É curioso como, em idade adulta, temos menos consciência de que somos
tão insignificantes, na grande ordem do Universo. Vivemos no minúsculo
planeta Terra, num pequeno sistema solar, um cantinho de uma galáxia que
é só mais uma em milhares.
Foi preciso ir a dois museus de história natural norte-americanos (de
Harvard e o Museu de História Natural de Nova Iorque) para voltar a
"sentir" isso de forma tão presente. E é mesmo sentir, porque é uma
sensação que se tem, da pequenez dos nossos problemas, do que somos e do
que significa a nossa vida.
Mesmo assim, não vejo esta "sensação" como algo triste ou que tire
importância à vida e à forma como a vivemos. É pura e simplesmente um
facto, uma realidade que nos circunda (tal como o universo). Na verdade é
esse universo, essa coincidência que é a forma como o planeta Terra
está constituído que nos permite ter aquela coisa a que chamamos vida.
E, segundo o que sabemos, o ser humano é algo muito muito especial neste
universo. Até agora ainda não encontrámos satélites artificiais, nem
sinais de vida inteligente nesse amplo universo.
Para quem quer descobrir e sentir. Quem quer conhecer outras formas de vida e de pensamento, melhor ou pior.
Quem = serEmot futuro.
O que interessa?
Tensões na mente de serEmot
terça-feira, fevereiro 28, 2012
domingo, fevereiro 05, 2012
suck out all the marrow of life
Aqui fica um resumo dos principais arrependimentos das pessoas no leito
de morte, tais como foram testemunhados por Bronnie Ware, uma enfermeira
australiana.
Quem me dera ter tido a coragem de viver de acordo com as minhas convicções e não de acordo com as expectativas dos outros. «Este é o arrependimento mais comum. Quando as pessoas se apercebem de que a sua vida esta a chegar ao fim e olham para trás, percebem quantos sonhos ficaram por realizar. (…) A saúde traz consigo uma liberdade de que poucos se apercebem que têm, até a perderem».
Quem me dera não ter trabalhado tanto. «Este era um arrependimento comum em todos meus pacientes masculinos. Arrependiam-se de terem perdido a infância dos filhos e de não terem desfrutado da companhia das pessoas queridas. (…) Todas as pessoas que tratei se arrependiam de terem passado muita da sua existência nos ‘meandros’ do trabalho».
Quem me dera ter tido coragem de expressar os meus sentimentos. «Muitas pessoas suprimiram os seus sentimentos, para se manterem em paz com as outras pessoas. Como resultado disso, acostumaram-se a uma existência medíocre e nunca se transformaram nas pessoas que podiam ter sido. Muitos desenvolveram doenças cujas causas foram a amargura e ressentimento que carregavam como resultado dessa forma de viver».
Quem me dera ter mantido contacto com os meus amigos. «Muitas vezes as pessoas só se apercebem dos benefícios de ter velhos amigos quando estão perto da morte e já é impossível voltar a encontrá-los. (…) Muitos ficam profundamente amargurados por não terem dedicado às amizades o tempo e esforço que mereciam. Todos sentiam a falta dos amigos quando estavam às portas da morte».
Quem me dera ter-me permitido ser feliz. «Muitos só perceberam no fim que a felicidade era uma escolha. Mantiveram-se presos a velhos padrões e hábitos antigos. (…) O medo da mudança fê-los passarem a vida a fingirem aos outros e a si mesmos serem felizes, quando, bem lá no fundo, tinham dificuldade em rir como deve ser».
via Sol
Quem me dera ter tido a coragem de viver de acordo com as minhas convicções e não de acordo com as expectativas dos outros. «Este é o arrependimento mais comum. Quando as pessoas se apercebem de que a sua vida esta a chegar ao fim e olham para trás, percebem quantos sonhos ficaram por realizar. (…) A saúde traz consigo uma liberdade de que poucos se apercebem que têm, até a perderem».
Quem me dera não ter trabalhado tanto. «Este era um arrependimento comum em todos meus pacientes masculinos. Arrependiam-se de terem perdido a infância dos filhos e de não terem desfrutado da companhia das pessoas queridas. (…) Todas as pessoas que tratei se arrependiam de terem passado muita da sua existência nos ‘meandros’ do trabalho».
Quem me dera ter tido coragem de expressar os meus sentimentos. «Muitas pessoas suprimiram os seus sentimentos, para se manterem em paz com as outras pessoas. Como resultado disso, acostumaram-se a uma existência medíocre e nunca se transformaram nas pessoas que podiam ter sido. Muitos desenvolveram doenças cujas causas foram a amargura e ressentimento que carregavam como resultado dessa forma de viver».
Quem me dera ter mantido contacto com os meus amigos. «Muitas vezes as pessoas só se apercebem dos benefícios de ter velhos amigos quando estão perto da morte e já é impossível voltar a encontrá-los. (…) Muitos ficam profundamente amargurados por não terem dedicado às amizades o tempo e esforço que mereciam. Todos sentiam a falta dos amigos quando estavam às portas da morte».
Quem me dera ter-me permitido ser feliz. «Muitos só perceberam no fim que a felicidade era uma escolha. Mantiveram-se presos a velhos padrões e hábitos antigos. (…) O medo da mudança fê-los passarem a vida a fingirem aos outros e a si mesmos serem felizes, quando, bem lá no fundo, tinham dificuldade em rir como deve ser».
via Sol
quarta-feira, dezembro 21, 2011
quinta-feira, outubro 27, 2011
money...
... Still makes the world go round. And now it comes in billions of billions.
Good luck with that.
sábado, setembro 24, 2011
smells like teen spirit. it does. nirvana.
Up with People. Ando a ver muita gente em baixo. Smells Like Teen
Spirit. Para cima é que é o caminho, nem que se regresse às origens e se
comece de novo. Não se esqueçam de respirar, o resto virá por si. Boa noite e, boa sorte.
Smells Like Teen Spirit. Nirvana. Live.
Smells Like Teen Spirit. Nirvana. Live.
nirvana
s. m.
1. Estado de beatitude muito perfeito que é o objectivo supremo do devoto budista.
2. [Figurado] Apatia, inércia, o nada, o aniquilamento.
ESCOLHAM A PRIMEIRA!!
Load up on guns and bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's over bored and self assured
Oh, no, I know a dirty word
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...
With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido
Yeah! Yay! Yay!
I'm worse at what I do best
And for this gift I feel blessed
Our little group has always been
And always will until the end
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...
With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido
Yeah! Yay! Yay!
And I forget just why I taste
Oh yeah, I guess it makes me smile
I found it hard, it's hard to find
Oh well, whatever, nevermind
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...
With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto,
an albino,
a mosquito,
my libido
A denial. A denial. A denial
A denial A denial A denial
A denial A denial A denial
A denialA denialA denial
quarta-feira, agosto 17, 2011
domingo, julho 10, 2011
moody, i'm in a hank moody mood *
You can't always get what you want.
Os Rolling Stones fizeram destas palavras uma bela, simples e inspirada canção. E se há coisa que aprendemos cedo na vida é que não pudemos ter sempre o que queremos, mas nada nos impede de tentar! Vou ali tentar e já venho. Boa noite e, boa sorte.
* não confundir com a outra Moody, a Moody's, empresa americana especialista em ratings de merda.
Os Rolling Stones fizeram destas palavras uma bela, simples e inspirada canção. E se há coisa que aprendemos cedo na vida é que não pudemos ter sempre o que queremos, mas nada nos impede de tentar! Vou ali tentar e já venho. Boa noite e, boa sorte.
* não confundir com a outra Moody, a Moody's, empresa americana especialista em ratings de merda.
os elementos: água que sacia e cura
Sol e suor sempre combinaram um com o outro.
Sexta-feira à tarde, 15h06, Estádio 1.º de Maio.
A companhia das raquetes, das "amarelas" e do sol de Julho (o que chega ao hemisfério norte da Terra) são um preâmbulo perfeito para uma partida de muitos falhanços, corrida e suor.
O court é maior do que me lembrava desde o último jogo. Há actividades que nos parecem que saem de nós de forma natural e, esta do court, raquete, "amarela" e rede, é uma delas. A competição dá-nos o alento de continuar, de correr, de parar e reagir, de um lado para o outro, com os olhos na bola, concentrados, suados. Mesmo cansados, enferrujados e esgotados não há fim anunciado. A primeira meia hora mais pareceram três horas de esforço e de deambulações. A mão esquerda e os respectivos dedos começam a ficar doridos e calejados. Serviço. Rede. Repito o serviço de forma mais lenta. Ele atira de volta e o jogo voltou.
Corro para o lado esquerdo. Bato a bola para o lado direito, sem arriscar dar efeito. Posiciono-me e espero, concentrado. A bola é devolvida para o meu lado direito. Corro e com a ajuda das duas mãos tento fazer um "chapéu". Out. Saiu para fora. O jogo continua. Os pontos vão sendo atribuídos e o tempo vai passando, jogo a jogo, set a set, suor e mais suor. A segunda meia hora passou mais rápido. O cansaço físico no final é total, mas a cabeça está mais fresca e descomprimida do que nunca. Com o sol a bater, o ar quente quanto baste e as árvores a alegrarem a vista, a água cristalina do bebedouro (que bela palavra) junto ao court elimina a sede e cura o corpo cansado e dorido. E nunca a água soube tão bem.
As circunstâncias moldam as nossas sensações e nada melhor do que agir, competir, fazer e viver... para sentir.
Sexta-feira à tarde, 15h06, Estádio 1.º de Maio.
A companhia das raquetes, das "amarelas" e do sol de Julho (o que chega ao hemisfério norte da Terra) são um preâmbulo perfeito para uma partida de muitos falhanços, corrida e suor.
O court é maior do que me lembrava desde o último jogo. Há actividades que nos parecem que saem de nós de forma natural e, esta do court, raquete, "amarela" e rede, é uma delas. A competição dá-nos o alento de continuar, de correr, de parar e reagir, de um lado para o outro, com os olhos na bola, concentrados, suados. Mesmo cansados, enferrujados e esgotados não há fim anunciado. A primeira meia hora mais pareceram três horas de esforço e de deambulações. A mão esquerda e os respectivos dedos começam a ficar doridos e calejados. Serviço. Rede. Repito o serviço de forma mais lenta. Ele atira de volta e o jogo voltou.
Corro para o lado esquerdo. Bato a bola para o lado direito, sem arriscar dar efeito. Posiciono-me e espero, concentrado. A bola é devolvida para o meu lado direito. Corro e com a ajuda das duas mãos tento fazer um "chapéu". Out. Saiu para fora. O jogo continua. Os pontos vão sendo atribuídos e o tempo vai passando, jogo a jogo, set a set, suor e mais suor. A segunda meia hora passou mais rápido. O cansaço físico no final é total, mas a cabeça está mais fresca e descomprimida do que nunca. Com o sol a bater, o ar quente quanto baste e as árvores a alegrarem a vista, a água cristalina do bebedouro (que bela palavra) junto ao court elimina a sede e cura o corpo cansado e dorido. E nunca a água soube tão bem.
As circunstâncias moldam as nossas sensações e nada melhor do que agir, competir, fazer e viver... para sentir.
sábado, junho 18, 2011
filho
Sou filho da noite, mas não saio de casa
Sou filho da puta, mas não faço mal a uma mosca
Sou filho do rock, mas não sei rockar
Rebelde, rebelde, rebelde, rebelde
O lado negro do rock chama por ti
Entra na roda viva, entra e gira, gira, gira, gira
Morro amanhã, morro amanhã, morro amanhã
Sou filho da puta, mas não faço mal a uma mosca
Sou filho do rock, mas não sei rockar
Rebelde, rebelde, rebelde, rebelde
O lado negro do rock chama por ti
Entra na roda viva, entra e gira, gira, gira, gira
Morro amanhã, morro amanhã, morro amanhã
sexta-feira, junho 17, 2011
filosofias 'socráticas', o verdadeiro...
A vida é uma carruagem
que está sempre em andamento
e nos deixa duas escolhas,
ou subimos a bordo
e percorremos caminhos e experiências,
ou ficamos em terra e quietos... eternamente.
Não fiques parado.
que está sempre em andamento
e nos deixa duas escolhas,
ou subimos a bordo
e percorremos caminhos e experiências,
ou ficamos em terra e quietos... eternamente.
Não fiques parado.
quinta-feira, maio 19, 2011
dias que são dias
Há finais de dias que são tão tristes. Não porque o dia foi bom, ou
porque tudo correu bem e custa acabar. Não. Simplesmente são dias em que
aquela luz mais alaranjada dos últimos raios do sol nos mete
melancólicos e estranhos. O sentimento do dia de hoje é simples: a luz
está a acabar, o dia a encerrar, e tu não o aproveitaste para nada de
especial. Foi só mais um dia, que mais pareceu apenas menos um dia. Que o
seguinte seja diferente. Boa noite e...
sexta-feira, abril 15, 2011
obituário
amanhã começo a escrever o obituário dos meus 30 anos de vida (não tenho
mais, até ao momento, tirando uns dias para a amostra), em formato de
monte de folhas, espera-se. nenhum dos últimos 30 anos volta mais, são
passado e tornaram-se isso mesmo no dia x de Abril. agora resta
deixar-lhes um bom texto de despedida ou homenagem, focando um ou outro
momento desses 30 círculos de 12 meses, uns mais conscientes do que
outros.
PS: tal como qualquer português/político que se preze, começo hoje por prometer, sem qualquer certeza que vá cumprir. o mais provável é não passar de uma intenção nocturna, que passa com a chegada do primeiro sono da noite e o lento acordar da manhã.
PS: tal como qualquer português/político que se preze, começo hoje por prometer, sem qualquer certeza que vá cumprir. o mais provável é não passar de uma intenção nocturna, que passa com a chegada do primeiro sono da noite e o lento acordar da manhã.
segunda-feira, abril 04, 2011
só pode melhorar
Passei parte das últimas 48 horas a ouvir pessoas diferentes, nas suas
casas, a contarem um pouco do que pensam, do que esperam da vida, das
condições que têm e do que sofrem. Curioso como algo profissional, se
torna tão pessoal quando as estórias de vida têm uma voz e uma cara. É
uma sensação estranha que me faz (re)pensar a forma como encaro a vida
em geral e a categorização que vamos ocupando ao longo dos anos e das
circunstâncias.
Solteiro, casado, viúvo, junto em união de facto, com ordenado chorudo, com reforma de 200 euros miserável, desempregado mas com sonhos, a idade, a escolaridade, o medo de perder o emprego, a satisfação total por receber a horas o ordenado, o número de pessoas com quem vivemos... As categorias não nos deviam definir, na verdade não definem totalmente, mas que condicionam profundamente, disso não tenho dúvidas, a julgar pelo que vou ouvindo - uns mais do que outros, umas nacionalidades/culturas mais do que outras.
O sorriso nos lábios de alguém, feliz por poder comunicar com outra pessoa que quer ouvir e dá alguma atenção é tão bonito como triste. Como dizem dois brasileiros (já com nacionalidade portuguesa) que conheci hoje, "a vida só pode melhorar, nem que seja por estarmos vivos e podermos continuar para a frente, a viver".
Solteiro, casado, viúvo, junto em união de facto, com ordenado chorudo, com reforma de 200 euros miserável, desempregado mas com sonhos, a idade, a escolaridade, o medo de perder o emprego, a satisfação total por receber a horas o ordenado, o número de pessoas com quem vivemos... As categorias não nos deviam definir, na verdade não definem totalmente, mas que condicionam profundamente, disso não tenho dúvidas, a julgar pelo que vou ouvindo - uns mais do que outros, umas nacionalidades/culturas mais do que outras.
O sorriso nos lábios de alguém, feliz por poder comunicar com outra pessoa que quer ouvir e dá alguma atenção é tão bonito como triste. Como dizem dois brasileiros (já com nacionalidade portuguesa) que conheci hoje, "a vida só pode melhorar, nem que seja por estarmos vivos e podermos continuar para a frente, a viver".
precisas de mim? então vou ali e já venho
Porque é que o acto de ir ao café ou comprar tabaco e nunca mais voltar à família é TÃO maioritariamente masculino?
Hoje as 'fugas' da família talvez não repitam tanto o cliché, mas acontecem. Tipo: "Estou farto de vocês, não lhes consigo dizer na cara. Piro-me definitivamente alegando que vou fazer algo corriqueiro e parto para outra vida."
É o desejo masculino de não se sentir preso a nada?
Dificilmente será porque a mulher bate no marido... (embora exista violência verbal, psicológica e sentimental...)
É o desejo masculino mais propenso à desistência nas relações?
É o homem menos capaz de cumprir/assumir um compromisso? Claramente (em maioria)... sim.
Hoje as 'fugas' da família talvez não repitam tanto o cliché, mas acontecem. Tipo: "Estou farto de vocês, não lhes consigo dizer na cara. Piro-me definitivamente alegando que vou fazer algo corriqueiro e parto para outra vida."
É o desejo masculino de não se sentir preso a nada?
Dificilmente será porque a mulher bate no marido... (embora exista violência verbal, psicológica e sentimental...)
É o desejo masculino mais propenso à desistência nas relações?
É o homem menos capaz de cumprir/assumir um compromisso? Claramente (em maioria)... sim.
eu sou... ... tem dias.
- sou desempregado, mas faço uns biscates, tenho a ajuda da família, podia ser mais feliz
- sou divorciado, estou com os meus filhos fim-de-semana sim, fim-de-semana não, pago pensão de alimentos choruda, trabalho sábados e domingos ocasionais para poder pagar as contas, podia ser mais feliz
- sou viúva, vivo com o meu gato e o cão, tenho uma reforma de 300 euros, tenho as minhas rotinas, podia ser mais feliz
- sou trabalhador por conta de outrem com um bom ordenado, tenho uma boa casa e posso manter um estilo de vida com férias para sítios agradáveis, com boas vistas e actividades, dar o melhor à família e a mim, tenho sorte por estar assim, vou sendo feliz.
em alturas de crise, o dinheiro parece ajudar mais um bocadinho na hora de ajudar a dar felicidade. pelo menos não há desculpas mentais para não ir... e viver/gastar.
- sou divorciado, estou com os meus filhos fim-de-semana sim, fim-de-semana não, pago pensão de alimentos choruda, trabalho sábados e domingos ocasionais para poder pagar as contas, podia ser mais feliz
- sou viúva, vivo com o meu gato e o cão, tenho uma reforma de 300 euros, tenho as minhas rotinas, podia ser mais feliz
- sou trabalhador por conta de outrem com um bom ordenado, tenho uma boa casa e posso manter um estilo de vida com férias para sítios agradáveis, com boas vistas e actividades, dar o melhor à família e a mim, tenho sorte por estar assim, vou sendo feliz.
em alturas de crise, o dinheiro parece ajudar mais um bocadinho na hora de ajudar a dar felicidade. pelo menos não há desculpas mentais para não ir... e viver/gastar.
sexta-feira, março 11, 2011
todo o mundo é composto de mudança
Refúgio. Farto das redes sociais. Mas não me vejo livre delas. Farto
daquela borbulha na zona do elástico do boxer, mas não há meio de me ver
livre dela. Farto dos políticos, das Deolindas, dos Deolindos, das
injustiças, da incerteza, do buraco do ozono, dos tsunamis e mesmo do
cheiro a napalm pela manhã. Farto da ficção audiovisual, dos clichés,
das tartarugas do trânsito, dos cabr*es desse pasto que é a estrada e
das hipocrisias destes tempos de pornografia tecnológica. Farto de não
estar farto e farto de estar. A insatisfação faz parte do ser humano e
da vida humana em geral e a saturação vem com o território. Por isso,
mudam os tempos, mudam-se as vontades...
domingo, janeiro 16, 2011
terça-feira, outubro 12, 2010
quem somos nós e o que fazemos aqui?
Há alturas do dia (é mais pela noite) em que me questiono: Onde é que nós virámos na curva errada?
Nunca percebi bem o saudosismo exagerado. Mas começo a perceber melhor porque ele surge com facilidade.
Já ouviram falar do Windows 2.0, 2.1, 3.0, 3.1, 95, 98, Me, NT, XP, Vista e 7? Do iPhone 1, 3, 4?
Já ouviram falar da 6.ª geração do Golf ou do restyling do Citroën C4 Picasso?
Já ouviram falar dos políticos profissionais 2.0 cheios de argumentos e marketing a nos venderem o seu produto, eles próprios?
Já ouviram falar nas novíssimas botas de couro mostarda cano baixo e abertura na frente do Marc Jacobs?
Perseguimos bens, empregos e uma vida que nos é vendida e promovida, mas que é irreal e muitas vezes vazia. E o preço dessa vida, muitas vezes, significa que nos vendemos e nos perdemos (a nossa essência).
Algures pelo caminho, numa das várias curvas do destino, chega a parecer que nos perdemos num excesso de capitalismo (ganância absoluta e premiada: «o dinheiro nunca dorme») e de cultura das vendas, da novidade constante e da respiração ao ritmo do marketing. Não que não tenham havido benefícios, vantagens e melhorias. Houve. Mas, nestes dias de crise financeira profunda e de falhanço óbvio das instituições que nos governam, dá vontade de questionar tudo. Incluindo as curvas que os nossos antepassados, ou os seus governantes, curvaram por nós, escolheram por nós.
Daí que citar esse grande poeta dos tempos modernos (nascido, eternizado e desaparecido nos anos 1990), Tyler Durden, nos dias que correm faça todo o sentido:
"God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off."
Nunca percebi bem o saudosismo exagerado. Mas começo a perceber melhor porque ele surge com facilidade.
Já ouviram falar do Windows 2.0, 2.1, 3.0, 3.1, 95, 98, Me, NT, XP, Vista e 7? Do iPhone 1, 3, 4?
Já ouviram falar da 6.ª geração do Golf ou do restyling do Citroën C4 Picasso?
Já ouviram falar dos políticos profissionais 2.0 cheios de argumentos e marketing a nos venderem o seu produto, eles próprios?
Já ouviram falar nas novíssimas botas de couro mostarda cano baixo e abertura na frente do Marc Jacobs?
Perseguimos bens, empregos e uma vida que nos é vendida e promovida, mas que é irreal e muitas vezes vazia. E o preço dessa vida, muitas vezes, significa que nos vendemos e nos perdemos (a nossa essência).
Algures pelo caminho, numa das várias curvas do destino, chega a parecer que nos perdemos num excesso de capitalismo (ganância absoluta e premiada: «o dinheiro nunca dorme») e de cultura das vendas, da novidade constante e da respiração ao ritmo do marketing. Não que não tenham havido benefícios, vantagens e melhorias. Houve. Mas, nestes dias de crise financeira profunda e de falhanço óbvio das instituições que nos governam, dá vontade de questionar tudo. Incluindo as curvas que os nossos antepassados, ou os seus governantes, curvaram por nós, escolheram por nós.
Daí que citar esse grande poeta dos tempos modernos (nascido, eternizado e desaparecido nos anos 1990), Tyler Durden, nos dias que correm faça todo o sentido:
"You're not your job. You're not how much money you have in the bank. You're not the car you drive. You're not the contents of your wallet. You're not your fucking khakis. You're the all-singing, all-dancing crap of the world."
"God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off."
terça-feira, agosto 24, 2010
sábado, junho 19, 2010
goodnight, caldas
As ruas das Caldas estão cheias de esquinas.
As ruas das Caldas estão cheias de memórias.
Estão cheias de estórias, olhares e imaginação.
Cheias de emoções e desilusões escondidas.
De conversas longas, observações peculiares,
frases feitas e clichés nada originais.
As ruas das Caldas são feitas de esquinas.
Ruas feitas de descobertas a cada virar de rua.
Feitas de caras outrora conhecidas e caras novas.
São ruas de descobertas e de imaginações antigas.
As noites das Caldas são circulares.
Por mais que andemos voltamos sempre ao mesmo sítio.
As noites das Caldas são frias.
Por mais que trememos, estamos sempre dispostos a ficar.
As noites das Caldas são distantes.
Por mais que nos lembremos, nunca mais serão as mesmas.
Boa noite, Caldas.
As ruas das Caldas estão cheias de memórias.
Estão cheias de estórias, olhares e imaginação.
Cheias de emoções e desilusões escondidas.
De conversas longas, observações peculiares,
frases feitas e clichés nada originais.
As ruas das Caldas são feitas de esquinas.
Ruas feitas de descobertas a cada virar de rua.
Feitas de caras outrora conhecidas e caras novas.
São ruas de descobertas e de imaginações antigas.
As noites das Caldas são circulares.
Por mais que andemos voltamos sempre ao mesmo sítio.
As noites das Caldas são frias.
Por mais que trememos, estamos sempre dispostos a ficar.
As noites das Caldas são distantes.
Por mais que nos lembremos, nunca mais serão as mesmas.
Boa noite, Caldas.
domingo, fevereiro 07, 2010
who am i?
i put on my old jeans jacket, and face the world. from milano, to los angeles, i feel good, i feel myself, i feel confident, i feel good.
sábado, janeiro 30, 2010
living free
Everything about, living free.
Seaming meeeeeeee. I am waiting the time, when you will see me.
when try on the spit. on the rig. on the pit.
there is something in your eyes, when you see me.
good lord on a mansion. is some king of expression.
i tell you everything about being free.
i will tell the world, what i feel on being me.
there's only one of us who tries, to be in me.
i can't forget about the things, that i could be.
we lost romance, this live for the rebounds.
she's got you high, and you don't even know yet.
open your mind, believe she's gonna teel you.
remember the rain, remember the lips, eyes, bright face,
this world tends do see through.
sheeeee's got you highhhhh
now get down!
Seaming meeeeeeee. I am waiting the time, when you will see me.
when try on the spit. on the rig. on the pit.
there is something in your eyes, when you see me.
good lord on a mansion. is some king of expression.
i tell you everything about being free.
i will tell the world, what i feel on being me.
there's only one of us who tries, to be in me.
i can't forget about the things, that i could be.
we lost romance, this live for the rebounds.
she's got you high, and you don't even know yet.
open your mind, believe she's gonna teel you.
remember the rain, remember the lips, eyes, bright face,
this world tends do see through.
sheeeee's got you highhhhh
now get down!
terça-feira, janeiro 26, 2010
sábado, novembro 21, 2009
segunda-feira, outubro 05, 2009
back to the future
Regresso ao Futuro pode ter sido um período da vida complicado e de excesso de trabalho que Michael J. Fox já nem se recorda bem, mas para mim foi um filme (série de filmes) que marcou uma adolescência.
É curioso ver essa distância. Entre o estado de espírito de quem faz e o estado de espírito de quem consome um produto criativo e de fantasia deste género. Ele era uma peça na engrenagem da saga Regresso ao Futuro. Fez parte dela porque se sujeitou a rodar o filme ao mesmo tempo que gravava a série (memorável já por si) Quem Sai aos Seus. Entrava às 9h na série, saia pelas 17h para ir directamente gravar o filme, acabando as filmagens entre as 4h e as 6h da manhã. Por isso esse período é um pouco nublado para Michael J. Fox. O cansaço não permitiu saborear totalmente a experiência. Ainda assim deu tudo o que tinha, utilizou a sua juventude e a sua inquietude para os papéis que desempenhava e fez história mesmo em condições complicadas.
Sei o que é isso de, quando o cansaço invade por completo mente e corpo, deixarmos agir o piloto automático. Raios, já temos uns anos disto (vida) e já fizemos muita coisa, basta tentar que o piloto automático reflicta a nossa melhor face. E não é que chega a resultar na perfeição. Já me aconteceu recentemente ter uma pressa descomunal, um cansaço incrível e conseguir fazer em condições difíceis, depressa e bem. É o tal piloto automático. Traz riscos, é certo. Mas quando resulta chega a ser cómico. É como se não fossemos nós a fazer aquilo. Estávamos a descansar enquanto o corpo agia por nós, se tudo corresse bem numa boa versão de nós mesmos. É uma sensação quase extra-corporal, mesmo.
É curioso ver essa distância. Entre o estado de espírito de quem faz e o estado de espírito de quem consome um produto criativo e de fantasia deste género. Ele era uma peça na engrenagem da saga Regresso ao Futuro. Fez parte dela porque se sujeitou a rodar o filme ao mesmo tempo que gravava a série (memorável já por si) Quem Sai aos Seus. Entrava às 9h na série, saia pelas 17h para ir directamente gravar o filme, acabando as filmagens entre as 4h e as 6h da manhã. Por isso esse período é um pouco nublado para Michael J. Fox. O cansaço não permitiu saborear totalmente a experiência. Ainda assim deu tudo o que tinha, utilizou a sua juventude e a sua inquietude para os papéis que desempenhava e fez história mesmo em condições complicadas.
Sei o que é isso de, quando o cansaço invade por completo mente e corpo, deixarmos agir o piloto automático. Raios, já temos uns anos disto (vida) e já fizemos muita coisa, basta tentar que o piloto automático reflicta a nossa melhor face. E não é que chega a resultar na perfeição. Já me aconteceu recentemente ter uma pressa descomunal, um cansaço incrível e conseguir fazer em condições difíceis, depressa e bem. É o tal piloto automático. Traz riscos, é certo. Mas quando resulta chega a ser cómico. É como se não fossemos nós a fazer aquilo. Estávamos a descansar enquanto o corpo agia por nós, se tudo corresse bem numa boa versão de nós mesmos. É uma sensação quase extra-corporal, mesmo.
sexta-feira, setembro 11, 2009
"tonecas larga o bife" de esferovite
Numa altura em que se fala que o programa da RTP1 Lições de Tonecas deveria ter tido mais protagonismo no resumo do humor em Portugal, Divinas Comédias, chamo a atenção para o seguinte:
Incrível foi terem-se esquecido de uma interpretação do Tonecas bem mais memorável. Aquela que eu fiz no final da 4.ª classe, bem antes da série ter aparecido na RTP1. Era o Tonecas no Natal, a comer bifes e batatas de esferovite e a fazer a vida negra a todos os seus familiares. Ora, sinto-me muito triste pelas Divinas Comédias não terem falado naquela boa interpretação.
Não existem imagens, é certo, mas faziam uma reprodução.
Depois daquela tarde na Escola do Bairro da Ponte das Caldas da Rainha, o humor em Portugal nunca mais foi o mesmo... pelo menos para mim
Incrível foi terem-se esquecido de uma interpretação do Tonecas bem mais memorável. Aquela que eu fiz no final da 4.ª classe, bem antes da série ter aparecido na RTP1. Era o Tonecas no Natal, a comer bifes e batatas de esferovite e a fazer a vida negra a todos os seus familiares. Ora, sinto-me muito triste pelas Divinas Comédias não terem falado naquela boa interpretação.
Não existem imagens, é certo, mas faziam uma reprodução.
Depois daquela tarde na Escola do Bairro da Ponte das Caldas da Rainha, o humor em Portugal nunca mais foi o mesmo... pelo menos para mim
quarta-feira, agosto 19, 2009
is everybody in? the ceremony is about to begin... wake up!
Era ao som de Jim Morrison e das suas longas e profundas orações, em plena madrugada e num quarto de janela com vista para a Rua Ferreira Lapa, 33 (entre a Av. Duque de Loulé e a Rua do Conde Redondo - Lisboa) que um jovem português planeava conquistar o mundo (que mais não fosse, o seu).
"We want the world and we want it... now!"
"We want the world and we want it... now!"
segunda-feira, julho 27, 2009
sábado, julho 25, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
bom dia noite
Custa tanto acostumar o corpo a deitar mais cedo depois de um período a deitar tarde...
Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.
Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...
Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.
Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...
A Cradle Song By William Blake
Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.
Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.
Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.
Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.
Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.
Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,
Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,
Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.
Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.
Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.
Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.
Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.
Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.
Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,
Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,
Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.
sábado, junho 13, 2009
sexta-feira, junho 12, 2009
a noite. a noite. a noite. a noite.
Há qualquer "coisa" que nos une a todos. Sermos humanos é uma dessas "coisas", é certo. Outra é todos nascermos, crescermos e habitarmos no mesmo planeta, a Terra. Partilhamos isso, pelo menos. Com a complexidade cerebral vem grande complexidade no dia a dia. Temos de lidar com essa complexidade.
Viver é como uma busca por algo.
Mesmo que encontremos muita coisa, há sempre algo por procurar.
É bom que assim seja.
Nessa busca nem sempre olhamos para o nosso lado.
Nem sempre vemos, percebemos ou nos disponibilizamos a ajudar outros que estão com dificuldades para encontrar a busca mais simples.
Pessoas boas, cheias de virtudes e sorrisos fáceis são atingidas por essa falta de alguém que lhes dê aquilo que elas merecem. Timidez ajuda à equação.
Muitas resistem bem sozinhas. São independentes, mesmo com as pressões da sociedade. Mas isso não deixa de lhes trazer uma sensação de vazio em muitos momentos. Se tiverem vários amigos, verdadeiros, ajuda a ultrapassar esse vazio. Especialmente se eles também estiverem sozinhos.
Um dos hábitos comuns nos homens de parte da minha família, os semot, passa por passear à noite de carro pelas redondezas. O meu avô é campeão desses passeios. O meu pai menos. E eu ainda menos. Ainda assim são passeios que dão para clarificar as ideias e reflectir. Enquanto passamos pelas vivendas da Encosta do Sol, onde caldenses endinheirados fazem contas às suas vidas e pensam como podem colocar o seu dinheiro ao serviço da sua felicidade, respiramos fundo e reflectimos graças à calma e imensidão da noite. Há qualquer coisa de pacificamente inspirador em conduzir pela zona das Caldas à noite (em Lisboa o efeito é semelhante, já experimentei).
Quando passo pela rotunda junto ao tribunal penso nos miúdos cheios de esperança e em busca de animar a sua noite a caminho de um bar ou da discoteca. Rapazes e raparigas, ou só rapazes ou só raparigas. Namorados de uma noite e amizades de uma só escola.
Quando passo pelo Bairro da Ponte vejo alguns velhos a olharem a noite, a questionarem o bairro sobre o tempo que já passou e não volta mais.
Quando passo pelo Café Creme, vejo um homem de meia idade que mudou de vida para ter mais tempo para a família e para si próprio. Uma vida mais calma. Que ele possa controlar e comandar.
Quando passo pelo Xantarim vejo velhos meio tocados a beber a enésima cerveja e a olhar para o televisor, discutindo sobre banalidades desportivas como se fosse o momento mais determinante das suas vidas. Buscam garras e viralidade que o tempo e a sociedade e algumas das esposas apagaram. Vingam-se nas discussões desportivas e na condução revoltada na estrada.
Quando passo por mais um restaurante italiano caldense, um casal com mais de 35 tenta apimentar o seu dia a dia monótono com uma saída à noite. Ela ralha com ele. Ele vira os olhos e bufa quando ela está de costas. Ao lado, um casal da mesma idade tem os dois filhos muito novos na mesa. Riem-se muito um para o outro e beijam-se prolongadamente sempre que podem. Os filhos parecem indiferentes ao marmelanço dos pais. Já o casal do lado olha com um misto de irritação e ciúme pela "marmelada".
Quando passo pelas rotundas junto à biblioteca vejo uma rapariga a caminhar para casa sozinha. É do tipo de raparigas que vão ter com os seus gatos. Ainda não encontraram o que lhes falta. Saem pouco. Vivem pouco. Trabalham e pouco mais. Não acharam o que procuravam. Não desistiram, mas os sítios para procurar são cada vez mais pequenos e ínfimos. Têm poucos amigos verdadeiros. São bonitas mas não ostensivas. Simpáticas mas não extrovertidas. Sorridentes mas não preenchidas. Andam por aí montes de rapazes na mesma situação.
Longe da adolescência e longe do paradigma de adulto. Buscam muitas vezes o mesmo mas não se encontram, não fazem por se encontrar, não fazem por resultar. Não juntam os trapos. E vão todos para as suas casas, vazias. Sozinhas. Vazias. Grandes. Vazias. Com o gato como companhia nova. Um dia vão encontrar companhia para partilhar a vida e vai valer a espera. É nisso que acreditam.
A noite esconde tudo aquilo que buscamos. É o fim do dia. É o fim de mais uma página na nossa vida. Podemos parar, olhar para o que fizemos nesse dia, nessa semana, nesse mês, nesse ano e mesmo nessa década. Podemos parar e reflectir no que vamos fazer amanhã, quando o sol inaugurar mais uma página, o que vamos fazer na próxima semana, no próximo mês, no resto do ano ou na próxima década. A noite traz com ela o olhar de quem espera. De quem busca. De quem vive e aguarda viver mais um dia. A noite coloca tudo em perspectiva, mesmo que seja no final de uma noitada, já de madrugada. A noite leva-nos a tentar perceber o que fizemos e para onde vamos. Mesmo que não façamos a mínima ideia porque fizemos o que fizemos e porque seguimos o caminho que seguimos. A noite deixa-nos na língua o sabor de algo mais, algo que ainda não concretizámos. A noite faz-nos sonhar pelo inalcansável e acreditar que é possível lá chegar, mas também perceber que chegámos ao fim de mais uma página sem alcançar o que procurávamos e a cumprir novamente uma rotina que foi escolhida para nós.
A noite dói. A noite faz sorrir. A noite faz chorar. A noite faz sentir.
Viver é como uma busca por algo.
Mesmo que encontremos muita coisa, há sempre algo por procurar.
É bom que assim seja.
Nessa busca nem sempre olhamos para o nosso lado.
Nem sempre vemos, percebemos ou nos disponibilizamos a ajudar outros que estão com dificuldades para encontrar a busca mais simples.
Pessoas boas, cheias de virtudes e sorrisos fáceis são atingidas por essa falta de alguém que lhes dê aquilo que elas merecem. Timidez ajuda à equação.
Muitas resistem bem sozinhas. São independentes, mesmo com as pressões da sociedade. Mas isso não deixa de lhes trazer uma sensação de vazio em muitos momentos. Se tiverem vários amigos, verdadeiros, ajuda a ultrapassar esse vazio. Especialmente se eles também estiverem sozinhos.
Um dos hábitos comuns nos homens de parte da minha família, os semot, passa por passear à noite de carro pelas redondezas. O meu avô é campeão desses passeios. O meu pai menos. E eu ainda menos. Ainda assim são passeios que dão para clarificar as ideias e reflectir. Enquanto passamos pelas vivendas da Encosta do Sol, onde caldenses endinheirados fazem contas às suas vidas e pensam como podem colocar o seu dinheiro ao serviço da sua felicidade, respiramos fundo e reflectimos graças à calma e imensidão da noite. Há qualquer coisa de pacificamente inspirador em conduzir pela zona das Caldas à noite (em Lisboa o efeito é semelhante, já experimentei).
Quando passo pela rotunda junto ao tribunal penso nos miúdos cheios de esperança e em busca de animar a sua noite a caminho de um bar ou da discoteca. Rapazes e raparigas, ou só rapazes ou só raparigas. Namorados de uma noite e amizades de uma só escola.
Quando passo pelo Bairro da Ponte vejo alguns velhos a olharem a noite, a questionarem o bairro sobre o tempo que já passou e não volta mais.
Quando passo pelo Café Creme, vejo um homem de meia idade que mudou de vida para ter mais tempo para a família e para si próprio. Uma vida mais calma. Que ele possa controlar e comandar.
Quando passo pelo Xantarim vejo velhos meio tocados a beber a enésima cerveja e a olhar para o televisor, discutindo sobre banalidades desportivas como se fosse o momento mais determinante das suas vidas. Buscam garras e viralidade que o tempo e a sociedade e algumas das esposas apagaram. Vingam-se nas discussões desportivas e na condução revoltada na estrada.
Quando passo por mais um restaurante italiano caldense, um casal com mais de 35 tenta apimentar o seu dia a dia monótono com uma saída à noite. Ela ralha com ele. Ele vira os olhos e bufa quando ela está de costas. Ao lado, um casal da mesma idade tem os dois filhos muito novos na mesa. Riem-se muito um para o outro e beijam-se prolongadamente sempre que podem. Os filhos parecem indiferentes ao marmelanço dos pais. Já o casal do lado olha com um misto de irritação e ciúme pela "marmelada".
Quando passo pelas rotundas junto à biblioteca vejo uma rapariga a caminhar para casa sozinha. É do tipo de raparigas que vão ter com os seus gatos. Ainda não encontraram o que lhes falta. Saem pouco. Vivem pouco. Trabalham e pouco mais. Não acharam o que procuravam. Não desistiram, mas os sítios para procurar são cada vez mais pequenos e ínfimos. Têm poucos amigos verdadeiros. São bonitas mas não ostensivas. Simpáticas mas não extrovertidas. Sorridentes mas não preenchidas. Andam por aí montes de rapazes na mesma situação.
Longe da adolescência e longe do paradigma de adulto. Buscam muitas vezes o mesmo mas não se encontram, não fazem por se encontrar, não fazem por resultar. Não juntam os trapos. E vão todos para as suas casas, vazias. Sozinhas. Vazias. Grandes. Vazias. Com o gato como companhia nova. Um dia vão encontrar companhia para partilhar a vida e vai valer a espera. É nisso que acreditam.
A noite esconde tudo aquilo que buscamos. É o fim do dia. É o fim de mais uma página na nossa vida. Podemos parar, olhar para o que fizemos nesse dia, nessa semana, nesse mês, nesse ano e mesmo nessa década. Podemos parar e reflectir no que vamos fazer amanhã, quando o sol inaugurar mais uma página, o que vamos fazer na próxima semana, no próximo mês, no resto do ano ou na próxima década. A noite traz com ela o olhar de quem espera. De quem busca. De quem vive e aguarda viver mais um dia. A noite coloca tudo em perspectiva, mesmo que seja no final de uma noitada, já de madrugada. A noite leva-nos a tentar perceber o que fizemos e para onde vamos. Mesmo que não façamos a mínima ideia porque fizemos o que fizemos e porque seguimos o caminho que seguimos. A noite deixa-nos na língua o sabor de algo mais, algo que ainda não concretizámos. A noite faz-nos sonhar pelo inalcansável e acreditar que é possível lá chegar, mas também perceber que chegámos ao fim de mais uma página sem alcançar o que procurávamos e a cumprir novamente uma rotina que foi escolhida para nós.
A noite dói. A noite faz sorrir. A noite faz chorar. A noite faz sentir.
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