sábado, novembro 01, 2008

passado

Estás à distância de um espelho

quem faz aprende




Existe uma forma de percebermos se evoluimos ou não, já que nem sempre percebemos isso no dia-a-dia: ler ou rever coisas que fizemos há alguns anos. Curioso como coisas que achámos que estavam geniais, hoje percebemos que não eram assim nada de tão especial... Mas também acontece o contrário! Coisas que até tinhamos esquecido que tinhamos feito, afinal existiram mesmo e ficaram melhor do que pensámos. A memória tem destas coisas.


memórias da escola

Chama-se Escola Secundária de Raul Proença e foi por onde andei a estudar e conviver do 7º ao 12º ano. As instalações são boas, para uma escola pública, tem professores acima da média e sempre me tratou bem (a escola). Fiquei a saber esta semana que ficou em 45º lugar no ranking das escolas portuguesas a nível de notas dos alunos nos exames nacionais. Contabilizando as escolas públicas é a 13ª, o que é bem bom em 608 escolas.

Por lá "reside" um professor que se tornou conhecido a nível nacional recentemente (não, não és tu Flipe, não foi assim tão recentemente) quando publicou no Público (não, não és tu Flipe, acredita) um anúncio pago por ele a pedir desculpa por ter votado em Sócrates.

No Público de 9 de Setembro de 2005, este professor fez o seguinte anúncio:
"PEDIDO DE DESCULPA
Rogério Guimarães, cidadão eleitor n.º 6823, da unidade geográfica de recenseamento das Caldas da Raínha, vem por este meio pedir desculpas a todos os democratas por ter contribuído com o seu voto para a eleição deste Governo".




É professor da disciplina de Oficina de Expressão Dramática (foi professor no Conservatório) e chama-se Rogério Guimarães. Nas aulas dele consegui fazer das coisas mais engraçadas e criativas na minha vida, que mais gozo me deram:

Não me esqueço da sensação de estar num palco, "vestido" e "decorado" de mulher com um manto branco ao som da música Jesus Christ Superstar e de alguém puxar o lençol, onde (já ao som da música Don't Want a Short Dick Man), estava eu a abraçar um artefacto das Caldas de 10 litros (que é, acreditem, muito grande). Ao meu lado estavam a dançar um chulo magro e uma tipa que gosta de esquemas, à minha frente estavam mais de 600 pessoas, incluindo professores e o presidente da Câmara. Foi histórico.

Para além deste, existem professores inesquecíveis mas menos conhecidos, como o Isidro Silva, a Cândida Calado, a Celeste Custódio, a Alzira, entre muitos outros.


sábado, outubro 18, 2008

desligar ou não desligar

A forma como receamos e sentimos o que nos rodeia muda à medida que o tempo passa. Cheguei a uma idade onde desligo alguns receios, desligo algumas preocupações e desligo algumas emoções. Cheguei a uma idade em que me não me preocupo tanto com o que pensam. Cheguei a uma idade em que não tenho tanto medo de me colocar em perigo. Se fosse piloto de Fórmula 1, seria uma espécie de síndroma de "até agora não me espetei, por isso não me devo espetar de futuro". Algo que me daria vantagens e grandes desvantagens.
Há uns anos, ir a um sítio pela primeira vez, ver um avião pela primeira vez, era algo emocionante... entusiasmante e marcante, agora já não tem tanto impacto, fruto desse "desligamento". Sinto falta desse deslumbramento...

sexta-feira, outubro 10, 2008

os passos do sono




O sono invade a mente e o corpo e tudo muda. Estou velho. Já não consigo aguentar com facilidade dormir poucas horas num dia de semana e estar a trabalhar, concentrado e a produzir bem, nos dias seguintes. Fico rabugento. Mais: custa compensar nos outros dias. O caldo fica entornado para o resto da semana porque já não é tão fácil recuperar. A velhice é complicada. Está visto e sentido na pele.



quinta-feira, setembro 25, 2008

paisagens que ficam...





by seremot



Sair da rotina e ir de férias não obriga a ir para outro continente ou país, nem tão pouco para os locais típicos de férias de Portugal. Pode ser na mesma cidade onde trabalhamos, mas sabe melhor se sairmos dos locais que conhecemos.
Melhora se for um acto de descoberta.
De quinta a sábado fui a Alcácer do Sal. Uma visita curta mas muito rica e aquilo que recordo com mais intensidade, alegria e satisfação pessoal foram os passeios de carro pelo estuário do Sado, onde fiz dezenas de quilómetros fora de estrada, bem perto dos canais de irrigação, dos cultivos, dos corvos, flamingos e outras espécies cujos nomes andam por aqui. Outra experiência incrível foi passear pelo Alentejo mais profundo. A passagem por Santa Susana, uma pequena aldeia muito bem decorada e cuidada, os campos a perder de vista com cultivo, canais incríveis de irrigação, sobreiros.

A viagem até ao Torrão, uma pequena vila foi incrível por ter o condão de ter uma riqueza paisagística muito grande e transmitir um grau de solidão grande. Lá o modo de vida é claramente diferente e isso é apelativo.

Pela estrada nacional mil cinquenta e qualquer coisa (que alternava entre o piso razoável e o mau) era possível ver campos e campos de vegetação e cultivo sem observar qualquer ser humano, nem mesmo casas se via por perto. Dá a sensação que mudámos de país, ou mesmo de continente... Parece que nos esquecemos que existe este país, um Portugal quase não povoado e cheio de vida não humana. Um Portugal fora da nossa rotina diária, da nossa "civilização" diária, e isso dá alento e força e até vontade de não voltar.
Olhar em frente para o percurso que nos espera e ver uma recta vazia e a perder de vista, repleta de vegetação à volta da via e que faz um efeito quase perfeito de ondas sob a forma de estrada é uma imagem que não esqueço tão cedo. Depois de muito viajar, chegar à pequena vila do Torrão (que fica numa serra) é uma visão incrível e que transmite uma sensação de que estamos a chegar a um lugar imponente, isto quando se trata de uma pequena e compacta vila. Lá impera o típico calor abafado do interior alentejano e uma curiosidade por quem é de fora muito grande. Tanto lá como em Alcácer as pessoas têm tendência a cumprimentarem-nos só porque passamos por elas. É bonito e raro.

Claro que passear em Tróia, ir à praia na Comporta ou ver as barragens é agradável, mas as experiências mais surpreendentes e inesquecíveis foram no estuário do sado pelas estradas de terra e pela planície alentejana pura e dura, no meio de muita vegetação e de uma estrada a perder de vista, sem cruzamentos ou pessoas.






PS: A visita histórica à cripta romana e árabe de Alcácer, junto ao Castelo e à Igreja do Espírito Santo, em Alcácer, onde estão a ocorrer escavações arqueológicas também são dignas de lembranças. Já tudo, ou quase tudo, foi digno de fotos, claro está. Incluindo o Minipreço mais bonito e agradável do país (com direito a parque de estacionamento jeitoso e tudo!).

domingo, setembro 14, 2008

aprender a crescer e a ceder




Com o aumento dos anos de vida existe mais responsabilidade e também mais poder. Quando temos uma família grande, com irmãos mais novos, basta sermos maiores de idade e ter algo importante como um computador, que nos pertence, para influenciarmos o estado de espiríto do nosso pequeno irmão, que quer jogar um jogo que adora. Existe uma clara fronteira entre a disciplina que é necessária e a irredutibilidade cruel e injusta. Quando temos um pouco de poder, não convém abusarmos dele e virarmos em pequenos déspotas, para nosso bem e daqueles que nos rodeiam.


segunda-feira, setembro 01, 2008

Tudo começa de novo. Lá vamos nós outra vez. Será sempre assim? Os regressos. Espero bem que não. Quanto tempo aguentarei? Quero ir mais além. Posso começar a mudar agora?

quem não tem segredos compra um cão

Quem não tem segredos não é filho de boa gente.

quinta-feira, agosto 28, 2008

só se morre uma vez!!!



Morreu hoje a minha última bisavó. Chamava-se Augusta e nunca a esquecerei. Nos últimos anos foi internada num lar de 3ª idade e estava acamada há algum tempo. Dói-me saber que já não existe. Dói-me ainda mais saber que não a visitei quando devia. Facilitismo. Distância do lar. O facto de viver em Lisboa. Tudo desculpas que não pegam e que me custam. A verdade é que me sinto mal por isso. Foi culpa minha. Facilitismo de alma. Longe da vista, longe do coração. Ela já não estava muito bem, acamada, sem grande discernimento, e talvez tenha evitado vê-la assim, porque me custava. Sinto-me mal por ter optado pelo facilitismo e estou arrependido. Curioso como só nos arrependemos quando as pessoas morrem ou quando acontece alguma coisa grave. Na verdade, arrependi-me várias vezes de não ter ido visitá-la nestes últimos anos. Pensei sempre, hei-de ir. Tenho de ir. Nunca fui. Agora não há hipótese. Tenho hipótese de ir ao funeral dela. E isso não vou desperdiçar. Mesmo que custe, que custa. Vou!
Vou para honrar a memória de uma velhota simpática, alegre, bem disposta, que ficou viúva muito cedo. Vou, porque vou. Porque tenho de ir, não para os outros, mas para mim próprio. Tenho de ir, nem que caia o carmo e a trindade.
A minha bisavó Augusta era da religião Jeová, ou Testemunha de Jeová. Quando era puto, ela foi a minha catequese. Nunca fui baptizado nem frequentei a Igreja Católica, mas ela ensinou-me com a boa disposição e paciência que lhe eram intrínsecas, a história de Jesus Cristo e muitas outras histórias da bíblia. Apesar da minha renitência inicial, da minha gozação e brincadeira constantes, fui aprendendo algumas coisas com ela que fizeram de mim um apaixonado por história, história dos povos, das nações, da criação do planeta... E, curiosamente, fizeram de mim um agnóstico quase ateu, que sou. Só havia uma Testemunha de Jeová em toda a família, era ela. E tinha a força para manter as suas convicções intactas. Ao ponto de me levar a uma convenção Jeová em plena Mata das Caldas (no pavilhão da cidade)... que, confesso, foi uma seca descomunal.
Como viúva que era, conseguia levar a vida com um sorriso e sabia aligeirar as coisas sérias como poucos. Tinha uma tendência para gases que levava a outra tendência: punha a família toda a rir. Era pequenina, mas gostava de abraçar e tocar a cara das pessoas. Senti-las. Tomá-las como suas. Tenho saudades dela. Fez parte da minha infância e adolescência.


Adeus avó Augusta. Desculpa. Até um dia destes.

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Lembro-me de lhe ensinar a utilizar o telefone. "Modernices", dizia ela. Mas aprendeu. Lembro-me dos olhos pequenos e sorridentes e de como gostava de se aperaltar quando saia para algo especial. Lembro-me de dizer que havia lobos maus na rua, à noite, para evitar que eu fosse à procura dos meus pais, que me tinham deixado em casa da minha avó. Essa faceta (pregar sustos às crianças para não fugirem ou fazerem coisas que não deviam) era habitual ter-se no campo, de onde ela vinha, pelo que sempre lhe perdoei. Mais tarde dizia o mesmo e eu já não acreditava... e ela ria-se. Lembro-me de sempre a achar muita mais parecida com a minha tia Regina do que com a minha avó Graça. Lembro-me dela e isso é importante para mim. Faz-me pensar em mim mesmo, de onde vim e quem sou. Faz-me reavivar memórias que ainda estão em mim e que fizeram de mim quem sou, mesmo que isso não seja nada de especial.

É curioso como a minha "vó Augusta" está mais presente nas minhas memórias e no meu princípio de vida do que poderia pensar antes de começar a escrever este texto. Escrever liberta o pensamento das amarras do crescimento. E ainda bem.

Obrigado por tudo vó.

quarta-feira, agosto 27, 2008

long john silver

"Uma vida que não continue após a morte, de um ou outro modo, através da imprensa ou na boca do povo, é caca de mosca. Ou o orvalho que se evaporou."

Cavaleiro da sorte (vulgo pirata), de seu nome Long John Silver, no livro de Björn Larsson, Long John Silver.




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"Um capitão pode ser destituído, mas ninguém destitui John Silver."
idem



terça-feira, agosto 12, 2008

quarta-feira, agosto 06, 2008

crescer

Há medida que vamos crescendo damos demasiado valor aos detalhes do dia-a-dia e menos aos eventos ou momentos pelos quais valem a pena viver!

quarta-feira, julho 30, 2008

Dormir pouco e dormir muito não estão muito longe uma da outra, especialmente em pessoas como eu.

sexta-feira, julho 25, 2008

se o sade o diz...

"A primeira lei que a natureza me impõe é gozar à custa seja de quem for."
Marquês de Sade (1740 - 1814)

quarta-feira, julho 23, 2008

remember that day when everything has gone bad

Há finais de dia em que tudo é tão mau que chega a ser cómico. É tão mau, que conseguiu não ser péssimo por um triz e só por isso já valeu a pena. Porque não?
O mais curioso neste dias é exactamente esse misto de azar e sorte. Tudo foi mau, mas faltou aquele bocadinho assim para ser péssimo.

Numa rotunda perto do Cacém (uma localidade onde espero nunca viver) com pouca visibilidade, travo a fundo quando vejo um pequeno Kia Picanto a vir na minha direcção, em contra-mão!!! Lá dentro uma velhota encolhia os ombros, sem saber o que fazer nem em como se meteu em tamanha alhada (a verdade é que já teria contornado em contra-mão uma bela parte da rotunda). A grande sorte foi que uma senhora que estava a entrar na rotunda e também teve de travar repentinamente, começou a apitar violentamente a fazer sinais com as mãos para a senhora para o carro e não continuar. Senão, o mais provável seria eu ter abalroado com violência o Picanto e não estar aqui, neste momento, a escrever este post. Enfim. Os dias de azar também são dias de sorte.

segunda-feira, julho 21, 2008

keep it to yourself

Tenho a tendência irritante de guardar tudo. Não me quero ver livre de nada. Tudo pode dar jeito, quase tudo pode conter uma memória. Porque é que as coisas têm este efeito em mim é algo de que posso apenas desconfiar.