terça-feira, julho 25, 2006

segunda-feira, julho 24, 2006

reencontros. reminiscências. regressos.

Quando não temos muitos amigos e nem sempre conseguimos partilhar nas alturas certas determinados pensa (mentos), descobertas viramo-nos para nós próprios, como é, aqui, o caso.

Por isso, conto-te a ti, serEmot, por este blog, que hoje fiquei estupefacto quando ouvi o nome de uma amiga antiga, dos tempos de faculdade, com quem não falo há anos, na rádio. Era o nome da jornalista que efectuou uma reportagem sobre um português a chegar do Libano, na TSF, edição da meia noite. Fiquei sem palavras, apenas a ouvir, atento, a apreciar a evolução e tentar reconhecer a voz, claramente adequada para os domínios da rádio, algo que ela sempre quis fazer.

Fiquei num misto de alegria, por reparar que ela tem jeito para a coisa e, ao mesmo tempo, de algum ciúme, por eu ter passado pela mesma rádio, noutro tempo, sem conseguir ficar - algo que me deixaria muito feliz. A parte de alegria prevaleceu, felizmente, senão nem me dignaria a escrever isto, a partilhar contigo, comigo, a sensação estranha.

Na vida, na minha vida, uma das situações mais caricatas são os reencontros. Nem todos são bons, é certo, muitos são ligeiros pesadelos, mas outros são frutos suculentos, silvestres e apanhados de forma espontânea, a melhor! Os reencontros não necessitam de ser pessoalmente, podem ser assim mesmo, de ouvir falar, recordar de forma próxima.

A curiosidade motivou uma investigação, pouco foi encontrado. Apenas isto, uma pequena prova.
Os dias passam, vamos conhecendo pessoas novas, tendo experiências novas, trabalhos novos, uma vida nova. Mas os reencontros abalam-nos um pouco. Fazem-nos recordar outros tempos, outras vidas, tão próximas da memória mas, no entanto, tãooooo longe da vida.
--- Maria Miguel Cabo

Reencontros. Reminiscências. Regressos.
I'm waiting for me.

sábado, julho 15, 2006

Click Mr Destiny


Esta noite vi a comédia Click (2006). A história é tão semelhante a uma comédia que me encantou durante a adolescência, Mr. Destiny (1990), com James Belushi. Como filme peca numa fórmula usada e óbvia. Percebe-se, de caras, onde o filme vai terminar... demasiado óbvio mesmo. Mesmo assim, existem conceitos curiosos que me fizeram aqueles que me encantaram em Mr. Destiny (1990). Dar mais valor à família e às pessoas que nos rodeiam é o principal, claro. Mas há ali mais conceitos curiosos, a forma como podemos controlar o nosso destino é uma delas e comum a ambos os filmes. O mais curioso é como podemos estragar o nosso destino quando tentamos tomar controlo dele... claro que o exemplo de Mr. Destiny (1990) é bem melhor do que Click (2006), mas ambos são bem conseguidos, embora um muito mais criativo.

casamento

1h21. É tarde. Amanhã de manhã vou para Torres Novas de comboio, partida do Oriente (a gare). Podia ser apenas mais uma manhã, mais uma viagem. É sempre mais uma manhã, mais uma viagem. Mais um dia. Mas... esta tem um significado em particular. Porquê? Vou passar o fim-de-semana com um amigo que se vai casar dentro de uma semana. É uma altura especial, não só porque é o meu primeiro grande amigo a casar-se (também não tenho assim tantos) e, depois, porque é um dos meus melhores amigos, alguém próximo, e isso faz-me ainda pensar mais. Vou-te contar a quantos casamentos fui recentemente: Nenhum. Vou-te contar a quanto casamentos fui há uns tempos: Nenhum.

Aliás, não me recordo da última vez que fui a um casamento. Indo bem atrás nas minhas memórias recordo-me de ir aquele que julgo ter sido o meu último, não foi nada por aí além. Foi de um colega de trabalho do meu pai, recordo-me de ficar espantado com o dinheiro que o meu pai lhe deu como prenda. Era alguém que conhecia, tinha o nome cativante de Zé Foz, e que até gostava, embora não o conhecesse assim tão bem. Lembro-me perfeitamente de pensar que era estranho como conhecia aquele senhor simpático do local onde ele trabalhava, mas que não conhecia nada da vida que estava ali a testemunhar... a outra vida.
Que idade tinha? Simples, não sei! Talvez 15/16, por aí. Acho que em toda a minha vida, 25 anos, fui a dois casamentos. Um, foi este que falei, outro foi quando tinha uns 10 anos. Era um primo franzino que se casou com uma senhora de peso considerável. Achei todo o ritual estranho, e fiz questão de o demonstrar. Aliás, não me esqueço da minha revolta em ter de comprar roupa para o casamento. PIOR: ter de levar umas calças (espécie de fato) que ficavam ligeiramente abaixo do joelho. Uma espécie de calças de pescador. Curioso como não gostava porque achava incómodo, especialmente para correr, actividade predilecta mesmo em espaços pequenos. Curioso como, agora, é moda e a criaçada gosta do estilo, embora sem ser de fato, claro.
Contas feitas, foram dois casamentos. Ui.
Para este lá fui eu recordar todos esses momentos. Mas houve um problema. Tive de ser eu a ir comprar a roupa que não queria. Pior, um fato. Claro que mãezinha e xojinha tiveram de insistir... "porque um fato é sempre uma coisa que fica e dá jeito"... curioso como em 25 anos de vida nunca me deu jeito, até porque não tinha.

O casamento de alguém próximo costuma ser um momento de felicidade. No meu caso também é, embora não dê grande importância à instituição e acto do casamento. Mas custa tanto ver que estamos a crescer, que nada será como dantes, para o bem e para o menos bem. Custa ver que estamos a passar por um processo usado por outros, por diferentes gerações que, no fundo, foram tão iguais, mesmo com as suas diferenças. Este tipo de coisas causa-me algum receio interior. É daquelas alturas que me questiono, mais uma vez, das escolhas que tenho feito na minha vida. O que quero fazer e para onde quero ir. Noto que a idade vai passando. O casamento é uma etapa que a sociedade nos criou. Juntamo-nos com alguém, que nos ajuda e que nós ajudamos, que nos acarinha e nós acarinhamos, e... casamos. Nem todos passam pelo processo e talvez sejam mais autonómos e felizes assim, mesmo que não tenha sido por escolha própria, mas, no entanto, vão existir muitos momentos em que vão querer tanto ter tido alguém. Dizem-me que temos é dar valor ao que temos. Digo o mesmo.
Sempre que olho para a pilha de jornais do meu quarto (ou a pilha que é actualizada com novos jornais), percebo que o tempo está a passar como um foguetão tenta chegar à Lua. Rápido e de forma amorfa. A vida é para se viver, mas acho que deveria começar tentar vivê-la de outra forma, algo diferente. Talvez em Janeiro tenha eliminado a pilha anterior e fui amontoanda uma pilha de jornais nova. O que é certo é que, mesmo sem exagerar nos jornais colocados, hoje ela quase chega ao tecto. E o que mais dói é que eu nem dei pelo tempo passar. Tenho feito muita coisa, talvez pouca coisa que interesse verdadeiramente.

"This is my last goodbye", ouço no leitor o Jeff Buckley cantar. "Life's too short...", volta a dizer este senhor. Ele já morreu, de uma forma tão normal e assustadora que até custa pensar nisso. A nadar. Era ainda jovem. Tudo o que ele fez, enquanto músico, enquanto pessoa, só valeu até aquele dia, da sua morte. Apesar da sua música ter perdurado, isso não interessa absolutamente, nada. O que interessa mesmo é ele ter vivido como queria, até onde podia, e ter feito aquilo que, naquela altura, mais lhe pareceu certo e lhe deu prazer. Isso conta, ou contou, para ele.
Este é o meu último Adeus.

terça-feira, julho 11, 2006

hearts on fire



A sentir velhos tempos. Hearts On Fire. Bryan Adams.

adeus


E o ecrã ficou branco...

"All we have is this moment, right here, right now. The future is just a fucking concept that we use to avoid being alive today. So, be here now."


"You can´t take a picture of this, is already gone". - Nate, to Claire



nathaniel samuel fisher, jr. 1965 - 2002

go and dance nate!

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I Just Want To Celebrate... Life

terça-feira, julho 04, 2006

boa caminhada para a morte.


This one goes to the one I love. This one goes to the one I left behind.
Eles morreram todos, e eu morri, em parte, com eles. Entre a vida e as suas intensidades, a intensidade final e absoluta é a morte. Daí, Sete Palmos de Terra significar tanto. Significa a morte, e a vida que a ela guia.

Desde muito cedo recordo-me de ter pesadelos sobre a morte. Pesadelos intensos e que, embora sem muito sentido, eram o que de mais real e aterrador parecia existir. Porque a nossa vida tem um fim. Quando somos pequenos e percebemos que um dia, a morte chegará até nós, entramos em pânico. Eu entrei. A solução mais clara, a minha foi, acabou por ser recorrer a alguém mais velho, mais experiente, para partilhar a sua visão da matéria. A minha mãe. A minha querida e paciente mãe. Aquela que me falava da família, a história da minha família, das gerações anteriores, de tudo aquilo que passou e que ela conhecia, de perto, ou de ouvir a mãe dela contar. Não sei bem porquê, aperceber-me de tanto que se passou para trás, tantas pessoas, tanta vida, ajudava-me ligeiramente. Não era só eu. Acontecia. Era a morte. Era natural. Mesmo assim não me tranquilizava totalmente ou não fosse o fim, aparentemente absoluto. Era daquelas questões que logo à primeira pergunta intranquilizava os adultos.

A minha mãe tinha o cuidado de me tranquilizar, naquelas noites de Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro. O Inverno tinha sempre o condão de me tornar mais sensível à vida, ao que se passava à minha volta. Era profícuo em sonhos, pesadelos e introspecção. Descoberta do novo mundo em que me encontrava. Sim, já tinha vários anos neste mundo, neste corpo, neste planeta. Mesmo assim é a partir de certa idade que percebemos determinadas coisas, como por exemplo, a morte.

Como é que alguém tão estimado em vida é colocado debaixo de terra por tempo indeterminado? Uma pergunta legitíma a que poucos pareciam querer responder. Sim, deixou de ter vida, mas não compreendia como é que o corpo poderia deixar de ter vida ou como ao morrer, tratavam-no tão mal. Era por isso que insistia, 'Eu não quero ser enterrado... o meu corpo é para ficar intacto', dizia eu insistentemente para quem queria ouvir, a minha mãe.

A morte é intrinseca a todos nós, neste planeta.
Agora, um quarto de século depois de ter nascido. 25 anos de 'mundo'. Passam-se dias, semanas, meses, anos, sem pensar verdadeiramente na morte. Muito ocupado, pouco tempo para pensar nisso, pouca vontade, comodismo à vida que levo, mesmo que não seja preenchida.
Pensar nisso talvez não ajude ninguém, ou talvez ajude.

Esta noite a série Sete Palmos de Terra fez-me pensar nisso de uma forma intensa e como não pensava há muitos muitos anos. Como nunca nada que tenha sido produzido, para televisão, teatro, cinema, ou outra qualquer forma de expressão artística tinha conseguido.
O último episódio desta série é também o último momento de vida de todas estas personagens tão maravilhosamente belas, irritantes e cheias de vida, tristeza e alegria. É também o meu último momento de vida. Ver a morte e funeral de cada um dos membros daquela amálgama de família fez-me ver, ao mesmo tempo, a minha família e o meu futuro, a minha morte e a minha essência. Aquela que desaparecerá para todo o sempre. Fez-me ver em como é isto que mais nos une e iguala, nós, seres humanos.
Recordo-me de crescer e pensar como seria ver morrer os meus pais, ou os meus irmãos, ou os meus primos, os meus amigos. Ou então morrer primeiro que todos eles, e sentir que deixei tanto.
Façamos o que fizermos, o mais importante que deixamos por cá são as pessoas, aquelas que nos afectaram e afectámos. Não numa perspectiva grandiosa ou de fãs - algo que faz com que tantos se queiram destacar e ter milhares de seguidores - mas na forma de aqueles que tocámos com o nosso verdadeiro ser, esses que são poucos pela ordem natural da vida.
Esta noite chorei compulsivamente, com arrepios, baba e ranho, de beicinho e livremente mais do que na morte de Nate porque, esta noite, morri e vi os meus morrerem, mesmo que fosse durante dois ou três minutos.

Boa noite e... boa caminhada para a morte.

"All we have is this moment, right here, right now. The future is just a fucking concept that we use to avoid being alive today. So, be here now."