domingo, junho 15, 2008

ready, set... lift off to the skies of africa

As experiências assustadoras e as boas podem muito bem andar de mãos dadas. Entrar no cockpit de um avião e assistir à descolagem pode ser um desses momentos. Sim, lá atrás nos lugares de passageiro podemos ir nervosos, mas não vemos a totalidade da situação. A partir do momento em que vemos alguém que conduz o avião em que vamos nervoso e frenético pensamos...
Houston... I HAVE A PROBLEM!!

O cockpit é tudo aquilo que já vimos nas fotos. Só que mais pequeno, com mais botões ainda e um pouco mais velho. Na verdade, muito do cockpit assemelha-se a um carro pequeno, com estofos já um pouco idosos, muito pouco espaço para o que quer que seja, tudo muito ocupado e atolado, desde os biliões de botões e alavancas, que preenchem por completo a parte à frente dos pilotos, o espaço entre os pilotos e... o tecto. Eu vou uns centímetros atrás do comandante do avião e do co-piloto. Ambos homens que parecem experientes, pelo menos na idade (já evidenciam os seus vários cabelos brancos). O banco em que me sento é velho e com dimensões semelhantes a uma cadeira de bebé. Os meus joelhos, mesmo encolhidos, batem nos ferros onde está a consola entre piloto e co-piloto (imagino se fosse alto...). Coloco o cinto obrigatório, que tem uma segurança igual à de uma corda esfarrapada.
Comandante e co-piloto, ainda em frente à fachada principal do minúsculo aeroporto, fazem os checks. Têm uma lista do que é preciso verificar. Têm dados (coordenadas, altitudes, etc) para colocar no computador de bordo - vão falando em voz alta os valores que vão colocando para ficarem registados na caixa negra do avião (não me agrada pensar nisso). Quando entrei ninguém me disse nada.
O ambiente é tenso e profissional. Não há tempo a perder, nem para um bom dia (no dia anterior tinha estado no cockpit em plena viagem no ar e falou-se muito em ambiente descontraido). Mexem em botões, muitos. O avião começou a andar para a pista. Só existe uma, só existe um avião em movimento, tudo à volta da pista são ervas bem altas... nada disto inspira confiança. Piloto e co-piloto nunca descolaram deste aeroporto remoto... o que também não inspira confiança.
A tensão cresce à medida que nos aproximamos da pista. Vejo tudo, desde a vista total do que se passa lá fora até ao que se passa cá dentro. Vejo como giram as rodas do avião, como o co-piloto está a suar e visivelmente atrapalhado e o comandante está mais tranquilo mas também muito concentrado.
Ambos ajeitam com pormenor e cuidado os seus bancos para terem a distância ideal para os pedais. O co-piloto faz o movimento de puxar o banco para a frente e para trás umas dez vezes (bate nos meus joelhos várias vezes, mas já ignoro isso, entre as minhas pernas estão mais uns comandos, penso em mexer nos botões... vontades infantis que controlo, naturalmente, o nervosismo é grande)... não inspira confiança... sente-se muita tensão.
O avião está na posição certa. Vão falando com a torre de controlo (não há torre propriamente, mas pronto). O inglês dos pilotos está longe do perfeito, mas da torre de controlo parece ser pior, pelo que consigo ouvir.
A linguagem utilizada só não me põe a rir às gargalhadas porque muito nervoso. Charlie Eco Alfa Romeu são algumas das palavras que vão deambulando pelo ar, em tom tenso, para confirmar as coordenadas utilizadas... Começo a imaginar as palavras engraçadas que o co-piloto vai dizendo com todas aquelas letras com palavras associadas. Chega a dizer coisas com sentido, no meio de tantas expressões...

Está tudo a postos. O avião começa a fazer mais barulho. O co-piloto ajusta outra vez o banco. O nervosismo cresce. Ambos pegam com intensidade nos comandos do avião. O avião parte a grande velocidade. O piloto vai carregando em botões e alavancas muito rapidamente e à pressa... O meu corpo tenso é empurrado contra o banco minúsculo. Os comandos do avião começam a ser puxados para trás rapidamente e o avião começa a levantar-se do chão...
A ADRENALINA é impressionante e a vista também. Estamos a voar. Há alguma trepidação. O ponteiro da altitude dá voltas de 360º contínuas e frenéticas. Estamos cada vez mais alto. A vista do céu começa a ser também de terra. É deslumbrante. A tranquilidade e os suspiros de alívio estão a instalar-se. Uffa! O comandante sugere-me que me sente no outro banco atrás dele, mais junto à janela esquerda e com vista mais a pique. Um bom conselho. A vista é incrível e muito mais "real", preenchida e completa do que nos lugares normais do avião. A sensação é mais autêntica. Estamos mesmo a voar. Não se trata de imagem que está do lado de fora e nos engana... é mesmo real. A altitude. A sensação.

Lamento para com os meus botões não ter trazido a máquina fotográfica (não era permitido). Encosto a minha cabeça ao vidro. Sinto o ar a passar a grande velocidade do lado de fora. É impressionante. Aproveito e interiorizo a experiência... a decorrer. Sempre acompanhado pela vista incrível sob a planície e as montanhas do Atlas africano.
Em poucos minutos que mais parecem poucos segundos chega a vista sobre as grandes cidades... como Tânger... e as praias. A linha da costa junto ao mediterrâneo é incrivelmente direita com, aparentemente, poucas encostas e praias a perder de vista (são km e km e km sem ausência de areia). A costa começa a ficar cada vez mais para trás e já só vemos mar (junção entre Atlântico e Mediterrâneo)... e nuvens.
Em poucos minutos começamos a ver o que parece ser a costa algarvia. É aí que um dos assistentes de bordo bate à porta. Entra. E convida-me a sair. De saída do cockpit, há algo diferente. Há a forma como me sinto... mais "cheio" de qualquer coisa nova e intensa. E há o sorriso nos lábios que não consigo evitar nem esconder e que não é indiferente aos outros passageiros que estranham ver-me a sair daquela zona.

Sobrevivi e experienciei. Para recordar.

quinta-feira, junho 05, 2008

africa, africa, africa, africa

"Há qualquer coisa em África". A frase já a ouvi algumas vezes pronunciada por pessoas que nasceram em África, viveram em África e outras que apenas foram lá algumas vezes. A verdade é que mesmo só tendo saboreado um pouco do norte africano, sinto essa "qualquer coisa" que se cheira, se experiencia. É um universo à parte.

viajar no tempo e no espaço *

Quando voltamos de uma experiência cheia de cheiros, olhares e forma diferentes de viver não conseguimos olhar para a realidade do dia a dia da mesma forma. Há qualquer coisa diferente nas ruas por onde passamos diariamente. Algo mudou. E foi em mim. Provavelmente é só durante umas horas. Uns dias. O tempo cura tudo. O tempo estraga tudo.



* Marrocos :: Fes

quarta-feira, maio 28, 2008

o corpo é que paga... por isso há que massajá-lo


O corpo é composto por toda uma complexidade incrível. Quando não temos problemas de saúde, somos novos e embrulhados na rotina de um trabalho e de uma vida temos a tendência de ligar pouco ao corpo na sua essência.
Uma longa e bela massagem serve, por isso mesmo, para relaxar completamente e nos voltar a colocar em contacto com o nosso corpo, dos dedos dos pés, passando pelos gémeos, coxas, dedos, mãos, braços, barriga, costas (de um ponta à outra, ombros...). O mais curioso numa massagem por um profissional é que existem uma espécie de regras implícitas que não nos são explicadas.
Entramos numa sala com luz de intensidade reduzida, com uma mesa, música ambiente e decoração a condizer com o ambiente zen. Dizem para nos despirmos completamente e colocarmos roupa interior fornecida por eles (uma cueca descartável muito fina) e saem da sala. Depois de nos colocarmos em cima da mesa naqueles trajes e com umas toalhas por cima, a massagista entra e inicia a massagem. É mais de uma hora de muitos movimentos para libertar toda a tensão em cada um dos nossos músculos e articulações. Brilhante e relaxante! A regra é ficar quieto e deixar-nos ir... naquele momento. Olhos abertos ou olhos fechados? Não faço ideia, só sei que a massagem vai pedindo aos olhos que se fechem e gozem o momento.
Depois a massagista sai e toca a limpar do óleo que percorreu o nosso corpo e vestir. Ainda há tempo para beber um cházinho oferecido, sem açucar e que amantes de açucar como eu não conseguem acabar de beber - curiosamente o chá de gengibre colocou a voz muito grave, de forma estranhamente agradável!


Ter alguém a mexer no nosso corpo é estranho, mas ao mesmo tempo natural. Estamos expostos e, por isso, existe uma preocupação em manter a privacidade, o distanciamento e o ambiente seguro para que consigamos relaxar completamente. É uma bela experiência!

sexta-feira, maio 16, 2008

warum?

Porque é que os pais, em qualquer país do mundo (ou pelo menos em todos aqueles que eu conheço) têm a tendência de chamar os filhos pelo nome completo quando estão zangados com eles?????

incomensuravelmente*

Quando eu for grande e for pai de um ou mesmo dois filhos, quero levá-los para a tasca mais próxima, de preferência sob a forma de uma associação recreativa que de desportiva não tem nada e que fique mesmo no centro da cidade, com muitos prédios à volta, por cima e dos lados. Logo de pequeninos, quando eles tiverem uns 4 ou 5 anos, quero ir passear com eles à bela associação todas as sextas e sábados bem depois das 22h e 23h. Com uma cerveja na mão e em plena entrada da associação, porque cá fora é que se está bem, quero poder incitar os putos a jogar à bola em plena noite, dando urros de alegria quando acertam no esférico, e gritos de riso quando conseguem acertar numa janela. O segredo está no barulho. Quando eles não querem, quero poder insistir e ralhar com eles, enquanto bebo a 8.ª cerveja da noite.

É com isto que sonho todas as noites, quero ser este homem.

Quem sabe um dia, um dos putos não se torna o Cristiano Ronaldo e eu possa compensar com muito dinheiro todos os vizinhos que incomodei com a minha estupidez bronca e incomensuravelmente cretina e parva.

Resta-me dormir, ou pelo menos tentar, e sonhar, ou pelo menos tentar, em ser um senhor assim.




* PS: acho que há manifesta falta de tacos de beisebol (pelos vistos em português escreve-se assim) em Portugal! Há pessoas que têm atitudes, seja comandando apenas os seus corpos ou um carro, que revelam clara impunidade no dia-a-dia. Se todo o português, mesmo o pacífico, tivesse um taco de beisebol no carro ou em casa e o usasse, uma vez por outra, num destes indivíduos cretinos talvez esses mesmos sujeitos pensassem duas vezes antes de serem exteriorizarem toda a sua parvoíce. Pelo menos iria passar-lhe pela cabeça:
"Bem, se o semáforo fica vermelho e este gajo tem um taco no carro, estou f*did*!!!"

incomensuravelmente*

Quando eu for grande e for pai de um ou mesmo dois filhos, quero levá-los para a tasca mais próxima, de preferência sob a forma de uma associação recreativa que de desportiva não tem nada e que fique mesmo no centro da cidade, com muitos prédios à volta, por cima e dos lados. Logo de pequeninos, quando eles tiverem uns 4 ou 5 anos, quero ir passear com eles à bela associação todas as sextas e sábados bem depois das 22h e 23h. Com uma cerveja na mão e em plena entrada da associação, porque cá fora é que se está bem, quero poder incitar os putos a jogar à bola em plena noite, dando urros de alegria quando acertam no esférico, e gritos de riso quando conseguem acertar numa janela. O segredo está no barulho. Quando eles não querem, quero poder insistir e ralhar com eles, enquanto bebo a 8.ª cerveja da noite.

É com isto que sonho todas as noites, quero ser este homem.

Quem sabe um dia, um dos putos não se torna o Cristiano Ronaldo e eu possa compensar com muito dinheiro todos os vizinhos que incomodei com a minha estupidez bronca e incomensuravelmente cretina e parva.

Resta-me dormir, ou pelo menos tentar, e sonhar, ou pelo menos tentar, em ser um senhor assim.




* PS: acho que há manifesta falta de tacos de beisebol (pelos vistos em português escreve-se assim) em Portugal! Há pessoas que têm atitudes, seja comandando apenas os seus corpos ou um carro, que revelam clara impunidade no dia-a-dia. Se todo o português, mesmo o pacífico, tivesse um taco de beisebol no carro ou em casa e o usasse, uma vez por outra, num destes indivíduos cretinos talvez esses mesmos sujeitos pensassem duas vezes antes de serem exteriorizarem toda a sua parvoíce. Pelo menos iria passar-lhe pela cabeça:
"Bem, se o semáforo fica vermelho e este gajo tem um taco no carro, estou f*did*!!!"

quarta-feira, maio 14, 2008

massa dorida

Há dias em que o cansaço parece invadir cada pequeno grão de massa cinzenta do cérebro. Hoje é um deles!
O excesso de trabalho tem destas coisas. Só é pena quando estamos a ser explorados.

sábado, maio 10, 2008

olha para mim

Já há algum tempo que não falava contigo. Se calhar porque as semanas passaram e até não se tem estado nada mal. O tempo passa a cavalgar, mesmo a galope, é certo, mas não têm havido chatices de maior. Respira-se bem. A certeza é que nunca nada está a 100% por muito tempo, especialmente quando se convive com pessoas. Especialmente quando se convive muito tempo com poucas pessoas. É um pouco o efeito do livro 1984, de George Orwell, estar fechado num sítio com os mesmos indíviduos torna as vivências mais à flor da pele. Mais cedo ou mais tarde vêem os bateres do coração mais rápidos. As pessoas, aquelas que não nós, trazem-nos alegria e euforia, mas também nos trazem stress e tristeza. Claro que nós temos sempre a nossa quota parte, seja na alegria seja na desilusão. És assim, como eu. Vives assim, como tu.
Somos assim, como nós. Respira fundo.

domingo, maio 04, 2008

saber dar

Se não fossem as mulheres não existiria cerca de 87% da solidariedade que existe, actualmente, no mundo.
Exemplo disso é a iniciativa do Banco Alimentar Contra a Fome, liderado há seis anos por Isabel Jonet. Ontem e hoje ao passar-se por um hipermercado ou supermercado era fácil encontrar várias mulheres a comprarem coisas apenas e só para o Banco Alimentar, colocando num saco dado à entrada. Curiosamente nos voluntários do Banco Alimentar já se vê mais rapazes ou homens.

sábado, abril 19, 2008

quarta-feira, abril 09, 2008

o ponto de partida :: i need the feeling touch

birthday

Este post foi agendado pelo novo serviço do Blogger, pelo que não estou aqui, frente ao computador a partir do momento em que este texto aparece aqui pelo blog (18h25). Estou longe, muito longe, de ecrãs e da vida cibernética. Estarei impregnado em vida, na minha vida. De preferência que não seja enquanto procuro as hortaliças num hipermercado qualquer do nosso país, mas sim numa qualquer ilha paradísiaca e remota como, por exemplo, as Berlengas.

Nestes momentos gosto de me recostar para trás na cadeira da vida e pensar. Pensar no que vou fazer a seguir e porque não cheguei onde queria até ali, àquele momento que não significa nada para mim, mas ao mesmo tempo significa tudo. Esse momento significa que o mundo não pára por nós e os anos também. O fim do meu ano é hoje. O princípio de um novo ano é às 18h25 desta quarta-feira que, por acaso ou nem por isso, é o dia 9 de Abril.

Estou a escrever estas palavras recostado na cama. A lutar com os olhos para se manterem abertos (custa!). Daqui a pouco é uma da manhã do meu dia. A nível legal os 27 já ninguém mos tira, nem que venha agora aqui um carjacker qualquer com uma bela e lustrosa catana e me atire desta para (provalmente ou nem por isso) melhor. Já do ponto de vista teórico só chego aos 27 (que idade tão feia) às 18h25. A essa hora tudo me pode ter acontecido... tudo menos estar aqui, a olhar para isto.

emot,
Pensa (mentos) melhor para mais um ano de vida.
É caso para dizer, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.






PS: Parabéns e obrigado mãezinha por me teres colocado no planeta Terra. Quem sabe se ainda não faço alguma coisa de jeito com os minutos e horas que me restam por aqui.

i'm looking at you


sábado, abril 05, 2008

where is my mind?

Promessas a nós mesmos leva-as o tempo

i choose the last travelled road

Há um certo encanto secreto em fazer aquilo que os outros não fazem. Ir para um campo que só está habituado a ver jogar futebol... atirar umas bolas ao cesto de basquetebol e jogar badminton é um dos grandes prazeres da vida. Descobri isso recentemente. Nunca aquele parque e aquele campo viu gente a jogar basquetebol e badminton, mesmo que tenha condições para isso...

terça-feira, abril 01, 2008

creator of life

Uma noite perfeita é fazer e não pensar em fazer.

i'm only happy when i'm dancing

Tenho três meses de vida. O que é que eu vou fazer com os dias que faltam?




Na verdade, o que fizer com os últimos 90 dias do meu fôlego e do meu corpo irão definir a minha pessoa para sempre.


* pergunta de uma vida

remember the days of the old school yard?

Quando vivemos apegados demais a bens materiais somos mais limitados. Facilmente vivemos em maior sobressalto ou mesmo stress. Temos mais a perder e pouco a ganhar. Quem se liberta desse peso monstro sobre os ombros respira com maior fluidez, sente a vida com mais plenitude e menos aperto. Não é tão afectado quando algo corre mal.

Quem me dera ser um optimista. Quanto muito, contento-me com algum positivismo ocasional.

let's make a bite to remember, from january to december

deixar um bocado de vida passear pela nossa boca, maravilhas as nossas papilas gustativas, dar-lhes cor e substância é um dos pequenos prazeres da vida. comer para sobreviver pode ser uma necessidade, mas não há qualquer obrigação quando me delicio com um pedaço de bom caminho que vai de uma bela refeição a um saboroso pedaço de bolo, não muito doce, mas doce o suficiente para me fazer sorrir, enquanto provo de olhos fechados. parece que nos preenche a boca e o espirito por completo.

segunda-feira, março 31, 2008

Tomé, o incrédulo

mundos urbanos cruéis e duros

O acto de um ser humano provocar dor a outro ser humano de propósito ainda é algo que me surpreende hoje em dia, quase 27 anos depois de ter visto a luz do sol pela primeira vez. Se bater noutra pessoa ou matá-la, muitas vezes para não roubar nada ou meia dúzia de euros é desnecessário e cruel, roubar ou estragar o que é dos outros também consegue ser igualmente mesquinho e triste. Ainda para mais quando se ganha pouco ou mesmo nada com isso... só para se deixar marca no dia, semana, mês ano ou mesmo vida de outra pessoa. Essa marca fica e custa passar. É a incompreensão que mais dói. A falta de necessidade de se entrar por ali, partir, estragar, fazer mossa. É ainda um acto cobarde e ainda mais parvo quando não há nada de nada para roubar.

Foi preciso para Lisboa para sentir essa injustiça ignóbil e revoltante na pele. Foram precisos seis anos a viver na capital do país para experienciar isso mesmo de forma directa. Roubaram-me uma scooter nova em 2005. Nunca apareceu. A polícia nunca disse nada a propósito da queixa. Dúvido muito que tenham, sequer, tentado procurar. Foi uma perda que me marcou. Que evitou que me metesse noutra tão cedo. Que me revoltou profundamente contra alguém que não conheço, contra um modo de vida que não compreendo de maneira nenhuma.

Desde então já senti outros efeitos criminosos. Foram desagradáveis e irritantes só não foram mais chatos porque aconteceram em viaturas que não eram minhas. Partiram o vidro de uma porta lateral de um carro que estava a testar numa madrugada em 2007, para roubarem o rádio. Agradeço a todos os santos, se é que existem, pelos sacanas não se terem lembrado (ou não terem tido tempo) para irem à bagageira, onde estava a minha mala cheia de objectos pessoais e ainda o meu computador portátil, onde estava grande parte da minha vida. Acatei o aviso e aprendi a lição. Desde então nunca mais deixei nada de valioso num carro, nem por uma hora sequer. É um alvo fácil para os nojentos que habitam o planeta. Recentemente partiram um vidro pequeno de mais um carro que não era meu junto ao Colombo, enquanto fui lá com a minha irmã (umas duas horas longe do carro). Tentaram espreitar a ver se havia alguma coisa na bagageira... mas não havia nada. Não roubaram absolutamente nada.
Hoje de madrugada foi uma amiga minha que chegou ao carro e deparou-se com o seu Renault Clio já antigo vítima de tentativa de arrombamento da porta. Provavelmente por pé de cabra. Agora não consegue abrir a porta por fora e tem a porta danificada. O que roubaram? Absolutamente nada, até porque não havia nada para roubar.

Mas qual é a motivação de escumalha que faz isto? O que ganha? Porquê perturbar tanto a vida de quem não se conhece?

segunda-feira, março 24, 2008

rotineiro

custa voltar à vida normal. ao stress diário. à rotina efervescente e desmoralizante.

e que tal mudar de rotina?

domingo, março 23, 2008

woman on the way to men

conheço muitos homens que gostam de deitar tarde e acordar tarde. e muitas mulheres que gostam de deitar cedo e levantar cedo. não sei se é um padrão, mas parece haver um domínio destas características aliado a cada um dos sexos.
há ainda uma tendência para as mulheres serem mais picuinhas com a forma como se fazem determinadas coisas, desde o sexo, onde tem de haver um condição astrológica, meteorológica e psicológica favorável para essa prática, passando pelas panquecas, que só podem ser feitas da maneira que vem na receita antiga e não há mais nenhum modo possível, ou pelas limpezas, onde não basta passar o pano pelo móvel, é preciso tirar tudo de cima dele e esfregar como se ele não fosse voltasse a ficar sujo nunca mais.

girl, you'll be a woman soon

perspective of life

a linha entre a sanidade mental e a demência é tão ténue quanto fácil de transpor, quando se chega a determinados limites. a mulher que matou o marido com um tiro, o marido que matou a mulher com uma faca de cozinha. tudo são casos que pensamos impossíveis no nosso lar, na nossa família. mas com mais um nervo ou menos um nervo podem, um dia, numa hora, num minuto de tensão incrível acontecer.
olhamos para a nossa vida como um caminho, repleto de círculos onde temos pessoas diferentes à nossa volta. são indíviduos que modificam para onde vamos e como vivemos. isso pode ser a melhor benesse do mundo, ou a pior. tudo depende da perspectiva. podemos encarar palavras de uma forma raivosa ou de forma descontraída e até positiva. as mesmas palavras podem significar o mundo ou não significar nada. a perspectiva está na nossa cabeça. e a forma como reagimos também. a perspectiva é a nossa e a de mais ninguém. a pessoa ao nosso lado pode nunca saber porque reagimos assim. certo é que a razão pode muito bem não ser nossa. até porque podemos ter a perspectiva totalmente errada.

long live the right perspective of the aspects of life.

terça-feira, março 04, 2008

sábado, março 01, 2008

floresta na cidade

Correr pela mata, mesmo dentro da cidade, é das sensações mais libertadoras que se podem sentir na grande metrópole. Privilégios mais perto do que possamos pensar.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

saudade ii

Os sonhos dizem-nos coisas estranhas que estão dentro de nós mas em que não pensamos todos os dias. Passam várias pessoas pela nossa vida, umas de forma breve, outras de forma mais longa. Umas ficam mais na memória com mérito por isso, outras são quase esquecidas ou por não terem sido significantes ou por não merecerem essa memória.
Esta semana tive um sonho curioso, sobre uma dessas pessoas que ficam na memória e ainda bem por isso. Foi um daqueles sonhos com sensação real. Acordei a pensar se teria mesmo acontecido. Um abraço mostrou saudades e a amizade que sempre existiu e dificilmente se apagará, mesmo que não a veja há alguns anos. Saudades do inconsciente.

saudade

Tinha saudades de andar de transportes públicos. De ter aquele tempo para pensar. Para ver os outros. Para ouvir música tranquilamente e sem outra actividade. Para ler. Claro que isto só sabe assim, mesmo bem, por ser uma vez por outra.
Mas, na verdade, pesando os prós e contras de andar de carro e de transportes públicos não sei que ganharia. Depende do sítio para onde vamos.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

how many people in our lives we can depend on?




When you're losin' direction
Baby you can depend on me
For a little love and affection
You can depend on me
If ya feel brokenhearted and you
just can't get started
You can depend on me
Ya know it's never easy and
when you're feelin' blue
There'll be times you feel so empty
Ya sometimes I feel it too


Like sister to brother - father to mother
We live for each other - we're lover to lover
As deep as an ocean - filled with emotion
I'm forever open - can't you see
Baby you can depend on me
Depend on me - depend on me



For someone to rely on and a shoulder to cry on
You can depend on me
If you're in need of some kindness
And you can't seem to find it
You can depend on me
Well there ain't no need to worry
you know we'll get along
Those dark clouds may surround you
But together we'll be strong


Like sister to brother - father to mother
We live for each other - we're lover to lover
As deep as an ocean - filled with emotion
I'm forever open - can't you see
Baby you can depend on me
Depend on me - depend on me


Your love is a guiding light
I've been watchin' it shine - shine on baby
When hard times are all around
And there's miles and miles of
dirty road - depend on me
There's no need to carry that
heavy load - depend on me
When hope is gone and all is lost
Just reach out - take my hand
I'll be there - I'll be your man
Depend on me






regresso às origens musicais... as dos meus 10 anos... BA.

até amanhã... vou dormir o sono dos ensonados

É no dia em que o meu corpo pede mais sono, pede mais descanso, em que a minha mente não raciocina de forma fluída, que me sinto mais vivo e lúcido. A típica noite em branco, de domingo para segunda, que já dura há anos e anos, deu lugar a um dia diferente do habitual.
Vi a grande cidade pelos meus primeiros olhos, os mesmos que a viram pelas primeiras vezes. Os mesmos dois olhos curiosos e receosos, que olhavam para tudo com espanto e descoberta. Que desconfiavam das muitas pessoas estranhas que andavam pela noite da cidade. Foi preciso a minha irmã ter comigo para o sentimento invadir-me novamente. Sinto que me revi, que senti como já não sentia há muito tempo. Senti-me mais vivo por isso. O receio e o espirito de descoberta sempre me trouxeram mais vida ao espirito. Talvez outra clarividência. Sinto mais medo de errar, mais medo ao passar pelos locais de sempre, pelas ruas de sempre.
Bastou um pequeno passeio à noite para reaviver sentimentos e olhares tão antigos que até doem. Já fui assim e parece que pude reavivar esse pedaço de mim adormecido. E isso é vida dentro de mim. Sinto-me outra vez mortal, e isso é viver... é poder arriscar.
Parece que foi na maior moca de sono dos últimos anos que obtive o momento de maior clarividência... Estou cheio de sono e meio zonzo (como andei parte do dia), será que estou a delirar? So be it.


Para mal dos meu pecados, o final da noite tinha mais um suplício totalmente anti-sono - sono, aquele que é mais desejado do que um trago de água depois de um banho prolongado no mar, ou da subida de uma montanha, ou mesmo de horas a caminhar no deserto. A bola rolava, mas o corpo não correspondia. Fugia mais rápido do que o habitual. A cabeça não levantava do chão e acabava por se perder, entre a concentração, a bola. Mais cansado, mas talvez menos ensonado. A viagem de volta voltou a ter aquele saborzinho de vida, espalhado por cada metro de asfalto e por cada acorde de viola e cada pedaço de vida mensagens antigas vindas das colunas. Parece o regresso às origens. E é nas origens que está o meu verdadeiro eu. É ali no campo. É ali naqueles sons rocos mas sentidos e que me dão que pensar. É ali naquelas ervas altas balançadas pelo vento, que parecem dançar ao som das palavras que estou eu. Mesmo que vá, metro a metro, pelo asfalto da cidade... a caminho de casa. A caminho do sono tão desejado, tão ansiado... todo o dia. A cabeça já não diz coisa com coisa, o corpo também anda em câmara lenta... vou-me deitar. Será que amanhã conseguirei ser o mesmo rapaz do campo disfarçado pela cidade? Só o tempo o dirá.





Post Scriptum: Pensamos sempre que os acidentes de automóvel acontecem aos outros. As doenças acontecem aos outros. Quando estamos todos num campo a correr atrás da bola e um se magoa a sério... dói ver a dor dele, mas não deixa de lhe doer só a ele. Lamentamos a dor dele, pegamos devagar na trouxa e rumamos tranquilamente para casa. Se tivesse acontecido a nós iriamos estar durante uma, duas, três, quatro, cinco ou quem sabe seis semanas a viver com as consequência de uma queda que resultou mal. E pode acontecer a nós. Está mesmo ali, à espera de poder acontecer. É uma questão de sorte ou azar. Pode ser uma questão de tempo. Será que deixo de arriscar e jogar por causa disso? Não. Mas lá que dá que pensar... dá.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

mr. morrison

Have you been born yet and are you alive?

Let's reinvent the gods, all the myths of the ages

who are you? *


O que te motiva a levantares-te todas as manhãs e ires fazer o que tu fazes?


O que é que te faz ser quem és?



* have you been born yet and are you alive? let's reinvent the gods, all the myths of the ages

uma questão de aldeia

Os pássaros chilreiam mais alto nas zonas residenciais das cidades. São como aldeias em escala bem maior, com prédios bem maiores, mas com hábitos de aldeias, comércio tradicional mais vivo, padarias em cada esquina. Aqui vive gente. Aqui há de comer. Há de vestir. Há passeios para passear. Passeios que raramente estão vazios. Passeios onde se passeia. Mesmo aqueles que vivem aqui há muito e muitos anos. A vista pode ser a mesma, mas as pessoas vão mudando e dão vida às calçadas, aos prédios, às ruas. Existem milhares de telas, cada uma delas com uma expressividade única, com uma vontade própria. Telas jovens, telas antigas. Cada uma delas com hábitos próprios mas que se vão associando a cada uma das idades. Cada tela antiga é diferente das outras telas antigas, embora cada uma delas pareça ter hábitos semelhantes. Andam quase todos pelos mesmos sítios. Num sítio destes vale a pena sair de casa. Quando saímos, vamos mesmo espairecer. Podemos ir ao jardim, ali ao fundo, à pastelaria dos bolos bons e baratos ao virar da esquina. À lavandaria no canto da rua. À farmácia, no largo em frente. Tudo está ali, à mão de semear. As pessoas vivem e têm uma certa sensação de que não estão sozinhas. Há mais pessoas a viver como elas. E isso é bom. Há mais pessoas a viver como elas. E estão mesmo ali ao lado. Há mais pessoas a viver como elas. E podem-se ajudar mutuamente. Existe um espírito de aldeia, mesmo que não se conheçam os vizinhos, seja do andar de cima ou do prédio em frente. Basta vê-los noutra parte da cidade que há um sorriso cúmplice que diz “tu és dos meus, vives onde eu vivo e onde eu vivo é especial”. Gosto quem me abram a porta do prédio e me cumprimentem com um sorriso. Gosto de me sentar no sofá e pensar… a vida aqui é boa, seja o que for que esteja para lá desta pequena grande aldeia.

i like

Gosto de passear pela cidade. Gosto de observar os movimentos das outras pessoas. Gosto de imaginar as suas vidas, os seus orgulhos e os seus problemas. Gosto de observar e imaginar. Gosto. Passar pelo carro que buzina furioso para o outro que parou na passadeira. Olhar a mãe que ralha com o filho enquanto pega nele, por encher-se de chocolate do bolo que acabou de comer. Passar pela grupo de adolescentes que se diverte com piadas enquanto espera o autocarro. Passar pelo cabeleireiro onde dois homens cortam o pouco cabelo a outros dois homens, enquanto falam e criticam o jogo do Benfica do dia anterior. Passar pelo jardim-escola onde os pais vão buscar as crianças super-excitadas, após um longo dia de trabalho. Passar pelo videoclube onde um casal na casa dos 40 escolhe, entre sorrisos, um bom filme para passar o serão. Passar pelo jardim, onde um jovem casal joga badminton enquanto conta pormenores do seu dia, onde um casal de namorados adolescentes se beija apaixonadamente e numa sofreguidão capaz de assustar os pombos e onde um velhote leva o cão da neta a fazer as necessidades. Gosto quem me abram a porta do prédio e me cumprimentem com um sorriso. Gosto de me sentar no sofá e pensar que vale a pena viver e ver os outros viverem.