segunda-feira, outubro 05, 2009

back to the future

Regresso ao Futuro pode ter sido um período da vida complicado e de excesso de trabalho que Michael J. Fox já nem se recorda bem, mas para mim foi um filme (série de filmes) que marcou uma adolescência.
É curioso ver essa distância. Entre o estado de espírito de quem faz e o estado de espírito de quem consome um produto criativo e de fantasia deste género. Ele era uma peça na engrenagem da saga Regresso ao Futuro. Fez parte dela porque se sujeitou a rodar o filme ao mesmo tempo que gravava a série (memorável já por si) Quem Sai aos Seus. Entrava às 9h na série, saia pelas 17h para ir directamente gravar o filme, acabando as filmagens entre as 4h e as 6h da manhã. Por isso esse período é um pouco nublado para Michael J. Fox. O cansaço não permitiu saborear totalmente a experiência. Ainda assim deu tudo o que tinha, utilizou a sua juventude e a sua inquietude para os papéis que desempenhava e fez história mesmo em condições complicadas.
Sei o que é isso de, quando o cansaço invade por completo mente e corpo, deixarmos agir o piloto automático. Raios, já temos uns anos disto (vida) e já fizemos muita coisa, basta tentar que o piloto automático reflicta a nossa melhor face. E não é que chega a resultar na perfeição. Já me aconteceu recentemente ter uma pressa descomunal, um cansaço incrível e conseguir fazer em condições difíceis, depressa e bem. É o tal piloto automático. Traz riscos, é certo. Mas quando resulta chega a ser cómico. É como se não fossemos nós a fazer aquilo. Estávamos a descansar enquanto o corpo agia por nós, se tudo corresse bem numa boa versão de nós mesmos. É uma sensação quase extra-corporal, mesmo.
Tempo. Quando há excesso não sabemos o que fazer com ele, quando escasseia sonhamos com dias de 38 horas.
Once in a while I think in the chances. Once in a while I think of the choices.
Once in a while I believe in frustrations. Once in a while I give them intentions.

sexta-feira, setembro 11, 2009

"tonecas larga o bife" de esferovite

Numa altura em que se fala que o programa da RTP1 Lições de Tonecas deveria ter tido mais protagonismo no resumo do humor em Portugal, Divinas Comédias, chamo a atenção para o seguinte:
Incrível foi terem-se esquecido de uma interpretação do Tonecas bem mais memorável. Aquela que eu fiz no final da 4.ª classe, bem antes da série ter aparecido na RTP1. Era o Tonecas no Natal, a comer bifes e batatas de esferovite e a fazer a vida negra a todos os seus familiares. Ora, sinto-me muito triste pelas Divinas Comédias não terem falado naquela boa interpretação.
Não existem imagens, é certo, mas faziam uma reprodução.
Depois daquela tarde na Escola do Bairro da Ponte das Caldas da Rainha, o humor em Portugal nunca mais foi o mesmo... pelo menos para mim


quarta-feira, agosto 19, 2009

is everybody in? the ceremony is about to begin... wake up!

Era ao som de Jim Morrison e das suas longas e profundas orações, em plena madrugada e num quarto de janela com vista para a Rua Ferreira Lapa, 33 (entre a Av. Duque de Loulé e a Rua do Conde Redondo - Lisboa) que um jovem português planeava conquistar o mundo (que mais não fosse, o seu).


"We want the world and we want it... now!"

terça-feira, junho 16, 2009

bom dia noite

Custa tanto acostumar o corpo a deitar mais cedo depois de um período a deitar tarde...


Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.


Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...



A Cradle Song By William Blake

Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.

Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.

Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.

Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.

Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.

Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,

Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,

Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.




sábado, junho 13, 2009

"You kind of have to be able to accept things for the way they are, and once you do that I think you can really be comfortable."
Mark Wahlberg
Estás aí? Leste? Sentiste? VAI-TE EMBORA.

sexta-feira, junho 12, 2009

a noite. a noite. a noite. a noite.

Há qualquer "coisa" que nos une a todos. Sermos humanos é uma dessas "coisas", é certo. Outra é todos nascermos, crescermos e habitarmos no mesmo planeta, a Terra. Partilhamos isso, pelo menos. Com a complexidade cerebral vem grande complexidade no dia a dia. Temos de lidar com essa complexidade.
Viver é como uma busca por algo.
Mesmo que encontremos muita coisa, há sempre algo por procurar.
É bom que assim seja.
Nessa busca nem sempre olhamos para o nosso lado.
Nem sempre vemos, percebemos ou nos disponibilizamos a ajudar outros que estão com dificuldades para encontrar a busca mais simples.
Pessoas boas, cheias de virtudes e sorrisos fáceis são atingidas por essa falta de alguém que lhes dê aquilo que elas merecem. Timidez ajuda à equação.
Muitas resistem bem sozinhas. São independentes, mesmo com as pressões da sociedade. Mas isso não deixa de lhes trazer uma sensação de vazio em muitos momentos. Se tiverem vários amigos, verdadeiros, ajuda a ultrapassar esse vazio. Especialmente se eles também estiverem sozinhos.


Um dos hábitos comuns nos homens de parte da minha família, os semot, passa por passear à noite de carro pelas redondezas. O meu avô é campeão desses passeios. O meu pai menos. E eu ainda menos. Ainda assim são passeios que dão para clarificar as ideias e reflectir. Enquanto passamos pelas vivendas da Encosta do Sol, onde caldenses endinheirados fazem contas às suas vidas e pensam como podem colocar o seu dinheiro ao serviço da sua felicidade, respiramos fundo e reflectimos graças à calma e imensidão da noite. Há qualquer coisa de pacificamente inspirador em conduzir pela zona das Caldas à noite (em Lisboa o efeito é semelhante, já experimentei).
Quando passo pela rotunda junto ao tribunal penso nos miúdos cheios de esperança e em busca de animar a sua noite a caminho de um bar ou da discoteca. Rapazes e raparigas, ou só rapazes ou só raparigas. Namorados de uma noite e amizades de uma só escola.
Quando passo pelo Bairro da Ponte vejo alguns velhos a olharem a noite, a questionarem o bairro sobre o tempo que já passou e não volta mais.
Quando passo pelo Café Creme, vejo um homem de meia idade que mudou de vida para ter mais tempo para a família e para si próprio. Uma vida mais calma. Que ele possa controlar e comandar.
Quando passo pelo Xantarim vejo velhos meio tocados a beber a enésima cerveja e a olhar para o televisor, discutindo sobre banalidades desportivas como se fosse o momento mais determinante das suas vidas. Buscam garras e viralidade que o tempo e a sociedade e algumas das esposas apagaram. Vingam-se nas discussões desportivas e na condução revoltada na estrada.
Quando passo por mais um restaurante italiano caldense, um casal com mais de 35 tenta apimentar o seu dia a dia monótono com uma saída à noite. Ela ralha com ele. Ele vira os olhos e bufa quando ela está de costas. Ao lado, um casal da mesma idade tem os dois filhos muito novos na mesa. Riem-se muito um para o outro e beijam-se prolongadamente sempre que podem. Os filhos parecem indiferentes ao marmelanço dos pais. Já o casal do lado olha com um misto de irritação e ciúme pela "marmelada".
Quando passo pelas rotundas junto à biblioteca vejo uma rapariga a caminhar para casa sozinha. É do tipo de raparigas que vão ter com os seus gatos. Ainda não encontraram o que lhes falta. Saem pouco. Vivem pouco. Trabalham e pouco mais. Não acharam o que procuravam. Não desistiram, mas os sítios para procurar são cada vez mais pequenos e ínfimos. Têm poucos amigos verdadeiros. São bonitas mas não ostensivas. Simpáticas mas não extrovertidas. Sorridentes mas não preenchidas. Andam por aí montes de rapazes na mesma situação.
Longe da adolescência e longe do paradigma de adulto. Buscam muitas vezes o mesmo mas não se encontram, não fazem por se encontrar, não fazem por resultar. Não juntam os trapos. E vão todos para as suas casas, vazias. Sozinhas. Vazias. Grandes. Vazias. Com o gato como companhia nova. Um dia vão encontrar companhia para partilhar a vida e vai valer a espera. É nisso que acreditam.

A noite esconde tudo aquilo que buscamos. É o fim do dia. É o fim de mais uma página na nossa vida. Podemos parar, olhar para o que fizemos nesse dia, nessa semana, nesse mês, nesse ano e mesmo nessa década. Podemos parar e reflectir no que vamos fazer amanhã, quando o sol inaugurar mais uma página, o que vamos fazer na próxima semana, no próximo mês, no resto do ano ou na próxima década. A noite traz com ela o olhar de quem espera. De quem busca. De quem vive e aguarda viver mais um dia. A noite coloca tudo em perspectiva, mesmo que seja no final de uma noitada, já de madrugada. A noite leva-nos a tentar perceber o que fizemos e para onde vamos. Mesmo que não façamos a mínima ideia porque fizemos o que fizemos e porque seguimos o caminho que seguimos. A noite deixa-nos na língua o sabor de algo mais, algo que ainda não concretizámos. A noite faz-nos sonhar pelo inalcansável e acreditar que é possível lá chegar, mas também perceber que chegámos ao fim de mais uma página sem alcançar o que procurávamos e a cumprir novamente uma rotina que foi escolhida para nós.
A noite dói. A noite faz sorrir. A noite faz chorar. A noite faz sentir.

domingo, junho 07, 2009

segunda-feira, maio 18, 2009

o mundo lá fora

As notícias estão cada vez menos frescas e as ideias cada vez menos boas.
Sexta-feira à noite. El Corte Inglès, UCI. Lisboa. As salas de cinema parecem a feira sábado de manhã. Correntes de pessoas passeiam-se de um lado para o outro na entrada e corredores das salas de cinema, entre o desejo de pipocas que podiam ser vendidas ao preço da uva mijona mas custam o mesmo do que a uva Roman Ruby (é muito cara), e uma Coca-Cola que custa 10 vezes menos no supermercado. É proibido trazer pipocas ou Cola de casa. Faz sentido, pelo menos para os bolsos do cinema.
A sessão de Anjos e Demónios esgotou. A pressa por ver blockbusters continua frenética. Ir ao cinema é coisa de massas e começa a ser assunto para se ter massa, já que barato não é. Tenho saudades da calma de um cinema vazio.

Sábado à tarde. Freeport, sem ser o Caso. No meio do "deserto" de Alcochete vislumbra-se ao longe o centro de comércio e caso de polícia Freeport. As espécies da zona devem gostar da companhia. À entrada uma pirâmide de vidro no meio de um mini lago. São as Informações do Freeport. Entrei. Pedi para esclarecerem dúvidas sobre o Freeport que tinha (ainda tenho).
Foram afáveis... até eu ter colocado as perguntas: gostaria de saber informações sobre se houve abuso de poder, prendinhas, beijinhos ou corrupção de José Sócrates, tios, primos, mãe, avó, avô e sobrinhos para que o Freeport tenha sido erguido por aqui?
Não terei sido o único a fazer a pergunta, porque foi-me aplicado de imediato o "Código 333". Basicamente consiste em ser massajado nas costas pelos cotovelos de um senhor que pesa 333 kg (só podia).

Andar às compras, para mim, vem com um limite temporal. Depois do limite ter sido ultrapassado o meu cérebro deixa de responder em tempo real... entra numa outra dimensão. O limite temporal não é certo, varia de disposições. Certo é que após cinco lojas seguidas e 9999 peças de roupa vistas torna-se difícil processar mais roupa. Tudo parece igual. Não apetece experimentar nada, ver mais nada, andar mais nada.

Depois criam-se os cantos dos homens desesperados. Qualquer sítio que dê para sentar é um Oasis, tão raro como os verdadeiros Oasis no deserto (e que tal criarem espaços para os homens poderem estar à vontade numa loja, hein?!).
Os homens concentram-se em locais nada apropriados, à espera das suas analisadoras profissionais de roupa e acessórios. Seja perto dos vestiários, numa secção de lingerie intimidatória (onde os olhares parecem concentrarem-se em nós, o elemento estranho), junto ao guichet onde estamos sempre no caminho de alguém.
Depois tentamos disfarçar, mostrando naturalidade, hábito, brincamos com o telemóvel, olhamos ligeiramente para a roupa (mais a pensar como seria giro despi-la da empregada da loja), avaliamos (sem dar nas vistas) o que se aproveita na loja (não se fala aqui de roupa). Se houver secção masculina podemos passar por lá, por pouco tempo... com medo de nos perdermos.
Uma zona para nos sentarmos sabe a ginja. Zonas com sofás (normalmente perto dos sapatos) chegam a ser uma perdição. Mais curioso é ver que os homens concentram-se logo que podem ali. É um local de eleição. Sentar. Observar. Esperar. Mal o menos.

O máximo que alguma vez consegui comprar sozinho de forma consecutiva foram duas peças de roupa. Depois precisei sempre de um período de desenjoo. Ir às compras já custou menos, curiosamente. Ir a uma ou duas lojas e estar em cada uma no máximo 5 minutos é um privilégio ao alcance de poucos homens.

Domingo. Limpezas pela manhã deveriam ser proibidas em todos os países do planeta Terra. It's a dirty job, but someone as got to do it. Depois de começar até se faz bem. Mas levantar e começar é que demoraaaaa.
Início de tarde. A dúvida gera pânico. Será que a data de entrega do IRS já passou? A pesquisa no Google, mais demorada do que deveria ser (informação de difícil acesso) gera o alívio. Ainda faltam uns dias. Começa-se a juntar papéis, descarregar o programa do site das Finanças e a fazer contas à vida.
Fazer o IRS é uma espécie de fim de ano muito atrasado (são cinco meses de atraso), onde se recapitula 12 meses de vida numa perspectiva financeira, que acaba também por ser profissional e extremamente pessoal. Tiram-se ilações, sobre as conquistas profissionais, os gastos mensais e as grandes desilusões. Porque é que não fiz isto, porque é que fiz aquilo. Interrogações que, estupidamente, só surgem com cinco meses de atraso porque as contas (mais práticas e menos metafísicas) são feitas de forma mais completa com a elaboração do IRS.
O Estado devia-me pagar por trabalho de contabilista. Ter de contar factura a factura, papel a papel, deve ser tão doloroso quanto ser José Sócrates e ler crónicas de jornalistas contra medidas, acções de propaganda e afins sócratianas. O Sócrates processa nestes casos (da forma mais cara e eficiente que existe), será que posso fazer o mesmo relativamente ao Estado e ao meu trabalho como contabilista?
As Finanças deveriam anunciar a proximidade dos tempos de entrega do IRS da seguinte forma:



Segunda-feira de manhã. Uma palavra mal dita para a câmara tira o entusiasmo na edição de uma peça televisiva. Tiram-se lições e fazem-se emendas. É para isso que serve o curso. Depois disso, uma situação chata resolveu-se mais facilmente do que poderia julgar. Voltei a recordar como é ser guiado num automóvel, para variar.

O dia terminou com um regresso a um passado que não volta mais, para o bem e para o mal. Incrível como deixamos que os anos passem por uma parte da nossa vida, até que voltamos a ela e percebemos que deixámos para trás uma parte de nós. Ficou meio esquecida. E o tempo passou. Quando voltamos tudo está na mesma, mas já não é tão nosso quanto foi. Custa, mais do que parecia ser possível.

Sono. Dormir. Amanhã começa tudo de novo. Só que não é de novo. É a meio. Há-que compensar pelo tempo perdido, não desaproveitar o tempo ganho e organizar passado, presente e futuro.



domingo, março 22, 2009

o craque do campo *

Jogar à bola no campo é como aprender a andar. Primeiro custa, depois melhoramos, e finalmente não queremos outra coisa, tornando-se algo que nos acompanha toda a vida.
Jogar à bola no campo tornou-se uma espécie de terapia para mim desde tenra idade. Os adversários são imaginários, já que 90% do tempo jogamos sozinhos. As balizas também são fruto da imaginação, e o mesmo acontece com as vitórias e os títulos.
Jogar à bola no campo acompanhou-me na Primária, quando vinha para casa e fintava as ervas daninhas, as árvores e afins. Bem como no Ciclo, quando falava com a bola sobre o que seria o amor. O mesmo aconteceu no secundário, quando fazia autênticos campeonatos pelo chão de terra, pelos arbustos e com as paredes. Era um grande campeão neste mundo imaginário, que sempre me acompanhou desde que comecei a andar.
Jogar à bola no campo ajudou-me a relacionar-me com o meu irmão, sentir-me bem em ensinar-lhe um ou outro truque. Joguei à bola com ele pouco depois de ter começado a andar, quando eu tinha os meus 17/18 anos. Joguei com ele quando ele já corria bastante e pouco me via, estava eu na faculdade, e ele na Primária. Jogo com ele hoje, e nos dias que correm já é ele que corre mais do eu, já é ele que me ensina uns truques, já é ele que actua num escalão de formação e sou eu que tenho dificuldades em me manter em forma.
Jogar à bola no campo era a terapia que me tranquilizava antes de um teste importante. Era o momento zen antes do teste. Era a pausa física durante do estudo, que me ajudava a concentrar e me tirava alguma da tensão do corpo. Recordo-me que associava aqueles momentos que me ajudavam à concentração a um filme, Uma Questão de Honra. A personagem de Tom Cruise tinha uma bastão de basebol que o ajudava a pensar, a concentrar-se, eu tinha os meus momentos com a bola, um campo e uma parede. Quando cheguei à faculdade e passei a viver na cidade, Lisboa, deixei de ter o meu momento... e isso custou-me mais do que eu pensei na altura.
Jogar à bola no campo fez por mim bem mais do que ajudar a melhorar o meu jogo. A minha imaginação tornou-me campeão dos campeões, craque dos craques, marcador de golos inesquecíveis, conquistador de troféus apetecíveis.
Jogar à bola no campo faz parte de mim.


* Se Fernando Assis Pacheco foi craque na sua Rua Guerra Junqueiro, eu cá fui craque no campo, ali para os lados do Casal do Lavradio, Caldas da Rainha.


domingo, março 08, 2009

a selva urbana

O dia-a-dia consegue tornar-me dormente. Vou na estrada com a naturalidade, o hábito, a rotina e o à vontade da dormência. A rapidez e pressa é constante, mesmo quando não há propriamente pressa. O carro é um meio para um fim. Chego a não me lembrar dos momentos da condução, mesmo quando apanhei algum susto, por norma provocado por condutores que se atravessam pela frente com grande brutalidade e sem qualquer sinalização. A estrada é um meio para chegar a qualquer sítio. Esqueço-me diariamente que também é uma selva, onde se pode ficar preso (todos os dias alguém fica preso nela).

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

"don't believe in god? you are not alone."



"o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus

Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia."
por José Saramago, in Caderno


terça-feira, fevereiro 10, 2009

não coçarás pela manhã

Pode ser noite cerrada, estar na hora da caminha, mas o meu pensamento vai para a manhã. Ou melhor, os hábitos matinais masculinos. Por mais que queiramos nós, homens, teremos sempre hábitos muito particulares, que fazem parte da nossa condição - claro que há excepções. Por mais que visse o meu pai ter uma certa tendência para se coçar de manhã e dissesse para mim mesmo "isto nunca irei fazer, é estúpido"; hoje cumpro o destino e não passa uma manhã em que não acordo com esse instinto. Não é que queira, acaba por ser mais forte do que eu.
O mesmo acontece com outras particularidades que vêm com o "território" de ser homem e de crescer com certas características intrínsecas.
Ainda há o domínio dos gostos: homem que é homem gosta de bola, carros e mamas. Mesmo que queira fugir ao estereótipo, sou incapaz de dizer que não gosto de bola, e ainda menos incapaz de dizer que não sou grande fã de "enormes seios" (como dizia o Markl no Homem que Mordeu o Cão). Até de carros, gosto que nunca aprofundei muito na adolescência, o destino fez-me aprender mais sobre o mundo automóvel e passar a adorar sentir as pequenas diferenças entre bólides.

Não digo isto para dizer que sim, os homens são todos iguais. Escrevo isto para evidenciar que sim, todos somos humanos e nós, homens, com características intrínsecas tão vincadas, temos tendência clara para fazer e gostar de determinada forma.
Por mais que, enquanto miúdo não percebesse certos hábitos masculinos e achasse que dificilmente me iria tornar assim (que mais não fosse peludo), hoje sou muitas das coisas que achava que não ia ser. No entanto, nada que me comprometa, bem pelo contrário. Acho que o puto emot não se ia importar.

Vou dormir. Estou pronto para a manhã e para tudo o que ela trará.



quinta-feira, janeiro 29, 2009

decisões à pressa


Decidi muito simplesmente fazer uma coisa por mês de que me orgulhe verdadeiramente. Se conseguir acho que vai ser: "a very good year".

domingo, janeiro 18, 2009

vale a experiência... talvez... ou não

O tempo que passamos num sítio diferente costuma ficar marcado. Muitas vezes a memória que temos desse lugar é mais ao menos a mesma. Tem vezes que nos esquecemos com quem íamos quando tirámos uma fotografia bonita, ou do cheiro daqueles campos cheios de 'verde' por todo o lado. A memória é o que nos serve de inspiração durante a vida. Deixamos de utilizá-la quando morremos, segundo dizem. Deixamos de utilizá-la quando nos tornamos inúteis para nós próprios. A memória é o que nos une a nós mesmos. Ao que somos, como resultado do que fizemos. Da conjugação de momentos, instantes, experiências. Perdê-la, a memória, pode permitir partirmos à descoberta de coisas diferente, em que não costumávamos pensar ou que estavam recônditas dentro nós mesmos.
Muitas vezes não perdemos, verdadeiramente, a memória. Simplesmente algo despoleta em nós uma mudança. Mudança essa que nos faz querer arriscar e fazer algo que não faríamos normalmente. É a nossa mente a pregar-nos partidas. A ser arriscada porque sim. A experiência de contrariar o que já está delineado para nós pode ser uma fuga ou uma solução, normalmente passageira. Vale a experiência... julgo.


PS: pensamento integralmente inspirado no filme que acabei de ver (vicky cristina barcelona).

segunda-feira, janeiro 05, 2009

pensamentos em percentagens

Se eu fizesse 40% daquilo que penso em fazer era um homem bem mais preenchido e feliz, mas se cumprisse 100% daquilo em que penso não só era infeliz como daria em louco. Como cumpro apenas 15%, sou apenas alguém às vezes satisfeito.