Para quem quer descobrir e sentir. Quem quer conhecer outras formas de vida e de pensamento, melhor ou pior.
Quem = serEmot futuro.
O que interessa?
Tensões na mente de serEmot
segunda-feira, outubro 05, 2009
sexta-feira, setembro 11, 2009
"tonecas larga o bife" de esferovite
Numa altura em que se fala que o programa da RTP1 Lições de Tonecas deveria ter tido mais protagonismo no resumo do humor em Portugal, Divinas Comédias, chamo a atenção para o seguinte:
Incrível foi terem-se esquecido de uma interpretação do Tonecas bem mais memorável. Aquela que eu fiz no final da 4.ª classe, bem antes da série ter aparecido na RTP1. Era o Tonecas no Natal, a comer bifes e batatas de esferovite e a fazer a vida negra a todos os seus familiares. Ora, sinto-me muito triste pelas Divinas Comédias não terem falado naquela boa interpretação.
Não existem imagens, é certo, mas faziam uma reprodução.
Depois daquela tarde na Escola do Bairro da Ponte das Caldas da Rainha, o humor em Portugal nunca mais foi o mesmo... pelo menos para mim
Incrível foi terem-se esquecido de uma interpretação do Tonecas bem mais memorável. Aquela que eu fiz no final da 4.ª classe, bem antes da série ter aparecido na RTP1. Era o Tonecas no Natal, a comer bifes e batatas de esferovite e a fazer a vida negra a todos os seus familiares. Ora, sinto-me muito triste pelas Divinas Comédias não terem falado naquela boa interpretação.
Não existem imagens, é certo, mas faziam uma reprodução.
Depois daquela tarde na Escola do Bairro da Ponte das Caldas da Rainha, o humor em Portugal nunca mais foi o mesmo... pelo menos para mim
quarta-feira, agosto 19, 2009
is everybody in? the ceremony is about to begin... wake up!
Era ao som de Jim Morrison e das suas longas e profundas orações, em plena madrugada e num quarto de janela com vista para a Rua Ferreira Lapa, 33 (entre a Av. Duque de Loulé e a Rua do Conde Redondo - Lisboa) que um jovem português planeava conquistar o mundo (que mais não fosse, o seu).
"We want the world and we want it... now!"
"We want the world and we want it... now!"
segunda-feira, julho 27, 2009
sábado, julho 25, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
bom dia noite
Custa tanto acostumar o corpo a deitar mais cedo depois de um período a deitar tarde...
Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.
Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...
Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.
Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...
A Cradle Song By William Blake
Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.
Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.
Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.
Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.
Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.
Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,
Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,
Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.
Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.
Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.
Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.
Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.
Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.
Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,
Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,
Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.
sábado, junho 13, 2009
sexta-feira, junho 12, 2009
a noite. a noite. a noite. a noite.
Há qualquer "coisa" que nos une a todos. Sermos humanos é uma dessas "coisas", é certo. Outra é todos nascermos, crescermos e habitarmos no mesmo planeta, a Terra. Partilhamos isso, pelo menos. Com a complexidade cerebral vem grande complexidade no dia a dia. Temos de lidar com essa complexidade.
Viver é como uma busca por algo.
Mesmo que encontremos muita coisa, há sempre algo por procurar.
É bom que assim seja.
Nessa busca nem sempre olhamos para o nosso lado.
Nem sempre vemos, percebemos ou nos disponibilizamos a ajudar outros que estão com dificuldades para encontrar a busca mais simples.
Pessoas boas, cheias de virtudes e sorrisos fáceis são atingidas por essa falta de alguém que lhes dê aquilo que elas merecem. Timidez ajuda à equação.
Muitas resistem bem sozinhas. São independentes, mesmo com as pressões da sociedade. Mas isso não deixa de lhes trazer uma sensação de vazio em muitos momentos. Se tiverem vários amigos, verdadeiros, ajuda a ultrapassar esse vazio. Especialmente se eles também estiverem sozinhos.
Um dos hábitos comuns nos homens de parte da minha família, os semot, passa por passear à noite de carro pelas redondezas. O meu avô é campeão desses passeios. O meu pai menos. E eu ainda menos. Ainda assim são passeios que dão para clarificar as ideias e reflectir. Enquanto passamos pelas vivendas da Encosta do Sol, onde caldenses endinheirados fazem contas às suas vidas e pensam como podem colocar o seu dinheiro ao serviço da sua felicidade, respiramos fundo e reflectimos graças à calma e imensidão da noite. Há qualquer coisa de pacificamente inspirador em conduzir pela zona das Caldas à noite (em Lisboa o efeito é semelhante, já experimentei).
Quando passo pela rotunda junto ao tribunal penso nos miúdos cheios de esperança e em busca de animar a sua noite a caminho de um bar ou da discoteca. Rapazes e raparigas, ou só rapazes ou só raparigas. Namorados de uma noite e amizades de uma só escola.
Quando passo pelo Bairro da Ponte vejo alguns velhos a olharem a noite, a questionarem o bairro sobre o tempo que já passou e não volta mais.
Quando passo pelo Café Creme, vejo um homem de meia idade que mudou de vida para ter mais tempo para a família e para si próprio. Uma vida mais calma. Que ele possa controlar e comandar.
Quando passo pelo Xantarim vejo velhos meio tocados a beber a enésima cerveja e a olhar para o televisor, discutindo sobre banalidades desportivas como se fosse o momento mais determinante das suas vidas. Buscam garras e viralidade que o tempo e a sociedade e algumas das esposas apagaram. Vingam-se nas discussões desportivas e na condução revoltada na estrada.
Quando passo por mais um restaurante italiano caldense, um casal com mais de 35 tenta apimentar o seu dia a dia monótono com uma saída à noite. Ela ralha com ele. Ele vira os olhos e bufa quando ela está de costas. Ao lado, um casal da mesma idade tem os dois filhos muito novos na mesa. Riem-se muito um para o outro e beijam-se prolongadamente sempre que podem. Os filhos parecem indiferentes ao marmelanço dos pais. Já o casal do lado olha com um misto de irritação e ciúme pela "marmelada".
Quando passo pelas rotundas junto à biblioteca vejo uma rapariga a caminhar para casa sozinha. É do tipo de raparigas que vão ter com os seus gatos. Ainda não encontraram o que lhes falta. Saem pouco. Vivem pouco. Trabalham e pouco mais. Não acharam o que procuravam. Não desistiram, mas os sítios para procurar são cada vez mais pequenos e ínfimos. Têm poucos amigos verdadeiros. São bonitas mas não ostensivas. Simpáticas mas não extrovertidas. Sorridentes mas não preenchidas. Andam por aí montes de rapazes na mesma situação.
Longe da adolescência e longe do paradigma de adulto. Buscam muitas vezes o mesmo mas não se encontram, não fazem por se encontrar, não fazem por resultar. Não juntam os trapos. E vão todos para as suas casas, vazias. Sozinhas. Vazias. Grandes. Vazias. Com o gato como companhia nova. Um dia vão encontrar companhia para partilhar a vida e vai valer a espera. É nisso que acreditam.
A noite esconde tudo aquilo que buscamos. É o fim do dia. É o fim de mais uma página na nossa vida. Podemos parar, olhar para o que fizemos nesse dia, nessa semana, nesse mês, nesse ano e mesmo nessa década. Podemos parar e reflectir no que vamos fazer amanhã, quando o sol inaugurar mais uma página, o que vamos fazer na próxima semana, no próximo mês, no resto do ano ou na próxima década. A noite traz com ela o olhar de quem espera. De quem busca. De quem vive e aguarda viver mais um dia. A noite coloca tudo em perspectiva, mesmo que seja no final de uma noitada, já de madrugada. A noite leva-nos a tentar perceber o que fizemos e para onde vamos. Mesmo que não façamos a mínima ideia porque fizemos o que fizemos e porque seguimos o caminho que seguimos. A noite deixa-nos na língua o sabor de algo mais, algo que ainda não concretizámos. A noite faz-nos sonhar pelo inalcansável e acreditar que é possível lá chegar, mas também perceber que chegámos ao fim de mais uma página sem alcançar o que procurávamos e a cumprir novamente uma rotina que foi escolhida para nós.
A noite dói. A noite faz sorrir. A noite faz chorar. A noite faz sentir.
Viver é como uma busca por algo.
Mesmo que encontremos muita coisa, há sempre algo por procurar.
É bom que assim seja.
Nessa busca nem sempre olhamos para o nosso lado.
Nem sempre vemos, percebemos ou nos disponibilizamos a ajudar outros que estão com dificuldades para encontrar a busca mais simples.
Pessoas boas, cheias de virtudes e sorrisos fáceis são atingidas por essa falta de alguém que lhes dê aquilo que elas merecem. Timidez ajuda à equação.
Muitas resistem bem sozinhas. São independentes, mesmo com as pressões da sociedade. Mas isso não deixa de lhes trazer uma sensação de vazio em muitos momentos. Se tiverem vários amigos, verdadeiros, ajuda a ultrapassar esse vazio. Especialmente se eles também estiverem sozinhos.
Um dos hábitos comuns nos homens de parte da minha família, os semot, passa por passear à noite de carro pelas redondezas. O meu avô é campeão desses passeios. O meu pai menos. E eu ainda menos. Ainda assim são passeios que dão para clarificar as ideias e reflectir. Enquanto passamos pelas vivendas da Encosta do Sol, onde caldenses endinheirados fazem contas às suas vidas e pensam como podem colocar o seu dinheiro ao serviço da sua felicidade, respiramos fundo e reflectimos graças à calma e imensidão da noite. Há qualquer coisa de pacificamente inspirador em conduzir pela zona das Caldas à noite (em Lisboa o efeito é semelhante, já experimentei).
Quando passo pela rotunda junto ao tribunal penso nos miúdos cheios de esperança e em busca de animar a sua noite a caminho de um bar ou da discoteca. Rapazes e raparigas, ou só rapazes ou só raparigas. Namorados de uma noite e amizades de uma só escola.
Quando passo pelo Bairro da Ponte vejo alguns velhos a olharem a noite, a questionarem o bairro sobre o tempo que já passou e não volta mais.
Quando passo pelo Café Creme, vejo um homem de meia idade que mudou de vida para ter mais tempo para a família e para si próprio. Uma vida mais calma. Que ele possa controlar e comandar.
Quando passo pelo Xantarim vejo velhos meio tocados a beber a enésima cerveja e a olhar para o televisor, discutindo sobre banalidades desportivas como se fosse o momento mais determinante das suas vidas. Buscam garras e viralidade que o tempo e a sociedade e algumas das esposas apagaram. Vingam-se nas discussões desportivas e na condução revoltada na estrada.
Quando passo por mais um restaurante italiano caldense, um casal com mais de 35 tenta apimentar o seu dia a dia monótono com uma saída à noite. Ela ralha com ele. Ele vira os olhos e bufa quando ela está de costas. Ao lado, um casal da mesma idade tem os dois filhos muito novos na mesa. Riem-se muito um para o outro e beijam-se prolongadamente sempre que podem. Os filhos parecem indiferentes ao marmelanço dos pais. Já o casal do lado olha com um misto de irritação e ciúme pela "marmelada".
Quando passo pelas rotundas junto à biblioteca vejo uma rapariga a caminhar para casa sozinha. É do tipo de raparigas que vão ter com os seus gatos. Ainda não encontraram o que lhes falta. Saem pouco. Vivem pouco. Trabalham e pouco mais. Não acharam o que procuravam. Não desistiram, mas os sítios para procurar são cada vez mais pequenos e ínfimos. Têm poucos amigos verdadeiros. São bonitas mas não ostensivas. Simpáticas mas não extrovertidas. Sorridentes mas não preenchidas. Andam por aí montes de rapazes na mesma situação.
Longe da adolescência e longe do paradigma de adulto. Buscam muitas vezes o mesmo mas não se encontram, não fazem por se encontrar, não fazem por resultar. Não juntam os trapos. E vão todos para as suas casas, vazias. Sozinhas. Vazias. Grandes. Vazias. Com o gato como companhia nova. Um dia vão encontrar companhia para partilhar a vida e vai valer a espera. É nisso que acreditam.
A noite esconde tudo aquilo que buscamos. É o fim do dia. É o fim de mais uma página na nossa vida. Podemos parar, olhar para o que fizemos nesse dia, nessa semana, nesse mês, nesse ano e mesmo nessa década. Podemos parar e reflectir no que vamos fazer amanhã, quando o sol inaugurar mais uma página, o que vamos fazer na próxima semana, no próximo mês, no resto do ano ou na próxima década. A noite traz com ela o olhar de quem espera. De quem busca. De quem vive e aguarda viver mais um dia. A noite coloca tudo em perspectiva, mesmo que seja no final de uma noitada, já de madrugada. A noite leva-nos a tentar perceber o que fizemos e para onde vamos. Mesmo que não façamos a mínima ideia porque fizemos o que fizemos e porque seguimos o caminho que seguimos. A noite deixa-nos na língua o sabor de algo mais, algo que ainda não concretizámos. A noite faz-nos sonhar pelo inalcansável e acreditar que é possível lá chegar, mas também perceber que chegámos ao fim de mais uma página sem alcançar o que procurávamos e a cumprir novamente uma rotina que foi escolhida para nós.
A noite dói. A noite faz sorrir. A noite faz chorar. A noite faz sentir.
terça-feira, junho 09, 2009
segunda-feira, maio 18, 2009
o mundo lá fora
As notícias estão cada vez menos frescas e as ideias cada vez menos boas.
Sexta-feira à noite. El Corte Inglès, UCI. Lisboa. As salas de cinema parecem a feira sábado de manhã. Correntes de pessoas passeiam-se de um lado para o outro na entrada e corredores das salas de cinema, entre o desejo de pipocas que podiam ser vendidas ao preço da uva mijona mas custam o mesmo do que a uva Roman Ruby (é muito cara), e uma Coca-Cola que custa 10 vezes menos no supermercado. É proibido trazer pipocas ou Cola de casa. Faz sentido, pelo menos para os bolsos do cinema.
A sessão de Anjos e Demónios esgotou. A pressa por ver blockbusters continua frenética. Ir ao cinema é coisa de massas e começa a ser assunto para se ter massa, já que barato não é. Tenho saudades da calma de um cinema vazio.
Sábado à tarde. Freeport, sem ser o Caso. No meio do "deserto" de Alcochete vislumbra-se ao longe o centro de comércio e caso de polícia Freeport. As espécies da zona devem gostar da companhia. À entrada uma pirâmide de vidro no meio de um mini lago. São as Informações do Freeport. Entrei. Pedi para esclarecerem dúvidas sobre o Freeport que tinha (ainda tenho).
Foram afáveis... até eu ter colocado as perguntas: gostaria de saber informações sobre se houve abuso de poder, prendinhas, beijinhos ou corrupção de José Sócrates, tios, primos, mãe, avó, avô e sobrinhos para que o Freeport tenha sido erguido por aqui?
Não terei sido o único a fazer a pergunta, porque foi-me aplicado de imediato o "Código 333". Basicamente consiste em ser massajado nas costas pelos cotovelos de um senhor que pesa 333 kg (só podia).
Andar às compras, para mim, vem com um limite temporal. Depois do limite ter sido ultrapassado o meu cérebro deixa de responder em tempo real... entra numa outra dimensão. O limite temporal não é certo, varia de disposições. Certo é que após cinco lojas seguidas e 9999 peças de roupa vistas torna-se difícil processar mais roupa. Tudo parece igual. Não apetece experimentar nada, ver mais nada, andar mais nada.
Depois criam-se os cantos dos homens desesperados. Qualquer sítio que dê para sentar é um Oasis, tão raro como os verdadeiros Oasis no deserto (e que tal criarem espaços para os homens poderem estar à vontade numa loja, hein?!).
Os homens concentram-se em locais nada apropriados, à espera das suas analisadoras profissionais de roupa e acessórios. Seja perto dos vestiários, numa secção de lingerie intimidatória (onde os olhares parecem concentrarem-se em nós, o elemento estranho), junto ao guichet onde estamos sempre no caminho de alguém.
Depois tentamos disfarçar, mostrando naturalidade, hábito, brincamos com o telemóvel, olhamos ligeiramente para a roupa (mais a pensar como seria giro despi-la da empregada da loja), avaliamos (sem dar nas vistas) o que se aproveita na loja (não se fala aqui de roupa). Se houver secção masculina podemos passar por lá, por pouco tempo... com medo de nos perdermos.
Uma zona para nos sentarmos sabe a ginja. Zonas com sofás (normalmente perto dos sapatos) chegam a ser uma perdição. Mais curioso é ver que os homens concentram-se logo que podem ali. É um local de eleição. Sentar. Observar. Esperar. Mal o menos.
O máximo que alguma vez consegui comprar sozinho de forma consecutiva foram duas peças de roupa. Depois precisei sempre de um período de desenjoo. Ir às compras já custou menos, curiosamente. Ir a uma ou duas lojas e estar em cada uma no máximo 5 minutos é um privilégio ao alcance de poucos homens.
Domingo. Limpezas pela manhã deveriam ser proibidas em todos os países do planeta Terra. It's a dirty job, but someone as got to do it. Depois de começar até se faz bem. Mas levantar e começar é que demoraaaaa.
Início de tarde. A dúvida gera pânico. Será que a data de entrega do IRS já passou? A pesquisa no Google, mais demorada do que deveria ser (informação de difícil acesso) gera o alívio. Ainda faltam uns dias. Começa-se a juntar papéis, descarregar o programa do site das Finanças e a fazer contas à vida.
Fazer o IRS é uma espécie de fim de ano muito atrasado (são cinco meses de atraso), onde se recapitula 12 meses de vida numa perspectiva financeira, que acaba também por ser profissional e extremamente pessoal. Tiram-se ilações, sobre as conquistas profissionais, os gastos mensais e as grandes desilusões. Porque é que não fiz isto, porque é que fiz aquilo. Interrogações que, estupidamente, só surgem com cinco meses de atraso porque as contas (mais práticas e menos metafísicas) são feitas de forma mais completa com a elaboração do IRS.
O Estado devia-me pagar por trabalho de contabilista. Ter de contar factura a factura, papel a papel, deve ser tão doloroso quanto ser José Sócrates e ler crónicas de jornalistas contra medidas, acções de propaganda e afins sócratianas. O Sócrates processa nestes casos (da forma mais cara e eficiente que existe), será que posso fazer o mesmo relativamente ao Estado e ao meu trabalho como contabilista?
As Finanças deveriam anunciar a proximidade dos tempos de entrega do IRS da seguinte forma:

Segunda-feira de manhã. Uma palavra mal dita para a câmara tira o entusiasmo na edição de uma peça televisiva. Tiram-se lições e fazem-se emendas. É para isso que serve o curso. Depois disso, uma situação chata resolveu-se mais facilmente do que poderia julgar. Voltei a recordar como é ser guiado num automóvel, para variar.
O dia terminou com um regresso a um passado que não volta mais, para o bem e para o mal. Incrível como deixamos que os anos passem por uma parte da nossa vida, até que voltamos a ela e percebemos que deixámos para trás uma parte de nós. Ficou meio esquecida. E o tempo passou. Quando voltamos tudo está na mesma, mas já não é tão nosso quanto foi. Custa, mais do que parecia ser possível.
Sono. Dormir. Amanhã começa tudo de novo. Só que não é de novo. É a meio. Há-que compensar pelo tempo perdido, não desaproveitar o tempo ganho e organizar passado, presente e futuro.
Sexta-feira à noite. El Corte Inglès, UCI. Lisboa. As salas de cinema parecem a feira sábado de manhã. Correntes de pessoas passeiam-se de um lado para o outro na entrada e corredores das salas de cinema, entre o desejo de pipocas que podiam ser vendidas ao preço da uva mijona mas custam o mesmo do que a uva Roman Ruby (é muito cara), e uma Coca-Cola que custa 10 vezes menos no supermercado. É proibido trazer pipocas ou Cola de casa. Faz sentido, pelo menos para os bolsos do cinema.
A sessão de Anjos e Demónios esgotou. A pressa por ver blockbusters continua frenética. Ir ao cinema é coisa de massas e começa a ser assunto para se ter massa, já que barato não é. Tenho saudades da calma de um cinema vazio.
Sábado à tarde. Freeport, sem ser o Caso. No meio do "deserto" de Alcochete vislumbra-se ao longe o centro de comércio e caso de polícia Freeport. As espécies da zona devem gostar da companhia. À entrada uma pirâmide de vidro no meio de um mini lago. São as Informações do Freeport. Entrei. Pedi para esclarecerem dúvidas sobre o Freeport que tinha (ainda tenho).
Foram afáveis... até eu ter colocado as perguntas: gostaria de saber informações sobre se houve abuso de poder, prendinhas, beijinhos ou corrupção de José Sócrates, tios, primos, mãe, avó, avô e sobrinhos para que o Freeport tenha sido erguido por aqui?
Não terei sido o único a fazer a pergunta, porque foi-me aplicado de imediato o "Código 333". Basicamente consiste em ser massajado nas costas pelos cotovelos de um senhor que pesa 333 kg (só podia).
Andar às compras, para mim, vem com um limite temporal. Depois do limite ter sido ultrapassado o meu cérebro deixa de responder em tempo real... entra numa outra dimensão. O limite temporal não é certo, varia de disposições. Certo é que após cinco lojas seguidas e 9999 peças de roupa vistas torna-se difícil processar mais roupa. Tudo parece igual. Não apetece experimentar nada, ver mais nada, andar mais nada.
Depois criam-se os cantos dos homens desesperados. Qualquer sítio que dê para sentar é um Oasis, tão raro como os verdadeiros Oasis no deserto (e que tal criarem espaços para os homens poderem estar à vontade numa loja, hein?!).
Os homens concentram-se em locais nada apropriados, à espera das suas analisadoras profissionais de roupa e acessórios. Seja perto dos vestiários, numa secção de lingerie intimidatória (onde os olhares parecem concentrarem-se em nós, o elemento estranho), junto ao guichet onde estamos sempre no caminho de alguém.
Depois tentamos disfarçar, mostrando naturalidade, hábito, brincamos com o telemóvel, olhamos ligeiramente para a roupa (mais a pensar como seria giro despi-la da empregada da loja), avaliamos (sem dar nas vistas) o que se aproveita na loja (não se fala aqui de roupa). Se houver secção masculina podemos passar por lá, por pouco tempo... com medo de nos perdermos.
Uma zona para nos sentarmos sabe a ginja. Zonas com sofás (normalmente perto dos sapatos) chegam a ser uma perdição. Mais curioso é ver que os homens concentram-se logo que podem ali. É um local de eleição. Sentar. Observar. Esperar. Mal o menos.
O máximo que alguma vez consegui comprar sozinho de forma consecutiva foram duas peças de roupa. Depois precisei sempre de um período de desenjoo. Ir às compras já custou menos, curiosamente. Ir a uma ou duas lojas e estar em cada uma no máximo 5 minutos é um privilégio ao alcance de poucos homens.
Domingo. Limpezas pela manhã deveriam ser proibidas em todos os países do planeta Terra. It's a dirty job, but someone as got to do it. Depois de começar até se faz bem. Mas levantar e começar é que demoraaaaa.
Início de tarde. A dúvida gera pânico. Será que a data de entrega do IRS já passou? A pesquisa no Google, mais demorada do que deveria ser (informação de difícil acesso) gera o alívio. Ainda faltam uns dias. Começa-se a juntar papéis, descarregar o programa do site das Finanças e a fazer contas à vida.
Fazer o IRS é uma espécie de fim de ano muito atrasado (são cinco meses de atraso), onde se recapitula 12 meses de vida numa perspectiva financeira, que acaba também por ser profissional e extremamente pessoal. Tiram-se ilações, sobre as conquistas profissionais, os gastos mensais e as grandes desilusões. Porque é que não fiz isto, porque é que fiz aquilo. Interrogações que, estupidamente, só surgem com cinco meses de atraso porque as contas (mais práticas e menos metafísicas) são feitas de forma mais completa com a elaboração do IRS.
O Estado devia-me pagar por trabalho de contabilista. Ter de contar factura a factura, papel a papel, deve ser tão doloroso quanto ser José Sócrates e ler crónicas de jornalistas contra medidas, acções de propaganda e afins sócratianas. O Sócrates processa nestes casos (da forma mais cara e eficiente que existe), será que posso fazer o mesmo relativamente ao Estado e ao meu trabalho como contabilista?
As Finanças deveriam anunciar a proximidade dos tempos de entrega do IRS da seguinte forma:

Segunda-feira de manhã. Uma palavra mal dita para a câmara tira o entusiasmo na edição de uma peça televisiva. Tiram-se lições e fazem-se emendas. É para isso que serve o curso. Depois disso, uma situação chata resolveu-se mais facilmente do que poderia julgar. Voltei a recordar como é ser guiado num automóvel, para variar.
O dia terminou com um regresso a um passado que não volta mais, para o bem e para o mal. Incrível como deixamos que os anos passem por uma parte da nossa vida, até que voltamos a ela e percebemos que deixámos para trás uma parte de nós. Ficou meio esquecida. E o tempo passou. Quando voltamos tudo está na mesma, mas já não é tão nosso quanto foi. Custa, mais do que parecia ser possível.
Sono. Dormir. Amanhã começa tudo de novo. Só que não é de novo. É a meio. Há-que compensar pelo tempo perdido, não desaproveitar o tempo ganho e organizar passado, presente e futuro.
domingo, março 22, 2009
o craque do campo *
Jogar à bola no campo é como aprender a andar. Primeiro custa, depois melhoramos, e finalmente não queremos outra coisa, tornando-se algo que nos acompanha toda a vida.
Jogar à bola no campo tornou-se uma espécie de terapia para mim desde tenra idade. Os adversários são imaginários, já que 90% do tempo jogamos sozinhos. As balizas também são fruto da imaginação, e o mesmo acontece com as vitórias e os títulos.
Jogar à bola no campo acompanhou-me na Primária, quando vinha para casa e fintava as ervas daninhas, as árvores e afins. Bem como no Ciclo, quando falava com a bola sobre o que seria o amor. O mesmo aconteceu no secundário, quando fazia autênticos campeonatos pelo chão de terra, pelos arbustos e com as paredes. Era um grande campeão neste mundo imaginário, que sempre me acompanhou desde que comecei a andar.
Jogar à bola no campo ajudou-me a relacionar-me com o meu irmão, sentir-me bem em ensinar-lhe um ou outro truque. Joguei à bola com ele pouco depois de ter começado a andar, quando eu tinha os meus 17/18 anos. Joguei com ele quando ele já corria bastante e pouco me via, estava eu na faculdade, e ele na Primária. Jogo com ele hoje, e nos dias que correm já é ele que corre mais do eu, já é ele que me ensina uns truques, já é ele que actua num escalão de formação e sou eu que tenho dificuldades em me manter em forma.
Jogar à bola no campo era a terapia que me tranquilizava antes de um teste importante. Era o momento zen antes do teste. Era a pausa física durante do estudo, que me ajudava a concentrar e me tirava alguma da tensão do corpo. Recordo-me que associava aqueles momentos que me ajudavam à concentração a um filme, Uma Questão de Honra. A personagem de Tom Cruise tinha uma bastão de basebol que o ajudava a pensar, a concentrar-se, eu tinha os meus momentos com a bola, um campo e uma parede. Quando cheguei à faculdade e passei a viver na cidade, Lisboa, deixei de ter o meu momento... e isso custou-me mais do que eu pensei na altura.
Jogar à bola no campo fez por mim bem mais do que ajudar a melhorar o meu jogo. A minha imaginação tornou-me campeão dos campeões, craque dos craques, marcador de golos inesquecíveis, conquistador de troféus apetecíveis.
Jogar à bola no campo faz parte de mim.
* Se Fernando Assis Pacheco foi craque na sua Rua Guerra Junqueiro, eu cá fui craque no campo, ali para os lados do Casal do Lavradio, Caldas da Rainha.
Jogar à bola no campo tornou-se uma espécie de terapia para mim desde tenra idade. Os adversários são imaginários, já que 90% do tempo jogamos sozinhos. As balizas também são fruto da imaginação, e o mesmo acontece com as vitórias e os títulos.
Jogar à bola no campo acompanhou-me na Primária, quando vinha para casa e fintava as ervas daninhas, as árvores e afins. Bem como no Ciclo, quando falava com a bola sobre o que seria o amor. O mesmo aconteceu no secundário, quando fazia autênticos campeonatos pelo chão de terra, pelos arbustos e com as paredes. Era um grande campeão neste mundo imaginário, que sempre me acompanhou desde que comecei a andar.
Jogar à bola no campo ajudou-me a relacionar-me com o meu irmão, sentir-me bem em ensinar-lhe um ou outro truque. Joguei à bola com ele pouco depois de ter começado a andar, quando eu tinha os meus 17/18 anos. Joguei com ele quando ele já corria bastante e pouco me via, estava eu na faculdade, e ele na Primária. Jogo com ele hoje, e nos dias que correm já é ele que corre mais do eu, já é ele que me ensina uns truques, já é ele que actua num escalão de formação e sou eu que tenho dificuldades em me manter em forma.
Jogar à bola no campo era a terapia que me tranquilizava antes de um teste importante. Era o momento zen antes do teste. Era a pausa física durante do estudo, que me ajudava a concentrar e me tirava alguma da tensão do corpo. Recordo-me que associava aqueles momentos que me ajudavam à concentração a um filme, Uma Questão de Honra. A personagem de Tom Cruise tinha uma bastão de basebol que o ajudava a pensar, a concentrar-se, eu tinha os meus momentos com a bola, um campo e uma parede. Quando cheguei à faculdade e passei a viver na cidade, Lisboa, deixei de ter o meu momento... e isso custou-me mais do que eu pensei na altura.
Jogar à bola no campo fez por mim bem mais do que ajudar a melhorar o meu jogo. A minha imaginação tornou-me campeão dos campeões, craque dos craques, marcador de golos inesquecíveis, conquistador de troféus apetecíveis.
Jogar à bola no campo faz parte de mim.
* Se Fernando Assis Pacheco foi craque na sua Rua Guerra Junqueiro, eu cá fui craque no campo, ali para os lados do Casal do Lavradio, Caldas da Rainha.
domingo, março 08, 2009
a selva urbana
O dia-a-dia consegue tornar-me dormente. Vou na estrada com a naturalidade, o hábito, a rotina e o à vontade da dormência. A rapidez e pressa é constante, mesmo quando não há propriamente pressa. O carro é um meio para um fim. Chego a não me lembrar dos momentos da condução, mesmo quando apanhei algum susto, por norma provocado por condutores que se atravessam pela frente com grande brutalidade e sem qualquer sinalização. A estrada é um meio para chegar a qualquer sítio. Esqueço-me diariamente que também é uma selva, onde se pode ficar preso (todos os dias alguém fica preso nela).
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
"don't believe in god? you are not alone."
"o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus
Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia."
por José Saramago, in Caderno
terça-feira, fevereiro 10, 2009
não coçarás pela manhã
Pode ser noite cerrada, estar na hora da caminha, mas o meu pensamento vai para a manhã. Ou melhor, os hábitos matinais masculinos. Por mais que queiramos nós, homens, teremos sempre hábitos muito particulares, que fazem parte da nossa condição - claro que há excepções. Por mais que visse o meu pai ter uma certa tendência para se coçar de manhã e dissesse para mim mesmo "isto nunca irei fazer, é estúpido"; hoje cumpro o destino e não passa uma manhã em que não acordo com esse instinto. Não é que queira, acaba por ser mais forte do que eu.
O mesmo acontece com outras particularidades que vêm com o "território" de ser homem e de crescer com certas características intrínsecas.
Ainda há o domínio dos gostos: homem que é homem gosta de bola, carros e mamas. Mesmo que queira fugir ao estereótipo, sou incapaz de dizer que não gosto de bola, e ainda menos incapaz de dizer que não sou grande fã de "enormes seios" (como dizia o Markl no Homem que Mordeu o Cão). Até de carros, gosto que nunca aprofundei muito na adolescência, o destino fez-me aprender mais sobre o mundo automóvel e passar a adorar sentir as pequenas diferenças entre bólides.
Não digo isto para dizer que sim, os homens são todos iguais. Escrevo isto para evidenciar que sim, todos somos humanos e nós, homens, com características intrínsecas tão vincadas, temos tendência clara para fazer e gostar de determinada forma.
Por mais que, enquanto miúdo não percebesse certos hábitos masculinos e achasse que dificilmente me iria tornar assim (que mais não fosse peludo), hoje sou muitas das coisas que achava que não ia ser. No entanto, nada que me comprometa, bem pelo contrário. Acho que o puto emot não se ia importar.
Vou dormir. Estou pronto para a manhã e para tudo o que ela trará.
O mesmo acontece com outras particularidades que vêm com o "território" de ser homem e de crescer com certas características intrínsecas.
Ainda há o domínio dos gostos: homem que é homem gosta de bola, carros e mamas. Mesmo que queira fugir ao estereótipo, sou incapaz de dizer que não gosto de bola, e ainda menos incapaz de dizer que não sou grande fã de "enormes seios" (como dizia o Markl no Homem que Mordeu o Cão). Até de carros, gosto que nunca aprofundei muito na adolescência, o destino fez-me aprender mais sobre o mundo automóvel e passar a adorar sentir as pequenas diferenças entre bólides.
Não digo isto para dizer que sim, os homens são todos iguais. Escrevo isto para evidenciar que sim, todos somos humanos e nós, homens, com características intrínsecas tão vincadas, temos tendência clara para fazer e gostar de determinada forma.
Por mais que, enquanto miúdo não percebesse certos hábitos masculinos e achasse que dificilmente me iria tornar assim (que mais não fosse peludo), hoje sou muitas das coisas que achava que não ia ser. No entanto, nada que me comprometa, bem pelo contrário. Acho que o puto emot não se ia importar.
Vou dormir. Estou pronto para a manhã e para tudo o que ela trará.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
decisões à pressa
Decidi muito simplesmente fazer uma coisa por mês de que me orgulhe verdadeiramente. Se conseguir acho que vai ser: "a very good year".
domingo, janeiro 18, 2009
vale a experiência... talvez... ou não
O tempo que passamos num sítio diferente costuma ficar marcado. Muitas vezes a memória que temos desse lugar é mais ao menos a mesma. Tem vezes que nos esquecemos com quem íamos quando tirámos uma fotografia bonita, ou do cheiro daqueles campos cheios de 'verde' por todo o lado. A memória é o que nos serve de inspiração durante a vida. Deixamos de utilizá-la quando morremos, segundo dizem. Deixamos de utilizá-la quando nos tornamos inúteis para nós próprios. A memória é o que nos une a nós mesmos. Ao que somos, como resultado do que fizemos. Da conjugação de momentos, instantes, experiências. Perdê-la, a memória, pode permitir partirmos à descoberta de coisas diferente, em que não costumávamos pensar ou que estavam recônditas dentro nós mesmos.
Muitas vezes não perdemos, verdadeiramente, a memória. Simplesmente algo despoleta em nós uma mudança. Mudança essa que nos faz querer arriscar e fazer algo que não faríamos normalmente. É a nossa mente a pregar-nos partidas. A ser arriscada porque sim. A experiência de contrariar o que já está delineado para nós pode ser uma fuga ou uma solução, normalmente passageira. Vale a experiência... julgo.
PS: pensamento integralmente inspirado no filme que acabei de ver (vicky cristina barcelona).
Muitas vezes não perdemos, verdadeiramente, a memória. Simplesmente algo despoleta em nós uma mudança. Mudança essa que nos faz querer arriscar e fazer algo que não faríamos normalmente. É a nossa mente a pregar-nos partidas. A ser arriscada porque sim. A experiência de contrariar o que já está delineado para nós pode ser uma fuga ou uma solução, normalmente passageira. Vale a experiência... julgo.
PS: pensamento integralmente inspirado no filme que acabei de ver (vicky cristina barcelona).
segunda-feira, janeiro 05, 2009
pensamentos em percentagens
Se eu fizesse 40% daquilo que penso em fazer era um homem bem mais preenchido e feliz, mas se cumprisse 100% daquilo em que penso não só era infeliz como daria em louco. Como cumpro apenas 15%, sou apenas alguém às vezes satisfeito.
sexta-feira, janeiro 02, 2009
sexta-feira, dezembro 26, 2008
la la la la la means...
Many guys have come to you
With a line that wasn't true
And you passed them by (passed them by)
Now you're in the center ring
And their lines don't mean a thing
Why don't you let me try (let me try)
Now I don't wear a diamond ring
I don't even have a song to sing
All I know is
La la la la la la la la la means
I love you
Oh, baby please now
Oh... baby
La la la la la la la la la means
I love you
La la la la la la la la la means
I love you
by Delfonics
terça-feira, dezembro 23, 2008
sexta-feira, dezembro 19, 2008
doubt, the movie
O poder da dúvida é muito grande e disperso no ser humano. Isso mesmo é o grande alvo de magnifico filme Doubt que, de certeza, deve ser nomeado para os Óscares deste ano - já o foi para os Globos de Ouro.
Seja na escola, no Parlamento, no local de trabalho (o parlamento, ao que parece, raramente é local de trabalho), na Igreja, na mercearia, ou outro qualquer lugar, uma suspeita, ainda que infundada, uma afirmação constante e obcecada sobre alguém pode ser de uma crueldade incrível. Porque ultrapassa os domínios da verdade e atinge os domínios da dúvida. Se há alguém que o diz de forma tão certa, passa a não interessar se existem ou não fundamentos, se a suspeita é baseado em algo real ou mera embirração infantil. Passa a existir sempre a dúvida. E a dúvida consome. A dúvida destrói.
terça-feira, dezembro 16, 2008
what can i do for you, mate?
Londres é um pedaço de mau caminho, mas in a good way. Apetece voltar. Depressa. Vim de lá com um cheirinho do espírito inglês. Fica noite cerrada logo às 4h da tarde. A noite começa cedo, e o dia também. O tempo agreste e menos solarengo propícia a que todos andem mais concentrados no que se passa cá em baixo. Todos concentram-se mais no que estão ou vão fazer.
O frio londrino faz-me sentir vivo. Motivado. Olhando para a cidade e para quem trabalha e vive nela fica a sensação que, ali, todos produzem ao máximo, seja para o bem comum, do patrão, ao para si próprios. Isso é contagiante e motivador. É possível fazer mais. Vale a pena fazer mais. Por isso e MUITO MAIS vejo em Londres uma cidade excelente para se viver. O meu amigo João Rosas, a estudar por lá, que o diga.
O frio londrino faz-me sentir vivo. Motivado. Olhando para a cidade e para quem trabalha e vive nela fica a sensação que, ali, todos produzem ao máximo, seja para o bem comum, do patrão, ao para si próprios. Isso é contagiante e motivador. É possível fazer mais. Vale a pena fazer mais. Por isso e MUITO MAIS vejo em Londres uma cidade excelente para se viver. O meu amigo João Rosas, a estudar por lá, que o diga.
domingo, novembro 30, 2008
granizo, chuva, vento, frio
by seremot
O frio aperta. A chuva não pára. O granizo acorda. É Inverno, puro e duro. Só apetece ficar em casa. Quieto e parado.
Foi uma noite de despedida, do meu primo. Um dos meus melhores amigos desde que me conheço, que vai agora viver uma aventura por Paris, em busca de novas motivações. Para matar saudades, voltámos a passar a madrugada em família (faltaram os meus tios e prima Judite, que estão a viver em Paris) e a jogar monopólio - já lá iam uns quantos anos desde a última vez. Voltei a ganhar (nunca perdi a jogar ao monopólio).
quarta-feira, novembro 26, 2008
father and son...
Quando tinha 11 anos e via o meu pai ouvir Cat Stevens e a banda sonora do filme Jesus Christ Superstar e dizia: "Lá está ele a ouvir música velha!" Quando fiz 18 anos e o meu pai me apanhou a ouvir Cat Stevens disse: "Então não eras tu que não gostavas de música velha?!"
Resta dizer que esses dois CD's (dos primeiros a circular lá por casa - os primeiros adquiridos de propósito para mim, tinha 10 anos, foram Waking Up the Neighbours (BA) e Auto da Pimenta (Rui Veloso - este último por pressão do meu pai, mas revelou-se, anos mais tarde, uma escolha acertada)), neste momento, 15 anos depois, estão em minha casa e o meu pai nunca mais os viu...
Volta na volta estou a ouvir o The Very Best of Cat Stevens ou o Jesus Christ Superstar Soundtrack... ainda hoje. E sabe bem.
Estarei a ficar velho?
This is your life, and is ending one minute at a time...
terça-feira, novembro 25, 2008
onde estás tu... jovem atento neste princípio de milénio
Chego aos 27 anos com a legitimidade de poder dizer: as pessoas ainda me surpreendem, todos os dias.
hoje é 25 de novembro (2008) - houve música e choveu
13h20 - Saí da sala de cinema no Campo Pequeno depois de ver um filme fraquinho salvo pela voz contagiante e autenticamente hipnotizante de Amália Rodrigues. Passo pelo restaurante anexo aos cinemas e vejo uma foto gigante de Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio e Jack Nicholson ao lado de uma mesa, com um fundo de sala de cinema. Parece mesmo que estão ali! Não estão. Penso "devia de tirar uma foto ao pormenor... mas é melhor não". Continuo em passo acelerado a caminho do carro.
13h22 - Ali junto à Culturgest vejo um rapaz de bicicleta a vir na minha direcção sem as mãos no volante. Onde estavam elas? (nada de pensamentos ordinários, sff) Nos bolsos do casaco! Isto num passeio com vários peões (ou serão transeuntes - essa palavra assustadoramente esquisita). Ia-se desviando das pessoas ligeiramente com o movimento do corpo. Tudo bem que estava um frio de rachar, mas voltei a ter um dos meus pensamentos assassinos: colocar o pé à frente da roda talvez ensinasse a alguém uma lição...
13h23 - Aproximo-me do carro com o receio habitual: "Será que tenho o carro bloqueado? Será? (tinha passado uma hora do tempo regulamentar)" Olho e... não. Óptimo! Menos uma preocupação.
13h24 - Ligo o carro, sorrio com o barulho do motor e... o rádio está a tocar a alto e bom som um hino à boa música: Roadhouse Blues. A voz de Jim Morrison enche por completo o ambiente e o espírito com que parto à estrada... tento acompanhá-lo a cantar:
"Let it roll, baby roll, let it roll, baby roll... let it roll... ALL NIGHT LONG!! Yeaaaahhh!"
Esta é uma canção que enche um dia inteiro! Em poucos minutos vibrei ao som de duas vozes inconfundíveis, repletas de "alma" e uma força inebriante e que enfeitiça... curiosamente, ambas "as vozes" não existem mais neste mundo.
13h27 - Depois de ouvir Jim Morrison, já a passar pela Alameda, não passa mais nada de jeito no rádio. Tudo o resto é porcaria (para não dizer merda que pode ferir algums susceptibilidades). Tudo o resto está abaixo de uma fasquia tão alta.
13h28 / 23h08 - Chegada a noite estou para aqui a escrever esta porra. Das 13h28 até agora não há nada digno de registo. Nada interessou, nem mesmo o jogo de futebol que foi fraquinho demais para mencionar. Nem mesmo a ida a casa em 30 minutos, em plena hora de ponta, para ir buscar o equipamento e voltar a Carnaxide para jogar vale a pena mencionar (o 147 Ducati portou-se muito bem). Aquele momento dos Roadhouse Blues fez o dia valer a pena.
O resto são "pintelhices", como dizia carinhosamente o meu professor de Introdução às Tecnologias de Informação do 12º ano (lembras-te Flipe? Ele dizia essa bela expressão especialmente a ti!).
Mãe, boa noite. Estou para ver o que me reserva amanhã.
PS: A chuva está aí em força, e com ela mais uns milhares de carros pela cidade. Viva o piso molhado, viva! Viva os milhares que não sabem conduzir um automóvel mas andam na estrada na mesma, viva!
PS2: Senhores e senhoras do ex-condado portucalense, deixo-vos a seguinte mensagem -
Conduzir devagar não é, necessariamente, conduzir em segurança!!!
Se andarem com o volante de um lado para o outro, mesmo devagar, mais cedo ou mais tarde vão ser abalroados ou saem mesmo de pista!
segunda-feira, novembro 24, 2008
this is your life
This is your life
Good to the last drop
doesn't get any better than this
This is your
life, and it's ending one minute at
a time.
in Fight Club, dos Dust Brothers
sábado, novembro 22, 2008
sábado, novembro 08, 2008
sábado, novembro 01, 2008
quem faz aprende
Existe uma forma de percebermos se evoluimos ou não, já que nem sempre percebemos isso no dia-a-dia: ler ou rever coisas que fizemos há alguns anos. Curioso como coisas que achámos que estavam geniais, hoje percebemos que não eram assim nada de tão especial... Mas também acontece o contrário! Coisas que até tinhamos esquecido que tinhamos feito, afinal existiram mesmo e ficaram melhor do que pensámos. A memória tem destas coisas.
memórias da escola
Chama-se Escola Secundária de Raul Proença e foi por onde andei a estudar e conviver do 7º ao 12º ano. As instalações são boas, para uma escola pública, tem professores acima da média e sempre me tratou bem (a escola). Fiquei a saber esta semana que ficou em 45º lugar no ranking das escolas portuguesas a nível de notas dos alunos nos exames nacionais. Contabilizando as escolas públicas é a 13ª, o que é bem bom em 608 escolas.
Por lá "reside" um professor que se tornou conhecido a nível nacional recentemente (não, não és tu Flipe, não foi assim tão recentemente) quando publicou no Público (não, não és tu Flipe, acredita) um anúncio pago por ele a pedir desculpa por ter votado em Sócrates.
No Público de 9 de Setembro de 2005, este professor fez o seguinte anúncio:
"PEDIDO DE DESCULPA
Rogério Guimarães, cidadão eleitor n.º 6823, da unidade geográfica de recenseamento das Caldas da Raínha, vem por este meio pedir desculpas a todos os democratas por ter contribuído com o seu voto para a eleição deste Governo".
É professor da disciplina de Oficina de Expressão Dramática (foi professor no Conservatório) e chama-se Rogério Guimarães. Nas aulas dele consegui fazer das coisas mais engraçadas e criativas na minha vida, que mais gozo me deram:
Não me esqueço da sensação de estar num palco, "vestido" e "decorado" de mulher com um manto branco ao som da música Jesus Christ Superstar e de alguém puxar o lençol, onde (já ao som da música Don't Want a Short Dick Man), estava eu a abraçar um artefacto das Caldas de 10 litros (que é, acreditem, muito grande). Ao meu lado estavam a dançar um chulo magro e uma tipa que gosta de esquemas, à minha frente estavam mais de 600 pessoas, incluindo professores e o presidente da Câmara. Foi histórico.
Para além deste, existem professores inesquecíveis mas menos conhecidos, como o Isidro Silva, a Cândida Calado, a Celeste Custódio, a Alzira, entre muitos outros.
Por lá "reside" um professor que se tornou conhecido a nível nacional recentemente (não, não és tu Flipe, não foi assim tão recentemente) quando publicou no Público (não, não és tu Flipe, acredita) um anúncio pago por ele a pedir desculpa por ter votado em Sócrates.
No Público de 9 de Setembro de 2005, este professor fez o seguinte anúncio:
"PEDIDO DE DESCULPA
Rogério Guimarães, cidadão eleitor n.º 6823, da unidade geográfica de recenseamento das Caldas da Raínha, vem por este meio pedir desculpas a todos os democratas por ter contribuído com o seu voto para a eleição deste Governo".
É professor da disciplina de Oficina de Expressão Dramática (foi professor no Conservatório) e chama-se Rogério Guimarães. Nas aulas dele consegui fazer das coisas mais engraçadas e criativas na minha vida, que mais gozo me deram:
Não me esqueço da sensação de estar num palco, "vestido" e "decorado" de mulher com um manto branco ao som da música Jesus Christ Superstar e de alguém puxar o lençol, onde (já ao som da música Don't Want a Short Dick Man), estava eu a abraçar um artefacto das Caldas de 10 litros (que é, acreditem, muito grande). Ao meu lado estavam a dançar um chulo magro e uma tipa que gosta de esquemas, à minha frente estavam mais de 600 pessoas, incluindo professores e o presidente da Câmara. Foi histórico.
Para além deste, existem professores inesquecíveis mas menos conhecidos, como o Isidro Silva, a Cândida Calado, a Celeste Custódio, a Alzira, entre muitos outros.
sábado, outubro 18, 2008
desligar ou não desligar
A forma como receamos e sentimos o que nos rodeia muda à medida que o tempo passa. Cheguei a uma idade onde desligo alguns receios, desligo algumas preocupações e desligo algumas emoções. Cheguei a uma idade em que me não me preocupo tanto com o que pensam. Cheguei a uma idade em que não tenho tanto medo de me colocar em perigo. Se fosse piloto de Fórmula 1, seria uma espécie de síndroma de "até agora não me espetei, por isso não me devo espetar de futuro". Algo que me daria vantagens e grandes desvantagens.
Há uns anos, ir a um sítio pela primeira vez, ver um avião pela primeira vez, era algo emocionante... entusiasmante e marcante, agora já não tem tanto impacto, fruto desse "desligamento". Sinto falta desse deslumbramento...
Há uns anos, ir a um sítio pela primeira vez, ver um avião pela primeira vez, era algo emocionante... entusiasmante e marcante, agora já não tem tanto impacto, fruto desse "desligamento". Sinto falta desse deslumbramento...
sexta-feira, outubro 10, 2008
os passos do sono
O sono invade a mente e o corpo e tudo muda. Estou velho. Já não consigo aguentar com facilidade dormir poucas horas num dia de semana e estar a trabalhar, concentrado e a produzir bem, nos dias seguintes. Fico rabugento. Mais: custa compensar nos outros dias. O caldo fica entornado para o resto da semana porque já não é tão fácil recuperar. A velhice é complicada. Está visto e sentido na pele.
quinta-feira, setembro 25, 2008
paisagens que ficam...
by seremot
Sair da rotina e ir de férias não obriga a ir para outro continente ou país, nem tão pouco para os locais típicos de férias de Portugal. Pode ser na mesma cidade onde trabalhamos, mas sabe melhor se sairmos dos locais que conhecemos.
Melhora se for um acto de descoberta.
De quinta a sábado fui a Alcácer do Sal. Uma visita curta mas muito rica e aquilo que recordo com mais intensidade, alegria e satisfação pessoal foram os passeios de carro pelo estuário do Sado, onde fiz dezenas de quilómetros fora de estrada, bem perto dos canais de irrigação, dos cultivos, dos corvos, flamingos e outras espécies cujos nomes andam por aqui. Outra experiência incrível foi passear pelo Alentejo mais profundo. A passagem por Santa Susana, uma pequena aldeia muito bem decorada e cuidada, os campos a perder de vista com cultivo, canais incríveis de irrigação, sobreiros.
A viagem até ao Torrão, uma pequena vila foi incrível por ter o condão de ter uma riqueza paisagística muito grande e transmitir um grau de solidão grande. Lá o modo de vida é claramente diferente e isso é apelativo.
Pela estrada nacional mil cinquenta e qualquer coisa (que alternava entre o piso razoável e o mau) era possível ver campos e campos de vegetação e cultivo sem observar qualquer ser humano, nem mesmo casas se via por perto. Dá a sensação que mudámos de país, ou mesmo de continente... Parece que nos esquecemos que existe este país, um Portugal quase não povoado e cheio de vida não humana. Um Portugal fora da nossa rotina diária, da nossa "civilização" diária, e isso dá alento e força e até vontade de não voltar.
Olhar em frente para o percurso que nos espera e ver uma recta vazia e a perder de vista, repleta de vegetação à volta da via e que faz um efeito quase perfeito de ondas sob a forma de estrada é uma imagem que não esqueço tão cedo. Depois de muito viajar, chegar à pequena vila do Torrão (que fica numa serra) é uma visão incrível e que transmite uma sensação de que estamos a chegar a um lugar imponente, isto quando se trata de uma pequena e compacta vila. Lá impera o típico calor abafado do interior alentejano e uma curiosidade por quem é de fora muito grande. Tanto lá como em Alcácer as pessoas têm tendência a cumprimentarem-nos só porque passamos por elas. É bonito e raro.
Claro que passear em Tróia, ir à praia na Comporta ou ver as barragens é agradável, mas as experiências mais surpreendentes e inesquecíveis foram no estuário do sado pelas estradas de terra e pela planície alentejana pura e dura, no meio de muita vegetação e de uma estrada a perder de vista, sem cruzamentos ou pessoas.
PS: A visita histórica à cripta romana e árabe de Alcácer, junto ao Castelo e à Igreja do Espírito Santo, em Alcácer, onde estão a ocorrer escavações arqueológicas também são dignas de lembranças. Já tudo, ou quase tudo, foi digno de fotos, claro está. Incluindo o Minipreço mais bonito e agradável do país (com direito a parque de estacionamento jeitoso e tudo!).
Olhar em frente para o percurso que nos espera e ver uma recta vazia e a perder de vista, repleta de vegetação à volta da via e que faz um efeito quase perfeito de ondas sob a forma de estrada é uma imagem que não esqueço tão cedo. Depois de muito viajar, chegar à pequena vila do Torrão (que fica numa serra) é uma visão incrível e que transmite uma sensação de que estamos a chegar a um lugar imponente, isto quando se trata de uma pequena e compacta vila. Lá impera o típico calor abafado do interior alentejano e uma curiosidade por quem é de fora muito grande. Tanto lá como em Alcácer as pessoas têm tendência a cumprimentarem-nos só porque passamos por elas. É bonito e raro.
Claro que passear em Tróia, ir à praia na Comporta ou ver as barragens é agradável, mas as experiências mais surpreendentes e inesquecíveis foram no estuário do sado pelas estradas de terra e pela planície alentejana pura e dura, no meio de muita vegetação e de uma estrada a perder de vista, sem cruzamentos ou pessoas.
PS: A visita histórica à cripta romana e árabe de Alcácer, junto ao Castelo e à Igreja do Espírito Santo, em Alcácer, onde estão a ocorrer escavações arqueológicas também são dignas de lembranças. Já tudo, ou quase tudo, foi digno de fotos, claro está. Incluindo o Minipreço mais bonito e agradável do país (com direito a parque de estacionamento jeitoso e tudo!).
domingo, setembro 14, 2008
aprender a crescer e a ceder
Com o aumento dos anos de vida existe mais responsabilidade e também mais poder. Quando temos uma família grande, com irmãos mais novos, basta sermos maiores de idade e ter algo importante como um computador, que nos pertence, para influenciarmos o estado de espiríto do nosso pequeno irmão, que quer jogar um jogo que adora. Existe uma clara fronteira entre a disciplina que é necessária e a irredutibilidade cruel e injusta. Quando temos um pouco de poder, não convém abusarmos dele e virarmos em pequenos déspotas, para nosso bem e daqueles que nos rodeiam.
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