Para quem quer descobrir e sentir. Quem quer conhecer outras formas de vida e de pensamento, melhor ou pior.
Quem = serEmot futuro.
O que interessa?
Tensões na mente de serEmot
terça-feira, fevereiro 10, 2009
não coçarás pela manhã
O mesmo acontece com outras particularidades que vêm com o "território" de ser homem e de crescer com certas características intrínsecas.
Ainda há o domínio dos gostos: homem que é homem gosta de bola, carros e mamas. Mesmo que queira fugir ao estereótipo, sou incapaz de dizer que não gosto de bola, e ainda menos incapaz de dizer que não sou grande fã de "enormes seios" (como dizia o Markl no Homem que Mordeu o Cão). Até de carros, gosto que nunca aprofundei muito na adolescência, o destino fez-me aprender mais sobre o mundo automóvel e passar a adorar sentir as pequenas diferenças entre bólides.
Não digo isto para dizer que sim, os homens são todos iguais. Escrevo isto para evidenciar que sim, todos somos humanos e nós, homens, com características intrínsecas tão vincadas, temos tendência clara para fazer e gostar de determinada forma.
Por mais que, enquanto miúdo não percebesse certos hábitos masculinos e achasse que dificilmente me iria tornar assim (que mais não fosse peludo), hoje sou muitas das coisas que achava que não ia ser. No entanto, nada que me comprometa, bem pelo contrário. Acho que o puto emot não se ia importar.
Vou dormir. Estou pronto para a manhã e para tudo o que ela trará.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
decisões à pressa
Decidi muito simplesmente fazer uma coisa por mês de que me orgulhe verdadeiramente. Se conseguir acho que vai ser: "a very good year".
domingo, janeiro 18, 2009
vale a experiência... talvez... ou não
Muitas vezes não perdemos, verdadeiramente, a memória. Simplesmente algo despoleta em nós uma mudança. Mudança essa que nos faz querer arriscar e fazer algo que não faríamos normalmente. É a nossa mente a pregar-nos partidas. A ser arriscada porque sim. A experiência de contrariar o que já está delineado para nós pode ser uma fuga ou uma solução, normalmente passageira. Vale a experiência... julgo.
PS: pensamento integralmente inspirado no filme que acabei de ver (vicky cristina barcelona).
segunda-feira, janeiro 05, 2009
pensamentos em percentagens
sexta-feira, janeiro 02, 2009
sexta-feira, dezembro 26, 2008
la la la la la means...
Many guys have come to you
With a line that wasn't true
And you passed them by (passed them by)
Now you're in the center ring
And their lines don't mean a thing
Why don't you let me try (let me try)
Now I don't wear a diamond ring
I don't even have a song to sing
All I know is
La la la la la la la la la means
I love you
Oh, baby please now
Oh... baby
La la la la la la la la la means
I love you
La la la la la la la la la means
I love you
by Delfonics
terça-feira, dezembro 23, 2008
sexta-feira, dezembro 19, 2008
doubt, the movie
O poder da dúvida é muito grande e disperso no ser humano. Isso mesmo é o grande alvo de magnifico filme Doubt que, de certeza, deve ser nomeado para os Óscares deste ano - já o foi para os Globos de Ouro.
Seja na escola, no Parlamento, no local de trabalho (o parlamento, ao que parece, raramente é local de trabalho), na Igreja, na mercearia, ou outro qualquer lugar, uma suspeita, ainda que infundada, uma afirmação constante e obcecada sobre alguém pode ser de uma crueldade incrível. Porque ultrapassa os domínios da verdade e atinge os domínios da dúvida. Se há alguém que o diz de forma tão certa, passa a não interessar se existem ou não fundamentos, se a suspeita é baseado em algo real ou mera embirração infantil. Passa a existir sempre a dúvida. E a dúvida consome. A dúvida destrói.
terça-feira, dezembro 16, 2008
what can i do for you, mate?
O frio londrino faz-me sentir vivo. Motivado. Olhando para a cidade e para quem trabalha e vive nela fica a sensação que, ali, todos produzem ao máximo, seja para o bem comum, do patrão, ao para si próprios. Isso é contagiante e motivador. É possível fazer mais. Vale a pena fazer mais. Por isso e MUITO MAIS vejo em Londres uma cidade excelente para se viver. O meu amigo João Rosas, a estudar por lá, que o diga.
domingo, novembro 30, 2008
granizo, chuva, vento, frio
by seremot
O frio aperta. A chuva não pára. O granizo acorda. É Inverno, puro e duro. Só apetece ficar em casa. Quieto e parado.
Foi uma noite de despedida, do meu primo. Um dos meus melhores amigos desde que me conheço, que vai agora viver uma aventura por Paris, em busca de novas motivações. Para matar saudades, voltámos a passar a madrugada em família (faltaram os meus tios e prima Judite, que estão a viver em Paris) e a jogar monopólio - já lá iam uns quantos anos desde a última vez. Voltei a ganhar (nunca perdi a jogar ao monopólio).
quarta-feira, novembro 26, 2008
father and son...
Quando tinha 11 anos e via o meu pai ouvir Cat Stevens e a banda sonora do filme Jesus Christ Superstar e dizia: "Lá está ele a ouvir música velha!" Quando fiz 18 anos e o meu pai me apanhou a ouvir Cat Stevens disse: "Então não eras tu que não gostavas de música velha?!"
Resta dizer que esses dois CD's (dos primeiros a circular lá por casa - os primeiros adquiridos de propósito para mim, tinha 10 anos, foram Waking Up the Neighbours (BA) e Auto da Pimenta (Rui Veloso - este último por pressão do meu pai, mas revelou-se, anos mais tarde, uma escolha acertada)), neste momento, 15 anos depois, estão em minha casa e o meu pai nunca mais os viu...
Volta na volta estou a ouvir o The Very Best of Cat Stevens ou o Jesus Christ Superstar Soundtrack... ainda hoje. E sabe bem.
Estarei a ficar velho?
This is your life, and is ending one minute at a time...
terça-feira, novembro 25, 2008
onde estás tu... jovem atento neste princípio de milénio
Chego aos 27 anos com a legitimidade de poder dizer: as pessoas ainda me surpreendem, todos os dias.
hoje é 25 de novembro (2008) - houve música e choveu
13h20 - Saí da sala de cinema no Campo Pequeno depois de ver um filme fraquinho salvo pela voz contagiante e autenticamente hipnotizante de Amália Rodrigues. Passo pelo restaurante anexo aos cinemas e vejo uma foto gigante de Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio e Jack Nicholson ao lado de uma mesa, com um fundo de sala de cinema. Parece mesmo que estão ali! Não estão. Penso "devia de tirar uma foto ao pormenor... mas é melhor não". Continuo em passo acelerado a caminho do carro.
13h22 - Ali junto à Culturgest vejo um rapaz de bicicleta a vir na minha direcção sem as mãos no volante. Onde estavam elas? (nada de pensamentos ordinários, sff) Nos bolsos do casaco! Isto num passeio com vários peões (ou serão transeuntes - essa palavra assustadoramente esquisita). Ia-se desviando das pessoas ligeiramente com o movimento do corpo. Tudo bem que estava um frio de rachar, mas voltei a ter um dos meus pensamentos assassinos: colocar o pé à frente da roda talvez ensinasse a alguém uma lição...
13h23 - Aproximo-me do carro com o receio habitual: "Será que tenho o carro bloqueado? Será? (tinha passado uma hora do tempo regulamentar)" Olho e... não. Óptimo! Menos uma preocupação.
13h24 - Ligo o carro, sorrio com o barulho do motor e... o rádio está a tocar a alto e bom som um hino à boa música: Roadhouse Blues. A voz de Jim Morrison enche por completo o ambiente e o espírito com que parto à estrada... tento acompanhá-lo a cantar:
"Let it roll, baby roll, let it roll, baby roll... let it roll... ALL NIGHT LONG!! Yeaaaahhh!"
Esta é uma canção que enche um dia inteiro! Em poucos minutos vibrei ao som de duas vozes inconfundíveis, repletas de "alma" e uma força inebriante e que enfeitiça... curiosamente, ambas "as vozes" não existem mais neste mundo.
13h27 - Depois de ouvir Jim Morrison, já a passar pela Alameda, não passa mais nada de jeito no rádio. Tudo o resto é porcaria (para não dizer merda que pode ferir algums susceptibilidades). Tudo o resto está abaixo de uma fasquia tão alta.
13h28 / 23h08 - Chegada a noite estou para aqui a escrever esta porra. Das 13h28 até agora não há nada digno de registo. Nada interessou, nem mesmo o jogo de futebol que foi fraquinho demais para mencionar. Nem mesmo a ida a casa em 30 minutos, em plena hora de ponta, para ir buscar o equipamento e voltar a Carnaxide para jogar vale a pena mencionar (o 147 Ducati portou-se muito bem). Aquele momento dos Roadhouse Blues fez o dia valer a pena.
O resto são "pintelhices", como dizia carinhosamente o meu professor de Introdução às Tecnologias de Informação do 12º ano (lembras-te Flipe? Ele dizia essa bela expressão especialmente a ti!).
Mãe, boa noite. Estou para ver o que me reserva amanhã.
PS: A chuva está aí em força, e com ela mais uns milhares de carros pela cidade. Viva o piso molhado, viva! Viva os milhares que não sabem conduzir um automóvel mas andam na estrada na mesma, viva!
PS2: Senhores e senhoras do ex-condado portucalense, deixo-vos a seguinte mensagem -
Conduzir devagar não é, necessariamente, conduzir em segurança!!!
Se andarem com o volante de um lado para o outro, mesmo devagar, mais cedo ou mais tarde vão ser abalroados ou saem mesmo de pista!
segunda-feira, novembro 24, 2008
this is your life
This is your life
Good to the last drop
doesn't get any better than this
This is your
life, and it's ending one minute at
a time.
in Fight Club, dos Dust Brothers
sábado, novembro 22, 2008
sábado, novembro 08, 2008
sábado, novembro 01, 2008
quem faz aprende
Existe uma forma de percebermos se evoluimos ou não, já que nem sempre percebemos isso no dia-a-dia: ler ou rever coisas que fizemos há alguns anos. Curioso como coisas que achámos que estavam geniais, hoje percebemos que não eram assim nada de tão especial... Mas também acontece o contrário! Coisas que até tinhamos esquecido que tinhamos feito, afinal existiram mesmo e ficaram melhor do que pensámos. A memória tem destas coisas.
memórias da escola
Por lá "reside" um professor que se tornou conhecido a nível nacional recentemente (não, não és tu Flipe, não foi assim tão recentemente) quando publicou no Público (não, não és tu Flipe, acredita) um anúncio pago por ele a pedir desculpa por ter votado em Sócrates.
No Público de 9 de Setembro de 2005, este professor fez o seguinte anúncio:
"PEDIDO DE DESCULPA
Rogério Guimarães, cidadão eleitor n.º 6823, da unidade geográfica de recenseamento das Caldas da Raínha, vem por este meio pedir desculpas a todos os democratas por ter contribuído com o seu voto para a eleição deste Governo".
É professor da disciplina de Oficina de Expressão Dramática (foi professor no Conservatório) e chama-se Rogério Guimarães. Nas aulas dele consegui fazer das coisas mais engraçadas e criativas na minha vida, que mais gozo me deram:
Não me esqueço da sensação de estar num palco, "vestido" e "decorado" de mulher com um manto branco ao som da música Jesus Christ Superstar e de alguém puxar o lençol, onde (já ao som da música Don't Want a Short Dick Man), estava eu a abraçar um artefacto das Caldas de 10 litros (que é, acreditem, muito grande). Ao meu lado estavam a dançar um chulo magro e uma tipa que gosta de esquemas, à minha frente estavam mais de 600 pessoas, incluindo professores e o presidente da Câmara. Foi histórico.
Para além deste, existem professores inesquecíveis mas menos conhecidos, como o Isidro Silva, a Cândida Calado, a Celeste Custódio, a Alzira, entre muitos outros.
sábado, outubro 18, 2008
desligar ou não desligar
Há uns anos, ir a um sítio pela primeira vez, ver um avião pela primeira vez, era algo emocionante... entusiasmante e marcante, agora já não tem tanto impacto, fruto desse "desligamento". Sinto falta desse deslumbramento...
sexta-feira, outubro 10, 2008
os passos do sono
O sono invade a mente e o corpo e tudo muda. Estou velho. Já não consigo aguentar com facilidade dormir poucas horas num dia de semana e estar a trabalhar, concentrado e a produzir bem, nos dias seguintes. Fico rabugento. Mais: custa compensar nos outros dias. O caldo fica entornado para o resto da semana porque já não é tão fácil recuperar. A velhice é complicada. Está visto e sentido na pele.
quinta-feira, setembro 25, 2008
paisagens que ficam...
Sair da rotina e ir de férias não obriga a ir para outro continente ou país, nem tão pouco para os locais típicos de férias de Portugal. Pode ser na mesma cidade onde trabalhamos, mas sabe melhor se sairmos dos locais que conhecemos.
Melhora se for um acto de descoberta.
De quinta a sábado fui a Alcácer do Sal. Uma visita curta mas muito rica e aquilo que recordo com mais intensidade, alegria e satisfação pessoal foram os passeios de carro pelo estuário do Sado, onde fiz dezenas de quilómetros fora de estrada, bem perto dos canais de irrigação, dos cultivos, dos corvos, flamingos e outras espécies cujos nomes andam por aqui. Outra experiência incrível foi passear pelo Alentejo mais profundo. A passagem por Santa Susana, uma pequena aldeia muito bem decorada e cuidada, os campos a perder de vista com cultivo, canais incríveis de irrigação, sobreiros.
Olhar em frente para o percurso que nos espera e ver uma recta vazia e a perder de vista, repleta de vegetação à volta da via e que faz um efeito quase perfeito de ondas sob a forma de estrada é uma imagem que não esqueço tão cedo. Depois de muito viajar, chegar à pequena vila do Torrão (que fica numa serra) é uma visão incrível e que transmite uma sensação de que estamos a chegar a um lugar imponente, isto quando se trata de uma pequena e compacta vila. Lá impera o típico calor abafado do interior alentejano e uma curiosidade por quem é de fora muito grande. Tanto lá como em Alcácer as pessoas têm tendência a cumprimentarem-nos só porque passamos por elas. É bonito e raro.
Claro que passear em Tróia, ir à praia na Comporta ou ver as barragens é agradável, mas as experiências mais surpreendentes e inesquecíveis foram no estuário do sado pelas estradas de terra e pela planície alentejana pura e dura, no meio de muita vegetação e de uma estrada a perder de vista, sem cruzamentos ou pessoas.
PS: A visita histórica à cripta romana e árabe de Alcácer, junto ao Castelo e à Igreja do Espírito Santo, em Alcácer, onde estão a ocorrer escavações arqueológicas também são dignas de lembranças. Já tudo, ou quase tudo, foi digno de fotos, claro está. Incluindo o Minipreço mais bonito e agradável do país (com direito a parque de estacionamento jeitoso e tudo!).
domingo, setembro 14, 2008
aprender a crescer e a ceder
Com o aumento dos anos de vida existe mais responsabilidade e também mais poder. Quando temos uma família grande, com irmãos mais novos, basta sermos maiores de idade e ter algo importante como um computador, que nos pertence, para influenciarmos o estado de espiríto do nosso pequeno irmão, que quer jogar um jogo que adora. Existe uma clara fronteira entre a disciplina que é necessária e a irredutibilidade cruel e injusta. Quando temos um pouco de poder, não convém abusarmos dele e virarmos em pequenos déspotas, para nosso bem e daqueles que nos rodeiam.
quarta-feira, setembro 10, 2008
segunda-feira, setembro 01, 2008
quinta-feira, agosto 28, 2008
só se morre uma vez!!!
Morreu hoje a minha última bisavó. Chamava-se Augusta e nunca a esquecerei. Nos últimos anos foi internada num lar de 3ª idade e estava acamada há algum tempo. Dói-me saber que já não existe. Dói-me ainda mais saber que não a visitei quando devia. Facilitismo. Distância do lar. O facto de viver em Lisboa. Tudo desculpas que não pegam e que me custam. A verdade é que me sinto mal por isso. Foi culpa minha. Facilitismo de alma. Longe da vista, longe do coração. Ela já não estava muito bem, acamada, sem grande discernimento, e talvez tenha evitado vê-la assim, porque me custava. Sinto-me mal por ter optado pelo facilitismo e estou arrependido. Curioso como só nos arrependemos quando as pessoas morrem ou quando acontece alguma coisa grave. Na verdade, arrependi-me várias vezes de não ter ido visitá-la nestes últimos anos. Pensei sempre, hei-de ir. Tenho de ir. Nunca fui. Agora não há hipótese. Tenho hipótese de ir ao funeral dela. E isso não vou desperdiçar. Mesmo que custe, que custa. Vou!
Vou para honrar a memória de uma velhota simpática, alegre, bem disposta, que ficou viúva muito cedo. Vou, porque vou. Porque tenho de ir, não para os outros, mas para mim próprio. Tenho de ir, nem que caia o carmo e a trindade.
A minha bisavó Augusta era da religião Jeová, ou Testemunha de Jeová. Quando era puto, ela foi a minha catequese. Nunca fui baptizado nem frequentei a Igreja Católica, mas ela ensinou-me com a boa disposição e paciência que lhe eram intrínsecas, a história de Jesus Cristo e muitas outras histórias da bíblia. Apesar da minha renitência inicial, da minha gozação e brincadeira constantes, fui aprendendo algumas coisas com ela que fizeram de mim um apaixonado por história, história dos povos, das nações, da criação do planeta... E, curiosamente, fizeram de mim um agnóstico quase ateu, que sou. Só havia uma Testemunha de Jeová em toda a família, era ela. E tinha a força para manter as suas convicções intactas. Ao ponto de me levar a uma convenção Jeová em plena Mata das Caldas (no pavilhão da cidade)... que, confesso, foi uma seca descomunal.
Como viúva que era, conseguia levar a vida com um sorriso e sabia aligeirar as coisas sérias como poucos. Tinha uma tendência para gases que levava a outra tendência: punha a família toda a rir. Era pequenina, mas gostava de abraçar e tocar a cara das pessoas. Senti-las. Tomá-las como suas. Tenho saudades dela. Fez parte da minha infância e adolescência.
Adeus avó Augusta. Desculpa. Até um dia destes.
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Lembro-me de lhe ensinar a utilizar o telefone. "Modernices", dizia ela. Mas aprendeu. Lembro-me dos olhos pequenos e sorridentes e de como gostava de se aperaltar quando saia para algo especial. Lembro-me de dizer que havia lobos maus na rua, à noite, para evitar que eu fosse à procura dos meus pais, que me tinham deixado em casa da minha avó. Essa faceta (pregar sustos às crianças para não fugirem ou fazerem coisas que não deviam) era habitual ter-se no campo, de onde ela vinha, pelo que sempre lhe perdoei. Mais tarde dizia o mesmo e eu já não acreditava... e ela ria-se. Lembro-me de sempre a achar muita mais parecida com a minha tia Regina do que com a minha avó Graça. Lembro-me dela e isso é importante para mim. Faz-me pensar em mim mesmo, de onde vim e quem sou. Faz-me reavivar memórias que ainda estão em mim e que fizeram de mim quem sou, mesmo que isso não seja nada de especial.
É curioso como a minha "vó Augusta" está mais presente nas minhas memórias e no meu princípio de vida do que poderia pensar antes de começar a escrever este texto. Escrever liberta o pensamento das amarras do crescimento. E ainda bem.
Obrigado por tudo vó.
quarta-feira, agosto 27, 2008
long john silver
Cavaleiro da sorte (vulgo pirata), de seu nome Long John Silver, no livro de Björn Larsson, Long John Silver.
"Um capitão pode ser destituído, mas ninguém destitui John Silver."
idem
terça-feira, agosto 12, 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
crescer
quarta-feira, julho 30, 2008
sexta-feira, julho 25, 2008
se o sade o diz...
Marquês de Sade (1740 - 1814)
quarta-feira, julho 23, 2008
remember that day when everything has gone bad
O mais curioso neste dias é exactamente esse misto de azar e sorte. Tudo foi mau, mas faltou aquele bocadinho assim para ser péssimo.
Numa rotunda perto do Cacém (uma localidade onde espero nunca viver) com pouca visibilidade, travo a fundo quando vejo um pequeno Kia Picanto a vir na minha direcção, em contra-mão!!! Lá dentro uma velhota encolhia os ombros, sem saber o que fazer nem em como se meteu em tamanha alhada (a verdade é que já teria contornado em contra-mão uma bela parte da rotunda). A grande sorte foi que uma senhora que estava a entrar na rotunda e também teve de travar repentinamente, começou a apitar violentamente a fazer sinais com as mãos para a senhora para o carro e não continuar. Senão, o mais provável seria eu ter abalroado com violência o Picanto e não estar aqui, neste momento, a escrever este post. Enfim. Os dias de azar também são dias de sorte.
segunda-feira, julho 21, 2008
keep it to yourself
terça-feira, julho 01, 2008
onde estás tu?
Respira competição, em tudo. Vive e pensa competição. Não é que seja mau tipo por isso, longe disso. Mas chega, às vezes, no segredo do seu pensamento, a desejar mal a quem lhe passa à frente, justa ou injustamente. Mas não é mau tipo, até porque não deseja mesmo mal a alguém, é apenas um sentimento passageiro, até que depressa volta à razão.
Ele é como tu. Como ele e ela. Como nós. Sentes-te assim? Viveste assim? Foge, foge, bandido!
domingo, junho 15, 2008
ready, set... lift off to the skies of africa
Houston... I HAVE A PROBLEM!!
O cockpit é tudo aquilo que já vimos nas fotos. Só que mais pequeno, com mais botões ainda e um pouco mais velho. Na verdade, muito do cockpit assemelha-se a um carro pequeno, com estofos já um pouco idosos, muito pouco espaço para o que quer que seja, tudo muito ocupado e atolado, desde os biliões de botões e alavancas, que preenchem por completo a parte à frente dos pilotos, o espaço entre os pilotos e... o tecto. Eu vou uns centímetros atrás do comandante do avião e do co-piloto. Ambos homens que parecem experientes, pelo menos na idade (já evidenciam os seus vários cabelos brancos). O banco em que me sento é velho e com dimensões semelhantes a uma cadeira de bebé. Os meus joelhos, mesmo encolhidos, batem nos ferros onde está a consola entre piloto e co-piloto (imagino se fosse alto...). Coloco o cinto obrigatório, que tem uma segurança igual à de uma corda esfarrapada.
Comandante e co-piloto, ainda em frente à fachada principal do minúsculo aeroporto, fazem os checks. Têm uma lista do que é preciso verificar. Têm dados (coordenadas, altitudes, etc) para colocar no computador de bordo - vão falando em voz alta os valores que vão colocando para ficarem registados na caixa negra do avião (não me agrada pensar nisso). Quando entrei ninguém me disse nada.
O ambiente é tenso e profissional. Não há tempo a perder, nem para um bom dia (no dia anterior tinha estado no cockpit em plena viagem no ar e falou-se muito em ambiente descontraido). Mexem em botões, muitos. O avião começou a andar para a pista. Só existe uma, só existe um avião em movimento, tudo à volta da pista são ervas bem altas... nada disto inspira confiança. Piloto e co-piloto nunca descolaram deste aeroporto remoto... o que também não inspira confiança.
A tensão cresce à medida que nos aproximamos da pista. Vejo tudo, desde a vista total do que se passa lá fora até ao que se passa cá dentro. Vejo como giram as rodas do avião, como o co-piloto está a suar e visivelmente atrapalhado e o comandante está mais tranquilo mas também muito concentrado.
Ambos ajeitam com pormenor e cuidado os seus bancos para terem a distância ideal para os pedais. O co-piloto faz o movimento de puxar o banco para a frente e para trás umas dez vezes (bate nos meus joelhos várias vezes, mas já ignoro isso, entre as minhas pernas estão mais uns comandos, penso em mexer nos botões... vontades infantis que controlo, naturalmente, o nervosismo é grande)... não inspira confiança... sente-se muita tensão.
O avião está na posição certa. Vão falando com a torre de controlo (não há torre propriamente, mas pronto). O inglês dos pilotos está longe do perfeito, mas da torre de controlo parece ser pior, pelo que consigo ouvir.
A linguagem utilizada só não me põe a rir às gargalhadas porque muito nervoso. Charlie Eco Alfa Romeu são algumas das palavras que vão deambulando pelo ar, em tom tenso, para confirmar as coordenadas utilizadas... Começo a imaginar as palavras engraçadas que o co-piloto vai dizendo com todas aquelas letras com palavras associadas. Chega a dizer coisas com sentido, no meio de tantas expressões...
Está tudo a postos. O avião começa a fazer mais barulho. O co-piloto ajusta outra vez o banco. O nervosismo cresce. Ambos pegam com intensidade nos comandos do avião. O avião parte a grande velocidade. O piloto vai carregando em botões e alavancas muito rapidamente e à pressa... O meu corpo tenso é empurrado contra o banco minúsculo. Os comandos do avião começam a ser puxados para trás rapidamente e o avião começa a levantar-se do chão...
A ADRENALINA é impressionante e a vista também. Estamos a voar. Há alguma trepidação. O ponteiro da altitude dá voltas de 360º contínuas e frenéticas. Estamos cada vez mais alto. A vista do céu começa a ser também de terra. É deslumbrante. A tranquilidade e os suspiros de alívio estão a instalar-se. Uffa! O comandante sugere-me que me sente no outro banco atrás dele, mais junto à janela esquerda e com vista mais a pique. Um bom conselho. A vista é incrível e muito mais "real", preenchida e completa do que nos lugares normais do avião. A sensação é mais autêntica. Estamos mesmo a voar. Não se trata de imagem que está do lado de fora e nos engana... é mesmo real. A altitude. A sensação.
Lamento para com os meus botões não ter trazido a máquina fotográfica (não era permitido). Encosto a minha cabeça ao vidro. Sinto o ar a passar a grande velocidade do lado de fora. É impressionante. Aproveito e interiorizo a experiência... a decorrer. Sempre acompanhado pela vista incrível sob a planície e as montanhas do Atlas africano.
Em poucos minutos que mais parecem poucos segundos chega a vista sobre as grandes cidades... como Tânger... e as praias. A linha da costa junto ao mediterrâneo é incrivelmente direita com, aparentemente, poucas encostas e praias a perder de vista (são km e km e km sem ausência de areia). A costa começa a ficar cada vez mais para trás e já só vemos mar (junção entre Atlântico e Mediterrâneo)... e nuvens.
Em poucos minutos começamos a ver o que parece ser a costa algarvia. É aí que um dos assistentes de bordo bate à porta. Entra. E convida-me a sair. De saída do cockpit, há algo diferente. Há a forma como me sinto... mais "cheio" de qualquer coisa nova e intensa. E há o sorriso nos lábios que não consigo evitar nem esconder e que não é indiferente aos outros passageiros que estranham ver-me a sair daquela zona.
Sobrevivi e experienciei. Para recordar.



