emot oajo
mote ojoa
mojo teoa
eoat mojo
mojo oate
mojo ateo
Para quem quer descobrir e sentir. Quem quer conhecer outras formas de vida e de pensamento, melhor ou pior.
Quem = serEmot futuro.
O que interessa?
Tensões na mente de serEmot
terça-feira, agosto 24, 2010
sábado, junho 19, 2010
goodnight, caldas
As ruas das Caldas estão cheias de esquinas.
As ruas das Caldas estão cheias de memórias.
Estão cheias de estórias, olhares e imaginação.
Cheias de emoções e desilusões escondidas.
De conversas longas, observações peculiares,
frases feitas e clichés nada originais.
As ruas das Caldas são feitas de esquinas.
Ruas feitas de descobertas a cada virar de rua.
Feitas de caras outrora conhecidas e caras novas.
São ruas de descobertas e de imaginações antigas.
As noites das Caldas são circulares.
Por mais que andemos voltamos sempre ao mesmo sítio.
As noites das Caldas são frias.
Por mais que trememos, estamos sempre dispostos a ficar.
As noites das Caldas são distantes.
Por mais que nos lembremos, nunca mais serão as mesmas.
Boa noite, Caldas.
As ruas das Caldas estão cheias de memórias.
Estão cheias de estórias, olhares e imaginação.
Cheias de emoções e desilusões escondidas.
De conversas longas, observações peculiares,
frases feitas e clichés nada originais.
As ruas das Caldas são feitas de esquinas.
Ruas feitas de descobertas a cada virar de rua.
Feitas de caras outrora conhecidas e caras novas.
São ruas de descobertas e de imaginações antigas.
As noites das Caldas são circulares.
Por mais que andemos voltamos sempre ao mesmo sítio.
As noites das Caldas são frias.
Por mais que trememos, estamos sempre dispostos a ficar.
As noites das Caldas são distantes.
Por mais que nos lembremos, nunca mais serão as mesmas.
Boa noite, Caldas.
domingo, fevereiro 07, 2010
who am i?
i put on my old jeans jacket, and face the world. from milano, to los angeles, i feel good, i feel myself, i feel confident, i feel good.
sábado, janeiro 30, 2010
living free
Everything about, living free.
Seaming meeeeeeee. I am waiting the time, when you will see me.
when try on the spit. on the rig. on the pit.
there is something in your eyes, when you see me.
good lord on a mansion. is some king of expression.
i tell you everything about being free.
i will tell the world, what i feel on being me.
there's only one of us who tries, to be in me.
i can't forget about the things, that i could be.
we lost romance, this live for the rebounds.
she's got you high, and you don't even know yet.
open your mind, believe she's gonna teel you.
remember the rain, remember the lips, eyes, bright face,
this world tends do see through.
sheeeee's got you highhhhh
now get down!
Seaming meeeeeeee. I am waiting the time, when you will see me.
when try on the spit. on the rig. on the pit.
there is something in your eyes, when you see me.
good lord on a mansion. is some king of expression.
i tell you everything about being free.
i will tell the world, what i feel on being me.
there's only one of us who tries, to be in me.
i can't forget about the things, that i could be.
we lost romance, this live for the rebounds.
she's got you high, and you don't even know yet.
open your mind, believe she's gonna teel you.
remember the rain, remember the lips, eyes, bright face,
this world tends do see through.
sheeeee's got you highhhhh
now get down!
terça-feira, janeiro 26, 2010
sábado, novembro 21, 2009
segunda-feira, outubro 05, 2009
back to the future
Regresso ao Futuro pode ter sido um período da vida complicado e de excesso de trabalho que Michael J. Fox já nem se recorda bem, mas para mim foi um filme (série de filmes) que marcou uma adolescência.
É curioso ver essa distância. Entre o estado de espírito de quem faz e o estado de espírito de quem consome um produto criativo e de fantasia deste género. Ele era uma peça na engrenagem da saga Regresso ao Futuro. Fez parte dela porque se sujeitou a rodar o filme ao mesmo tempo que gravava a série (memorável já por si) Quem Sai aos Seus. Entrava às 9h na série, saia pelas 17h para ir directamente gravar o filme, acabando as filmagens entre as 4h e as 6h da manhã. Por isso esse período é um pouco nublado para Michael J. Fox. O cansaço não permitiu saborear totalmente a experiência. Ainda assim deu tudo o que tinha, utilizou a sua juventude e a sua inquietude para os papéis que desempenhava e fez história mesmo em condições complicadas.
Sei o que é isso de, quando o cansaço invade por completo mente e corpo, deixarmos agir o piloto automático. Raios, já temos uns anos disto (vida) e já fizemos muita coisa, basta tentar que o piloto automático reflicta a nossa melhor face. E não é que chega a resultar na perfeição. Já me aconteceu recentemente ter uma pressa descomunal, um cansaço incrível e conseguir fazer em condições difíceis, depressa e bem. É o tal piloto automático. Traz riscos, é certo. Mas quando resulta chega a ser cómico. É como se não fossemos nós a fazer aquilo. Estávamos a descansar enquanto o corpo agia por nós, se tudo corresse bem numa boa versão de nós mesmos. É uma sensação quase extra-corporal, mesmo.
É curioso ver essa distância. Entre o estado de espírito de quem faz e o estado de espírito de quem consome um produto criativo e de fantasia deste género. Ele era uma peça na engrenagem da saga Regresso ao Futuro. Fez parte dela porque se sujeitou a rodar o filme ao mesmo tempo que gravava a série (memorável já por si) Quem Sai aos Seus. Entrava às 9h na série, saia pelas 17h para ir directamente gravar o filme, acabando as filmagens entre as 4h e as 6h da manhã. Por isso esse período é um pouco nublado para Michael J. Fox. O cansaço não permitiu saborear totalmente a experiência. Ainda assim deu tudo o que tinha, utilizou a sua juventude e a sua inquietude para os papéis que desempenhava e fez história mesmo em condições complicadas.
Sei o que é isso de, quando o cansaço invade por completo mente e corpo, deixarmos agir o piloto automático. Raios, já temos uns anos disto (vida) e já fizemos muita coisa, basta tentar que o piloto automático reflicta a nossa melhor face. E não é que chega a resultar na perfeição. Já me aconteceu recentemente ter uma pressa descomunal, um cansaço incrível e conseguir fazer em condições difíceis, depressa e bem. É o tal piloto automático. Traz riscos, é certo. Mas quando resulta chega a ser cómico. É como se não fossemos nós a fazer aquilo. Estávamos a descansar enquanto o corpo agia por nós, se tudo corresse bem numa boa versão de nós mesmos. É uma sensação quase extra-corporal, mesmo.
sexta-feira, setembro 11, 2009
"tonecas larga o bife" de esferovite
Numa altura em que se fala que o programa da RTP1 Lições de Tonecas deveria ter tido mais protagonismo no resumo do humor em Portugal, Divinas Comédias, chamo a atenção para o seguinte:
Incrível foi terem-se esquecido de uma interpretação do Tonecas bem mais memorável. Aquela que eu fiz no final da 4.ª classe, bem antes da série ter aparecido na RTP1. Era o Tonecas no Natal, a comer bifes e batatas de esferovite e a fazer a vida negra a todos os seus familiares. Ora, sinto-me muito triste pelas Divinas Comédias não terem falado naquela boa interpretação.
Não existem imagens, é certo, mas faziam uma reprodução.
Depois daquela tarde na Escola do Bairro da Ponte das Caldas da Rainha, o humor em Portugal nunca mais foi o mesmo... pelo menos para mim
Incrível foi terem-se esquecido de uma interpretação do Tonecas bem mais memorável. Aquela que eu fiz no final da 4.ª classe, bem antes da série ter aparecido na RTP1. Era o Tonecas no Natal, a comer bifes e batatas de esferovite e a fazer a vida negra a todos os seus familiares. Ora, sinto-me muito triste pelas Divinas Comédias não terem falado naquela boa interpretação.
Não existem imagens, é certo, mas faziam uma reprodução.
Depois daquela tarde na Escola do Bairro da Ponte das Caldas da Rainha, o humor em Portugal nunca mais foi o mesmo... pelo menos para mim
quarta-feira, agosto 19, 2009
is everybody in? the ceremony is about to begin... wake up!
Era ao som de Jim Morrison e das suas longas e profundas orações, em plena madrugada e num quarto de janela com vista para a Rua Ferreira Lapa, 33 (entre a Av. Duque de Loulé e a Rua do Conde Redondo - Lisboa) que um jovem português planeava conquistar o mundo (que mais não fosse, o seu).
"We want the world and we want it... now!"
"We want the world and we want it... now!"
segunda-feira, julho 27, 2009
sábado, julho 25, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
bom dia noite
Custa tanto acostumar o corpo a deitar mais cedo depois de um período a deitar tarde...
Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.
Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...
Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.
Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...
A Cradle Song By William Blake
Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.
Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.
Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.
Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.
Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.
Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,
Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,
Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.
Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.
Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.
Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.
Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.
Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.
Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,
Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,
Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.
sábado, junho 13, 2009
sexta-feira, junho 12, 2009
a noite. a noite. a noite. a noite.
Há qualquer "coisa" que nos une a todos. Sermos humanos é uma dessas "coisas", é certo. Outra é todos nascermos, crescermos e habitarmos no mesmo planeta, a Terra. Partilhamos isso, pelo menos. Com a complexidade cerebral vem grande complexidade no dia a dia. Temos de lidar com essa complexidade.
Viver é como uma busca por algo.
Mesmo que encontremos muita coisa, há sempre algo por procurar.
É bom que assim seja.
Nessa busca nem sempre olhamos para o nosso lado.
Nem sempre vemos, percebemos ou nos disponibilizamos a ajudar outros que estão com dificuldades para encontrar a busca mais simples.
Pessoas boas, cheias de virtudes e sorrisos fáceis são atingidas por essa falta de alguém que lhes dê aquilo que elas merecem. Timidez ajuda à equação.
Muitas resistem bem sozinhas. São independentes, mesmo com as pressões da sociedade. Mas isso não deixa de lhes trazer uma sensação de vazio em muitos momentos. Se tiverem vários amigos, verdadeiros, ajuda a ultrapassar esse vazio. Especialmente se eles também estiverem sozinhos.
Um dos hábitos comuns nos homens de parte da minha família, os semot, passa por passear à noite de carro pelas redondezas. O meu avô é campeão desses passeios. O meu pai menos. E eu ainda menos. Ainda assim são passeios que dão para clarificar as ideias e reflectir. Enquanto passamos pelas vivendas da Encosta do Sol, onde caldenses endinheirados fazem contas às suas vidas e pensam como podem colocar o seu dinheiro ao serviço da sua felicidade, respiramos fundo e reflectimos graças à calma e imensidão da noite. Há qualquer coisa de pacificamente inspirador em conduzir pela zona das Caldas à noite (em Lisboa o efeito é semelhante, já experimentei).
Quando passo pela rotunda junto ao tribunal penso nos miúdos cheios de esperança e em busca de animar a sua noite a caminho de um bar ou da discoteca. Rapazes e raparigas, ou só rapazes ou só raparigas. Namorados de uma noite e amizades de uma só escola.
Quando passo pelo Bairro da Ponte vejo alguns velhos a olharem a noite, a questionarem o bairro sobre o tempo que já passou e não volta mais.
Quando passo pelo Café Creme, vejo um homem de meia idade que mudou de vida para ter mais tempo para a família e para si próprio. Uma vida mais calma. Que ele possa controlar e comandar.
Quando passo pelo Xantarim vejo velhos meio tocados a beber a enésima cerveja e a olhar para o televisor, discutindo sobre banalidades desportivas como se fosse o momento mais determinante das suas vidas. Buscam garras e viralidade que o tempo e a sociedade e algumas das esposas apagaram. Vingam-se nas discussões desportivas e na condução revoltada na estrada.
Quando passo por mais um restaurante italiano caldense, um casal com mais de 35 tenta apimentar o seu dia a dia monótono com uma saída à noite. Ela ralha com ele. Ele vira os olhos e bufa quando ela está de costas. Ao lado, um casal da mesma idade tem os dois filhos muito novos na mesa. Riem-se muito um para o outro e beijam-se prolongadamente sempre que podem. Os filhos parecem indiferentes ao marmelanço dos pais. Já o casal do lado olha com um misto de irritação e ciúme pela "marmelada".
Quando passo pelas rotundas junto à biblioteca vejo uma rapariga a caminhar para casa sozinha. É do tipo de raparigas que vão ter com os seus gatos. Ainda não encontraram o que lhes falta. Saem pouco. Vivem pouco. Trabalham e pouco mais. Não acharam o que procuravam. Não desistiram, mas os sítios para procurar são cada vez mais pequenos e ínfimos. Têm poucos amigos verdadeiros. São bonitas mas não ostensivas. Simpáticas mas não extrovertidas. Sorridentes mas não preenchidas. Andam por aí montes de rapazes na mesma situação.
Longe da adolescência e longe do paradigma de adulto. Buscam muitas vezes o mesmo mas não se encontram, não fazem por se encontrar, não fazem por resultar. Não juntam os trapos. E vão todos para as suas casas, vazias. Sozinhas. Vazias. Grandes. Vazias. Com o gato como companhia nova. Um dia vão encontrar companhia para partilhar a vida e vai valer a espera. É nisso que acreditam.
A noite esconde tudo aquilo que buscamos. É o fim do dia. É o fim de mais uma página na nossa vida. Podemos parar, olhar para o que fizemos nesse dia, nessa semana, nesse mês, nesse ano e mesmo nessa década. Podemos parar e reflectir no que vamos fazer amanhã, quando o sol inaugurar mais uma página, o que vamos fazer na próxima semana, no próximo mês, no resto do ano ou na próxima década. A noite traz com ela o olhar de quem espera. De quem busca. De quem vive e aguarda viver mais um dia. A noite coloca tudo em perspectiva, mesmo que seja no final de uma noitada, já de madrugada. A noite leva-nos a tentar perceber o que fizemos e para onde vamos. Mesmo que não façamos a mínima ideia porque fizemos o que fizemos e porque seguimos o caminho que seguimos. A noite deixa-nos na língua o sabor de algo mais, algo que ainda não concretizámos. A noite faz-nos sonhar pelo inalcansável e acreditar que é possível lá chegar, mas também perceber que chegámos ao fim de mais uma página sem alcançar o que procurávamos e a cumprir novamente uma rotina que foi escolhida para nós.
A noite dói. A noite faz sorrir. A noite faz chorar. A noite faz sentir.
Viver é como uma busca por algo.
Mesmo que encontremos muita coisa, há sempre algo por procurar.
É bom que assim seja.
Nessa busca nem sempre olhamos para o nosso lado.
Nem sempre vemos, percebemos ou nos disponibilizamos a ajudar outros que estão com dificuldades para encontrar a busca mais simples.
Pessoas boas, cheias de virtudes e sorrisos fáceis são atingidas por essa falta de alguém que lhes dê aquilo que elas merecem. Timidez ajuda à equação.
Muitas resistem bem sozinhas. São independentes, mesmo com as pressões da sociedade. Mas isso não deixa de lhes trazer uma sensação de vazio em muitos momentos. Se tiverem vários amigos, verdadeiros, ajuda a ultrapassar esse vazio. Especialmente se eles também estiverem sozinhos.
Um dos hábitos comuns nos homens de parte da minha família, os semot, passa por passear à noite de carro pelas redondezas. O meu avô é campeão desses passeios. O meu pai menos. E eu ainda menos. Ainda assim são passeios que dão para clarificar as ideias e reflectir. Enquanto passamos pelas vivendas da Encosta do Sol, onde caldenses endinheirados fazem contas às suas vidas e pensam como podem colocar o seu dinheiro ao serviço da sua felicidade, respiramos fundo e reflectimos graças à calma e imensidão da noite. Há qualquer coisa de pacificamente inspirador em conduzir pela zona das Caldas à noite (em Lisboa o efeito é semelhante, já experimentei).
Quando passo pela rotunda junto ao tribunal penso nos miúdos cheios de esperança e em busca de animar a sua noite a caminho de um bar ou da discoteca. Rapazes e raparigas, ou só rapazes ou só raparigas. Namorados de uma noite e amizades de uma só escola.
Quando passo pelo Bairro da Ponte vejo alguns velhos a olharem a noite, a questionarem o bairro sobre o tempo que já passou e não volta mais.
Quando passo pelo Café Creme, vejo um homem de meia idade que mudou de vida para ter mais tempo para a família e para si próprio. Uma vida mais calma. Que ele possa controlar e comandar.
Quando passo pelo Xantarim vejo velhos meio tocados a beber a enésima cerveja e a olhar para o televisor, discutindo sobre banalidades desportivas como se fosse o momento mais determinante das suas vidas. Buscam garras e viralidade que o tempo e a sociedade e algumas das esposas apagaram. Vingam-se nas discussões desportivas e na condução revoltada na estrada.
Quando passo por mais um restaurante italiano caldense, um casal com mais de 35 tenta apimentar o seu dia a dia monótono com uma saída à noite. Ela ralha com ele. Ele vira os olhos e bufa quando ela está de costas. Ao lado, um casal da mesma idade tem os dois filhos muito novos na mesa. Riem-se muito um para o outro e beijam-se prolongadamente sempre que podem. Os filhos parecem indiferentes ao marmelanço dos pais. Já o casal do lado olha com um misto de irritação e ciúme pela "marmelada".
Quando passo pelas rotundas junto à biblioteca vejo uma rapariga a caminhar para casa sozinha. É do tipo de raparigas que vão ter com os seus gatos. Ainda não encontraram o que lhes falta. Saem pouco. Vivem pouco. Trabalham e pouco mais. Não acharam o que procuravam. Não desistiram, mas os sítios para procurar são cada vez mais pequenos e ínfimos. Têm poucos amigos verdadeiros. São bonitas mas não ostensivas. Simpáticas mas não extrovertidas. Sorridentes mas não preenchidas. Andam por aí montes de rapazes na mesma situação.
Longe da adolescência e longe do paradigma de adulto. Buscam muitas vezes o mesmo mas não se encontram, não fazem por se encontrar, não fazem por resultar. Não juntam os trapos. E vão todos para as suas casas, vazias. Sozinhas. Vazias. Grandes. Vazias. Com o gato como companhia nova. Um dia vão encontrar companhia para partilhar a vida e vai valer a espera. É nisso que acreditam.
A noite esconde tudo aquilo que buscamos. É o fim do dia. É o fim de mais uma página na nossa vida. Podemos parar, olhar para o que fizemos nesse dia, nessa semana, nesse mês, nesse ano e mesmo nessa década. Podemos parar e reflectir no que vamos fazer amanhã, quando o sol inaugurar mais uma página, o que vamos fazer na próxima semana, no próximo mês, no resto do ano ou na próxima década. A noite traz com ela o olhar de quem espera. De quem busca. De quem vive e aguarda viver mais um dia. A noite coloca tudo em perspectiva, mesmo que seja no final de uma noitada, já de madrugada. A noite leva-nos a tentar perceber o que fizemos e para onde vamos. Mesmo que não façamos a mínima ideia porque fizemos o que fizemos e porque seguimos o caminho que seguimos. A noite deixa-nos na língua o sabor de algo mais, algo que ainda não concretizámos. A noite faz-nos sonhar pelo inalcansável e acreditar que é possível lá chegar, mas também perceber que chegámos ao fim de mais uma página sem alcançar o que procurávamos e a cumprir novamente uma rotina que foi escolhida para nós.
A noite dói. A noite faz sorrir. A noite faz chorar. A noite faz sentir.
terça-feira, junho 09, 2009
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