.
Até manhã.
emot.
eu.

sábado, outubro 13, 2007

há um mês era assim... no lugar da rotina


o bosque sem a minha vida

Capítulo I - O prólogo do falecido


Fui para o bosque porque vivia lá, nasci lá, cresci lá. Quando me mudei para a cidade, no final da adolescência, voltar lá trazia de volta memórias e tranquilidade. Sonhos antigos que não passavam de memórias chamuscadas pelo tempo, pela dura realidade imposta. Nada estava perdido, tudo podia ser encontrado. Seria? Estava convencido que poderia ser diferente. Fazer diferente. Tentei de menos. Lutei pouco. Esforcei-me o suficiente mas, a partir de certa altura, fi-lo no lugar errado, com as pessoas erradas. Tive momentos bons, mas também sofri. Não poderia ser só aquilo. Tinha de existir algo mais. Abandonei o passado, fiz inimigos no presente, abracei o futuro e... morri. Deixei de existir. Esta é uma história sobre os caminhos tortuosos que resultaram no meu cessamento de funções relacionadas com a vida. Embora não tenha qualquer desejo de morte, faria tudo novamente como fiz... até ao momento em que definitivamente e irreparavelmente... morri. Morri porque sim.


***




Capítulo II - Aquele em que morri



(a concluir em breve, numa campa perto de si)

lixas tu ou lixo(-me) eu?

Se somos carpinteiros e alguém com influência diz na carpintaria onde trabalhamos, que fazemos grande parte do trabalho bem, mas lixamos mal as superfícies da madeira, é normal que todos escrutinem mais o nosso trabalho. Mais: se por acaso, no meio do stress de ter 333 cadeiras para fazer em alguns dias, lixamos mal uma perna da cadeira, reparam logo com grande facilidade... andaram à procura do erro.
Pior: comprovam, assim, a critica que foi feita, mesmo que tenha sido por alguém mesquinho e deturpador, só à procura de nos prejudicar ou ganhar uma qualquer vantagem. Mesmo que o Zé, o Xico, ou o Zé lixem bem pior, tenham várias cadeiras com superfícies mal lixadas (e ásperas), esses erros deles nunca vão ser tão enaltecidos, exultados, enfatizados. Passam ao lado com mais facilidade, encarados como erros normais no trabalho diário de um carpinteiro. Tudo depende do escrutínio.
Uma palavra pode lixar o melhor lixador de cadeiras, que ficará catalogado enquanto permanecer ali, mesmo que já tenha dado provas noutros sítios. Quando se procura muito os erros de alguém há muito escrutínio, se não foi nas primeiras 10 cadeiras, é na 11ª que se encontra o erro desejado. Assim, se comprova uma teoria mesquinha e grosseira à nascença. Assim, se lixa o lixador de cadeiras - curiosamente, o lixador que mais cadeiras produz por dia em toda a carpintaria, porque a isso é obrigado, e, por isso mesmo, mais fácil é encontrar um erro dele, já que ele lixou num dia 30 cadeiras e os outros lixaram 10.
Existe ainda o caso de, para um lixador, uma cadeira só pode ser lixada com lixa de tipo 3 (não há outra maneira), enquanto para um outro lixador mais criativo e com vontade de inovar, a cadeira fica bem mais suave com lixa 4. Logo, para o primeiro lixador só na lixa usada está já a existir um erro crasso - mais um motivo para dizer que o segundo lixador lixa mal, quando nada poderia ser mais subjectivo.
Conclusão... Hoje em dia é difícil ser lixador de cadeiras, ainda nos lixam bem lixados - e com uma lixa das grossas e àsperas. Nasty.



E esta foi a história do:


Lixador de Cadeiras

literary narration of my mind

idiossincrasias




do Gr. idiosygkrasía < ídios, próprio + sýkrasis, constituição, temperamento

s. f.,
disposição do temperamento de um indivíduo para sentir, de um modo especial e privativo dele, a influência de diversos agentes;
reacção individual própria a cada pessoa;

idiossincrasias

literary narration of my mind

to be or not to be...

ardiloso

sexta-feira, outubro 12, 2007

old days


Remember when we were young and great?


Depois de um dos dias mais intensos da minha vida profissional, não estou tão esgotado quanto pensei que pudesse ficar. Houve dias com menos coisas para fazer e mais esgotantes mentalmente. Talvez o facto de ter feito coisas que realmente deram prazer - embora não tenham saído exactamente como eu queria - ajudasse ao peso não ser tão grande.

Das 11h30 às 21h30. 10 horas num só sitio é complicado. Não é vida para ninguém.

quinta-feira, outubro 11, 2007

bom dia!

Sono. Sonhos. Cama. Deitado. Acordar devagar. Um pequenino barulho ao fundo. O som aumenta gradualmente. É o despertador. Está a tocar, espaçadamente, há três horas. Não ouvi nada. São 10h20. Como é possível?

could it be

Passaram-se 32 semanas em 15 dias. Será possível?

intensidades sonhadas :: vidas criadas

Pela primeira vez na minha vida - pelo menos mais a sério e com mais possibilidades de concretizá-lo -, dei por mim a pensar e sentir como seria ter filhos. Experienciar o nascimento (o homem só se pode preocupar), acompanhar o crescimento... Numa destas noites sonhei com isso. Com esse sentimento incrível e difícil. A partir do momento em que nasce, tudo muda, a vida ganha novas ramificações, preocupamo-nos com outra vida, como nunca nos tinhamos preocupado. Tive um claro vislumbre disso quando nasceu o meu irmão. Tinha 14 anos e isso mudou-me. Fiquei mais consciente e também ganhei um parceiro de brincadeiras tão doido quanto eu, já para não falar num jogador de bola de categoria, para me ajudar a partir os canteiros à minha mãe.

Tudo isto deve-se ao facto de duas amigas minhas e colegas de trabalho terem sido mães nos últimos 30 dias. O Guilherme nasceu a 11 de Setembro (de 2007) e, 27 dias depois, nasceu com oito meses o Vicente - a 8 de Outubro, esta segunda-feira. É incrível ver a mudança que estas gravidezes inesperadas (não estavam, de todo, previstas pelas mães) criaram nestas duas mulheres novas, da minha geração. É um claro indício que estou a envelhecer a olhos vistos, mas essencialmente é uma experiência nova para mim, acompanhar de perto e como amigo, a alteração de uma mulher, numa mãe. É, de facto, incrível. Tudo o que não se tinha, ganha-se de forma natural. Ambas ficaram mais cintilantes, curiosamente, mesmo se em alguns dias estavam mais carrancudas.

O nascimento de uma vida é uma coisa curiosa...

a noite não te define

Existem coisas que nos definem. Sou uma pessoa da noite. Tenho tendência para ficar acordado até mais tarde e tenho maior apetência para escrever, reflectir, sentir-me, pela noite dentro. Já de manhã, não só me custa levantar da cama (sou o que eu chamo, uma pessoa dos "só mais cinco minutos"), como ando ensonado grande parte das manhãs.

quarta-feira, outubro 03, 2007

momentos

Há fins-de-semana longos, estranhos, mais ocupados do que parecem e que terminam melhor do que alguma vez se poderia pensar. O passado foi um desses. Curioso como há momentos que revitalizam a mente humana.

domingo, setembro 30, 2007

Seatting here,
with laziness without end
Five o'clock, and these walls just moving closer
I scream out, that is over

we're just like superstars

O criativo David Fonseca tem colocado vários webisódios curiosos no seu blog sobre o lançamento do novo álbum. O meu preferido talvez seja o seguinte. Pelo ambiente à volta, a forma como está filmado, o que diz e como é reflexivo. Aquele campo de basquetebol parece-me ser em Leiria.

sexta-feira, setembro 28, 2007

há pessoas

Porque é que os falinhas mansas falsos conseguem-se safar?!
Porque é que as pessoas em geral não desconfiam deles e percebem que as mentiras constantes fazem parte de alguém que finge importar-se, mas só se finge importar-se se isso lhe puder trazer vantagens ou o coloque melhor na "fotografia". Quando acham que não estão a ser "filmados" (cerca de 95% do tempo) mostram o quanto se estão a cagar e tentam aparecer o menos possível. Curioso existirem pessoas assim.
Serão felizes com esse modo de agir? Sentem-se bem com elas próprias? Viver na falsidade, nas falinhas mansas, nos elogios constantes e irritantes que querem "comprar" a simpatia dos outros é bom?

heróis ranhosos

Quando estamos constipados o mundo é um lugar diferente. Tudo o que fazemos é feito com mais sacrifício. Exercício físico é para esquecer.

Facto positivo. A voz "rofenha" acaba por se tornar numa voz grave e profunda agradável e boa para locução. Pena que depois desapareça.

NOTA MENTAL: grava no novo ipod para mais tarde recordar.

terça-feira, setembro 18, 2007

imagens efémeras

Às vezes custa mudar. A mim, pelo menos. Comprei uma nova máquina fotográfica, bem melhor. Às vezes sinto nostalgia para com a antiga, velha e muito fraquita, mas que me deu tantas fotos e momentos para recordar. Foi a primeira, foi especial.


12 542 fotos (2,62 GB)


Este foi o número exacto de fotografias tiradas pela máquina antiga. Sendo que 3 800 foram tiradas em Itália este Verão. A máquina nova, comprada no último dia de Agosto, já tem 524 fotos para mostrar.

noites destas

O que não fazer numa noite de segunda-feira: correr atrás de uma barata asquerosa no quarto, depois de ela nos ter perseguido a nós.


A noite não será passada tranquilamente!

sexta-feira, setembro 14, 2007

ver-se a si próprio no futuro

Quando era pequeno imaginava-me de muitas formas quando fosse mais novo. Uma dessas formas era sempre com aspecto novo e jovial, mais do que os outros. Há pessoas que têm sempre características fisícas novas, não é o meu caso.

stoned imaculate

"I pressed her thigh and death smiled"

sexta-feira, setembro 07, 2007

o improvável

A 10 metros de colocar a chave na porta de casa para entrar, uma mosca entra em excesso de velocidade pelo olho adentro... e não sai... fica por lá presa. Depois de muito esfregar e, a cambolear, entrar em casa e na casa de banho, para chapinhar àgua no olho, lá consegui tirar o bicho... brrrk.

isto é... muito azar!

"Ontem estraguei umas calças e as minhas sapatilhas novas ficaram todas feias. Estava a transportar uma impressora e o tinteiro rebentou. E a camisa ficou suja nas costas porque foram contra mim com uma fatia de bolo de chocolate. Hoje, cortei-me e sujei os calções com sangue."

um amigo meu

Porque é que a mesma provocação/laracha tem imensa piada com uma pessoa e não tem piada nenhuma com outra?

sábado, setembro 01, 2007

roteiro a não repetir... até porque a vida sem trabalho é espontânea, mesmo quando é secante


Relatório do dia


10h00. Mãe acorda-me para pedir a chave para ir tirar o meu carro (emprestado) do sitio, para o dela poder passar. Acabo por ser eu a lá ir de pijama e meio a dormir. Volto à cama com a pressa de um sonâmbulo.

10h59. Começo a espreguiçar-me violentamente na cama. Uma actividade perigosa e que não é aconselhada a pessoas não profissionais e sem formação só possível com anos de prática e talento natural, claro.

11h15. Uma mosca ataca-me com fervor o elo mais fraco do corpo quase todo protegido, o nariz! Falha a tentativa de penetração, e leva uma valente enchotadela, perturbando-me os sonhos que já fraquejavam em qualidade. A partir daqui foi só preguiça de levantar que impediu a manobra de içamento da cama.

11h28. A operação de içamento começa. O computador e a fome chamam. Levanto-me devagar, como é timbre de um dia de fim-de-semana ou quando há interrompimento abrupto de sonhos profundos, pela manhã. Segue-se uma ida ao wc, fazer o primeiro descarregamento liquído, motivo de grandes festejos ao mesmo tempo que o descarregamento é feito... os braços são erguidos no ar com o entusiasmo de uma vitória do Chelsea sobre o Liverpool.

11h30-12h28. O computador continua a trabalhar sozinho e eu a olhar para ele... vejo a revista de imprensa e sigo para a cozinha, onde os flocos me aguardam, quentes, achocolatados e açucarados, como se gosta. O arroto de bom apetite anuncia a chegada do despertar completo. É oficial! Já não estou a dormir! Começo a ver o primeiro episódio de uma série desconhecida que tirei durante a noite, chamada Greeks. São 40 minutos de boa disposição sobre um jovem geek e de origem greek (grega), que chega à faculdade e tenta entrar nas estilosas faternidades com algumas dificuldades. É uma série agradável e que foi uma bela surpresa (descobertas...)!

12h29-12h40. Mistura de actividades, em andar pelo computador sem fazer nada de útil para humanidade, muito menos para a minha pessoa (que, curiosamente, também pertenço à humanidade, embora seja contra a minha vontade... regimes fascistas opressores, brrk), e trocar umas bolas com o mano mais novo lá fora, no quintal. De pijama joga-se melhor, era o que deveriam de fazer todos os jogadores do Benfica (se bem que eles já têm uns pijamas cor-de-rosa).

12h45. Combina-se pelo telefone uma ida inevitável à praia. A excepção confirma a regra e, hoje esteve sol e calor, sem vento... perfeito para a playa. Tudo acontecimentos contrários a 90% de Agosto, um mês muito fraquito...

12h55. Cheira a almoço. O pai gourmet, chef especialista em especialidades (sempre desejei poder dizer esta expressão e agora encontrei a ocasião - oops, rimou) hoje chegou à conclusão que o almoço deveria ser frango. Então, os homens da casa (o meu pai e o meu irmão) foram comigo ao supermercado mais barato de Portugal (segundo a DECO), comprar o franguinho e batata frita. Claro que aproveitei para me abastecer de alguns mantimentos para a selva lisboeta, até porque não era eu a pagar.

13h35-14h20. Não sei quantas embalagens de bolachas que fazem mal que se farta depois, chegámos a casa com os sacos e o almoço começou a ficar em exposição na mesa. Um convite ao primo preferido para ir à praia (acabou por não poder ir para poder falar com o seu amor da Costa Rica, compreende-se) e uma passagem para ver o status do trabalho do computador, e siga para a barriga. O frango era tenro, mas não enchia muito. A meloa no final da refeição, ajudou definitivamente a compor as coisas (e também uma pequena sandes de queijo...).

14h30-14h40. Finda a refeição global, mais computador para nada de interessante... mais umas notícias (ando viciado nelas) e mais trabalho do computador sozinho. Minutos depois, chega a companhia de playa num bólide azul escuro, colheita de 2001, mas comprado em terceira mão há uns meses por uma módica quantia, motivo de algumas conversas. A companhia de playa conversa com a minha mãe até demais (conversa habitual sobre o clima, claro, mas pormenorizada ou não fosse um especialista na coisa!), eu vou arrumando a mochila, com toalha, o livro que não vou ler (não me apetece muito) e o telemobile, tal como a carteira por motivos de carta.

14h55. Partida para a playa, Supertubos (ao lado de Peniche) é o destino como sempre nos últimos anos. Uns quilómetros de auto-estrada dão para testar o anjo branco (M3) em que viajamos. Vou a conduzir, claro. Na rádio ouve-se a habitual TSF (o cd-mix de Maximo Park e Arcade Fire vai a descansar). Entre a conversa, limpo os vidros que vão levando umas pequenas cagadelas de pássaro, os presentes de deus que nos ajudam a perceber que os carros são apenas um bem material.

15h25. Chegada a Supertubos. Felizmente estão poucas pessoas, como esperado. Fácil encontrar lugar para estacionar. Umas babes vão à nossa frente, e o companheiro de playa, vai indicando os motivos pelos quais elas deveriam preferi-lo a ele e não a mim (vem na sequência dos habituais comentários simpáticos da mãezinha sobre a forma como me visto, momentos antes). Claro que aos mais fracos não devemos contrariar (tal como aos malucos), por isso não respondi, tendo apenas a certeza que as babes me prefeririam a mim, mesmo com uns calções à nadador-salvador.

15h30-17h25. Finalmente o estacionamento de eleição. Aquele dos pés na areia, toalha estendida, t-shirt despida, e emot na vida (aquela que sabe bem). Sentado na toalha, observa-se quem está à volta e as cores do mar e do horizonte (onde jazem as belas e inesquecíveis Berlengas). A conversa começa. Sobre a vida actual, triunfos e desilusões. Compras recentes, compras a fazer. Nem sempre se concorda, estranha-se à vezes (conversa de metrossexual nunca fez o meu género), mas conversa-se pela tarde dentro, com o sol forte e a cabeça deitada, quase a dormitar que hoje sabe tão bem! Muda-se de posição, roda-se o corpo, vê-se quem anda ali por perto. Observam-se os hábitos, conversa-se, atira-se areia.

17h30-18h. A hora da verdade: o banho! Água fria, mas cristalina e apetecível. Poucas ondas (o que não é frequente no meu Oeste de eleição). Pé ante pé, entra-se no gelo da água. Atira-se água ao companheiro de playa, claro, e mergulha-se com estrondo. Que frio! Mas que bom! Umas braçadas, uns mergulhos, e o adeus à água fria (é pena), até porque o companheiro de playa aguenta pouco tempo.

18h05-18h50. Mais conversa e sol, na toalha. E descanso, até porque amanhã trabalha-se (o primeiro dia a sério desde o final de Julho).

19h. O gelado da praxe culmina o dia de praia jeitoso. Infelizmente o preço está inflaccionado por ser na praia, algo que é ilegal (onde andam as senhoras da ASAE [sim, são sempre senhoras inspectoras as chefonas], hein). Chegados ao carro, três grandes cagalhões (literalmente cagalhões) de pássaro enfeitam o unicórnio branco em que viajo. Regresso ao Lavradio, ao vale encantado, com o mesmo exercício de limpamento de vidros pelo caminho.

19h35. Não apetece ir tomar já banho. Uma das paredes de casa serve de baliza, enquanto eu me divirto a marcar golos memoráveis em estádios cheios. A corrida e fintas, os remates de longe e as viagens para ir buscar a bola a cascos de rolha fizeram-me transpirar (algo nada difícil).

20h-21h. Entre mais actividades sem qualquer utilidade pelo computador, olhar para a TV para ver algumas notícias dos noticiários e ver que começou a final do festival da dança europeu, a família acaba por escolher por mim a final da dança, à espera da representante lusa, Sónia Araújo. Irmã, irmão jazem pelo meu quarto, à minha volta, a ver o programa... vemos um pouco, damos a opinião sobre aspectos, vestimentas e formas esquisitas de dançar. Chegam os pais. O pai chef começa a janta. Antes disso, aproveita e fala na minha ideia para uma série de televisão sobre um grupo de jovens dos anos 70 que queria ter uma banda de rock. Dá mais algumas sugestões de músicas da época também para ouvir, os Genesis de Peter Gabriel, e o álbum Selling England by the Pound, ou os Black Sabbath.

21h10-21h30. Com a janta pronta (espetadas com batata frita daquela larga e caseira, bem boa), decido: vou tomar banho! Primeiro problema grave, não há champô (outra vez). Umas palavras de reclamação com a resignada mãe, e parto para a outra casa de banho em busca de champôs perdidos. Trouxe três embalagens, todas quase sem nada. Consigo misturar água com os restos de uma das embalagens e ter espuma à campeão. Saído do banho todo nú (apeteceu-me realçar o facto, não é todos os dias que dizemos que andamos nús), apresso-me a vestir cuecas e pijama para poder comer o manjar e ver a prestação da portuga, como a família quer.

21h40-22h30. Os pontos dados a Portugal são festejados com braços no ar e berros de vitória, especialmente dos três 12 pontos que conseguimos (bem melhor que o festival da canção). Depois da família ameaçar bombardear Espanha se não dessem pontuação máxima, os vizinhos espanhóis lá nos deram os merecidos 12 pontos, motivo de grande regojizo, tal como nós lhes démos a eles (que até nem mereciam).

22h40. Fala-se em família. O mano mais novo impertinente e irrequieto, desejoso de sair de casa, tenta convencer-me com fervor a ir ao antigo Café Central comer um crepe com chocolate. Mas o pijama e a pouca vontade de sair (e o facto de mais ninguém alinhar) impede a saída.

23h-00h50. Computador. Escreve-se uns posts no blog depois de ver mais umas notícias. Pensa-se um pouco na série que se tenta imaginar. Vê-se TV. Fala-se. Escreve-se este post. Termina-se este mesmo post.

E a seguir? Provavelmente mais TV, vê-se uma série de TV guardada no computador, come-se mais qualquer coisa e espera-se pela manhã de domingo (dia de trabalho pela tarde), enquanto se fecha os olhos na cama e se sonha com um local remoto, ou aventuras por perto.



Nota mental do dia: olhando para o dia em retrospectiva reparo que hoje não caguei (serei normal?), mas por outro lado, os pássaros (do sul ou do raios que os partam) cagaram-me o carro todo... deus caga direito por pássaros tortos.

segunda-feira, agosto 27, 2007

em crescimento

Acontecimentos esporádicos desencadeiam pensamentos inquietantes na mente do jovem em crescimento.

A morte de um ex-professor que não o marcou propriamente (bem menos do que outros professores, de outras alturas, menos conhecidos mas igualmente apaixonados), um homem de ideias fixas, de argumentos sólidos e, aparentemente, de bem com a vida. O jovem em crescimento interroga-se das escolhas deste homem, na sua missão e dedicação ao seu trabalho, às suas leituras, às suas filosofias, opiniões e aulas. Na forma como a vida pessoal poderá ter sido condicionado pelo amor a esse trabalho, a essa missão, que fazia parte dele. Apesar de adorar mulheres (teve três ex-esposas), teve sempre no seu trabalho a prioridade (pelo que parece perceptível). Apesar disso, era positivo, acessível e bem disposto, não se afastando de desafios diferentes, apesar de estar num meio onde isso é pouco habitual e até, talvez, mal visto, o meio academista (tão elitistas por vezes). O jovem em crescimento questiona-se quais as escolhas que este homem tomou para chegar onde chegou... se foi tudo consciente... o que queria ele fazer com a sua a vida... o que o motivava. Quereria deixar marca? Distinguir-se? Acha que conseguiu? Era um homem fisicamente estranho (curioso como nunca se fala no aspecto fisico deste tipo de pessoas, mas isso também os faz, em parte), muito baixo, gordo, mas isso, apesar de lhe ter trazido dificuldades (especialmente as fisicas, que o jovem viu acontecer), não parecem ter afectado o seu positivismo e mesmo a confiança como falava e argumentava sobre aquilo em que acreditava. A pergunta permanece sem resposta: Quais as escolhas e porquê?


Um filme, muito conhecido entre os cinéfilos, um autor multifacetado e muito jovem no seu sucesso suscitam mais dúvidas no jovem em crescimento, em busca de respostas para a sua vida mas questionando quais terão outros feitos para chegarem onde chegaram... e será que tomaram as mais correctas... Noutro continente, noutro país, o homem brilhante e inteligente tinha o dom da palavra: escrita, radiofónica e cinematográfica (também sabia pintar muito bem). Conseguiu cedo o que muitos não sonhariam uma vida inteira... a promessa de muito mais acabou por perder-se, em projectos que nunca terminaram e não passaram disso mesmo, promessas. Pelo que é dado a ver ao jovem, este velho jovem que morreu em 1985, tinha essencialmente o dom do timing. Sabia provocar, inventar, contar histórias e imaginar mundos que não existiam, mas que poderiam muito bem ter existido. Celebrizou-se no cinema não com um filme sobre um homem rico e bem sucedido que ajudou quem precisava e não quis nada em troca com isso. Mas de um homem que o destino encarregou de dar uma grande fortuna e, partindo de ideias puras e minimamente solidárias, perdeu-se em vaidades e egocentrismos... um homem rico, mas que faliu os seus próprios sonhos iniciais, a pequena criança que foi (simbolizada através de um pequeno trenó da marca Rosebud), antes da riqueza vir na idade adulta.
Mais perguntas assolam a mente do jovem em crescimento. Por onde ir? Valerá a pena dar a volta à rotunda e seguir por outra estrada. Já todas foram tão viajadas, tudo é possível, onde jaz a decisão menos conflituosa com o seu espirito. Depois de tantos caminhos já escolhidos, ainda muitos estão por escolher. A frase que aparece noutro filme, inesquecível, "eu escolhi a estrada menos viajada" ficou na memória, só que já não há estradas menos viajadas...


Só que o jovem em crescimento já não seja um jovem, embora ainda esteja em crescimento.






o futuro é agora
tudo pode ser encontrado

fea

Sinto a necessidade de voltar a tempos antigos, a mentalidades antigas, a liberdades de espiríto antigas, a imaginação antiga, a força antiga, a inquietações antigas, a filosofias antigas, a esperanças antigas.






o futuro é agora
tudo pode ser encontrado
Sinto a necessidade de não estar aqui, ao computador a escrever isto. De não ver televisão durante 10 anos. De não ir ao centro comercial durante 20. De não falar durante uma semana. De não ter telemóvel. De não ficar parado... correr durante 1 mês, sem parar.

regressar

Viajar para outro país, outra cultura, dá-nos uma sensação de alheamento da nossa realidade. Estamos noutra. Diferente. Longe do hábito. Da língua. Das pessoas do quotidiano. É bom e às vezes não apetece regressar.

quinta-feira, agosto 16, 2007

amphitheatrum flavium


prego

Regressar de Itália de férias para os hábitos antigos é estranho mas reconfortante. Se não fosse sair muito mais caro, gostaria de ficar mais tempo por Itália. Ver as coisas com mais calma. Um mês inteiro não era nada mal pensado. A rotina voltou, mas a memória de uma viagem inesquecível dificilmente desaparece.

quarta-feira, agosto 08, 2007

holidays

De ida para Itália, as férias chamam. Para quem estiver a ler, aproveitem bem o Verão, já está no final. Mesmo a trabalhar, aproveitem o sossego desta altura. Até.


Voltar a andar de avião... de noite. Ui. Espero sobreviver. Se for esse o caso, cá nos vemos dia 15.

segunda-feira, agosto 06, 2007

liberdade das amarras

Domingo à noite. A sensação de não ter trabalhado hoje ou ter de trabalhar amanhã é simplesmente libertadora. Férias sabem bem por isto, especialmente quando estou na terrinha.

domingo, agosto 05, 2007

over there there's some friends of mine



"Well over there there's friends of mine
What can I say, I've known 'em for a long long time
And yeah they might overstep the line
But I just cannot get angry in the same way
Not, not in the same way
Not in the same way
Oh no, oh no no"

Arctic Monkeys, A Certain Romance

gummi bears



Memórias de uma infância dos anos 80. Gummi Bears.